Muitas vidas, muitas mães

scan00141.jpgAos vinte e poucos anos estava em missão de trabalho no Irã, durante a guerra Irã-Iraque. Foi o meu primeiro contato com a violência da guerra em um país cheio de feridas sociais por causa da implantação do regime do partido islamismo. Naquela época, era universitário, precisava pagar os estudos e ninguém queria ir para um país em guerra. Não tinha medo de nada e ficava na rua para ver bombardeios e saber em que direção correr. Eles aconteciam quase sempre pela manhã ou ainda na madrugada. Bombas caíram perto da minha casa, quebravam vidros das janelas e me escondia debaixo da escada no porão.  Prá completar, o meu chefe morreu de ataque cardíaco e eu tive que tomar conta do corpo dele e brigar para o governo local não enterrá-lo até que alguém da minha empresa chegasse para tomar conta do translado.Quando não tinha o que fazer, ia andar nas ruas, nos antigos mercados de tapetes, olhar, curiar, e muitas vezes fui abordado como se fosse um habitante local. Naquela época deixei crescer a barba para me parecer com os homens locais, obrigados pela lei religiosa. Quando saí do Irã não quiz olhar para trás. Estava farto de tanto sofrimento humano. Na Saíça, onde ia uma vez ou outra para aliviar a tensão da guera, fui parado pela polícia várias vezes. Eles olhavam meu passaporte brasileiro e perguntavam se eu era iraniano. Refugiados iranianos também me paravam na rua falando a língua deles e eu jamais compreendi porque eu tinha aquela energia. Fiz amizade com judeus iranianos e na véspera de ir embora ganhei um relógio de um deles. Naquela época não compreendia muito sobre espiritualidade e nunca entendi porque aquele senhor que me deu o relógio disse: tem o nome da família Buali, a sua família – essa família tinha uma história de mais de trezentos anos naquele país.

Vinte anos depois, sentado na cama antes de dormir, recebi a visita de um casal, vestido à moda Persa, a antiga civilização iraniana. A mulher não esperou que reagisse e disse: “sou sua mãe. Este é o seu protetor daquela vida. Nós lhe acompanhamos onde você estiver. Não se preocupe com nada”. O homem também disse alguma coisa mas falou na língua persa (farsí) e nada compreendi. Minha mãe me olhava com muito amor e compaixão. Meu coração quase saiu pela boca. Senti enorme amparo e carinho naquele olhar. Era como uma saudade imensa tivesse ali acabado. Lindos olhos verdes, anel no mesmo dedo que gosto de usar, as cores das roupas eram as cores que mais gosto. Fiquei muito emocionado e eles partiram, deixando no quarto um cheio de perfume inesquecível. Na vida real, a minha mãe biológica, nesta vida, estava entre a vida e a morte, vítima de câncer. Faleceu hoje.

Evidentemente que a cada vida que vivemos aqui a gente precisa de um pai e uma mãe e nem sempre são os mesmos. As vezes é preciso reencarnar em famílias onde o karma é parcial, ou é apenas um ajuste de outras vidas, embora possa existir outras pessoas na família que nos acompanhem ao longo das reencarnações, assim como amigos. Portanto, temos muitas mães e ninguém , na Terra, hoje, teve menos de cem vidas. Dessas cem mães, o relacionamento com muitas delas pode ter sido de intenso amor, ou não. A única diferença nesse processo é o amor de mãe-filho ou pai-filho. Esse amor não é herdado, é desenvolvido por cada um de nós. Somente os laços de amor sobrevivem pela eternidade, seja de mãe, de pai, de irmão, de amigo, de marido ou mulher. As vezes a relação entre filho e pais nesta vida não é cheia de amor, por várias razões que não nos cabe julgar ou imaginar. A gente pode ter a sensação de não pertencer e eles de não nos ter. As vezes a própria mãe, ou o pai, não sente a ligação com o filho e o rejeita já no nascimento – embora não o abandone fisicamente.  As vezes a função dela é só dar a luz àquele ser humano em evolução, que precisa passar por aquela situação de rejeição.  A rejeição tem a ver com a falta de amor próprio e muitos outros processos emocionais, de forma que ela não consegue superá-los nem consegue reinventar o amor pelo filho.

