O segredo da iniciação está na qualidade do perfume

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Hebreus, 6:2: “E da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno”.

Um louco falador colocava-se à disposição de quem desejasse, no meio de um riacho, e sobre suas cabeças colocava suas mãos e abençoava. Elas saíram dali molhados e sentindo-se diferentes. Em certo momento, o seu DNA foi ativado como um relâmpago. O mundo passou a girar em câmara lenta, silencioso, e ele não conseguia tirar os olhos daquele homem que se aproximava anonimamente, em silêncio, para receber a sua bênção. Na cabeça do louco as imagens se processavam a uma velocidade incontrolável, com mensagens e códigos de um mundo distante e até incompreensível. Enfim o desconhecido levanta os olhos e acontece entre ambos uma leitura rápida, de imagens conhecidas, que se juntam para cumprir um código. A profecia se consumou: João Batista inicia Jesus.

No momento da iniciação, de qualquer tipo, o iniciante conecta o iniciado com a linhagem espiritual a que pertence e neste exercício são confirmados os padrões mentais de todo o grupo. Pouco tempo depois de iniciar Jesus, o louco João Batista foi preso e da cadeia saiu em pedaços para o túmulo. Sua cabeça foi oferecida em bandeja de prata para cumprir o desejo do espírito da escuridão das noites. No momento em que cruzou os olhos com Jesus ele foi informado de que a sua inglória missão havia chegado ao fim e que daquele instante em diante o seu relógio vital estaria em contagem regressiva.

Nada a se preocupar, o Louco de Deus aceitou e fechou o selo. Daquele momento em diante a linhagem continuada por Jesus teria filas quilométricas através dos séculos e o padrão vibratório seria alterado de acordo com a instabilidade do coração dos homens. Ao lançar hoje um olhar sobre as diferentes manifestações da cristandade a sensação é a de que pouco restou do perfume original na linhagem das responsáveis pelas religiões.

De inquisições, fogueiras, condenações, degredo além mar e estádios cheios de coletores de dinheiro o inferno se fortaleceu e o céu ficou cada vez mais parecido com a travessia de um camelo por um buraco de agulha e o incentivo à fé escorrega entre os dedos de poucos fiéis seguidores da luz. Onde tudo deu errado? Nas iniciações! Em algum momento o iniciado deixou que a avareza, o ódio, a política, o negócio, a covardia e muitos outros padrões e interesses humanos tomassem o lugar do perfume original e dessa essência vieram falsificações, imitações, franquias, ideologias, teologias, direitos autorais e as famosas patentes da coisa sagrada.

Por que será que as igrejas andam varias? Por que será que as pessoas procuram de todas as formas reaver a conexão com o divino? Nada disso está fora do previsto. A era de Aquários é a era da limpeza e nada mais fácil de ser efetuada uma boa limpeza quando a sujeira está bem exposta. No Oriente as iniciações também morreram em praias muitas vezes. Assim como no Brasil os padres católicos saíram das igrejas para pregar a Teoria da Libertação e misturar rosários com guerrilha e fuzis. Na China, por exemplo, o despreparo de iniciados levou à mistura do Budismo com inúmeras outras interpretações até chegar no Confucionismo.

Dessa fragilidade cheia de invenções criou-se o distanciamento do povo e abriu-se as portas para o marxismo russo. Aliás, na Rússia a história não foi diferente: padres ortodoxos despreparados espiritualmente teceram interpretações rasteiras, mesclaram o perfume original e depois tiveram que pagar com a vida nos campos de concentração de Stalin na Sibéria. Ao povo restou o banimento das religiões. Com a aproximação da Era de Aquários os ventos começaram a soprar as cinzas e muitos conhecimentos antigos vieram à superfície e a cruzar oceanos e continentes. Chegaram ao Ocidente antigas práticas orientais executadas pelo processo de iniciação.

Como não poderia deixar de ocorrer, o esoterismo explodiu e com ele muitas formas anárquicas de comportamento e confusão. A Índia passou a exportar gurus que exigiam que seus iniciados ou seguidores se vestissem com determinadas cores para marcar presença como fãs de times de futebol. O Japão mandou seitas coletoras de moedas. Havia nos bares de Brasília na década de oitenta uma mistura de grito pela democracia e vestes vermelhas das seitas e seus gurus. Em meio a uma discussão e outra quem não fumava maconha era visto como se faltasse um braço ou massa cinzenta no cérebro.

As patrulhas ideológicas e “espirituais” ficaram famosas, todas elas misturando-se aos chás de cogumelo e ao sexo grupal, com muito incenso. Era aceitável que esse ou aquele guru tivesse inúmeras carros milionários e morasse em fazendas coletivas onde o céu era o limite para as luxúrias. Mas os grãos de mostarda não resistem ao Sol quente do destino do Planeta. Aos poucos os véus das cortinas começaram a ruir e gurus passaram a ser vistos nos tribunais, acusados de tudo menos de refinarem a essência do perfume original. Não demorou muito e um guru indiano declarou-se portador de Aids.

