
Por José Joacir dos Santos
A cliente chegou para uma consulta trazida mais pela curiosidade do que pela vontade de trabalhar aspectos da sua personalidade. Iniciamos a conversa sobre o estado dos seus sete meses de gravidez – a segunda. Estava muito patente a insegurança e a pouca experiência daquela jovem mãe que vive sob o olhar superprotetor dos pais, os quais adiam, inconscientemente, o processo de amadurecimento da filha e do genro. Combinei com ela que conversaríamos sobre tudo a respeito da gravidez de forma que ela adquirisse mais confiança e serenidade para perceber a importância desse momento único e privilegiado. No final da consulta ofereci à minha cliente uma sessão de Reiki e ela aceitou. Criamos o clima, ela relaxou e comecei a canalizar Reiki. Logo no primeiro toque o bebê reagiu. Quando coloquei as mãos sobre a barriga ele colocou as suas junto às minhas, pelo lado de dentro, como se as paredes da barriga da mãe não representassem coisa alguma.
Comecei a brincar, e ele acompanhou minhas mãos mexendo a parte do seu corpo onde tocava. Foi divertido e emocionante, enquanto que a mãe deu uma cochilada quase que de propósito para que eu e o bebê ficássemos a sós. Ele mostrou-me sua forma física e aproveitei para mostrar a ele imagens bonitas da vida.Visualizei campos floridos, oceanos, rios, florestas, pássaros, borboletas, gatinhos, cachorros, coelhos e tudo o que vinha à minha mente de lindo nesta vida. Em certo momento não sabia se era eu quem visualizava ou se era ele quem pedia e assim estava difícil de me manter em pé aplicando Reiki. Foi uma conversa mental sem precedentes e o consultório encheu- se de luz e os mundos se entrelaçaram em um momento de infinita beleza e paz, onde eu representava apenas um bambu oco, canalizador, transmissor.
Estaria o espírito do bebê junto ao feto ou fora dele observando tudo e transmitindo o que queria para a minha mente? Encerrei a sessão e acordei a mãe, que parecia rejuvenescida, com os olhos brilhantes e a pele rosada. A cliente foi embora e aproveitei para revisar episódios da minha vida. Desde criança tinha feridas inexplicáveis por todo o corpo, especialmente nas pernas. Aos oito ou nove anos havia tanta ferida no meu corpo que quando acordava estava grudado no lençol e aí o sofrimento era me despregar dele. Já estava acostumado com um certo mau-cheio rodeando o meu corpo e não havia remédio que curasse aquelas feridas, que me isolava das outras crianças ao ponto de vizinhos proibirem que os filhos brincassem comigo.
Tomar banho era um suplício e minha mãe não tinha muita paciência com isso. Essa situação melhorou um pouco quando entrei na adolescência, mas de um modo geral era um menino fisicamente fraco e adoecia com facilidade, até com a mudança de tempo. Aos vinte anos, em uma regressão espiritual em Brasília, o mistério foi desvendado. Um dos membros da sessão espírita incorporou uma mulher desesperada, agressiva, pouco educada, mas ávida para falar comigo. Quem? Ela contou que quando minha mãe estava grávida de mim tiveram uma discussão, cheia de agressões mútuas, por causa de terras. Ela disse que, com raiva, desejou “coisas ruins” ao bebê que estava na barrida da minha mãe.
Anos depois dessa briga, a minha família mudou-se para outra localidade e ela faleceu. Ao chegar do outro lado da vida não teve permissão de ir em frente porque havia desejado aquelas “coisas ruins” a uma criança ainda na barrida da mãe. Ignorada e forçada por seus mentores a reparar o delito, ela disse que passou a me seguir na esperança de poder se fazer ouvir e pedir perdão. A intenção dela de me seguir parecia boa, mas o resultado era horrível: ela havia falecido com um problema na pele que a revestia de feridas por todo o corpo.Ao se aproximar de mim afetava o meu campo magnético, estourava meu corpo de feridas e os médicos não encontravam remédio que curasse. Muitas vezes sentia cheio de podre e pensava ser das feridas. Perguntada se ela tinha consciência da segunda maldade que me causava ela respondeu: que maldade?