O drama da rejeição tem muitas consequências e só os muito protegidos espiritualmente conseguem sair das armadilhas desse karma, para reconquistar o amor por si mesmo, independente da falta de amor existente no pai ou na mãe biológica – ou na família em geral. As vezes, o resto da família fica impotente diante da situação. A sensação de órfão de mãe ou pai é muito dolorida até em animais. Quem não for forte o suficiente pode se desequilibrar emocionalmente e em consequência trilhar caminhos negativos, desenvolver vicios, descambiar para a marginalidade social e ficar preso naquela frase: ninguém me ama, ninguém me quer. Mas, na minha experiência, ninguém fica desamparado pela eternidade.

Quem se enquadrar nessas situações precisa reagir, seguir em frente na vida, cortar os laços que forem possíveis com a família que rejeita, se afastar e reconstruir a própria vida da melhor forma possível, se colocando em primeiro lugar, se policiando, redescobrindo o amor e trilhar nele sem jamais deixar a memória celular repetir a programação de rejeição de falta de amor. É muito importante fazer terapia e vomitar a rejeição porque o momento presente da nossa vida está acima de qualquer coisa.

Ao longo desta vida, já recebi a visita de muitos seres amados e queridos de outras vidas, assim como já reencontei companheiros de jornadas amorosas e não-amorosas. A direferença está na nameira como a gente reconhece essas pessoas e evita que as cenas de repitam – porque os karmas são para serem desfeitos e não para reatá-los. Quando a atração é grande e as coisas dão erradas ou há sofrimento, é hora de tomar outro rumo e sair desse caminho. Quando o assunto é dentro da própria família e envolve um pai ou uma mãe é preciso também sair. De longe, tentar desenvolver relações de amizade, superação, perdão e ajudar aquelas pessoas naquilo que for possível, espiritualmente, e até de forma material. Não é matando o inimigo que a gente se livra do karma. Muito pelo contrário, é preciso desenvolver amor pelo inimigo e o Mestre Jesus repetia isso em seus sermões.

O que fazer quando alguém está para morrer

6269while-adam-slept-posters.jpgO drama de morrer não é muito diferente do de nascer. Em ambos os casos há dor, tristeza e alegria. As vezes há outros dramas paralelos como as brigas de família pelos bens da pessoa que vai. Em alguns casos essas pessoas nem esperam a pessoa partir e já querem a partilha. Quase sempre quem está mais perto de quem morre é quem leva a culpa de estar fazendo tudo pelo dinheiro de quem está morrendo. Quase sempre quem faz essas acusações são aquelas pessoas que, se pudessem, estariam mais perto para fazer exatamente aquilo: ficar com o dinheiro e os bens de quem morre. As vezes esses assuntos acabam em outras mortes naquelas famílias mais desequilibradas e que fingem não saber o que é a dor de quem parte e de alguns que ficam. Brincadeiras maldosas e piadas sarcásticas não são propriadas nesses momentos porque todo mundo morre e há sofrimento no ar. A melhor coisa que alguém que não quer ajudar, não tem habilidade para ajudar ou está preso a algum problema emocional relacionado com o sentimento de afeto, apreço e gratidão para ajudar é ficar calado e respeitar o sentimento alheio, que sempre existe. Nenhum ser humano tem a habilidade de medir ou quantificar o sentimento de outro ser humano, por mais ridículo que possa parecer. 

