Grupo de ajuda transdisciplinar em São Paulo

Foi criado em São Paulo, capital, um grupo de atendimento transdisciplinar para dependências, abusos e compulsões. Público alvo: dependentes de álcool, drogas, tabaco, e comportamentos abusivos (comida, jogos, doces, mulheres que amam demais, compras, sexo, etc.). Além de atendimento, neste grupo os pacientes são encaminhados à terapia individual e psicohomeopatia. O grupo funciona às terças-feiras, de 18:15 às 19:30. Maiores informações pelo telefone 11-5083 6884, com Cassandra ou Katia. Favor mencionar este site como referência.

Diga o que come e lhe direi como você vive

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Por José Joacir dos Santos

A vontade e até a necessidade de usar drogas, maconha, comprimidos para dormir e qualquer outra coisa que mexa com o estado de consciência está diretamente relacionada com baixas vibrações energéticas, assédio espiritual, vampirismo e magia negra e a grande fonte de sustentação energética vem dos alimentos e líquidos ingeridos, o chamado Chi do corpo, isto é, aquele calor que aquele as mãos e o corpo físico em geral.

Todas as coisas visíveis e invisíveis neste e em todos os mundos têm algo em comum: sintonia. Assim como a mulher grávida, influenciada pelo bebê que carrega, tem vontade de comer doces infantís, a pessoa com baixa vibração energética é alvo fácil das correntes mentais de pensamentos dos seres visíveis e invisíveis carregados de inveja, maldade e malediscência. Os espíritos que se recusam a aceitar a morte, vivem de sugar alimentos já processados, isto é, o que você come e processa. É só você está pessimista, deprimido ou com baixo nível de energia que vira presa fácil da vampiragem alimentícia.

Na medida que o ser eleva a sua vibração energética pela oração e pelas práticas das terapias energéticas como Reiki, passe magnético, cânticos e meditação, a comunicação com forças mentais positivas, visíveis e invisíveis, também aumenta, dificultando o vampirismo. É fácil perceber isto: quanto a gente está feliz, a digestão é uma beleza.  Quando está triste e deprimido… Tudo isso é pura física, a lei da atração dos semelhantes e o corpo físico corresponde e responde a todos os impulsos energéticos ao redor.

Ao contrário da energia, fundamentada na polaridade negativa e positiva, Yin e Yang, as forças mentais contrárias não funcionam juntas por muito tempo e é esta uma das razões pelas quais pessoas muito diferentes não vivem juntas por muito tempo, mesmo que a diferença seja somente física já que o físico carrega em si a memória celular dos pensamentos, vontades, desejos, etc. Cada pessoa produz um campo eletromagnético.

Quando o assunto é mental, a palavra-chave é afinidade e esta é como o código de uma língua. Para você aprender a falar inglês, você tem que remodelar todos os seus hábitos mentais para entrar na sintonia da língua. Alguém pode passar anos em escolas de inglês, se não visitar um país que fala aquela língua funciona como um papagaio que imita bem mas não tem a alma da língua. Uma vez que físico, mente, emoção e espírito caminham juntos, sempre, na medida em que você modifica os seus hábitos físicos você passar a vibrar em uma sintonia diferente e consequentemente a mente, a emoção e o espírito entram em novo patamar de afinidade e sintonia — e isso inflencia até o que você quer comer.

Tomei café por toda a minha vida, exceto nos anos que em vivi na China porque café de verdade era difícil de ser encontrado naquela época. O simples fato de tomar menos café mudou todo o meu olfato. Na mesma época passei a comer mais frutas e verduras e a mudança foi incrível: sentia de longe o cheiro das árvores, das pessoas, dos meus órgãos internos e atraí pessoas leves e interessantes.

As pessoas agressivas e grosseiras me evitavam. Recentemente larguei o café mais uma vez, diminui as carnes, aumentei as verduras, as frutas e o fluxo da energia Reiki é sentido com mais intensidade. Dentro de um ônibus coletivo posso identificar cada pessoa pela cheiro. As pessoas mais agressivas têm certo odor e as mais amáveis a ausência desse odor. Até o cheiro do seu próprio esperma modifica.

O trabalho de elevação energética é duro e exige disciplina. Já sabemos que as iniciações, que só ocorrem presencialmente, modificam os padrões eletromagnéticos do corpo. Essa alteração é refletida no corpo físico e nos demais corpos densos que toda pessoa tem. É um processo psicossomático perfeito. Ao alterar o eletromagnetismo, a memória celular do corpo físico é também modificada para manter a sustentação energética. Quando a energia da pessoa está desequilibrada, a digestão não flui e a obesidade chega.