Na verdade, ela passou quase vinte anos atrapalhando minha vida sem se dar conta do que fazia, “assim na terra como no céu”. Os mentores a fizeram compreender, a perdoei e ela foi levada para o nível vibracional a que se assemelhava, provavelmente um hospital. Depois da sessão, liguei para a minha mãe – que não acreditava em nada disso mas que ficou chocada com o meu relato, especialmente porque sabia que eu não sabia daquela história, mas prometeu rezar por aquela sofrida alma. Minha saúde deu uma guinada positiva e toda a minha vida tomou um novo rumo. Adeus feridas e doenças! Parecia que algo muito pesado havia saído das minhas costas. Diante disso, passei a ter um novo comportamento perante o mundo e especialmente diante de uma mulher grávida, mesmo uma desconhecida na rua: rezo e mando muito amor para o bebê. Esse trabalho toma uma dimensão imensurável com o Reiki. Portanto, não tenho dúvida alguma sobre a intercomunicação dos mundos e a responsabilidade de todos, vivos e mortos.
A própria ciência já admite que o bebê participa e percebe o mundo fora da barriga. Pena que alguns pais ou candidatos são tão despreparados e irresponsáveis que são capazes de largar para trás a mulher grávida, muitas vezes também abandonada pela família preconceituosa e ignorante.O que sentirá um bebê ao perceber que sua mãe está sendo agredida fisicamente ou torturada emocionalmente? Como será a relação de vontade de comer sem ter o quê? E sentir um rio de álcool ou droga descendo na sua direção? E a ameaça de aborto? E as memórias da raiva de estupro da mãe? Que estaria sentindo o bebê ao perceber que a energia universal do Reiki estava ali para fazê-lo pulsar em um novo corpo?
Aquele bebê brincando com minhas mãos reikianas deu-me a sensação, mais uma vez, de que a vida é o que de mais interessante existe e que ele merece toda a festa, carinho, esperança e a beleza e um mundo melhor, sem violência, com inteligência, cheio de amor. Olívia, um personagem de Érico Veríssimo em “Olhai os lírios do campo”diz: “o que de mais importante na vida são as relações de pessoa para pessoa”. Há sempre dois processos na gravidez: um físico, com a futura mãe, e um físico-espiritual com quem vai nascer. Muitas vezes é difícil separar um processo do outro devido a problemas cármicos entre as pessoas envolvidas dos dois lados da vida.
As vezes o espírito não quer reencarnar e também não quer que aquela seja a sua mãe mas esses problemas são bem trabalhados e solucionados pelos terapeutas espaciais.Um dia a ciência vai compreender que enjôos, sangramentos, abortos naturais, morte prematura na barriga e um sem-número de “patologias” não têm a ver somente com as características físico-hereditárias. Há algo mais elaborado e infinitamente belo. Por que será que a mulher grávida pode alterar a beleza física do futuro filho apenas enviando mentalmente visualizações de beleza e saúde? Por que será que se a mulher grávida que toma passes espíritas acalma o bebê e a gestação é mais saudável? Por que será que um pai que acompanha a gravidez da mulher transmite segurança e tudo ocorre com tranqüilidade?
Minha irmã Gorete teve quatro filhos com problemas físicos e o médico dela a aconselhou a não ter mais filhos. Veio a quinta gravidez e ela entrou em pânico porque geneticamente era um risco grave para a formação do bebê, segundo o médico.Ela pediu-me ajuda e passei a tomar passes magnéticos por ela e o bebê que moravam a mais de dois mil quilômetros de mim. A gravidez ocorreu sem maiores problemas, a não ser pelo nervosismo da minha irmã. Thiago nasceu perfeito, bonito, e hoje já é pai.
