Karma

Ou você enfrenta ou é enfrentado

* Por José Joacir dos Santos

Quanto mais estudo o karma mais vejo que tenho muito a estudar. As inúmeras iniciações, regressões, sessões de psicanálise, tratamentos espirituais, a vivência clínica com a história de inúmeros clientes, me ajudaram imensamente, não só abrindo os meus caminhos nesta vida mas também a entender, enfrentar, suavisar e desatar laços karmicos. O mais interessante aspecto é compreender que a quantidade de vidas vividas é maior do que a gente possa imaginar e o lixo acumulado pode ser grande e pesado. Não há outro jeito, a gente é obrigado a voltar e a recomeçar do zero. O velho espírito está preso ao ciclo das reencarnações, que parece infindável. A única certeza que a gente tem é que não tem outro jeito a não ser vivenciar a agonia do trabalho árduo e duro de se enfrentar, todos os dias, e tentar conviver, tentar melhorar e progredir nos inúmeros degraus visíveis e invisíveis desta vida – com tudo e todos que estão atrelados nesse processo individual:  família, colegas de trabalho, pessoas da rua, conhecidos e desconhecidos, visíveis e invisíveis – o mundo é um todo, integral, céu e terra, juntos!

Os budistas chamam karma de roda e isso faz muito sentido. Por mais que a gente queira ignorar um aspecto da vida acaba voltando ao ponto inicial: vem através de pessoas, animais e situações.  Você se livra de uma situação, de uma pessoa, e a coisa se repete em outro momento, com outra pessoa e insiste, repetidamente, até que seja enfrentada e dissolvida. Sim, as vezes um nó é tão pequeno que pode ser dissolvido com a mente porque não pode ser palpável. A questão é que, para o  universo karmico, o tamanho não faz diferença alguma: um assassinato ou uma palavra podem ter a mesma importância karmica. Há karma positivos e mesmo assim a gente quer brincar de “normal” as vezes. Por exemplo, depois de um dia pesado no trabalho, sai para caminhar e apreciar o verão. Mal saí do prédio e alguém veio no meu ouvido e disse: preste atenção ao que as pessoas estão falando! Imediatamente passei a ouvir todas as conversas das pessoas que naquela hora iam na mesma direção da rua, saindo do trabalho como eu. Só ouvia palavras pesadas, palavrões, expressão de raiva. Ai a voz voltou e me disse: por que você acha que tem tanto sofrimento no mundo? – Eu não sei e não quero saber, gritei no meio da rua, sem me importar para quem olhasse para mim. Mas eu sabia que aquilo tudo era porque eu teria que escrever sobre este assunto que você está lendo. As vezes os espíritos perdem a noção de que, nesta vida, a gente tem um corpo que cansa, se irrita, dorme, come, faz cocô. Eles simplesmente vem a qualquer hora e lugar e acham que você está sempre disponível – é karma.

Então, a gente não pode se esconder. Tudo e todos estão ligados de alguma forma: a família, os relacionamentos interpessoais, a moça do caixa, o chefe de pessoal, a telefonista, o motorista do ônibus, aquela pessoa quem nem escuta o que você está falando e está pronta para dizer não e com isso atrapalhar a sua carreira, o seu casamento, o seu trabalho e, especialmente, o seu progresso espiritual, mental, emocional. Pois é, aquela colega de trabalho que jura de pés juntos que é sua amiga e tudo o que você confidencia ela espalha para todos os lados. Os lados todos escutam e a sua vida vira um inferno. Aí você desabafa e ela corre ao telefone para espalhar que você está “maus”. Essas pequenas coisas viram um ciclo e se repetem de várias maneiras. A sua irmã, sangue do seu sangue, aquela que dizia estar com você em qualquer situação é a mesma que pega as suas fraquezas e espalha pela familia inteira para barganhar a confiança de todos e se tornar importante como aquela colega do trabalho, sua confidente, que até tem ciúmes de você com os outros colegas de trabalho – e se alimenta da confidencialidade que você nela deposita para preencher aspectos sombrios de sua própria vida, da roda do Karma dela, que também se repete em ciclos, como a sua irmã de sangue.