Quando você está equilibrado, o corpo passa a rejeitar os alimentos que não têm a frequência energética compatível pela digestão. Muitos mestres Reiki, passistas e praticantes de terapias energéticas têm problemas sérios de saúde e não conseguem perceber que têm os fios eletromagnéticos alterados e continuam comendo as mesmas coisas que comiam antes das iniciações e tratamentos espirituais.

A alimentação é o único diferencial entre saúde e doença. Diga o que você come que eu direi como é a sua saúde e a sua vida em geral. Por exemplo, a única bebida alcoólica que hoje consigo beber um copo é vinho tinto, se for Cabernet Sauvignon. O resto me faz mal imediatamente. Dois dedos de cerveja é o suficiente para me fazer vomitar.

Depois de muitos anos comendo muito pouco carne vermelha, fui a uma churascaria brasileira em San Francisco acompanhar amigos e depois do jantar vomitei tudo. Levo para o trabalho todos os dias a comida que eu mesmo faço, uma mistura de vegetais, frutas e sementes. Se quizer passar mal é só colocar um molho qualquer, desses prontos para saladas. Embora tenham o rótulo de “natural”, eles não conseguem enganar a minha corrente eletromagnética.

Os monges tibetanos, budistas e taoístas primam por uma alimentação leve, saudável, cheia de verduras, frutas e legumes. A sustança da carne é uma ilusão, diz Ramatis em seu livro “Fisiologia da Alma”. As substâncias e alimentos espirituais servidos nos centros de recuperação espirituais são à base de caldos, muito semelhantes a caldos de feijão com verduras, batatas, milho e ervas medicinais.

Alguns hospitais da Ásia também servem sopas de soja e de diversos tipos de legumes e verduras, sempre mornas, com ervas medicinais. Por exemplo, caldo de feijão verde com sumo de limão de caipirinha combate alergias. Nas viagens astrais eu já fui alimentado com minerais extraídos de terras virgens. Na época estava sofrendo de uma dor estranha no ombro esquerdo e ao voltar ao corpo físico a dor havia sumido para sempre, ufa! Pandas só se alimentam de folhas de bambú e são seres belíssimos, cheios de pelo, sensíveis e resistentes ao frio intenso. Uma das maiores causas de câncer nos EUA é a má alimentação. O povo é viciado em sanduíches gordos e batatas!

Um conhecido me presenteou com abricós frescos, cultivados na sua fazenda, sem agrotóxicos. Comi dois e fiquei sem fome para jantar. Meu corpo parecia recarregado da energia solar que fazem o abricó ficar amarelo e doce.

Fumadores de um modo geral ficam impregnados de odor, assim como as vacas fogem do açougueiro. Assim como as vacas correm, os espíritos que vagam pelas ruas por rejeitarem a luz correm para os fumadores, usuários de drogas, viciados em remédios, alcoólatras, carnívoros e aqueles que se alimentam exageradamente e de alimentação pobre, isto é, sanduíches, frituras, gorduras, etc.

As abelhas estão sumindo do entorno das grandes cidades norte-americanas por causa das antenas para celulares e tv a cabo porque elas são sensíveis ao barulho que isso faz e à irradiação que cria, as quais não são percebíveis pelo ser humano comum. Com barulho elas não conseguem trabalhar e produzir mel. Resultado: nos EUA, mel puro é caro e raro. Um dia recebi dois irmãos norte-americanos para uma consulta, um de seis anos e outro de onze. O de seis anos era falante, inquieto, olhos brilhantes. O de onze calado, cordinho, cabeça baixa e agressivo. Pedi aos pais que aguardassem lá fora enquanto conversava com os dois juntos. Perguntei ao mais novo: o que você acha do seu irmão? Ele respondeu: é burro, só come pizza! E você, come o quê? Eu? Sim, você! Eu como “berries” (morango, framboesa e outras).

Os cientistas já sabem que as “berries”, como açaí, são excelentes para a vista, a imunidade em geral. O mais velho não interferiu na conversa. Os pais trouxeram os dois porque o mais velho batia no mais novo. Eu gosto de pizza, e como uma a cada três meses, mais ou menos, mas há uma estranha “coincidência”: os criminosos norte-americanos mais perversos só comem pizza, sanduíche e bebem aqueles energéticos que só Deus sabe o que tem dentro – arrasam o fígado, todos eles.

