Por que você detesta tudo que é auto-ajuda?

autoajuda1.jpgÉ fácil saber quando alguém detesta tudo que diz respeito a auto-ajuda: livros, cursos, artigos, textos. Geralmente essas pessoas precisam muito de tudo isso e estão vivendo um estado de negação. Em psicologia, o estado de negação é aquele em que a pessoa finge não existir um problema ou ataca qualquer pessoa que fale sobre o assunto. Ela reage assim porque não quer enfrentar os ganchos emocionais, que todo mundo tem mas nao precisa guarda-los para a vida inteira. A pessoa se esconde por trás da máscara da negação para tentar, ilusoriamente, permanecer em um estado de satisfação mental – fuga. Naturalmente que isso só atrapalha. Aumenta traumas e problemas emocionais vinculados ao estado de negação. Quando você se posiciona fortemente contra alguma coisa é porque você tem muito a ver com aquela coisa e aí seu instinto faz você reagir firmemente contra, especialmente quando você não está disposto a enfrentar. Quando você ver algo que não gosta, não lhe atrai e você não toma partido, simplesmente igonora ou tenta conviver e respeitar as diferenças, significa que você tem um comportamento saudável. Pessoas que facilmente falam “eu detesto isso, eu detesto aquilo”, estão claramente dizendo onde elas têm algo mal-resolvido sobre o que dizem detestar. É natural a gente gostar e não gostar de coisas, pessoas, comportamentos, comida, etc. Ninguém é obrigado a gostar das mesmas coisas mas é saudável conviver pacificamente com as diferença de gostos, aparências, preferências, gêneros, etc. Mas se há uma ladainha imensa a respeito da cebola no prato, sim, há brasas escondidas nessa fumaça.

Para saber se uma pessoa é emocionalmente complicada é só pedir uma lista das coisas que ela detesta na própria vida e na vida de outras  pessoas. Um profisional saberá puxar da lista a história familiar dessa pessoa. Há pessoas que não gostam de tomates, por exemplo. Isso pode ser apenas uma reação física dela à química de tomates. Cada ser humano tem cinco sabores dentro de si, que traduzem o estado de saúde dos cinco principais órgãos, e se manifestam pelos sentidos: ver, ouvir, saborear, respirar, tocar. Quando há um desequilíbrio químico, o corpo tende a manifestar o desejo ou a rejeição a um desses sabores. Mas isso só acontece quando a pessoa está saudável. Se acontece com muita frequência há um desequilíbrio fisico, mental, emocional ou espiritual. O desequilíbrio de um dos sabores no organismo leva à confusão física (chamada doença) e um bom exemplo disso é quando a pessoa manifesta obsessivamente vontade de comer doce, salgado, azedo, apodrecido e amargo. Detestar quem come tomates é assunto para muitas sessões de terapia. Pessoas com história familiar de abuso e/ou violência doméstica tendem a se posicionar rigidamente sobre qualquer coisa, qualquer assunto, porque o cérebro reage de acordo com o mundo que ela conhece: abuso e violência.

A violência é unilateral, produz visão falsa do equilíbrio, destroi a capacidade natural de amar e torna as pessoas avessas, agressivas, azedas e muitas vezes insuportáveis. Não há meio-termo, não há meia-pancada, não há meia-palavra agressiva, não há meio-palavrão. A violência familiar deixa tatuagens profundas no sistema emocianal de todos as pessoas expostas a ela, de criança a adulto. Não há um só ser humano imune à violência, especialmente quando ela é praticada por pessoas que supostamente deveriam ser amáveis e ensinar a amar. Crianças mal-amadas ou rejeitadas, filhas de pessoas ocupadas demais, que não têm tempo para acariciar os filhos, com abraços e palavras, jestos e atitudes, tendem a dividir o mundo em pedaços, em times, em gostar e não gostar, e essa divisão segue, na maioria das vezes, o adulto para a vida inteira.   Este assunto é muito vasto e educar não combina com ameaçar, forçar, gritar, bater, xingar, despresar, não-abraçar, não-elogiar, não fornecer as necessidades básicas, materiais e emocionais, de um ser humano.

