Um assalto, um socorro e policiais. Será que tudo foi encenação?
20/12/2006 at 13:50 (Curiosidades)
Sai do jornal onde trabalhava perto das seis da tarde daquele sábado. Parei no sinal em frente ao Palácio do Governo e esperei. De repente um homem surgiu na porta do carro com uma faca no meu pescoço. Fiz o que mandou e seguimos naquela estrada pouco movimentada e escura. Mandou que saísse da pista. Segurando-me pelo colarinho, disse: “Passe o dinheiro, o cordão, a chave e saia do carro”. Fora do carro mandou que tirasse a roupa e os sapatos. Contestei e ele passou a me chutar. Comecei a falar que era casado, que tinha filho pequeno, que ele já tinha tudo, inclusive o carro, e que me deixasse ali. Continuou batendo. Quando me abaixei para tirar os sapatos, uma força que não sei de onde veio se instalou em mim e aceitei em cheio no meio das pernas dele. Surpreso, ele colocou as mãos no sexo e eu aceitei novamente na cabeça dele. Feito isso sai correndo sem camisa no escuro em direção ao asfalto e ele corria, a certa distância, atrás de mim. Vi uma luz vindo na direção e fiquei bem no meio da pista. Era uma moto e quase me atropelou. Continuei a correr e ai veio um carro. Fiquei no meio da pista novamente e o carro parou. Ofegante, disse ao motorista que estava sendo assaltado e pedi ajuda para evitar que o ladrão levasse o meu carro. O motorista apontou uma arma na minha direção e disse para levá-lo até o carro. Sai andando com os faróis nas minhas costas.
Visto o carro, o motorista saiu e passou a gritar: venha filho disso e daqui, não é homem? Venha aqui que eu quero meter oito balas na sua cabeça! Nada aconteceu. O ladrão estava escondido no mato. Então o motorista, em voz alta disse: “vou lhe dar esta arma e vou chamar a polícia. Se ele aparecer você enfia essas balas na cabeça dele”. Quando segurei a arma percebi que era um vidro de creme ou shampoo e que na escuridão parecia uma arma. Não tive mais como reagir porque o motorista já tinha dado marcha a ré e voltado na direção de onde tínhamos vindo. Fique andando ao redor do carro com “a arma” na mão apontando como se assim fosse. Em poucos minutos dois camburões da polícia chegaram com o motorista. Fizeram uma varredura no local, com faróis ligados, e nada. O ladrão havia sumido. Fui com o motorista em casa buscar a chave reserva e a polícia ficou no local. Voltamos e nos despedimos. O motorista me abraçou e disse que trabalhava em uma praça ali perto. No outro dia voltei ao local e achei a chave. O ladrão não levou nada porque antes de sairmos para fora do carro ele deixou tudo no banco. Fui até a praça procurar o motorista e ninguém conhecia alguém com tal descrição. E os policiais eram de verdade? Fui na delegacia e não havia registro algum sobre o ocorrido e eu havia assinado um papel. Pouco tempo depois pedi demissão e aceitei o convite para ir para a China porque compreendi que estava na direção errada da minha vida e aquele assalto era uma advertência.

