Gengibre combate problemas da secura ou da umidade
30/06/2007 at 19:10 (Fitoterapia)
DOENÇAS DO INVERNO
A grande maioria dos brasileiros não sabe conviver com as cinco estações do ano, embora elas não sejam claras em algumas regiões do país. Quem mora em país onde elas são claras sabe mais, por instinto e por esse cuidado já ser cultural, o que não ocorre no Brasil. No nosso país as famílias se desgarram cedo e os filhos não absorvem a sabedoria repassada de pai para filhos. As estações são a maneira que a Terra encontra e foi programada para se curar, se manter vida e sadia. Tudo o que existe no universo tem essa sabedoria, assim como o pássaro abre a casca do ovo para nascer e mesmo com os olhinhos fechados abre o bico para a mãe dar de comer. Então, é comum a gente ver pessoas usando roupas de inverno no verão e vice-versa. Se elas não compreendem isso e sequer sabem se vestir, imagine o que se passa na cozinha dessa pessoa. O universo interno da gente também tem as cinco estações e as temperaturas são mais altas ou mais baixas do que a temperatura externa. A pele de todo o corpo é um grande meio de transporte e equilíbrio entre a temperatura interna e a externa, assim também como é responsável pela entrada de ar externo. Passar frio é caminho do adoecimento, assim como o é calor em excesso, ar poluído, água do banheiro cheia de cloro e ferrugem, excesso de creme de beleza, shampoos, óleos, amaciantes, roupas em excesso ou em falta.
A nível interno, o divisor de águas entre a saúde e a doença é a alimentação e a água. Engana-se plenamente quem substitui água por sucos ou refrigerantes. Tudo dentro da gente é regido pela química. A química da água é extremamente essencial para o equilíbrio interno de todos os órgãos, vísceras, criação de sangue novo, circulação, refrescamento e transporte dos alimentos e dejetos. A falta de água muda o comportamento dos órgãos e sistemas internos e isso pode afetar até o comportamento e o humor da pessoa. Quem não toma a quantidade de água necessária diariamente tende a ser rígida, ríspida, agitada, angustiada, mal-humorado, com dificuldade de compreensão etc. A alimentação é o combustível do corpo. O desempenho do corpo depende dos nutrientes extraídos dos alimentos. O grande problema da pobreza é que uma pessoa má alimentada não pensa, não raciocina direito. Já se sabe que alimentos cultivados com adutos químicos adoecem. A planta alimentada com adubos não tem a quem reclamar. Como a natureza lhe deu a função de produzir alimentos então ela produz, embora contaminados. A boca, por si, só tem a função de verificar os sabores, não de checar se os alimentos foram cultivamos com adubos químicos. O instinto de sobrevivência nos ensina a utilizar a inteligência para presentear o nosso corpo com o melhor e mais saudável possível, para que ele se mantenha estável e equilibrado para sustentar a chama da vida.
As cinco estações têm suas funções distintas e necessárias para completar os ciclos, assim como cada um de nós nasce, cresce, se desenvolve, decresce e morre. Cada uma delas também tem esse movimento em si mesmas e o inverno traz o renascimento, o nascimento e a morte. Em algumas regiões do país agora é inverno mas não chove, o ar é extremamente seco, como Brasília. Outras chove mas a região é muito produtora de poluição, como São Paulo. Internamente, cada ser que vive nessas regiões tem que atentar para essas peculiaridades e adequar a alimentação. A orientação básica é: coma muita fruta e só aquelas da estação produzidas na sua região. O termômetro para saber se uma fruta está fora da estação ou vem de outra região é o preço. A natureza oferece o fruto certo para cada época do ano. Ao mesmo tempo há alimentos para cada estação, como, por exemplo, a melancia só é propícia no verão ou no clima seco. No verão do Rio de Janeiro ou Nordestino o que você não precisa comer é maçã. Já no inverno de Porto Alegre uma maçã por dia vai muito bem. O grande segredo para passar o inverno sem problema algum de saúde, quer seja úmido ou seco, é gengibre. O inimigo do inverno é cominho porque não se dá bem com as funções do fígado.
Gengibre é chamada cientificamente de Zingiber Officinale, da família Zingiberaceae. Há registros gregos do uso dessa maravilhosa raiz (rizoma) originária da Ásia há mais de quatro mil anos. Eles importavam do Oriente e adicionavam até em bebidas. Os espanhóis cultivaram a planta a partir do século XVI e introduziram nas Américas via Jamaica. O Brasil passou a fazer mais uso dela com a imigração de orientais desde a primeira guerra mundial. É utilizada na medicina chinesa para estimular a circulação, equilibrar as funções estomacais, revigorar e produz uma infinidade de benefícios inclusive respiratórios. A população chinesa não vive sem gengibre e a utiliza no inverno também com a função de aquecer o corpo. O chá é bastante eficaz nas disfunções estomacais, dores de cabeça depois das refeições, mal-estar e enxaquecas. A maneira mais fácil e eficaz para toda a família se beneficiar das inúmeras propriedades curativas do gengibre é cortar em pequenos pedaços e cozinhar junto com qualquer carne, exceto peixes. A raiz é também aromática e antiviral. Então, no inverno seco e com umidade baixa quanto no inverno úmido, o gengibre melhora as funções respiratórias porque desinfecta, desinflama e melhora a imunidade. As crianças aprendem tudo com os pais. Pais cheios de quereres prejudicam o desenvolvimento equilibrado dos filhos. Quem escolheu ser pai ou mãe não pode impor os quereres aos filhos, deve ensiná-los a viver de bem com todos os alimentos. Um suco delicioso, saudável e nutritivo para climas secos ou úmidos é acerola, laranja e um pedaço de genbibre passado no liquidificador. Hummm. José Joacir dos Santos é jornalista e fitoterapeuta. Jjoacir@yahoo.com