Para você saber como anda a sua energia espiritual e a como está a sua posição na evolução atual do planeta, observe que tipo de pessoa você atrai, que comida você deseja comer (fria, quente, apimentada, salgada, doce, feita às pressas, etc), que bebida você deseja sempre beber, que música você escura (se depressiva ou construtiva, exemplo: rap é destrutivo, exalta o vício em drogas; duplas sertanejas são masoquistas e cultivam o sofrimento; samba do Rio de Janeiro é físico-sexual-somente chácra básico, desequilibra os demais; rock pauleira desestrutura todos os chácras – todos os cantores de rock morrem cedo e tragicamente; etc). O que tudo isso tem a ver com alimentação? E você consegue separar a influência que causa o barulho das cidades na comida que você come na rua ou faz em casa? As abelhas não conseguem…

Depressão, por exemplo, pode está relacionada à alimentação pobre (distante da natureza). Então, para atrair a prosperidade, a saúde plena, o amor da sua vida certinho, sem problemas jurídicos ou famíliares ou ainda falta de trabalho, coma frutas, verduras e legumes — tudo aquilo que é exposto ao Sol absorve a energia do Sol.  Se está cheio de problemas, mude a alimentação e os hábitos. Reze a sua própria oração. Tome banho de Sol mas não se exponha ao Sol para queimar a pele.

Ouça música suave e construtiva, instrumentais – experimente o violino ou o piano puro ou um bom tambor. Pratique uma ligação com o seu divino interior, talvez adormecido, sem intermediários.

Leia bastante e saia da ignorância para não atrair a ignorância nesta e nas futuras vidas. Ame a você em primeiro lugar. * José Joacir dos Santos é Doutor em Psicologia Oriental, mestre em Medicina Oriental e mestre Reiki.

jjoacir@yahoo.com

Entrevista com o Dr. Waldemar Magaldi Filho, autor do livro: “Dinheiro, Saúde e Sagrado”.

1 - No início do livro “Dinheiro, Saúde e Sagrado” o senhor comenta que durante suas pesquisas percebeu que o dinheiro é mais desejado e almejado do que imaginava. Assim discorre sobre ele e suas relações com o sagrado e com a saúde. Acredita que haja algum meio de mudar a atual visão existente sobre o dinheiro, direcionando-o como caminho para cura e salvação?

Qualquer análise histórica e antropológica deixa evidente a capacidade adaptativa, criativa e transformadora da espécie humana, principalmente nas situações de crise onde a superação acaba produzindo evolução. Não por acaso que o ideograma chinês que representa a crise também represente a oportunidade. Esta capacidade, por um lado, possibilitou nossa realidade científica e tecnológica, inimaginável a menos de cinqüenta anos atrás, e acabou contribuindo para a monetarização da vida, da saúde e da dádiva. Por outro lado, está nos levando para uma nova crise com repercussão ecológica, social, cultural, física, psíquica e espiritual, manifestada na forma de sintomas, ambientais, comportamentais, relacionais, psicossomáticos, psiquiátricos e religiosos. Por isso tantas catástrofes, fanatismos, dependências, abusos, compulsões, com consumo exagerado de remédios, divórcios, solidão, desigualdades, exclusão, entre outras patologias.Como o dinheiro é apenas uma energia que pode ser direcionada para qualquer foco, facilmente poderá ser usado para reverter essa situação crítica e alarmante que está se afigurando para o nosso futuro. Porém, para que isso aconteça, é necessário que uma quantidade significativa de pessoas passe por uma mudança de paradigmas, libertando-se das duas rodas viciosas e assimétricas que mantêm a engrenagem do atual capitalismo utilitarista em movimento. A roda maior, que é representada pela maioria das pessoas, movimenta-se num contínuo circular entre consumo, dívidas e trabalho, enredando e, conseqüentemente, alienando os indivíduos nesta rotina repetitiva. A roda menor, por sua vez, é representada por um pequeno número de pessoas, que vem diminuindo gradativamente, igualmente aprisionando-as no continuum circular entre poder, lucro e acúmulo. Sendo que, o eixo central desta engrenagem está à tentativa iludida da negação do medo e da angústia, temáticas inerentes e imanentes em todos os seres humanos.Por causa da angústia somos invadidos pelos temores da solidão, do receio da morte, do medo da liberdade e da falta de sentido existencial. Para quem ainda não conquistou o autoconhecimento, esses medos produzem reações defensivas caracterizadas pela contínua obrigação de se sentir pertencente, necessário, importante, produtivo, rico, saudável, acumulando posses e muitos deleites. Essas “obrigações”, por sua vez, são responsáveis por uma infinita quantidade de dependências, abusos e compulsões. Entre elas os desejos de poder, de acúmulo, de consumo, associados à busca de prazer imediato, que acabam dando um alívio transitório à angústia, apesar de alienar e manter as pessoas mais aprisionadas às rodas viciosas. Todo indivíduo que conseguir sair das rodas, além de transgredir o sistema, poderá repensar o sentido e o significado da sua existência, enfrentando o medo, aliviando sua angústia existencial, diminuindo seu consumo, reaproveitando e reciclando tudo o que for possível. Atividades absolutamente necessárias para que o futuro da humanidade seja viável, apesar de deixar todas as atuais estruturas capitalistas absolutamente assustadas, pois todo planejamento delas está calcado na utopia do crescimento continuado e infinito. De qualquer modo, com ou sem sofrimento, acredito que a civilização irá encontrar um novo modelo que redistribuirá a riqueza de forma igual e includente, restaurando tanto a cura quanto sacralização e o encantamento do mundo. Ressaltando que cura é sinônimo de integridade e de consistência, ou seja, entusiasmo, sentido e significado existencial.

