Coincidência não existe

Muita água corre debaixo da ponte até que a gente comece a acreditar em tudo que ver, sente, intui, sonha ou acontece por “coincidência”. Acabei com essa história de coincidência no dia em que compareci a uma sessão marcada com um vidente de Brasília. Jamais tínhamos visto um ao outro. Ele só sabia o meu nome. Ao entrar na sala disse para mim mesmo: aqui eu sou cliente. Mesmo assim, sentia uma forte energia conhecida no ambiente. Olhei os objetos e procurei ver algo que me fosse familiar. Nada. O médium chegou e me perguntou o motivo da minha visita. Disse que não sabia ao certo. Ficamos em silêncio. Ele interrompeu e perguntou: Você que saber o quê? Não sei, respondi. Ele então disse: tenho aqui dois visitantes parentes seus, reconhece? Ambos chamam-se Francisco e querem saber o que você quer! Fiquei emocionado porque sabia que eram o meu pai e um dos avós, que nem conheci. Respondi: está bem, quero abrir meu consultório de terapeuta. Houve silêncio e o médium falou meio irritado: você tem até dezembro para fazer isso. Estávamos em janeiro e eu não tinha dinheiro para isso. Ao chegar em casa havia um recado do meu chefe dizendo para arrumar as malas porque eu iria para a África a serviço. Fui para a África e minha missão durou de fevereiro a meados de novembro. Voltei a Brasília e no final de novembro eu estava com o consultório montado. Agora sei que a paciência da espiritualidade tem limites. Já estava mais do que na hora de botar em prática anos de estudos e dedicação, mesmo por que é na prática que a gente precisa estudar mais.

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