Gays são excelentes pais
Por: José Joacir dos Santos
A NOVA FAMILIA
Nenhum governo tem coragem hoje de fazer desfeita com as verbas para a educação porque sabe que a ignorância é inimiga da evolução, da democracia e a história vai lembrar dos seus feitos para sempre – exceto em alguns estados brasileiros. Quando há condições sociais favoráveis e democráticas, a famíla de hoje é cada vez mais educada, independente emocionalmente e encara as diferenças individuais com mais compreensão e naturalidade. Tabus e preconceitos são cada vez mais vergonhosos, inadmissíveis e ninguém quer ser apontado como portador dessa ignorância. As sociedades democráticas evoluem e aquilo que era considerado problem é hoje visto com uma opção de vida, como a homossexualidade, viver solteiro, a terceira idade, a mulher chefe de família etc. A família moderna se adapta à evolução comportamental da espécie humana que através da educação, que é a base da democracia, e começa a compreender que todos somos iguais independentemente das preferências e dos comportamentos individuais. A Nova Era refaz o conceito de família para salvar a própria família e reafirma que preconceito sexual, por exemplo, é sinônimo de ignorância e desrespeito. Já se sabe que gays fazem sexo na cama do mesmo jeito que qualquer um outro ser humano não-gay. As estatísticas norte-americano dizem que a grande maioria dos abusos sexuais registrados nas prisões são cometidos por homens heterossexuais, inclusive casados – contra gays e não-gays! É fácil atacar gays porque a maioria não tem o apoio emocional sequer da própria família. A preferência sexual não faz um pai ser bom ou ruim, mas tem pai que exclui filho por causa da forma como o filho se expressa sexualmente. Os orfanatos estão lotados na America Latina! Você acha que essas crianças são filhas de gays?
Já não é segredo que a pobreza não é cármica e está atrelada à ignorância e a falta de educação básica da população, em todos os sentidos. Quando São Francisco de Assis saiu da casa do pai, há séculos, tinha certeza que era impossível viver um estado de pureza arrodeado de rigidez, opulência adquirida mediante a exploração dos outros, mão-de-ferro, escravos, serventes e preconceitos. Mais tarde o franciscanismo confundiu pureza com pobreza e este foi mais um equívoco do catolicismo europeu exatamente porque não consegue resolver os seus próprios preconceitos em nome de Deus – entre eles declaradamente contra os homossexuais, como se esses não fossem filhos de Deus da mesma forma que os heteros são, colocando uma barreira social desnecessária exatamente em um assunto em que o celibato é fragilizado e responsável pelas igrejas vazias. A riqueza, a prosperidade e o respeito pelo ser humano só são alcançados com o acesso fácil e amplo à educação, à leitura e ao conhecimento, mas toda a história humana desde Jesus não foi capaz de ensinar isso às sociedades cristãs, muito menos às igrejas. Todos os movimentos populares tiveram origem nas camadas mais escolarizadas da sociedade, embora as consequências tenham atuado contra essas clases – como aconteceu com a Lei Aurea: a elite lutou pela libertação dos escravos – nada mais justo – e perdeu o lucro das grandes fazendas onde os negros eram estigmatizados por aquilo que representava a escravidão.
A educação é responsável pelo desenvolvimento da família como um todo. Na grande maioria de casos dos desastres familiares investigados, os indicadores apontam numa direção: ignorância dos pais, dos chefes de famílias ou responsáveis que fracassam na condução dos interesses da família. Com a evolução da espécie e a influência da Nova Era, indivíduos bem educados e sadios têm plena capacidade de discernimento já aos 16 anos. A internete e a abundância de publicações boas e ruins têm contribuído com isso. Políticos brasileiros debatem a maioridade mas têm medo de ir em frente porque têm culpa acumulada pelo descaso com que conduzem suas vidas públicas sem comprometimento com as necessidades da população e por isso há falhas profundas na educação. Não há desculpas que justifiquem ações preconceituosas de qualquer espécie, ainda mais de pessoas que trabalham com o nome de Deus e em nome da sociedade.