Todos temos a tendência de lever para as famílias que formamos as malezas da família que nos criou e educou – no amor ou na violência. Então, adultos cheios de tatuagens emocionais serão péssimos chefes, governantes, médicos, policiais, professores, terapeutas, especialmente se nunca se submeterem a tratamentos. Esses aumentarão as filas dos mau-amados do mundo, responsáveis por tudo, inclusive da visão negativa, pessimista, mesquinha e cavernosas do mundo. Esses são os responsáveis pelo atraso da humanidade, pelas manchas no DNA das futuras gerações, pelo bloquio ao desenvolvimento das terapias holísticas, dos programas sociais, da morte dos ecossistemas, da poluição dos mares e rios, pelo desmatamento das florestas, pelo crime urbano.  A literatura de auto-ajuda é imensa. Está presente em cada banca de revista do país, nas grandes e pequenas livrarias, para todos os gostos. Isso também faz parte de paises democráticos, multiculturais, multiraciais e em transição econômica de terceiro para primeiro mundo como o Brasil. Somos abundantes neste assunto, felizmente. Não cabe aqui julgamentos a respeito do conteúdo dessa literatura, muito pelo contrário. Incentivamos a busca individual por aquilo que falta lá dentro do seu ser, por qualquer razão, mesmo uma não citada neste artigo. Mesmo aquilo que a gente sabe que é apelação de editora para fazer dinheiro fácil, pode ter alguma coisa interessante.

Em termos espirituais, o universo tenta mandar mensagens para cada ser humano, todos os dias, todas as horas e por todos os meios. Por isso, é preciso que cada ser humano dê uma olhada nas bancas de revistas, vitrines de livrarias e nas poucas bibliotecas públicas do país, porque somos ainda muito pobres de leitura. Quantos livros você leu nos últimos 30 dias, e quantas revistas você passou pelo menos as páginas? Cada um de nós se intressa por um assunto ou muitos de de uma vez. Quais são os seus? Se você não tem resposta a essas perguntas a sua vida está muito sem graça e o único responsável por isso são os seus próprios preconceitos — saia da toca!  A leitura é a principal arma anti-envelhecimento, anti-doenças mentais, anti-esquecimento, relaxa a musculatura até no banheiro.

A leitura retarda o envelhecimento e a invasão das doenças. Se você se deixa ler um livro, uma revista ou um texto na internete, que fala das coisas que você rejeita, já é meio caminho andado na luta contra o grande bicho-papão: você mesmo. Aproveite seus momentos de solidão para ler sobre aquilo que você detesta e se posiciona contra. Procure várias fontes sobre o mesmo assunto até você descobrir porque você gasta tanta energia detestando e sendo contra. Comece a construir um perfil sobre você, o “detestador de auto-ajuda”, e um belo dia, sozinho no banheiro, se liberte: eu detesto porque preciso de auto-ajuda! Falta democracia na minha própria vida! Eu posso estar preso a traumas familiares, a coisa que não me pertence, a preconceitos que não são meus e eu vivo alimentando tudo isso! Quem sabe, o próximo passo é você ler uma historinha para o filho, o sobrinho, o vizinho — daquilo que você realmente gosta. Ah, mas anjos não existem, não é? Só por que você nunca viu um diz que não existem? Você não sabir que essa época de só acreditar no que pode pegar e ver já passou? Sabia que a base da cultura ocidental é formada pela história de anjos? E o resto que você ainda não sabe porque ignora tudo que se tem escrito a respeito? Humm, então, meu caro, tam-tam-tam-tam…: fe-che-a-bo-qui-nha, o mundo não só o que os seus olhos podem ver e acreditar! Um título universitário não é o passaporte para você virar uma pessoa chata e incrédula, copiador de maus ensinamentos de professores sem esperança, aqueles chatos da universidade, ou de pais desequilibrados. Liberte-se, procure o caminho da sua auto-ajuda.