O medo de morrer faz a gente se apegar ao corpo que está morrendo sem querer ir. Esse medo provoca dores ajudas no corpo físico. Muitas vezes essa dor é essencial e faz parte do processo espiritual de cura da pessoa que sofre e de quem está ficando para tras. A dor sempre ensina. É muito importante compreender que o choro é parte da cura e quem sentir vontade de chorar não precisa questionar porque está sentindo isso, é chorar mesmo. As vezes a gente chora por nossos próprias dores emocionais diante do sofrimento físico dos outros. Em todos os casos é preciso chorar muito, até secar o que tiver que secar. A única coisa que alguém que não chora pode fazer é abraçar quem chora para dar apoio e conforto, sem impedir ou tentar impedir que a outra pessoa chore. Uma coisa é certa: cada um tem o momento certo de ir, não adiante lamentar, pedir, implorar. É só esperar com paciência e resignação. Mesmo quem resiste, terá os laços com o corpo físico cortados em algum momento. Então, é preciso identificar se um dos fatores aqui citados está dando alarme. Havendo alarme, é preciso que algumas pessoas da família tomem parte no processo para acalmar ânimos, confortar quem precisa e ajudar que o processo transcorra em paz. Flores sempre ajudam muito, até a quem não gosta, porque têm a habilidade de absorver as energias negativas dos sentimentos humanos. 

Do meu  ponto de vista, é preciso olhar para esses momentos com muita delicadeza porque nessas situações há o envolvimento de antepassados positivos e negativos, assim como há os inimigos e amigos espirituais vivos e mortos de quem está para fazer a passagem. Há, do outro lado da vida, amigos e parentes positivamente ligados pelo afeto esperando como quem espera um bebê que vai nascer do lado de cá. Então, mais uma vez, é preciso que a familia esteja junta em paz e harmonia mesmo que na vida real não exista paz nem harmonia. Cada um com suas orações, porque no carma familiar, tanto positivo quanto negativo, todos estão envolvidos e a gente nunca sabe de que lado está realmente. Eu posso ter a aparência de anjo, tentar me comportar como um anjo e na história do carma familiar não ter nada de anjo. Também existe a redenção e a compaixao, de forma que aqueles que estão ligados à família pelo lado negativo do carma têm uma brilhante oportunidade para comprar créditos, redimir o passado negativo e fazer boas ações. O que seria uma boa ação para uma pessoa que está na cama gemendo de dor? Tocar com carinho a pessoa, usar a voz suave, dizer palavras de afeto e carinho, especialmente lembrar aquela pessoa as coisas boas e as conquistas que ela teve nesta vida. Música ajuda a transmutar a dor, mas nem toda pessoa tem essa sensibilidade. 

Quando a pessoa finalmente morre, é comum a casa encher de membros da família, vizinhos, amigos e curiosos. Nesse momento é preciso ter muito cuidado com o espírito de quem já se foi. Quando a gente morre, passa por momentos de transição muito profundos. Geralmente a gente se perde e não tem certeza do que está acontecendo. Acha que está sonhando, pensa que está tendo pesadelos, quer voltar para o corpo de qualquer maneira. Alguns conseguem perceber o que está acontecendo, vêm o corpo gelado, morto e sofrem. Mas o sofrimento maior de quem já morreu é ver o seu próprio funeral onde há pessoas brigando por dinheiro ou propriedades, lembrando as coisas que não deram certo na vida, as coisas negativas que aquela pessoa fez, falando mal da familia, falando de doenças e sofrimento, zombando da cara do defunto e até os pensamentos de cada pessoa são motivos de sofrimento do espírito. Naquela fase de transição não há separação entre o nosso espirito e o mundo. Tudo parece ser a mesma coisa, uma só peça da engrenagem e o espírito sente profundamente tanto o que se diz quanto o que se pensa. Naquela momento o espírito é como um recém-nascido que não sabe comer nem se limpar. É como mergulhar em um rio e se sentir parte da água. É preciso que as pessoas que não compreendem isso, por preconceito religioso ou seja lá de que for, que aquilo que a gente não entende, não percebe e não vê pode ser entendido, percebido e visto por outras pessoas. Então, quando a gente não sabe como se inserir nesses contexto, é calar a boça e o pensamento. Tentar dar o melhor de si, mesmo que não saiba como. 

