Inspiração e Encontro com os Cinco Tons
11/11/2006 at 17:24 (Musicoterapia Oriental)

Em 1992 percorri todas as lojas especializadas de Pequim à procura de gravações de músicas com os cinco tons e ninguém sabia do que eu estava falando. Tinha lido sobre isso em um pequeno parágrafo de um livro antigo. No Natal desse mesmo ano fui a Hong Kong (ainda inglesa) a convite de uma família-amiga para passar as festas de fim de ano e assistir a um casamento dentro dos rituais milenares chineses, banidos na China.
Dormi a manhã inteira depois de três horas de vôo. Acordei no meio da tarde faminto e saí do hotel para procurar comida. As ruas estavam, como sempre, movimentadas e ruidosas. Não demorou muito e senti como se alguém estivesse andando muito próximo a mim. Olhei para trás e nada. Caminhei mais e senti a mesma coisa. Desconfiado, perguntei mentalmente: quem é? Uma voz sussurrou no meu ouvido que “atravesse a rua e entre na loja na sua frente”. Fiquei arrepiado e não questionei. Era uma loja de chás, enorme. “Compre um chá”. Fui ao balcão e pedi “um chá”.
O atendente, um senhor idoso, olhou para mim, deu meia volta e voltou com um chá. Paguei e ele disse-me: “Vá ao terceiro andar”. Olhei longamente para ele e obedeci. Os primeiro e segundo andares eram de móveis e louça. Ao chegar no terceiro andar esperei que a voz me orientasse e nada aconteceu. Subitamente fui atraído por uma prateleira cheia de Cd. Comecei a examiná-los. Era tudo escrito em chinês e o meu chinês era bom apenas para falar, não para ler. Perguntei à atendente que música continuam aqueles: “medicina”, foi a resposta. Comprei os 16 raros exemplares da musicoterapia chinesa milenar. Ao voltar para Pequim chamei meus amigos, médicos e terapeutas tradicionais, e pedi que examinasse e traduzissem o conteúdo das instruções dos discos.
Estudei cada um e passei a utilizá-los para os problemas de desequilíbrios meus, da família e dos amigos, com excelentes resultados. Utilizei contra úlcera, dor-de-cabeça, ansiedade, insônia, compulsão alimentar, diarréia, tristezas, melancolias, “saudades do Brasil”, entre outros. Adicionei chás como complemento. Pude observar que havia resultado positivo independente da aceitação da musicoterapia chinesa por parte do cliente. “E isso funciona?”. O sono é inevitável nas pessoas mais sensíveis logo nos primeiros 10 minutos de audição e os resultados são positivos em casos psicossomáticos — a música interfere primeiramente nas conexões mentais e espirituais.
É praticamente impossível, no Brasil e em muitas cidades da China, reunir os próprios instrumentos para uma audição ao vivo porque eles não foram criados para orquestra ou coisa parecida. Surgira para atender às necessidades de saúde. Meu professor e médico Dr. Guan Tao, com toda sua experiência com exercícios energéticos como Tai Chi Chuan e Chi Gong reagia como um bambu ao vento quando era submetido a um dos Cd.
Na verdade, a vibração corporal dele era natural e refletia o equilíbrio harmônico em que se encontravam seus sete chácras devido à prática de artes marciais e outros exercícios de fortalecimento do campo energético, magnético e vibracional dos sete corpos. Ele ria, e era a primeira vez que experimentava essa audição. Já gravações de rock ou metal pesado o desequilibrava imediatamente. Quando vejo um adolescente andando com fones de ouvido tocando músicas eletrônica tenho dó da programação que ele está dizendo ao cérebro para adotar como sua. Todo tipo de música pode ser ouvido para entretenimento, mas o cuidado é com a repetição porque o cérebro, que é como uma câmara aberta na rua, capta tudo e entende que você quer essa vibração para o seu ser. A musicoterapia só funciona se houver uma direção, um foco, com os instrumentos certos, no tom ideal e com repetição ou frequência de execução.