Mais uma vez a história se repete e o perfume da linhagem foi manchado com um vírus mortal. Um amigo gaúcho confessou-me que sem mais nem menos um dia o seu “rosário” vindo de uma iniciação daquele guru com Aids caiu da parede e virou pedaços. Uma amiga, de origem japonesa, disse-me que nadava em uma piscina natural e seu cordão, vindo do Japão, despregou-se e foi levado pela corrente. No mesmo dia, quando chegou em casa abriu o jornal e leu uma matéria que dizia que o líder de sua seita fora reconhecido por membros do grupo como tendo “ultrapassado a linha divisória da força” para o lado escuro dela, devido a sua avareza recheada de mansões, mulheres fáceis e champanhe.

A minha experiência com uma iniciação em Reiki à distância foi de dores terríveis em todo o corpo e a sensação de travamento que só acabou depois de uma longa sessão de exorcismo. Depois tive que ser reiniciado em Reiki com a mestra Claudete Soares, que me devolveu a beleza dessa maravilha que é o Reiki. Está mais do que claro a responsabilidade das iniciações e as conseqüências de se alinhar a uma corrente de padrões vibratórios desequilibrados.

Será o louco João Batista o responsável pela evaporação do perfume original? Será que a chave se perdeu pelo caminho? Será que Shangri-la é a terra que sempre será prometida? Ou será que Bruce Lee morreu com o segredo? Não. Sempre nasceram, estão nascidos e nascerão aqueles encarregos de repetir a loucura de João Batista. O grande desafio para cada um de nós é estar no riacho no momento certo e conduzir a chave como um Cordeiro de Deus que tira os desequilíbrios do mundo baseado no amor universal de grandeza dourada. É muito fácil reconhecer a linhagem: basta perceber o perfume. Sem esse código saia do riacho e esconda a chave do seu coração para apresentá-lo no momento certo ao cordeiro certo.

Não compre lotes no céu! Mesmo iniciado na linhagem correta do Reiki eu tive que me disciplinar e domar as feras que habitavam no meu coração. Não basta a iniciação, é preciso cultivar no dia-a-dia a chama sagrada e deixar o perfume emergir. Todos nós somos capaz disso. Estive em um congresso sindical holístico em São Paulo e fiquei assustado, entre outras coisas, com a desorganização e a apatia dos presentes.

O líder do sindicato transitava de um lado para o outro falando de si mesmo, dos seus livros, dos seus feitos, de sua família, e se gabava, sorrindo, pelo fato de fazer “novos inimigos a cada congresso”. Ninguém podia falar e as perguntas aos palestrantes eram feitas por pequenos pedaços de papel que ele lia, não respondia e não deixava ninguém responder dizendo que a resposta era “de ordem pessoal”. E isso era um congresso de terapeutas, cujo instrumento de trabalho é a expressão, a voz, em um país democrático onde é garantido o livre direito à expressão.

Aquela situação incomodou-me bastante tanto quanto a apatia dos colegas participantes e me vinham na mente imagens das lideranças doentias responsáveis pela perda do perfume original, ao longo dos séculos, uma vez que a vontade pessoal é uma expressão da linhagem. Quando construtiva ela é livre, aberta, alegre, leve, simples e não se enquadra nos comportamentos ditatoriais, nas lideranças negativas e nos egos aviltados.

Essa apatia é muito presente nos bancos das igrejas pelo respeito e pela ignorância. Talvez a chave do bloqueio seja mesmo a ignorância, que é uma das âncoras do repetição do karma negativo. No mundo atual não há margem para a perpetuação da ignorância.

O cuidado com as iniciações tem o objetivo de ficar mais fácil o acesso ao perfume original sem intermediários despreparados e presos a correntes sombrias de pensamento. É só trabalhar o coração, derreter os laços antigos e inúteis e abrir os braços diante do Sol Central, igual ao Senhor do Corcovado.

O Dalai Lama diz em seu novo livro “Mind: Teachings on Generating Compassion”: “Por que será que a gente não consegue manter a felicidade para sempre? E por que tão freqüentemente damos de cara com o sofrimento e a miséria? O Budismo explica que o estado normal da nossa mente é tal qual nossos pensamentos e emoções os quais são selvagens e sem regras, e desde que tenhamos um falta de disciplina para segurar as rédeas a gente perde o poder de controlar sobre eles. Em conseqüência eles nos controlam. Por sua vez os pensamentos e emoções tendem a ser controlados pelos nossos impulsos negativos ao invés de ser pelos positivos.

Precisamos reverter esse ciclo para que nossos pensamentos e emoções sejam libertados de suas subserviências aos impulsos negativos e assim a gente possa, como indivíduos, ganhar controle sobre nossas mentes”. O perfume pertence ao ar e como tal tem que ser preservado com sabedoria e lealdade à origem das flores.

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