2 - Qual a relação entre dinheiro, saúde e sagrado? Como conciliar esses três itens, aparentemente tão distintos?

Dinheiro, saúde e sagrado se interpenetram. Geralmente a falta de um acaba produzindo a perda ou o aumento dos outros. Em muitas situações notamos que a falta de saúde produz perda de dinheiro e aumento de sagrado. Em outras a falta do sagrado produz aumento do dinheiro e a perda da saúde. Ou, na maioria das vezes, a falta do dinheiro produz o aumento do sagrado e a perda da saúde. Obviamente isso não é uma regra, e esses movimentos acontecem de forma dinâmica e natural, sempre integrando as demandas humanas do bem, do belo e do verdadeiro, presentes nas religiões, nas artes e nas ciências, respectivamente. E, a melhor forma de conciliar essas demandas é por meio do uso consciente do dinheiro. Ou seja, transformar o dinheiro em um elemento facilitador tanto para o sagrado, e toda sua estrutura ética e moral, quanto para a saúde, não só do indivíduo, mas da sociedade e do meio ambiente.

3 - Hoje, segundo o senhor, a saúde é muito mais do que o bem-estar biopsicossocial. A ausência de sintomas não garante a qualidade de vida. Mesmo que sem sintomas físicos as pessoas sofrem o mal da apatia, da falta de sentido existencial. O que sugere a essas pessoas? Como elas podem saber que o mal delas é, de fato, a falta de sentido existencial?

Infelizmente, a grande massa humana está em estado de anestesia, inconscientes de si mesmas e presas nas engrenagens alienantes do sistema capitalista de consumo utilitarista. Essas são as razões te tanta apatia e solidão. Não é fácil sair da “matrix”, pois o autoconhecimento não é um caminho livre, leve e fácil. Ele exige dedicação, esforço, consciência, consistência e diligência. Para a maioria silenciosa das pessoas acaba sendo mais fácil ficarem na inconsciência apática de si mesmas, contentando-se ocasionalmente com alguns momentos de alegria ou de ilusão, que possibilitam a sensação de estarem vivas. Por isso nossa cultura tem tanta necessidade de atividades produtoras de adrenalina, presentes nas situações de dependências, abusos e compulsões. Situação facilmente observada no consumo patológico, nos transtornos alimentares, nas farmacodependências, drogadicções e alcoolismo, nas atividades perigosas e aventureiras, como saltar de bang-jump, nos jogos de azar e em todos os excessos que vão desde o trabalho até o sexo. Essas são as razões de tanto uso de antidepressivos e outras medicações psiquiátricas para ajudar as pessoas a se concentrarem, dormirem, serem menos impulsivas e mais confiantes.Então, para as pessoas que ainda não foram acometidas por algum tipo de sintoma: físico, emocional, psíquico, familiar, profissional, social ou espiritual, e não tem consciência do seu estado de dormência apática e de aprisionamento em uma das duas rodas, resta-nos apenas aguardar. Pois o chamado, mais cedo ou mais tarde, acaba surgindo e, a meu ver, a maior missão de quem já conseguiu um pouco do autoconhecimento é o de promover e divulgar esse caminho para as demais pessoas. Enquanto isso, elas continuarão consumindo, inclusive os livros de auto-ajuda.

 4 - Pessoas desmotivadas normalmente não têm vontade de fazer nada. Muito menos de buscar ajuda. Quando se fala em ajuda terapêutica então a primeira desculpa é a falta de dinheiro para pagar as sessões. Qual a saída para essas pessoas? O que deveriam fazer?

Quem está desmotivado está sem entusiasmo (entheos), sem Deus dentro de si. Primeiro devemos entender que só podemos dar o que temos e, conseqüentemente, só iremos receber o que damos. Desta forma, se queremos mudar nossa vida, a mudança começa no íntimo do nosso ser. É claro que um bom profissional de ajuda, que esteja engajado nessas premissas, além de ser raro, provavelmente é caro. Mas sempre existem possibilidades em escolas, livros e até grupos religiosos que entendem que Deus está no interior de cada ser humano e de que não é necessário nenhum intermediário ou sacrifício de qualquer tipo de prazer ou dinheiro para acessá-Lo. Basta querer e se abrir para o autoconhecimento, por meio de reflexões sinceras sobre a vida, e fazer um contínuo e profundo inventário de si mesmo já são grandes passos para a cura.