Morrer é o fim e o começo ao mesmo tempo. É a repetição da cena de nascer. É renascer. Felizmente somos seres espirituais eternos e temos o ciclo das reencarnações para cumprir. Aquele que não acredita nisso tem todo o direito de continuar a não acreditar mas não tem o menor direito de achar que outras pessoas não acreditam. O que está em nossas crenças não necessariamente estão nas crenças dos outros. Eu posso ignorar que a Terra gira em torno do Sol mas não poderei modificar nada se isso for verdade e eu não tiver o entendimento sobre esse assunto. Somos seres muito limitados e alguns de nós se limitam ainda mais quando se fecham em suas vidas e esquecem de olhar o horizonte. O mais importante de tudo é tomar a consciência que um dia será a nossa vez. Como as pessoas se comportarão quando for a minha vez? Que méritos e créditos eu terei?

José Joacir dos Santos é doutor em psicologia – jjoacir@yahoo.com

O estereótipo de macho ficou velho e inútil

cat-and-dog.jpgPAIS E FILHOS 

Por José Joacir dos Santos

 O apresentador do prêmio norte-americano de cinema chamado Oscar, o ator australiano Hugh Jackman, atualmente com o “título” de homem mais sexy do mundo, onde toca faz fortuna, confunde a cabeça de muita gente mal-resolvida e é um ser humano exemplar. Em entrevista à televisão norte-americana, o ator contagia a audiência com sua alegria de viver, seu charme pessoal, sua felicidade por fazer tudo o que gosta e, especialmente, o respeito pelo ser humano independetemente do gênero. Um dos papéis no teatro que mais lhe deram a fama e prestígio foi encenando a vida de um famoso ator gay. Fez o personagem tão profissionalmente que causou furor no teatro. A mulher de Hugh conta que ficava nos bastidores do teatro esperando o marido e ouvia a todo instante, dos colegas dele: ele é ou não é? Isso é muito comum na vida real quando alguém se sobressai em alguma coisa e não incorpora o estereótipo – que as pessoas tanto precisam! Hugh interpretou um ator gay, daqueles que não sabem onde colocar as mãos, e isso incomodou muita gente porque o ator mostou que aquele personagem era apenas um ser humano. Na verdade, é o que incomoda é que ele é um profissional dedicado, que dança, canta, faz qualquer papel, no teatro ou em filmes, e é um apresentador de mão cheia. Quem disse que não faz parte da masculinidade o canto, a dança, a alegria de viver, chorar quando é pra chorar? Esse estereótipo de homem que é homem é aquele imbatível, sem sentimento e sem desfrutar da alegria de viver está ultrapassado. Só segura aquela imagem atrasada quem tem medo da vida ou de si mesmo.

 O que faria um ator estrangeiro tão equilibrado no meio de tanto desequilibrio que existe no mundo do teatro e nos bastidores do cinema norte-americano? Hugh disse na entrevista que sua mãe largou seu pai com cinco filhos homens quando ele tinha pouco mais de 8 anos de idade. A receita parece simples: o pai dele! Abandonado pela mulher, o pai assumiu os dois papéis. Fez isso tão bem e com tanto amor pelos filhos que todos são equilibrados e de sucesso naquilo que fazem. Essa é a receita para a felicidade: amor de pai, responsabilidade para com os filhos, sentimento profundo do que é a essência do ser humano e, acima de tudo, não despejar nos filhos os seus problemas conjugais. O ator também prova que os estereótipos são apenas pobres estereótipos. Algumas pessoas se seguram neles porque não têm algo mais interessante em suas vidas. Qual é o problema de um homem hetero fazer bem o papel de um homem gay no cinema ou no teatro e vice-versa? Qual é o problema de alguém ser gay, hétero, tartaruga, cabra, vaca ou elefante? Quando entramos nessa discussão sobre gays, há um fator de desequilíbrio muito grande na opinião das pessoas que se manifestam contra, como se a vida das pessoas fossem o “cordão vermelho” ou o “cordão azul”.

