O tempo não pára

VIAGEM ASTRAL

Fui chamado a trabalhar fora do corpo. Já havia um grupo de cerca de 50 pessoas esperando no local, ninguém conhecido. O cenário era escuro, úmido, sombrio. Este grupo estava no alto da colina observando o movimento de uma quantidade muito maior de pessoas lá embaixo, numa pequena vila que parecida na Europa. Aproximei-me de dois senhores, vestidos conservadoramente, e perguntei em que tempo estávamos. Eles me responderam com a mesma pergunta. Disse que vinha de 2008. Eles se entreolharam e um respondeu que estávamos em 1729. Qual é a nossa missão? É impedir que um anjo nasça, respondeu. Que anjo? Um deles apontou para algo atrás de mim. Quando olhei, minha visão fez uma espécie de zoom e vi com clareza a multidão na vila unindo forças para trazer um dos anjos do outro lado da luz para esta vida, com a mesma devoção que pessoas trabalham pelo bem.

Eles usavam a energia das pessoas daquela vila para fazer a mãe suportar a energia daquele que iria nascer. A imagem da mãe se confundia com a imagem de quem ia nascer – um ser sem forma definida, ávido por um corpo humano. A mulher havia se tornado apenas um pedaço de carne, nada mais. O espírito original dela havia sido retirado há muito tempo, desde o início do plano de retorno daquele anjo sem luz. Pude compreender que a relação sexual que gerou o bebê não tinha sido nem por amor nem por vontade própria – foi algo animal… A fraqueza espiritual das pessoas envolvidas, e da mulher em particular, facilitaram a ocupação do corpo físico e a expulsão do espirito original. A vila seguia uma religião atrasada e precisava de um líder mais poderoso do que aquele que já atrasava a vida daquelas pessoas. Comecei a rezar mas as orações não tinham efeito. Era preciso que eu firmasse o pensamento no amor e direcionasse para aquele evento. Ao ver todo mundo ocupado, comecei a chamar por todos os anjos que conheço. Cada ser presente neste encontro trabalhava no que sabia fazer, não havia comando e toda conversa era mental, quando necessário. O silêncio envolvia a todos.

O grupo se voltou, quase que orquestrado, para um dos lados e vi que uma figura maravilhosa descia do espaço para ajudar nos trabalhos. Era uma figura de mulher muito conhecida, vestida com um manto azul e branco, deslizando no espaço sem transporte algum, somente uma espécie de aura a envolvia. Fiquei bastante emocionado e fui chamado à atenção: “Não se emocione”, disse uma figura masculina, com muitas ervas medicinais nas mãos, que estava ao meu lado. Por quê? “Porque a emoção diminui a sua corrente vibratória e precisamos estar em harmonia”. Respirei fundo para “reativar” meu corpo físico e controlar a emoção. Era a primeira vez que via seres angelicais evoluídos trabalharem ao lado de seres até encarnados como eu e outras pessoas que ali estavam.

Quando aquela figura feminina chegou ao chão, imediatamente uma espécie de máquina, como se fosse um computador gigante, foi materializada bem perto de onde estávamos. A figura assumiu o controle da máquina e o grupo inteiro aumentou a vibração positiva. Passei a repetir a palavra amor, sem parar, fazendo ela se materializar. Em seguida, a figura feminina chamou alguém para assumir seu lugar no comando da máquina e, antes que eu perguntasse quem era, alguém olhou pra mim e disse: “é um técnico do tempo, que irá desativar a programação do nascimento daquele anjo”. O técnico trazia algo na mão parecendo massa de pizza marron. Colocou sobre a máquina e a “massa” foi transmitida para a barriga da mãe. A mãe se contorcia toda e a massa iniciou o processo de expulsão do feto. Neste momento notei que aqueles lá da vila não sabiam da nossa presença. A mãe começou a abortar o “bebê” que não tinha espírito ainda (era alimentado de fora por aquele que iria ocupar o seu corpo). A vila inteira olhou na nossa direção e um grupo de “guerreiros” avançou para atacar. O cenário era horrível. Aqueles seres assumiram as mais terríveis formas e faces, bem como criaram mentalmente armas de ataque, incluindo fogo –  alguns simplesmente se transformavam em desenhos, como aqueles de pixação das ruas. Notei que uma espécie de proteção de vidro havia sido estabelecida na nossa frente, mas aqueles seres apostavam na fraqueza e possível medo de quem estava do lado de cá, inclusive eu. A intenção era distrair e diminuir a força para que o “bebê” não fosse abortado e o processo revertido. Todo o nosso grupo foi atacado. Um enorme ser com aparência de animal, como se fosse um urso preto grande me atacou. Visualizei minha aura expandida neutralizando ele e pela primeira vez pude ver que controlava a aura pela mente. Imediatamente ele se transformou em um minúsculo mosquito e tentou entrar no meu ser pelos pés, onde eu havia esquecido de expandir a aura para debaixo do chão. Era tudo muito rápido e o barulho ensurdecedor que aquele grupo atacante fazia lembrava uma música eletrônica “tum-tum-tum”.

Quando os mosquitos se multiplicaram em milhares, eu pedi ajuda e fui colocado atrás do grupo de índios. A proteção de vidro se transformou em um enorme emissor de luz dourada e iluminou toda a vila. O corpo da mãe jazia no chão sem vida e sem espírito, e do tal “bebê” só se via a “massa. Os humanos da vila dormiam como se tivessem sido medicados. O grupo atacante evaporou-se no espaço como se todos fossem um só.

Ao voltar ao meu corpo, estava três horas atrasado para ir ao trabalho e havia na minha rua um inesperado engarrafamento.  Geralmente, àquela hora da manhã, a minha rua é calmíssima. Por que a espiritualidade não executou o trabalho sozinha, isto é, chamou pessoas encarnadas como eu? Em 1729, o meu ser estava em transição, havia desencarnado em 1718 e tinha pouca consciência do que havia acontecido. Essas viagens no tempo, tanto passado quanto futuro, independem da condição em que o ser se encontra, encarnado ou não, porque o tempo não pára e somos imortais. O que parece estar acontecendo é que a espiritualidade passou a envolver as pessoas encarnadas nos trabalhos universais de co-criação, co-responsabilidade, co-ação. Sei que não sou o único porque sempre vejo muita gente encarnada nos trabalhos como este. Se meu raciocínio estiver correto, será que o portal de 2012 já começou? José Joacir dos Santos  é  xamã. jjoacir@yahoo.com

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