5 - O senhor diz que as pessoas compram o que não precisam, com dinheiro que não possuem para impressionar quem não conhecem. O que as leva a fazer isso? O que sugere que façam para mudar esse tipo de atitude?

Creio que as razões para essa situação, como já comentei nas perguntas anteriores, são o medo e a falta de sentido existencial. As mudanças de atitude, a meu ver, dependem apenas do autoconhecimento. Só ele poderá nos dar a capacidade de sermos menos impulsivos para podermos refletir sobre o porquê e o para que de cada ato existencial. Só assim deixaremos de consumir o desnecessário, o descartável e o luxo, para nos sentirmos pertencentes às estruturas sociais.

6 - No livro, o senhor fala bastante sobre dar e receber. Pode falar um pouco sobre isso, mesmo que de forma mais sucinta, aos nossos leitores?

Todo princípio da dádiva está calcado na dinâmica do dar, receber e retribuir. Não é por acaso que em inglês arcaico gift significa simultaneamente veneno e presente, pois todo presente te prende na dinâmica da dádiva. O medo patológico, ocasionado pela falta de autoconhecimento, produz o desejo do poder e, neste caso, o dinheiro, e o seu acúmulo, acaba sendo um bom instrumento para alimentar a ilusão do poder e o enfrentamento do medo. Com isso, a dinâmica do dar, receber e retribuir, princípios universais da evolução, ficou comprometida e, conseqüentemente, a vida foi ficando sem graça, em todos os sentidos.   7 - Por que apesar de a maioria dos analistas e consultores dizer que nos períodos de turbulência os investidores devem ficar tranqüilos e esperar a crise passar, muitos insistem em agir de forma impulsiva e colocam “tudo” a perder? Existe, neste caso, alguma analogia entre as finanças e a vida como um todo?  

Essa situação é muito estudada na psicologia social. Todos os seres vivos são movidos por demandas muito parecidas, entre elas temos os instintos básicos de sobreviver, crescer e ter segurança para poder perpetuar. É importante salientar que as pessoas que vivem dominadas, preponderantemente, por esses instintos se tornam muito imediatas, impulsivas e reativas.Os seres humanos, além de possuírem os instintos básicos, que sempre estão acompanhados dos sentimentos de angústia e de medo, também possuem muita necessidade de se sentirem pertencentes a alguma estrutura coletiva como família, sociedade, religião, entre outras formações grupais. E como a realidade contemporânea faz uso abusivo do medo como meio de manipulação dos desejos humanos, acabamos criando uma sociedade polifóbica, muito assustada, com muitos medos e desejos de pertencimento e segurança. Essa sociedade polifóbica, iludidamente, nos leva a acreditar que o poder é a única forma de conter o medo. Atualmente, obviamente, o melhor objeto para conferir esse poder é o dinheiro, o capital que confere patrimônio na nossa estrutura patriarcal capitalista. Então, quando os investidores ficam ameaçados em perder seu objeto de poder e percebem o movimento impulsivo e histérico dos outros, imediatamente começa surgir o “efeito manada”, onde a maioria reage irracionalmente, desembocando nessa situação de crise coletiva. Desta forma, quando o inconsciente coletivo entra em ação, é muito difícil conte-lo, realidade facilmente percebida em toda a história da humanidade. Então, quem não tem o perfil do investidor, que fica tranqüilo e até aufere vantagens nas crises, não deveria entrar nesse tipo de negócio. O que deixaria os investidores especuladores muito decepcionados, pois não teriam tantas vantagens dos neófitos assustados nesses períodos de turbulência.

8 - Então, para o senhor, quem tiver esse autoconhecimento não irá investir seu dinheiro no mercado de capitais?

Não podemos fazer correlação direta entre autoconhecimento ou espiritualidade com pobreza, inferioridade e falta de ambição. Se um indivíduo conquistou o autoconhecimento e mesmo assim acreditar que seu talento, seu servir, está no mercado de capitais, é lá que ele deve estar. Certamente essa pessoa será muito mais capacitada para operar, não reagindo tão impulsivamente e, provavelmente, também não arriscando os investimentos em papeis de empresas que não estejam minimamente compromissadas com as questões ambientais, de auto-sustentabilidade e humanitárias.A grande diferença é que a ambição do indivíduo que atingiu o autoconhecimento e encontrou o prazer em servir está voltada para a própria humanidade, sem precisar abrir mão da sua qualidade de vida. Ou seja, o compromisso é na construção de um mundo melhor, onde as diferenças não continuem produzindo desigualdades e exclusão.

9 - Qual a importância do autoconhecimento quando se trata de dinheiro, saúde e sagrado?