O médico jamais compreendeu o que aconteceu com as probabilidades genéticas da minha irmã, casada com um primo legítimo, mas a cada vez que tomava passe por eles mandava mentalmente mensagens de saúde, alegria, felicidade, harmonia e beleza. E Thiago nasceu assim! Segundo Denise Gimenez Ramos, em seu livro “A psique do corpo”, Freud e Jung se desentenderam porque Freud “tencionava liberar o homem do medo repressivo ditado pelas instituições religiosas, acreditando que assim poderíamos aceitar a finalidade da morte e a ausência da força espiritual com equanimidade”.
Freud nasceu em uma Europa onde a religião era tão castradora quando alguns seitas evangélicas de hoje e isso dá para compreender e rejeitar o legado que dá alergia em alguns médicos e psicólogos de hoje, que recebem das universidades essa herança psicossomática do “descobridor” do inconsciente. Não foi à toa que Jung rompeu com ele. O que seria de Freud se estivesse nascido em uma sociedade budista, espírita, católica, evangélica ou simplesmente multiracial, multicultural e democrática como a brasileira hoje? Com certeza ele teria admitido a necessidade da busca de uma razão para viver que fosse não-material como nos leva a pensar a Dra. Denise. Por que será que a Dra. Denise considera que a psicologia tradicional está morta? Qual o brasileiro que aceita interferências no estilo multicultural da sociedade? Como podemos ignorar a sabedoria dos nossos ancestrais?
Não dá para trazer para os nossos consultórios os padrões sociais da Europa de Freud, se ainda hoje a Europa ainda é cheia de padrões que fazem a sociedade brasileira, “terceiro-mundista”, torcer o nariz! É evidente que nossas avós não sabiam ou não tinham muita certeza que estavam grávidas. Hoje temos o controle sobre a gravidez, embora existam muitas famílias bem educadas que não falam de camisinha porque a Igreja Católica acha que é pecado mortal. Claro que sexo ainda é uma palavra não tocada em muitas famílias, mas a televisão e a internet já fazem esse serviço, bem ou mal, quer os pais queiram ou não. Portanto, é imprescindível que os casais antes de pensar em gravidez correm às livrarias ou à internete e busquem informações. O passo seguinte é preparar toda a família para o evento da vinda de um novo ser para o mundo material, com a preocupação de evitar os erros cometidos por gerações inteiras que não sabiam que o pensamento é uma força inquestionável, responsável por todas as nossas escolhas na vida.
A gravidez é um tempo de reconciliação, de apaziguamento, de perdão, mesmo porque quanto mais a família briga mais atrai a encarnação de espírito vingativo e mentalmente doente. Nunca foi tão necessário pensar com amor e aqui repito que amor não é hereditário nem mensurável, portanto, um caso a mais para a ciência. Cada um de nós nasce com essa chama rósea dentro de nós, de forma que não é mais aceita a desculpa que “não recebi amor dos meus pais então não posso dar amor aos meus filhos”. Amar é se permitir.
A gravidez é um momento único, especial, pelo qual todos nós passamos e que podemos proporcionar aos que virão uma melhor aterrissagem, uma transição rosada, protegida, segura, feliz, cheia de projetos e imagens bonitas de um mundo que poderá estar nas mãos daquele que vai nascer. E esse trabalho pode ser feito com o toque carinhoso do pai ou da mãe na barriga, a partir do primeiro momento em que se materializou a gestação. A mãe deve abraçar a barriga e contar as mais lindas histórias ao que vai nascer. O pai deve velar pela alegria da nova jornada na terra de um ser que pode ter sido muito importante em suas vidas passadas. Vejam na minha página a experiência xamânica que tive ao voltar ao útero da minha mãe, relatada no texto “Escuta-se tudo na barriga da mãe”. Foi um segundo renascer muito mais feliz.
14/11/2006 ·
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