Essas pessoas esquecem que o homem ou mulher gay é um ser humano normal, com todas as faculdades naturais da vida, com habilidades para desempenhar qualquer função e que a diferença entre seres humanos está apenas na inteligência, na capacidade de administrar a vida, de amar e ser amado, nada mais. “Somos todos iguais nesta noite”, diz a canção! Claro que há os que não se erguem por medo, trauma ou baixa-estima. Esses são infelizes porque menosprezam a inteligência e não lutam pelos seus direitos civis, que na Constituição Brasileira está escrito que é para todos, independente de cor, raça, credo. O ser humano equilibrado é aquele que tem boas e respeitosas relações sociais com seres humanos de gêneros diferenciados, sem confusão mental do que ele realmente é. Na era em que estamos, é comum pais solteiros, homens separados que ficam com os filhos e homens gays adotarem crianças. As mulheres já fazem isso há muito tempo e muita gente que se diz inteligente pensava que essa era uma função só de mulher. O que existem em comum entre eles é amor, respeito pelo ser humano e acima de tudo responsabilidade civil – ao contrário das gerações anteriores onde pais achavam que filhos homens tinham que ser machos matadores, irresponsáveis, mulherengos e negligentes com sua prole. Estatísticas feitas nos países escandinavos e nos Estados Unidos mostram que filhos de pais solteiros ou separados, héteros ou gays, são equilibrados e obtém sucesso na vida porque isso não depende do gênero, mas de educação, amor, atenção, respeito, cuidados especiais. É a presença física do pai na vida do filho ou da filha, seja ele pai solteiro, separado, gay ou equilibrista que dá segurança emocional, confiança, maturidade, equilíbrio, que são a chave para o sucesso na vida. 

O desequilíbrio humano, que faz com que o ser mergulhe no curto caminho das drogas, da criminalidade e das irresponsabilidades sociais e civis não tem a ver com gênero, preferência sexual ou aparência. Tem a ver com desequilíbrio emocionai oriundo da falta de uma pessoa que incorpore em suas vidas a essência amorosa, respeitosa e responsável do um pai ou da mãe – e isso não faz diferença entre filhos de sangue ou adotivos. Recentemente foi notícia nos EUA uma cadela que já adotou 88 animais, entre eles cachorros, gatos e filhotes diversos e amamentou, lambeu e acariciou todos eles até o momento que em eles se ergueram e assumiram suas vidas – aí ela se prepara para a próxima adoção, com o sentimento que ninguém esperava ver nos cachorros! Essa cadela também dá outra lição: gato criado por cadela não vira cachorro nem aprende a latir. Continua a ser gato. A diferença é que não mais compra a falsa idéia de que gato e cachorro são inimigos, assim como héteros e gays. Hugh conta que, no início da carreira em New York, ligou para o pai para dizer que ia cantar em um lugar muito famoso da cidade, tipo Teatro Nacional, e o pai dele pegou um avião na Austrália, no dia seguinte, e foi aos EUA assistir a apresentação do filho, vestido em seu melhor paletó. Alguém tem dúvida, ainda, porque o rapaz é um sucesso? José Joacir dos Santos é doutor em Psicologia e faz curso especial em Sexologia na Universidade de San Francisco, EUA jjoacir@yahoo.com