A frase milenar: “homem conheça-te a ti mesmo, e só então poderás conhecer os deuses”, que foi encontrada no frontispício de Delfos, no templo de Apolo, nos dá bem a importância deste autoconhecimento. Não é por acaso que ela foi utilizada pelos órficos, pelos pitagóricos, repetida no mais importante aforismo de Hipócrates, o pai da medicina, na base do pensamento homeopático, e atualmente nos conceitos de psicossomática e de psicologia integral. Porque, quem se conhece deixa de ser impulsivo e imediato, pois aprende a ser reflexivo e mediador, ao abandonar os excessos, os abusos e as compulsões. Para quem ingressou no caminho do autoconhecimento, caso ainda não tenha encontrado, deve estar muito próximo de seu mais alto fim existencial. Sendo que, o desvio desta finalidade existencial é caracterizado pela perda do alvo, a hamartia ou pecado citado nas tradições abraâmicas que englobam o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. O pecado é a perda do alvo, do sentido e do significado existencial e os sintomas, nesta premissa, são “quedas” que possibilitam a reflexão sobre o caminho equivocado que está sendo seguido. Por isso, a cura depende de uma mudança de direção, é a conversão ou a quebra de paradigmas para que a evolução criativa e amorosa possa continuar seu movimento. Desta forma, que está aprisionado em qualquer roda viciosa está sem propósito e sem alvo.

10 - O senhor diz que é na tomada de conhecimento sobre o mundo e, principalmente, sobre si mesmo, que está a possibilidade de cura tanto do indivíduo quanto da coletividade. Por que acredita nisso e de que modo esse conhecimento mudaria tudo isso?

Porque todo indivíduo que consegue romper seu estado alienante e autômato, inevitavelmente, teve que travar e superar um embate com o seu lado sombrio, seu mundo inconsciente. Deste confronto inevitavelmente surgirá um sentimento de amor, transbordante onde a pessoa ficará gratificada pelo fato de aprender amar o amor. Ou seja, amar o amor que ela irá estabelecer com o seu próximo e com o mundo, mesmo que, transitoriamente, vestidos de aspectos sombrios, assustadores e indesejados. Essa é a base da tolerância e da compaixão ou do amor ágape, proposto por Jesus.

11 - Será que o ser humano, com o autoconhecimento, pode chegar a ser tão altruísta assim? Infelizmente, quando percorremos as páginas diárias dos jornais o que mais vemos são notícias de corrupção, cobiça, roubo e toda sorte de agressões, advindas de qualquer esfera econômica, social, política ou religiosa.

Essa é a diferença básica e evolutiva entre ter a informação, o conhecimento e o autoconhecimento. A grande maioria das pessoas, infelizmente, fica apenas com a informação, mas não transforma esses dados em atitudes práticas para adquirir o conhecimento. Uma minoria, bem diferenciada e privilegiada, consegue transformar a informação em conhecimento e, com isso, acaba tendo ascensão às esferas sociais, econômicas, políticas ou religiosas – muitas vezes utilizando-se da deplorável prática do lobby sujo, corruptor e não transparente, infelizmente muito comum na nossa política contemporânea. Porém, por não terem o autoconhecimento, acabam utilizando suas conquistas na ilusão do acúmulo e do poder para aplacar seus sentimentos de angústia e de medo. Mas, felizmente, cedo ou tarde, acabam tropeçando e vão parar nas notícias escandalosas das páginas dos jornais. Não podemos deixar de ponderar que a nossa liderança é composta pelos indivíduos mentalmente competentes e moralmente pobres, pela falta de autoconhecimento e espiritualidade, e está é uma das causas dos atuais problemas contemporâneos.De fato muito poucas pessoas estão conseguindo dar um passo adiante do conhecimento para alcançarem o autoconhecimento. Não percebem que só quem se conhece pode se ter, para futuramente se dar. Ninguém pode dar o que não tem e, conseqüentemente, não poderá receber o que não pode dar. Ou seja, se eu me amo verdadeiramente, sem a necessidade de acessórios, títulos, grifes e outros artifícios, eu poderei dar o meu amor amando o outro e, em contrapartida, poderei ser amado pelo outro. Essa é a teoria da dádiva, a lei da atração ou simplesmente a fala de São Francisco de Assis ao afirmar que é dando que se recebe, tendo sempre em mente que não podemos dar o que não temos.

12 - De que modo o dinheiro se transforma em instrumento do próprio amor?

Como já citei anteriormente, o dinheiro é energia e a energia não é boa nem má, ela apenas é um elemento capaz de produzir transformações. Então, toda pessoa que atingiu o estado da compaixão, do amor ágape, certamente irá usar o dinheiro amorosamente, livre das influencias das duas rodas de aprisionamento humano.

13 - Em que vale a pena investir mais: na saúde, no dinheiro ou no sagrado? Por quê?