A vida trava sem a percepção equilibrada

13-07-09_1408recife.jpgAo contrário do que se pensa, a vidência não é um privilégio de pessoas espiritualizadas. Todo ser humano tem o terceiro olho, bem no meio das sobrancelhas, cuja função é ajudar a ter uma vida melhor, aqui e agora. Ter uma vida melhor significa perceber melhor todos os aspectos da vida, saber negociar com o próximo e consigo mesmo. O segredo das pessoas bem-sucedidas na vida é saber negociar, isto é, ter jogo de cintura diante das dificuldades da vida. As pessoas que cometem crimes, roubam ou apedrejam a humanidade geralmente sofrem da falta de percepção. Elas usam a força física como os animais rudes que não tem um cérebro programado para ver além dos olhos. A pobreza, intrigas, desentendimentos, desavenças, inimizades são consequência da falta de visão. O estudo ajuda no desenvolvimento da percepção porque amplia o leque de visão, através do conhecimento e da conscientização, mas tem gente que estuda muito e não sai do lugar. A pessoa chamada ignorante é aquela que tem a terceira visão bloqueada, olham e não percebem. Jesus falava disso em seus discursos. Homens e mulheres têm a mesma habilidade para tudo na vida, mas a clareza da vista depende também de aspectos físicos, mentais (e espirituais), genéticos e sociais, mas não depende gênero. O homem, por natureza, é mais prático mas nem sempre ver com a perspicácia que a mulher naturalmente vê. Enquanto isso, a mulher perde a clareza da vista quando se emociona, quando se apaixona e quando está com algum processo hormonal ativo como menstruação, gravidez, menopausa. O pior momento da mulher tomar uma decisão na vida é quando está sob essas condições hormonais ou apaixonada. O homem é direto mas é fixo no que é físico, de forma que a escolha da parceria é pelo que ele percebe e gosta do que ver. E, por isso, erra muito. Mulheres norte-americanas, influenciadas pela indústria do cinema, se apaixonam por cafajestes que têm o domínio da palavra, isto é, são bons de cantada, mas entram nas relações por dinheiro. Elas também sofrem de uma deficiência da cultura norte-americana que é a pouca afetividade nas relações, inclusive familiares. Homens e mulheres nascidos e educados em ambientes de violência familiar também tem dificuldade de percepção, influenciados por aquilo que passam a acreditar que a vida é, isto é, violência, falta de afeto familiar, de tolerância, de gratidão e isso só cura com terapia. A genética tem grande participação em todo o nosso ser – felizmente pode ser modificada. Há uma cumplicidade cármica e espiritual na memória celular, de forma que a genética tem essas informações adicionadas e ninguém está livre delas, mesmo que não seja espiritualista. Como pode você comer o bolo de padaria e não se envolver com a energia de quem o fez? Assim, a sua religião atual nada pode fazer por sua informação genética nem pela memória celular que registra todos as informações das vidas passadas. As pessoas podem já nascer com dificuldade de ver a vida com clareza porque estão presas a processos mentais-espirituais-fisicos-culturais trazidos pela genética. Por exemplo, você ver pessoas que se formam em direito mas fazem escolhas afetivas horriveis para suas vidas. E jornalistas, que quando são intelectuais demais não chegam ao ponto do que precisa ser dito e mostrado? Quem não conhece um caso de filho adotivo, criado com muito amor pela nova família, e que não se ajusta nunca? Quem não conhece um caso de filho adotivo que participa mais da nova família do que os filhos de sangue? As pessoas geneticamente deficientes da clareza da visão são muito voltadas para as coisas materiais, as posses, os rancores, as brigas, as disputas, o corpo físico, o sangue. Elas se escondem atrás dos companheiros, tanto na vida quanto na profissão. São aquelas que acreditam que casamento resolve a vida e investem numa pessoa para se salvar, achando que isso realmente acontece. A vida exige que tenhamos propriedades, briguemos, disputemos no jogo diário da sobrevivência e cuidemos muito bem do corpo físico. Mas, falamos aqui do exagero. É fácil ver quando um adolescente, perto dos 18 anos, não quer virar adulto porque ele já visualiza que precisará agir de outra forma porque a vida de adulto não tem brinquedos infantis, video-game, noitadas intermináveis, bedebeira