O meio-ambiente chama por atenção urgente

Apocalipse

ECOLOGIA - O MAR DÁ O RECADO

A agência de notícias France Presse publicou matéria, em 03 de dezembro de 2007, sobre o relatório do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), uma organização mundialmente engajada na proteção e vigilância da natureza, segundo a qual o ano de 2007 bateu todos os recordes de desastres naturais em todo o Planeta, de maremotos a incêndios, com sérios riscos para o futuro da humanidade, como vem sendo sistematicamente repetido pelas previsões espiritualistas há muito tempo. O relatório coincide com a realização de uma conferência das Nações Unidas para o meio-ambiente, na ilha de Bali, território da Indonésia, um dos paises onde os desastres naturais como terremotos, maremotos, tsunamis causaram prejuísos de milhões de dólares, levaram milhares de vidas e deixaram quase 500.000 desabrigados. A Indonésia é um país constituído de 17 mil ilhas, onde quem tem, tem. Quem não tem, não tem mesmo! Os 500.000 desabrigados significa que quem não tem recursos próprios para sair de um desastre natural ficará desabrigado para sempre por causa do índice de pobreza que é alto e da dureza da sociedade que só conhece o dinheiro e o poder como moedas de troca.

Longe de mim a intenção de provocar medo no futuro do Planeta, não podemos ignorar os fatos. Só nos Estados Unidos, onde os ricos já compram terremos em massa nas montanhas, afastados dos mares, certos de que haverá aumento no nível das águas dos mares em breve, os desastres naturais em 2007 ocuparam as páginas dos principais jornais do país graças ao alto nível de destruição — de incêndios, tufões e inundações, tanto naturais como criminalmente provocados como o mais recente e mais alarmante incêndio na California, provocado por um adolescente sem pais presentes. No Canadá, um bloco de gelo, que há séculos aparecia na superfície, afundou e começou a descongelar, o que significa aumento no volume de águas. Isso não teria um impacto global se o volume de gelo que está em processo de derretimento não fosse dez vezes a extensão da Inglaterra.

Em Olinda, Pernambuco, os moradores já sabem que o mar está avançando e cada vez está mais alto que a cidade… Em Recife, alguns prédios de apartamentos estão sendo engolidos pelo mar, não muito longe da famosa Boa Viagem. Em João Pessoa, na Paraíba, as imobiliárias ignoram que o mar está avançando há décadas e estão construindo casas e apartamentos em cima da areia. Já no interior da Paraiba, vi uma grande melhora econômica nas populações que se voltam para a agricultura e seus sítios. Há abundância de frutas, vegetais e as motocicletas estão em todo lugar, provando que a emigração não é uma solução mas a interiorização é o caminho seguro para os tempos difíceis que hão de vir.

As aparente belas dunas do Rio Grande do Norte são um sinal de mudanças, ignorado pelos governos estadual e municipal, muito preocupados com seus projetos políticos pessoais. Estaria o Brasil preparado para as emergências provocadas pelos desastres naturais que virão?

Esta semana, o governo norte-americano lançou um alerta por toda a Costa Oeste, especialmente na California, sobre o aparecimento de altas ondas, perigosas até para surfistas, enquanto que o abalos sísmicos aumentam de intensidade a cada dia.

Em Brasilia, as invasões da classe média sobre rios subterrâneos como o Lago Oeste são um desastre calculado, onde o governo do Distrito Federal parece não perceber ou finge não perceber. O Bairro de Águas Claras quase não tem espaço para construção, embora a região esteja em cima de um grande lençol de água e cristais, onde ainda passa uma fina lâmina do Rio Guará, ignorado pelas construtoras e pelos órgãos do meio-ambiente. Alguns videntes já viram a região onde fica Aguas Claras afundar. No Lago Oeste, uma cidade está construída em uma invasão que fica em cima de um dos maiores lençois de água do Centro Oeste Brasileiro, com ruas asfaltadas pelo governo. Quem se preocupa com o meio-ambiente?

A pressão das imobiliárias e construtoras é enorme assim como é a manipulação política que faz propaganda de Brasilia para atrair as camadas desesperadas das populações pobres dos estados. As pessoas chegam a Brasilia pensando que cai dinheiro do céu, se estabelecem nas invasões, alimentam os olhos políticos de candidatos inescrupulosos e o Entorno de Brasilia incha. Não falem dos senadores e deputados porque esses ignoram o Distrito Federal completamente. Quem desejar ver um quadro triste visite Valpaiso, entre o Distrito Federal e Goiás, onde a ameaça ao meio-ambiente e a pobreza absoluta proporcionada pelos emigrantes convivem lado a lado desesperadamente. Que dirá a população de São Paulo, Rio de Janeiro e outras grandes cidades que viu esse inchaço acontecer lentamente sem que nada fosse feito para ajudar que as pessoas ficassem em suas cidades pequenas, nas suas fazendas e sítios e tivessem condições de ter lá uma vida com qualidade sem a necessidade nem a ilusão de que a grande cidade é a solução? (*)José Joacir dos Santos é Jornalista Profissional.

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