Sempre é tempo de perdoar

para-o-site-006.jpgAté eu pensava que as cobranças sobre os nossos erros nesta vida só apareciam quando a gente morria. Agora sei que não. Nos últimos tempos, o universo tem me devolvido, bem na cara, o meu lixo anterior a esta vida. Sim, as imagens vêm nitidamente, como se você tivesse em viagem astral, mas na verdade é o acesso direto aos registros do meu próprio livro espiritual eterno – que todos temos. Talvez tenha essa facilidade porque já estou treinado nas viagens astrais e também pela minha dedicação ao meu próprio desenvolvimento espiritual e como ser humano em geral. A gente é, ao mesmo tempo, advogado e réu. Não existem tribunais fora da gente mesmo, isto é: nem céu nem inferno. A conta vem pra gente mesmo encarar, nitidamente. É como faculdade. A gente sofre, mas quando se diploma e arranja emprego é bom ver o contra-cheque gordo. Espiritualmente não há contra-cheque assim como não faz sentido o tal dízimo cobrado por algumas seitas. Na cobrança do registro individual do universo, a gente é obrigado a visualizar cara-a-cara as besteiras que fez em outras vidas, bem aqui e agora, de carne e osso, e não tem como recusar ou reclamar. É uma brasa quente na mão, que gruda e não tem a quem pedir socorro. Não é fácil viver entre dois mundos nem saber lidar com uma coisa e com a outra sem correr o risco de se perder. É preciso treinar e estudar bastante. De maneira alguma estou aqui reclamando, muito pelo contrário, eu gosto muito porque é uma oportunidade de redimir, perdoar e ser perdoado enquanto tenho a consciência física porque “longe é um lugar que não existe”, isto é, o tempo é hoje mesmo, aqui, agora. Embora o acontecimento tenha sido registrado em outro tempo, quando ele se projeta hoje é porque hoje pode ser resolvido, dissolvido, perdoado, refeito no tempo.Desta vez estava em um grande “convento” budista e era o chefe do ensino. Voltamos do almoço e cada um tinha o direito de tirar um pequeno cochilo, inclusive eu. Quando todos se preparavam, duas senhoras bateram na porta. Alguém foi atenter e todos pararam para ver porque era inesperado. Elas queriam limpar o dormitório. Olharam para mim e uma apontou as teias de aranha no teto. Fiquei surpreso quando vi que nunca tinha me dado conta de tanta sujeira nas paredes e tanta teia de aranha no teto de madeira, alto. Fiz sinal positivo e eu mesmo abri uma das janelas para entrar a claridade. Neste momento, um dos monges veio até a mim, desrespeitoso, agitado, reclamando que tinha o direito de tirar uma soneca naquela hora, a única que tinha. Olhei para ele, fiz sinal com a mão para que ele se calasse, mas não adiantou. Todos olhavam a cena.  Vendo que ele não obedecia, eu coloquei a mão na boca dele, meio agressivo. Neste momento, fui puxado para o meu corpo atual e uma pergunta soava como se uma multidão estivesse gritando: como um chefe tem um comportamento agressivo com um inferior? Olhei no relógio e eram três da manhã. Parecia que o mundo inteiro estava olhando para mim naquele momento, de muito arrependimento. Como de costume, iniciei Reiki à distância para aquele momento, aquelas pessoas e para monge que agredi. E me perdoei por aquela ignorância. O perdão é a única chave que desfaz nó eterno.

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