sem fim. Há pessoas presas nesses exageros e isso significa falta de percepção. A psicologia norte-americana chama isso de falta de capacidade de fazer julgamentos equilibrados, positivos, claros e objetivos. Essas pessoas geralmente pensam assim: venha a nós, mas, ao vosso reino, nada! O que não for azul não presta! Só querem ser ajudadas, não se ajudam, não ajudam a ninguém e nem têm gratidão por aqueles que lhe ajudam. Já as pessoas muito videntes, isto é, têm o terceiro olho muito aberto ou já nasceram com ele muito desenvolvido, correm o risco de se desequilibrar por falta de experiência de vida, pela idade, imaturidade ou por falta de um amparo maduro, compreensivel e amável. Pessoas assim precisam de uma família estruturada. Elas podem ver as coisas mas têm dificuldade de intrepretá-las e podem fazer falsos julgamentos ou julgamentos precipitados e incabíveis.  Numa experiência pública, para um grupo de alunos, pedi que cada um examinasse a temperatura das minhas mãos. Ativei a energia de Reiki, que geralmente esquentam involuntariamente as mãos, e coloquei as minhas mãos entre as duas mãos de cada um dos alunos. Pedi que dissessem qual a temperatura das minhas mãos. Era um grupo de Mestres Reiki fazendo reciclagem, isto é, todos tinham o conhecimento da alteração da energia quando Reiki é ativado. Eles também sabem que as vezes o mestre sente as mãos quentes ou frias e cada aluno sente quente ou fria, dependendo do equilíbrio energético de cada um naquele momento. Foi exatamente isso que aconteceu. Cada um dos dez mestres teve uma percepçãao diferente das minhas únicas duas mãos, no mesmo instante, no mesmo lugar. Isso também ocorre se você pedir a opinião de pessoas em um grupo sobre a mesma coisa. Cada uma tem um “achado”, isto é, eu acho isso ou eu acho aquilo. Sim, cada ser humano é único e tem a percepção da vida, a cada momento, de acordo com um conjunto de coisas: educação, história familia, genética e cármica, estado emocional, momento no tempo e em tudo isso há a palavra limitação. Como mudar a percepção da vida? Por que todo mundo ver e eu não consigo? Um cliente uma vez disse para o companheiro: Você viveu seis anos comigo e nunca percebeu o quanto eu lhe prejudicava? O que tem a ver a falta de percepção e o ditado “jogar pérolas aos porcos”? Por que eu cometo os mesmos erros? Por que a prosperidade não chega na minha vida? Como somos seres individuais e únicos, cada pessoa tem um caminho para mudar a percepção e trazer a clareza da vista para sua vida. Mergulhar nas religiões é o caminho para o afundamento e o bloqueio total da terceira visão. Pode ver que as pessoas que andam com a Biblia debaixo do braço ficam insuportáveis e parecem viver no século passado, até as feições mudam para a rigidez. É como voltar àquela vila de pescadores onde seu avô viveu. É preciso não confundir religião com religiosidade, que todo mundo deve ter. É o estado de negação e medo. Todos os dias aparecem noticias sobre um jogador de futebol que já foi muito famoso, teve o mundo aos seus pés, mas vive metido com prostituição, já casou inúmeras vezes, tem dificuldade de perder peso e ultimamente disse que ia aproveitar um problema no joelho para fazer uma lipoaspiração na barriga. Veja que a riqueza e a fama nem sempre ajudam na clareza da vista! Há exercícios físicos que se faz para a abertura do terceiro olho, cujas práticas vem dos templos budistas e taoistas: rezar todo dia na mesma hora e no mesmo lugar, pelo menos por cinco minutos. Parar de questionar tudo e todos porque muitas respostas já devem ter sido entregues e você não percebeu nenhuma. Parar de fazer julgamentos de si mesmo e dos outros porque julgamentos sempre contém erros graves. Largar os preconceitos porque eles criam uma mancha no seu ser espiritual. Combater a rigidez mental (acredita ser dono da verdade), que se projeta na postura física, através de dores lombares, da coluna, do fígado. Prestar atenção no que fala e quais os assuntos que você puxa nas conversas. Ouvir e meditar sobre o que ouve. A falta de percepção prejudica a audição, músculos, relationamentos afetivos, traz dores de cabeça constante, problemas visuais, faz a pessoa se envolver nos problemas alheios, atrair acidentes e confusões, entrar em vícios, fazer dívidas sem ter condições de pagar, se frustrar com o que fazem.  