O entendimento e o respeito pela pessoa humana são fundamentais para com aqueles que nasceram com comportamentos diferentes, inclusive sexuais. Os movimentos pela liberação homosssexual nasceram há algumas décadas quando os EUA mandava seus filhos para uma guerra que ninguém compreendia – a do Vietnã. Quando a opinião pública acordou e percebeu o que estava apoiando uma causa sem rebelde, comecaçam a aparecer acusações de que eram mandados para a guerra os indesejados, entre eles negros, latinos, homossexuais e imigrantes pobres – isto é, a escolha era baseada no preconceito. Dizem que essa situação não mudou com a guerra do Iraque. Ainda hoje há muitos estados norte-americanos onde gays são assassinados e excluídos. No Brasil esse número é alarmante embora não haja estatística confiável. Hitler, Stalin e Mao mataram centenas de gays, embora muitos líderes gays apóiem o comunismo e o socialismo ainda hoje. A Igreja Católica, assim como protestantes e evangélicos, condena abertamente essa opção de vida até hoje e ninguém lembra que Jesus acolheu como discipulos uma prostituta e um indeciso sexual chamado Paulo. O que dizer daquelas igrejas caça-níqueis que prometem “curar” homossexuais? Mas os países desenvolvidos já olham para essa questão com olhos mais sadios, assim como alguns corajosos gatos pingados do sistema jurídico brasileiro onde já há jurisprudência na adoção de crianças por casais ou solteiros gays, união estável, “casamentos”, direito a seguro-saúde etc. Não há uma política pública clara a favor das diversidades culturais e humanas no Brasil. Há muitos projetos do Governo para erradicar a pobleza física mas não a pobreza emocional e mental baseada em preconceitos de muitas espécies. O governo ainda aparece como patrão, não como pai. Quando o Governo Lula acabar, corre o risco do número de pedintes no Brasil ser maior do que o de quem pode dar esmolas.
As estatísticas norte-americanas falam alto e mostram que os casais homossexuais têm mais dinheiro, vivem melhor, viajam pelo mundo, trabalham por causas sociais, são os que mais atendem a situações emergenciais de desastres naturais e, mais recentemente, são os pais mais exemplares. Há muito são os que melhor cuidam dos pais na velhice e representam grandes parcelas da sociedade nas grandes cidades. Não há esse tipo de estatística no Brasil por causa do preconceito em tratar assuntos que são o dia-a-dia de milhares de pessoas em todas as camadas da sociedade. A homossexualidade é parte da história emocional humana e não é um “defeito” ou um “castigo” de determinada classe, raça ou etnia. O estado norte-americano de Ilinois tem “limpado” as creches de crianças negras que não são adotadas pela população negra pobre e decadente nem por brancos héteros e preconceituosos. Em 2006, gasais não-gays brancos norte-americanos adotam 60 mil crianças chinesas enquanto que as crianças negras continuam nas creches! Chinês não corre o risco de mudar de cor, não é verdade? Gays brancos ou casais onde um é branco e o outro é negro adotam e dão todas as opções de educação às crianças porque são pessoas, em sua maioria, com bom nível educacional e financeiro – seguro-saúde, por exemplo, é um sonho que muitos norte-americanos não podem contar mas os gays podem pagar. O processo é ainda longo, cheio de entrevistas, mas funciona. Vários estados norte-americanos já incluem no registro de nascimento do menor adotado o nome dos dois pais ou das duas mães ou apenas de um quando o casal assim decide. A Lei nos EUA para menores é igual a dois mais dois: cobra financeiramente dos pais e responsáveis todo o apoio necessário ao bem-estar do menor até a declaração da maioridade e quem não cumpre vai ver o sol nascer quadrado. O sistema jurídico brasileiro precisa sair do armário da ignorância e tomar atitudes positivas, que preencham as necessidades da sociedade que lhe paga os gordos salários. Imposto não tem preferência sexual, de raça, de cor, de religião e nós brasileiros somos sufocados por impostos. Para onde esse dinheiro vai?
Esse novo comportamento social norte-americano mexeu com os profissionais de saúde nos últimos cinco anos, que têm agora que se adaptar à evolução social e da espécie humana, soltando para sempre as teorias psicológicas baseadas nos mestres de dois séculos atrás, as quais naturalmente refletem os preconceitos sociais das sociedades de cada época. Ainda há psicólogos que mandam clientes gays para o psiquiatra enterrá-los nos remédios sonolentos para que eles não percebam que estão vivos. O processo de seleção de profissionais de saúde, especialmente na área psicológica para cargos públicos são conduzidos, em alguns estados norte-americanos, por profissionais com conhecimento de causa no que diz respeito a novos comportamentos sociais, isto é, homossexuais inclusive. As forças policiais de alguns grandes conglomerados urbanos como Nova Iorque e São Francisco incluem, há tempos, em seus quadros, profissionais de diversas opções sexuais para lidar com a população emancipada, liberada dos preconceitos e conhecedora dos seus direitos individuais e civis com igualdade de condições. A chefe de todo o sistema de segurança do transporte, inclusive metrô, da cidade de São Francisco, é um indíviduo transsexual que superou, em eficiência, todos os homens héteros que ocuparam o mesmo cargo nos últimos dez anos, segundo a imprensa local. Quantos exemplos de gays bem-sucedidos e saudáveis emocionalmente é preciso para satisfazer o apetite da ignorância? Esses são sinais de mudança comportamental da espécie humana advindos da educação e do entendimento de que todo ser humano é igual em todos os sentidos, independentente do seu comportamento entre as quatro paredes do quarto em que dorme. José Joacir dos Santos é jornalista e psicoterapeuta jjoacir@yahoo.com.