Escavações egípcias falam de consciência

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Por José Joacir dos Santos

As escavações regulares nos sites históricos do antigo Egito sempre trazem revelações que surpreendem e abalam as estruturas da cultura ocidental ainda presa na surperfície do que restou da cultura grego-romana, incluindo aí a brasileira herdada dos irmãos portugueses e fortalecida pelos imigrantes europeus. Uma dessas é o fato de que alguns textos das antigas religiões do Egito já teciam profundos comentários a respeito do que se chama hoje psicologia, com a diferença que o conteúdo não foi censurado como foi tudo o que influenciou os “pais” da psicologia ocidental. Três coisas básicas tremem as bases do conhecimento estabelecido: Emoção é energia; Self faz parte do corpo espiritual; e espírito está definido como corpo físico (que os Kardecistas chamam de Perespírito, isto é, o corpo emocional que é sutil mas pesado, quase físico). Sim, você está chocado e eu entendo porque tudo o que você aprendeu na faculdade de psicologia está equivocado! Emoção seria o carro andando e consumindo gasolina. Self tem endereço e CEP, ao contrário do que se ensina nas escolas onde ninguém sabe onde mora o Self. O espírito é o cimento entre um tijolo e outro das paredes de carne, músculo, sangue, tutanos e foi assim instalado para poder alojar e conduzir a presença de Deus no mundo material.Carl Jung, no auge de sua carreira, e sofrendo com o pensamento que Freud queria que ele perpetuasse, teve que fazer uma viagem ao Oriente para clarear sua confusa mente. Dessa viagem resultaram muitos escritos, também confusos (porque ele não tinha conhecimento espiritualista até então) mas pelo menos ele teve a coragem de admitir certas coisas, publicadas, inclusive, no livro “Religião e Filosofia Oriental”. Ele mergulhou fundo no estudo do Self e publicou, cheio de dúvidas, o livro  “The Undiscovered Self” (O Self ainda não descoberto). Evidentemente que ele não iria “descobrir” o Self com clareza na época e na Europa em que viveu, impregnada das amarras católico-protestantes-judias conservadoras, moradia da censura, porque tudo tem seu tempo para acontecer. Muitos anos ainda passariam para que o mundo ocidental, isto é, a Europa e posteriormente o Brasil, enveredasse por conhecimentos espiritualistas trazidos pelo Kardercismo e já existente em países ainda não abertos à pesquisa como Índia, China, Tibete e o próprio Egito (administrado hoje por muçulmanos, fechados a todo tipo de conhecimento). O cuidado com os escritos achados no Egito hoje é porque não fragmentados. Muitos escritores norte-americanos, loucos por dinheiro, copiam coisas fragmentadas do Egito e até dizem inventar sistemas de curas. Sim, o chamado Self é hoje conhecido como uma abertura espiritual invisível chamado de Oitavo Chácra, o qual depende da vontade para existir, mas tem endereço e pode ser trabalhado por técnicos que não precisam ir à faculdade. Já o espírito é material, é formado de uma camada fina e também invisivel chamada pelos kardercistas de “perespírito” e que os budistas sabem muito bem do que se trata porque é a esse corpo que é dirigido todo o preparativo para a saída definitiva da energia do corpo físico no momento da morte corporal – aconteceu a morte, a energia se torna cristalina e invisível para quem está do lado de cá mas não para quem está no lado de lá, onde tudo é tão nítido que confunde o recém-chegado. O trabalho de integração corpo-mente-emoção-espírito precisa mais da conexão individual com a espiritualidade, seja ela qual for, do que do conhecimento intelectual-acadêmico. Naturalmente que a medicina oficial tem alergia a tudo o que é invisível, embora os pesquisadores tenham que usar óculos e lentes especiais para ver, nos laboratórios, os vírus e sistemas inteiros de moléculas invisíveis ao olho comum – e isso só atrapalha o desenvolvimento da humanidade. Lembre que as alergias são processos emocionais não-trabalhados, talvez o sentimento de culpa impregnado na medicina pelas sangrias e dissecações