Também como já comentei anteriormente, essas três demandas humanas são igualmente importantes, coexistentes e se interpenetram, e não podem ser classificadas numa escala hierárquica de valores.

14 - Ateus e céticos têm visão diferente sobre essa relação entre saúde, dinheiro e sagrado? O que diz sobre eles?

Tanto os ateus, por não acreditam na existência de um deus, quanto os céticos, descrentes ou sem fé, são indivíduos que, direta ou indiretamente, consciente ou inconscientemente, sofrem as influências dessas três demandas e, por mais que tentem negar, sempre ficarão a mercê delas.

15 - O senhor acredita que qualquer pessoa seja capaz de responder e/ou fazer o ‘Inventário Existencial’ proposto em seu livro?

 Posso estar enganado, mas devido a minha experiência em escrever sobre comportamento e aos 15 anos que faço terapia, não é tão simples e fácil responder as questões propostas. Como está escrito no preâmbulo do inventário existencial, por mim proposto no final do livro, em qualquer momento evolutivo que o indivíduo esteja ele poderá fazer essas reflexões e obter proveito delas. É obvio que a aquisição de conhecimento sobre si mesmo não é muito fácil. Na verdade, as relações mais complicadas de ser estabelecida é a do autoconhecimento e depois com os nossos credores, que são as pessoas que “compraram” ou acreditaram nos personagens que “vendemos” ou mostramos a elas. Mas acredito que qualquer pessoa, mesmo sem ajuda de um psicoterapeuta, poderá fazer grandes progressos nessa jornada ao mundo interior, que possibilita a descoberta da alma.

16 - Pode dar dicas sobre qual o melhor caminho trilhar na busca incessante pela integração total do ser?

Creio que a primeira coisa a se fazer é o caminho da interioridade, acompanhado das reflexões existenciais em busca de sentido e de significado para a vida. Esse caminho não é tão fácil assim, ele requer perseverança, diligencia, silêncio e quietude. As pessoas, por estarem acostumadas com a tagarelice dos negócios cotidianos, ficam muito incomodadas com o processo do autoconhecimento, pejorativamente chamando-o de ócio. E, por isso mesmo, negam-no veementemente transformando a própria vida em um contínuo negócio – negação do ócio. A conseqüência disso é o aumento do medo, da insegurança e da “roda” viciosa do acúmulo, da dívida ou do ganho. Mesmo tendo o conhecimento de que a criatividade está no ócio, muitas pessoas acabam fugindo da descoberta desse potencial imanente fanatizando-se em religiões ou rituais, caminho tão alienante quanto o dos cientistas que ficam obtusos e iludidos no poder das especializações. Por isso, muitas pessoas não conseguem reverter a “roda”, apesar de comprarem bacias de livros de auto-ajuda que, na maioria das vezes, ajudam apenas a seus editores e autores, porque o caminho do autoconhecimento, apesar de solitário, na maioria das vezes requer a ajuda de um mestre. Então, quem busca o autoconhecimento precisa da ajuda de pessoas sábias, que já conquistaram esse autoconhecimento. E quem é esse sábio mestre? Geralmente é aquela pessoa que, apesar das dificuldades inerentes à vida, demonstra felicidade, entusiasmo e prazer em servir ao próximo com seus talentos. Pode ser um guia espiritual, um analista, ou alguma pessoa em que podemos estabelecer uma relação empática, sincera e de confiança, para questionarmos o sentido e o significado da nossa existência, na busca de servir nossos talentos aos próximos e ao mundo, saindo da “roda” viciosa para a virtuosa.É importante deixar claro que a realização do mais alto fim existencial não é tão fácil de ser reconhecida e, mesmo quando a pessoa encontra seu sentido vocacional de servidão, na maioria das vezes o meio social não é muito favorável. Ou seja, equivale a um caminho iniciático que sempre vai exigir do adepto o equivalente à jornada do herói. Lembrando que o herói é aquele que, na maioria das vezes, sacrifica-se para atender a demanda da maioria, imbuído da assepsia literal do sacro-ofício. Também é expressivo deixarmos claro que ninguém transforma ninguém, mas que ninguém se transforma sozinho e é nesse sentido que se faz necessário um encontro amoroso de transformação. Porque o amor verdadeiro, por não querer transformar os outros transforma, ao propiciar liberdade e alegria, condições criativas para que as demandas evolutivas de cada indivíduo possam acontecer.

17 – Porque o Senhor escolheu o tema: “Dinheiro, Saúde e Sagrado”? Em que se baseou para afirmar que: “no panorama político, social, ecológico e econômico do mundo globalizado, constatamos que, na prática as riquezas advindas do dinheiro é que são adoradas”? Qual estudo realizou para escrever esse livro?

