Seriam mesmo os “pretos velhos” pretos e velhos?

Não estudei  este assunto profundamente, conto apenas a minha experiência. Em 1979, quando cheguei a Brasília, fui levado por uma colega de trabalho para uma sessão no Centro Espírito Cícero Pereira, uma pequena casa de madeira ao estilo dos barracões do início de Brasília. Detestava essa colega porque ela vivia puxando todo mundo para aprender inglês e insistia para que eu a acompanhasse até aquele centro. Fui, na verdade, para me livrar dela. Ao chegar a minha hora de ser atendido, várias entidades se manifestaram. Muitos deles pesadas, agressivas e com cara de inimigo. Estava muito assustado até que um deles se dizendo “Preto Velho” a mim se dirigiu e começou a descrever o meu momento e a me falar do futuro. Fiquei encantado com o tal Pai Sebastião, e surpreso por saber tanto a meu respeito sem ninguém naquela casa me conhecer tanto, inclusive a minha colega de trabalho. Sai dali leve, agradecido e, nos próximos cinco anos, nunca mais deixei de ir. La, passei por inúmeros tratamentos, regressões, puxões de orelha, aconselhamentos e, acima de tudo, me sentia amado pelas entidades. Levei muito a sério os sermões de Pai Sebastião, apesar de não gostar do seu sotaque e palavreado em português errado. Cheguei até a duvidar da médium que incorporava a entidade, achando que ela estava inventando o sotaque porque o conteúdo ela não estava. Passei a ler os livros de Chico Xavier, que eram naquela época difíceis de achar em Brasília. Ao mesmo tempo fui literalmente empurrado para uma banca de revista em um ponto de ônibus onde existiam inúmeros livros do budismo tibetano. Muitos anos depois iria descobrir que o Budismo é muito semelhante, em alguns aspectos, ao Espiritismo praticado no Brasil, com a diferença que o Budismo não é religião e sim uma filosofia de vida. Devo dizer que minha vida tomou um rumo jamais imaginado depois das minhas idas àquele lugar tão simples, gratuito, e depois que comecei a entender a minha conexão com o mundo paranormal que eu tanto temia, mas que fui inteligente o suficiente para não ignorá-lo. Rezo, do meu jeito, todas as noites e toma a “bênção” a todos os mestres e guardiões, sempre menciono alguns nomes, inclusive o de Pai Sebastião. O tempo passou e fui trabalhar em Nairobi, Quênia, no leste da África, em 2002. Um belo domingo pela manhã acordo cheio de preguiça, meio gripado e resolvo ficar na cama. De repente entra pelo quarto um homem de aparência indiana e na casa do 50 anos. Assustado, sento-me na cama  e pergunto o que ele quer e como entrou na minha casa. Ele sorri, calmo e sereno. Neste momento percebo que é uma entidade espiritual. Ele diz: “você me conhece com outro nome…”. Qual? “Pai Sebastião” – responde. Fico profundamente emocionado e ele toca o meu pé direito, dizendo: “naquela época era preciso aparentar aquela forma, hoje não”. Outro olhar carinhoso e sumiu. Comecei a chorar de emoção e adormeci mais uma vez. Quando acordei estava completamente curado da gripe. Hoje compreendo que a ignorancia precisava de máscaras, mas era tudo unilateral. Salve Pai Sebastião!

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