Praticar Reiki (altera o padrão energético e genético), massagem terapeutica (desenovolve a percepção física, assim como caminhar), yoga com meditação (facilita o foco), ler em voz alta (para ouvir o que ler), dançar com música instrumental (altera a aura), tocar um instrumento de cordas, participar de eventos humanitários (para ver a dor do mundo), se voluntariar em hospitais, creches, orfanatos, se submeter a uma terapia floral com psicoterapia (falar e ser ouvido), participar dos eventos comunitários (para desenvolver a tolerância racial, religiosa, social, a solidariedade e a gratidão), desligar a televisão (que emburrece). Qualquer um desses caminhos vai dar em outros e aí é você com você mesmo. Olhe com compaixão para você mesmo e se pergunte: eu me percebo? Florais indicados, do Sistema Saint Germain: Indica, Canela, Algodão, Goiaba, Piper. José Joacir dos Santos é doutor em Psicologia jjoacir@gmail.com

A desesperança é uma doença emocional curável

sadhus.jpgPor José Joacir dos Santos

No século passado, pesquisadores do comportamento humano foram capazes de chegar a definições sobre estados emocionais profundos como a perda ou falta da esperança, a desesperança. A perda ou falta de esperança ocorre quando a pessoa tenta sair de uma situação e não consegue porque as barreiras são grandes e ela se acha incapaz de vencê-las, se acomoda nelas e pára de tentar sair. Exemplos são a pobreza, a miséria, violência familiar, casamentos vazios, etc. A pessoa nasce e cresce na pobreza vendo e ouvindo adultos dizerem que a vida é daquele jeito, acredita no que ouve e ver, e aprende que deve se comportar daquela maneira. Sim, assim como a depressão, a pobreza pode ser herdada emocionalmente mesmo que as condições atuais da pessoa sejam mais afortunadas.

Faz mais de 500 anos que o país se libertou da colônia portuguesa e ainda hoje o comportamento de muitos brasileiros é o de um colonizado sem direito, sem força, sem esperança, pendurado nas sobras do governo, mendigando bem-estar, segurança, saúde e felicidade. Há quem diga que muitas pessoas que recebem bolsa família, gás, saúde e educação trabalham normalmente, têm salários estáveis mas têm a coragem de se inscrever nesses benefícios sociais porque se acham pobres e carentes, isto é, vivem o padrão da auto-inferioridade, da herança emocional da pobreza ou se colocaram no padrão da desesperança, da incapacidade de lutar. É fácil ver esse comportamento nos cinturões das favelas nas grandes cidades. Embora não haja mais a colonização portuguesa nem a escravidão, a maioria das pessoas que vive em favelas carrega consigo esse comportamento de falta ou de perda de esperança ou “desesperançado”. Em alguns casos, há a substituição do estigma da colonização e da escravidão pela ajuda à criminalidade, pela ilusão da “proteção”. Elas se sentem na obrigação de fazer o trabalho, definem a si mesmos como escravos da desesperança e ainda doam sua energia a situações semelhantes ligadas à criminalidade. Na cabeça delas roda a autoprogramação da incapacidade de viver uma vida melhor, embora vivam em um dos poucos países do mundo onde existe escola gratuita em todos os níveis e há a possibilidade de ascenção social pelo estudo. Essas pessoas são as mesmas que espalham pessimismo, colocam defeito nas escolas públicas, arranjam desculpas para não trabalhar ou mudar de vida. Tive uma colega de trabalho em Brasilia que faltava ao emprego sempre que o PT anunciava alguma greve, mesmo não sendo da categoria profissonal dela. Hoje o PT está no governo, não há mais a necessidade daquelas greves infindáveis com cunho político, mas a minha ex-colega ainda falta ao trabalho quando há uma greve.  Como professor de Reiki, vejo muito esse padrão ser repetido. Pessoas que até vivem numa faixa etária social menos afetada pela pobreza chegam pra você querendo terapia e curso gratuito. Já ouve casos em que a pessoa chega em carro do ano, cheia de jóias e a primeira coisa que diz é: quero fazer o curso mas não posso pagar porque tenho muitas despesas. Ela pode pagar qualquer coisa mais não pode pagar aquilo que possa lhe trazer um benefício físico, mental, emocional ou espiritual: auto-chantagem. Em Brasília houve até casos de pessoas que trabalhavam no Serviço Público Federal. Elas têm salários maiores do que a média das pessoas nos Estados Unidos, mas quando o assunto é progredir emocionalmente querem barganhar com o terapeuta como se terapeutas fossem profissionais que sabem fazer dinheiro, não têm contas para pagar nem vida nem família para manter. Entra aí outro processo emocional relacionado a religiões, que as vezes anda junto: o medo dos castigos de Deus implantado especialmente pela Igreja Católica e agora implementado por evangélicos e mormons.  Uma aluna que já trabalha com Reiki e tem clientes, cobra uns e outros não porque sofre do medo dos castigos de Deus, está presa ao desequilibrio emocional da desesperança, tem dificuldades de administrar dinheiro, tem visões distorcidas da realidade, tem mais de trinta anos e depende financeiramente de alguém. Precisa progredir no níveis de Reiki mas acha que não deve pagar os cursos. Tudo que se refere a terapias energéticas e até florais ela acha que tem que receber de graça. Ainda não entendeu que a energia é gratuita mas o trabalho do terapeuta tem custos até de formação e manutenção. Houve um caso em que a pessoa foi submetida a regressão e foi constatado que ela repete esses padrões há várias vidas e não se esforça o suficiente para vencê-los. Não se permite estudar e ver esse assunto tem até teses acadêmicas, isto é, é velho demais para ser mantido, vivenciado e repetido. Isto significa que alguém tem que dedicar tempo, trabalho e dinheiro para aprender as técnicas, se formar em terapia e dar a ela gratuitamente para ela continuar com o padrão de mendigo emocional e espiritual… O que é isso?  Existem até mestres que têm o padrão de mendigo emocional e espiritual.