O ciclo se complica quando você decide casar por dinheiro; roubar; puxar os tapetes de quem estiver no seu caminho; matar alguém ou um animal; passar uma doença sexual sabendo que você é doente; usar o seu cargo político e o dinheiro público para manipular a vida das pessoas a seu belo prazer; inventar uma mentira para prejudicar alguém; achar que você está no topo do mundo e o resto é o resto, etc. Cada ser humano neste planeta está envolvido nesse jogo invisível e isso não depende de acreditar ou não que existe uma lei universal de ação e reação. E, ao que parece, o calderão do karma cada dia ferve mais forte, provocando inundações, furações, terremotos, doenças esquisitas, coisas inusitadas, situações pessoais inesperadas e inimaginadas. Mesmo que você seja como eu, dedicado ao trabalho e aos estudos, a toda hora a sua história celestial bate na porta da memória celular que você carrega em cada sécula do seu corpo. Sim, como íma, a gente é empurrado para a onda eletromagnética do nosso karma, para encontrar não só aqueles relacionados com o seu karma mas também com aqueles que têm frequências semelhantes, por exemplo, quem precisa trabalhar o amor, os problemas mentais, sexuais, materiais, puramente físicos, de ganância, assassinatos coletivos, brigas, ódio e tudo o que é construído pela mente humana desde a idade da pedra até os dias de hoje.

Como saber se a gente está vivendo o karma ou não? É simples: Se há situações que se repetem na vida, isso é karma. Observe, as vezes até palavras se repetem na sua frente! Por exemplo, namorar pessoas com as mesmas características, as vezes mesmo nome, que gosta de fazer as mesmas coisas. Muita gente pensa, erradamente, que, se é karma, tem que permanecer. Não é assim. Se é karma precisa ser desatado. Por exemplo, uma relação afetiva com dor e sofrimento pode ser um karma que precisa ser enfrentado, desatado e as vezes o nó só se desata com a separação. Quem permanece em relações afetivas sofridas está comprando karma negativo porque o amor não causa sofrimento. Se não há amor só há sofrimento. Você pode nascer em  uma família com forte karma e ter que sair dela, ir para longe e utilizar a distância para curar o karma. Hoje há muitas ferramentas disponíveis e Reiki é  uma delas. Já vi muitos karmas serem desatados com Reiki, a partir do segundo nível. Todos os países que eu vivi até hoje haviam conexões karmicas fortíssimas. E elas se estabelecem independentemente da sua vontade. Olhe ao seu redor e veja com os olhos abertos. Nada nesta vida acontece por acaso. Aquela história de destino é história da carochinha e você acredita nela se quizer.

A gente pode vivenciar vários karmas ao mesmo tempo, dependendo de onde a gente coloca o bedelho nesta vida. Vamos dizer que o karma que você está vivenciando é muito pesado e você chora pelos cantos dizendo que Deus lhe abandonou. Pois bem, seja lá o for que você esteja metido, se você realmente quizer sair, você sai. Se tem alguma coisa que parece impossível, vá a luta e peça ajuda. A gente não veio aqui para ser justiceiro nem para viver aprisionado. Mova-se! Lembre-se que 90% dos pastores evangélicos, padres e pais-de-santo não têm educação superior… Quem ler um só livro a vida inteira vira fanático. Há exceções… Procure profissional capacitado, treinado profissionalmente para ouvir e guiar sem preconceitos, castigos e culpas. Há uma quantidade enorme de terapeutas capacitados, que estudam, pesquisam, se atualizam, fazem cursos, etc. Em termos de karma, a grande diferença entre o Cristianismo e o Budismo é a seguinte: no Cristianismo você aprendeu a transferir para Jesus os seus problemas, a sofrer, quem sabe a ser crucificado. E Ele, em sua enorme bondade, escuta tudo – mas é você quem tem que se mover! No Budismo você não entrega os seus problemas a ninguém, muito menos a um guru. Você enfrenta eles porque você é a imagem e semelhança de Deus. Jesus tentou explicar isso, mas pouca gente escutou até hoje e continua fingindo ser o intermediário do Grande Mestre e usa chantagens emocionais como dízimo. Você tem que ir à luta na vida e descobrir os seus karmas positivos para com eles curar o que tiver que ser curado e resgatar o ser espiritual divino que está gravado no fundo da sua alma. Tanto no Budismo como no Cristianismo, se você enfrenta a vida e seus karmas, os Mestres acompanham todos os passos e conspiram a favor. Falta coragem? Bom, você escolhe: vou enfrenta ou se acovarda e o karma é acumulado.

Então, reaja! Pare de copiar os outros, de sintonizar com os outros negativamente, por exemplo, modismos, girias, tatuagens, linguagem do tipo “caracas”, “sacanagem”, preconceitos, idéias e grupos extremas, vícios, prostituição, etc., porque isso é compra de karma. Se você não recebeu uma boa educação familiar, corrija isso e aproveite que você vive em um dos poucos países do mundo onde a educação é gratuita. Ouça a sua canção interior porque ela é única e bela. Liberte-se de quem quer que esteja impedindo essa canção de ser ouvida e projetada para a construção de um ser melhor, em um mundo melhor. “Não tenha medo de nada”, diz a Mãe de Jesus.  (*)José Joacir dos Santos  jjoacir@yahoo.com

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