Trabalho como psicoterapeuta há mais de 25 anos e sempre acabo reconhecendo que no âmago de qualquer queixa, trazidas pelos meus clientes, estão a dimensão espiritual e as questões de saúde nas esferas biológicas, psíquicas, relacionais, familiares, profissionais e sociais. Sendo que, em qualquer dimensão a presença ou a ausência do dinheiro acaba sendo uma energia capaz de interferir significativamente. Com isso, para mim, ficou claro que dinheiro, saúde e sagrado são extremamente importantes na qualidade de vida de todo ser humano. Por outro lado, percebe-se claramente o processo de monetarização da dádiva, ou seja, como o dinheiro acabou virando meio de troca para a salvação ou pra a saúde, facilmente observada desde as vendas de indulgencias da idade média até o assombroso enriquecimento das instituições religiosas e de muitos de seus servidores. Além disso, a riqueza material, para muitos, ainda é prova de predestinação e de bem-aventurança. Ou seja, atualmente o dinheiro está na raiz da saúde e do sagrado.Desta forma, para mim, ficou muito claro que o dinheiro acabou sendo sacralizado e de que ele acabou assumindo status divino. Por isso, estudando as contribuições de antropólogos, sociólogos, historiadores e teólogos, pude fazer um levantamento do processo de monetarização da dádiva, analisando esse processo à luz da psicologia junguiana. Além disso, como parto de uma perspectiva evolucionista e espiritualista da natureza, trabalhei os resultados da pesquisa nas práticas religiosas e médicas da contemporaneidade. O que me permite proporcionar ao leitor, além de muitas informações culturais, o início do caminho do autoconhecimento. E está é a razão de eu ter encerrado o livro com a sugestão de um inventário existencial para que esse processo de autoconhecimento aconteça de maneira mais dirigida e eficiente.

 

WALDEMAR MAGALDI FILHO (www.waldemarmagaldi.com) é psicólogo, especialista em Psicologia Junguiana, Psicossomática e Homeopatia. É mestre e doutor

em Ciências da Religião. Autor do livro: “Dinheiro, Saúde e Sagrado”.  Por ter atuado tanto no meio corporativo de empresas multinacionais quanto no comércio varejista, tem uma vasta experiência nas demandas do mercado econômico. Atualmente, atende clientes em seu consultório, apresenta palestras em empresas, coordena e ministra aulas nos cursos de especialização em Psicologia Junguiana; Psicossomática; Dependências, Abusos e Compulsões; e Gestão Organizacional nas abordagens Junguiana e Integral da FACIS - Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo. Email: wmagaldi@gmail.com Fone: (11) 5535-8006

Um cigarro de maconha equivale a cinco de tabaco

pulmao.jpgDa AFP, em Paris, em 30/07/2007, as 14h27 -Fumar um cigarro de maconha tem os mesmos efeitos sobre os pulmões humanos que fumar entre 2,5 e 5 cigarros compostos unicamente de tabaco, ressalta um estudo realizado na Nova Zelândia e divulgado no site na internet da revista especializada Thorax. Richard Beasley, do Instituto de Pesquisa Médica da Nova Zelândia, e sua equipe compararam os efeitos da maconha e do tabaco nos 339 adultos que participaram de um estudo sobre saúde respiratória. Os voluntários foram divididos em quatro grupos: os que fumavam somente maconha, os que fumavam apenas tabaco, aqueles que fumavam ambas as substâncias e aqueles que não fumavam nenhuma delas. Cada um dos participantes foi submetido a uma série de exames de tomodensitometria dos pulmões (um escaner de raios X aliado a um computador) assim como a testes respiratórios. “A principal descoberta é que um cigarro de maconha é similar a entre 2,5 e 5 cigarros de tabaco em termos de obstrução respiratória”, frisaram os cientistas. A equivalência é coerente com os níveis de carboxihemoglobina (forma de hemoglobina tóxica porque se associa ao monóxido de carbono e ao oxigênio) e de alcatrão, que são entre 3 e 5 vezes maiores em um cigarro de maconha do que em um normal.O estudo também mostra que os fumantes de maconha produzem assobios ao respirar, tossem, e sofrem com pressão no peito e expectorações. Além disso, o consumo de maconha causa uma degradação do funcionamento dos brônquios, com obstrução respiratória, fazendo com que os pulmões sejam obrigados a realizar um esforço maior. Os cientistas constataram, no entanto, que o enfisema, uma doença pulmonar que pode evoluir para uma insuficiência respiratória crônica, aparece quase que exclusivamente apenas em fumantes de tabaco ou de ambas as substâncias, mas não naqueles que fumam apenas maconha. Os pesquisadores ressaltaram que os efeitos da maconha sobre os pulmões se devem à forma como se fuma esta substância: sem filtro e com tragadas mais profundas e longas. (A foto acima é de um pulmão de fumante. A cor escura é a poluição deixada pela fumaça).

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