Na minha clínica em Brasilia, estabeleci um dia de atendimento gratuido por três anos. Advinha se deu certo? Não, não deu. Os clientes que pagavam ficavam até em fila de espera, mas 95 por cento dos clientes do dia gratuito faltavam constantemente à terapia. Aquelas pessoas me ensinaram que eu estava entrando no padrão de comportamento delas, da desesperança. Elas me despertaram para o sentimento de culpa que naquela época ainda carregava ao ver pessoas pobres e pedindo esmolas, enquanto eu lutava dia e noite, estudava, investia no meu progresso espiritual, mental e emocional como ainda faço – isso não quer dizer que não há pessoas necessitadas! Há pessoas que precisam de ajuda mas hoje eu bato o olho e vejo. Essas mostram claramente que estão numa condição social forçada mas querem sair. Elas não têm empregos, carros, jóias e fazem qualquer trabalho digno para sair da pobreza e têm uma noção clara do valor do dinheiro. Essas não são pobres de espírito que mendigam progresso espiritual e não querem pagar por ele. Muitas delas estão tão ocupadas para ganhar algum dinheiro e sobreviver que sequer sabem o que é terapia ou Reiki.  

O profissional de Reiki que carrega a culpa do mundo ainda precisa se tratar, bem como aquele que vive fora da realidade e não fez as pazes com a prosperidade. É por isso que antes de cuidar dos outros você precisa verificar se já cuidou o suficiente das suas pendências emocionais, mentais e espirituais que todo mundo tem e das desesperanças pendências emocionais herdadas de família ou adquiridas em situações difíceis que não são para sempre como você quer. O caminho é procurar ajuda terapeutica e fazer o dever de casa daquilo que aprendeu até agora e você ignora. José Joacir dos Santos jjoacir@gmail.com

Muitas vidas, muitas mães

scan00141.jpgAos vinte e poucos anos estava em missão de trabalho no Irã, durante a guerra Irã-Iraque. Foi o meu primeiro contato com a violência da guerra em um país cheio de feridas sociais por causa da implantação do regime do partido islamismo. Naquela época, era universitário, precisava pagar os estudos e ninguém queria ir para um país em guerra. Não tinha medo de nada e ficava na rua para ver bombardeios e saber em que direção correr. Eles aconteciam quase sempre pela manhã ou ainda na madrugada. Bombas caíram perto da minha casa, quebravam vidros das janelas e me escondia debaixo da escada no porão.  Prá completar, o meu chefe morreu de ataque cardíaco e eu tive que tomar conta do corpo dele e brigar para o governo local não enterrá-lo até que alguém da minha empresa chegasse para tomar conta do translado.Quando não tinha o que fazer, ia andar nas ruas, nos antigos mercados de tapetes, olhar, curiar, e muitas vezes fui abordado como se fosse um habitante local. Naquela época deixei crescer a barba para me parecer com os homens locais, obrigados pela lei religiosa. Quando saí do Irã não quiz olhar para trás. Estava farto de tanto sofrimento humano. Na Saíça, onde ia uma vez ou outra para aliviar a tensão da guera, fui parado pela polícia várias vezes. Eles olhavam meu passaporte brasileiro e perguntavam se eu era iraniano. Refugiados iranianos também me paravam na rua falando a língua deles e eu jamais compreendi porque eu tinha aquela energia. Fiz amizade com judeus iranianos e na véspera de ir embora ganhei um relógio de um deles. Naquela época não compreendia muito sobre espiritualidade e nunca entendi porque aquele senhor que me deu o relógio disse: tem o nome da família Buali, a sua família – essa família tinha uma história de mais de trezentos anos naquele país.