não-autorizadas como as que aconteciam na Biblioteca de Alexandria. Já a psicologia vai demorar a assimilar que todas as técnicas de sublimação do sofrimento emocional estão equivocadas porque o conteúdo emocional precisa tomar consciência dele mesmo para se autocurar, isto é, precisa se materializar – sem remédios. Sim, a palavra de ordem no momento é consciência, que na gíria quer dizer “cair na real”, encarar, ver, analisar, compreender para depois desmaterializar, descongelar, derreter a energia emocional doentia da raiva, inveja, angústia, ciúmes, frustração, abusos sexuais, físicos, opressão, violência doméstica, que gruda nos tecidos e provoca nódulos psicossomáticos mais conhecidos como reumatismo, doenças auto-imunes, cardíacas, dermatológicas, gastrointestinais, pulmonares, cardiovasculares, neurológicas, obesidade, vícios, manias, entre outras. A emoção prende o tecido e gera o adoecimento, como os antigos discos de vinil arranhados ficavam repetindo as músicas no mesmo ponto do arranhado. Tem coisa mais antiquada e ridícula do que os chamados exames psicotécnicos para carreira, profissão e carteira de motorista?O processo de tomada de consciência não combina com remédios controlados – mas as terapias ocupacionais e energéticas têm surpreendido. Como é possível uma pessoa clarear a mente para dar consciência ao conteúdo emocional tomando remédios que dopam?  Já sabemos que as pessoas que se dopam com cocaína e ervas alucinógenas tendem a diminuir a capacidade de raciocinar com clareza, estudar, se concentrar, isto é, perdem as capacidades cerebrais naturais. Aquelas ervas utilizadas em rituais religiosos adoecem o fígado e o baço e sem esses órgãos funcionando regularmente o ser humano não pensa com clareza – o fogo sobe e a água desce.  Todas as doenças do fígado e do baço afetam, por exemplo, a visão – o fogo que queima. Imagine uma pessoa com problemas emocionais e mentais tomando drogas que dopam! Que poderíamos fazer para que a psiquiatria e a psicologia tomassem consciência da natureza espiritual do ser humano como depositário do corpo de Deus, ou seja, da consciência cósmica segundo a qual somos todos um com a natureza? Um exemplo da consciência cósmica é a ecologia, onde pensamentos negativos coletivos promocam desastres ecológicos. O próprio Egito foi vítima do mau uso do conhecimento e da consciência onde a ecologia reagiu ao contrário e os desastres ecológicos vieram em forma de inundações. Tudo ficou debaixo dágua por décadas! Quando o pensamento não é elevado, a energia sobe e a parte sutil vira emoção (fogo); já a parte densa vira água e desce secando vaso, músculo e canais vitais e provocando inundações nos órgãos vitais e digestivos. No livro “Maat, as 10 Leis de Deus”, ditado pelo espírito egípcio Ra Un Nefer Amen, que é um verdadeiro tratado de psicologia em 148 páginas, o ser diz que o que causou a destruição do Egito foi o mau uso da energia pelos sacerdotes e religiosos, que introduziram a magia negra (o fogo que queima, não o fogo sagrado da cura) como resultado da ignorância e da má interpretação dos textos sagrados. De acordo com as escrituras judias, quando o faraó perseguia Moisés, a ligação com Deus foi cortada e a peste matava quem não tivesse a porta marcada com o sangue de ovelha… Por exemplo, vamos usar o fogo: o mesmo carvão que aquece, cozinha e queima é o mesmo que cura envenenamento. Agora leia ao contrário: o carvão que cura envenenamento é o mesmo que aquece, cozinha e queima. Todo o conteúdo do livro é comprovado pelos textos extraídos das escavações dos antigos templos, escolas e palácios, mas revisados por psicografia. Então, qual é a abordagem correta para lidar com as emoções descontroladas que viram água e fogo? Seria encurtar o caminho que leva à consciência de que só a paz interior é quem produz a força de viver bem? Ainda há muito chão para ser escavado no Egito, quem dirá na psicologia. Que faces novas o conhecimento terá? José Joacir dos Santos é doutor em psicologia jjoacir@yahoo.com

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