Vinte anos depois, sentado na cama antes de dormir, recebi a visita de um casal, vestido à moda Persa, a antiga civilização iraniana. A mulher não esperou que reagisse e disse: “sou sua mãe. Este é o seu protetor daquela vida. Nós lhe acompanhamos onde você estiver. Não se preocupe com nada”. O homem também disse alguma coisa mas falou na língua persa (farsí) e nada compreendi. Minha mãe me olhava com muito amor e compaixão. Meu coração quase saiu pela boca. Senti enorme amparo e carinho naquele olhar. Era como uma saudade imensa tivesse ali acabado. Lindos olhos verdes, anel no mesmo dedo que gosto de usar, as cores das roupas eram as cores que mais gosto. Fiquei muito emocionado e eles partiram, deixando no quarto um cheio de perfume inesquecível. Na vida real, a minha mãe biológica, nesta vida, estava entre a vida e a morte, vítima de câncer. Faleceu hoje.

Evidentemente que a cada vida que vivemos aqui a gente precisa de um pai e uma mãe e nem sempre são os mesmos. As vezes é preciso reencarnar em famílias onde o karma é parcial, ou é apenas um ajuste de outras vidas, embora possa existir outras pessoas na família que nos acompanhem ao longo das reencarnações, assim como amigos. Portanto, temos muitas mães e ninguém , na Terra, hoje, teve menos de cem vidas. Dessas cem mães, o relacionamento com muitas delas pode ter sido de intenso amor, ou não. A única diferença nesse processo é o amor de mãe-filho ou pai-filho. Esse amor não é herdado, é desenvolvido por cada um de nós. Somente os laços de amor sobrevivem pela eternidade, seja de mãe, de pai, de irmão, de amigo, de marido ou mulher. As vezes a relação entre filho e pais nesta vida não é cheia de amor, por várias razões que não nos cabe julgar ou imaginar. A gente pode ter a sensação de não pertencer e eles de não nos ter. As vezes a própria mãe, ou o pai, não sente a ligação com o filho e o rejeita já no nascimento – embora não o abandone fisicamente.  As vezes a função dela é só dar a luz àquele ser humano em evolução, que precisa passar por aquela situação de rejeição.  A rejeição tem a ver com a falta de amor próprio e muitos outros processos emocionais, de forma que ela não consegue superá-los nem consegue reinventar o amor pelo filho.

O drama da rejeição tem muitas consequências e só os muito protegidos espiritualmente conseguem sair das armadilhas desse karma, para reconquistar o amor por si mesmo, independente da falta de amor existente no pai ou na mãe biológica – ou na família em geral. As vezes, o resto da família fica impotente diante da situação. A sensação de órfão de mãe ou pai é muito dolorida até em animais. Quem não for forte o suficiente pode se desequilibrar emocionalmente e em consequência trilhar caminhos negativos, desenvolver vicios, descambiar para a marginalidade social e ficar preso naquela frase: ninguém me ama, ninguém me quer. Mas, na minha experiência, ninguém fica desamparado pela eternidade.

Quem se enquadrar nessas situações precisa reagir, seguir em frente na vida, cortar os laços que forem possíveis com a família que rejeita, se afastar e reconstruir a própria vida da melhor forma possível, se colocando em primeiro lugar, se policiando, redescobrindo o amor e trilhar nele sem jamais deixar a memória celular repetir a programação de rejeição de falta de amor. É muito importante fazer terapia e vomitar a rejeição porque o momento presente da nossa vida está acima de qualquer coisa.

Ao longo desta vida, já recebi a visita de muitos seres amados e queridos de outras vidas, assim como já reencontei companheiros de jornadas amorosas e não-amorosas. A direferença está na nameira como a gente reconhece essas pessoas e evita que as cenas de repitam – porque os karmas são para serem desfeitos e não para reatá-los. Quando a atração é grande e as coisas dão erradas ou há sofrimento, é hora de tomar outro rumo e sair desse caminho. Quando o assunto é dentro da própria família e envolve um pai ou uma mãe é preciso também sair. De longe, tentar desenvolver relações de amizade, superação, perdão e ajudar aquelas pessoas naquilo que for possível, espiritualmente, e até de forma material. Não é matando o inimigo que a gente se livra do karma. Muito pelo contrário, é preciso desenvolver amor pelo inimigo e o Mestre Jesus repetia isso em seus sermões.

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