Os Cinco Tons a “Música do I Ching”

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Por José Joacir dos Santos

Seguindo o esquema de amizades, fui apresentado a um médico chinês refugiado em Hong Kong, mestre em Musicoterapia Chinesa e Tibetana, praticada na antiga china imperial e quase extinta, que tem como princípio os cinco tons: Kung, Shang, Cheuh, Jyy e Yu – do livro milenar I Ching, o Oráculo das Mutações, sob o qual C.G.Jung faz alguns comentários em seu livro “O Segredo da Flor de Ouro”, Ed. Vozes, 11a. edição, página 29. Neste livro é interessante verificar como o mais importante discípulo de Freud se contradiz quando fala sobre espiritualidade – e alguns setores da psicologia no Brasil fazem o mesmo e torcem o nariz, por ignorância. 

Esses tons são extraídos dos instrumentos musicais chineses, todos saídos dos templos budistas e baseados na teoria dos cinco elementos primários da natureza – Terra, Metal, Madeira, Fogo e Água, o caminho da energia universal chamada Qi (pronuncia-se Chi). Como quase tudo na China, as partituras e a seqüência de instrumentos musicais para a execução dos tons são guardadas debaixo de sete chaves pelos mestres, repassados a mestres e discípulos, mas a base de tudo é a intuição do terapeuta ou médico oriental. Quando você se habitua a ouvir a voz interior, a intuição vem na hora em que o cliente se senta na sua frente.

A música é composta com a intenção de regular a circulação do Chi no corpo humano, melhorar as funções dos órgãos internos, reforçar as condições psicológicas e estimular reações emocionais de forma que possa prevenir e harmonizar desequilíbrios. As avaliações têm como direção a seqüência de tons.

Os cinco principais órgãos internos – fígado, coração, baço, pulmão e rins – possuem vibrações próprias reguláveis pelos tons. Esses cinco órgãos são individualmente ligados às cinco vísceras: fígado/bílis, intestino delgado, estômago, intestino grosso e bexiga. As cinco vísceras estão respectivamente ligadas pelos tendões a meridianos, músculos, pele, cabelo e ossos, cujo conjunto forma os cinco sistemas. Não se estuda esses órgãos da mesma maneira que a medicina oriental faz.

Os cinco sistemas correspondem aos cinco orifícios (chamados em mandarim de “chiaos”): olhos, língua, boca, nariz e ouvido. As cinco forças do Chi responsáveis pelo espírito, vigor do corpo e da mente estão contidas nos cinco “chiaos”. Eles são individualmente responsáveis pelos cinco tipos básicos de emoção: raiva, alegria (esplendor), preocupação (inquietação), melancolia e medo.

A Musicoterapia Tradicional Chinesa

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Por José Joacir dos Santos 

Durante a revolução comunista na China, que culminou com a criação da República Popular da China em 1948, milhares de mestres, monges, e professores de escolas, instituições e tempos de orientação budista, taoísta, confucionista e de outras denominações foram mortos. As gerações depois de 1948 não sabem disso porque eram obrigadas a não saber.

Inúmeras dessas instituições e templos foram saqueados e destruídos pelo fogo. A importância desse fato dá-se em virtude de que toda sabedoria transcendental, espiritual, holística e de medicina vinham desses templos e instituições, muito ligadas ao Tibete, ao Budismo e ao Taoísmo, incluindo aí todas as artes marciais e práticas corporais conhecidas hoje no Ocidente, tais como Tai Chi Chuam, Chi Gong etc. A contradição chinesa reside no fato de que destruição similar continua a ser executada no Tibete, em nome da libertação ideológia, a qual os tibetanos nunca sentiram falta. O Senhor Mao queria libertar (?)os tibetanos da religiosidade, das práticas milenares, para substituir isso pelo culto a sua personalidade e à de seus seguidores. Hoje existem mais chineses no Tibete do que tibetanos, que foram relagados a cidadãos de segunda classe. E o comunismo não prega exatamente a não-existência de classes? Templos foram derrubados e queimados e o culto à personalidade dos dirigentes do Partido Comunista foi levantado e incentivado. Em Pequim, onde você se vira é um poster ou uma estátua de um daqueles líderes. Deuses?

Após a revolução comunista, sem dinheiro e sob pressão da população traumatizada e doente, o novo Governo Comunista recorreu à Medicina Tradicional Chinesa que equivaleria aqui no Brasil e no Ocidente às terapias holísticas, porque lá a medicina veio dos templos budistas, taoístas e das tradições populares milenares (Lá os hospitais alopáticos ou da medicina clássica Ocidental são poucos, até hoje).

Quem trabalhava na área de saúde holística e/ou alopata foi convocado a servir ao Partido. Mesmo assim, grande parte dos conhecimentos sofisticados e milenares chineses foi levada pela elite do regime anterior que fugiu para as ilhas de Taiwan e Hong Kong e países da região, incluindo aí mestres, monges, professores e médicos. Taiwan, protegida pelos Estados Unidos, emergiu como um país rico e principalmente possuidor do conhecimento milenar do povo chinês.

No Brasil ninguém ainda pensou em criar uma medicina tradicional, apesar de todas as tradições da diversas raças que compõe o nosso povo. Há esforços do Ministério da Saúde mas são acanhados e recebem pouco ou nenhum incentivo. Veja a legislação aprovado para o SUS na janela Homeopatia. É lamentável que os postos de saúde do país não tenham bancos de ervas e sementes para distribuir com a população, que se fica mais pobre, a cada dia, nas farmácias alopáticas.

Mergulho Celular

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Por José Joacir dos Santos

Em 1989 fui iniciado na pesquisa sobre a musicoterapia. Nos seis anos que morei na China tive a oportunidade de viajar pelo interior do país e também pelos países vizinhos, sempre em busca daqueles mestres anônimos, sem cartão de visitas, sem site na internet (que nem se falava ainda), sem cursos com certificado, sem diplomas de universidades, mas ricos em conhecimentos orais das tradições populares daquela região.

Esse conhecimento, vindo dos mosteiros budistas e por sua vez de ancestrais xamãs das mais diferentes etnias asiáticas, é passado oralmente. A música era, e ainda é em lugares remotos da Ásia, parte integrante de um conjunto de conhecimentos que o monge deveria ter, inclusive artes marciais e medicina, leia-se oriental. Por exemplo, o monge era obrigado a saber sobre fitoterapia, arte marcial, dança, música, vidência, rituais espirituais etc. Portanto, o conhecimento é oral e holístico. É preciso salientar que em tudo isso há uma forte conotação espiritual. Sem ela, nada seria possível porque a fonte de conhecimento foi sempre trazida pela ancestralidade através da manifestação mediúnica. Comigo não foi diferente. Não tive tempo nem oportunidade para exercitar as artes marciais paralelamente mas adquiri o conhecimento sonoro que elas transmitem. Nada do que aprendi seria possível no Ocidente.

A musicoterapia é integrada a todos os elementos da natureza e suas expressões. Não há uma fórmula matemática, química ou física que se possa ser repassada de um cliente para outro porque cada ser humano tem um processo genético-celular especial. O sentir é único e individual. A percepção também, e assim tudo que advém. Certa vez uma pessoa me escreveu de Portugal pedindo que lhe passasse experiência no trabalho com crianças.

Esse raciocínio lógico não funciona com musicoterapia. Tenho testado em vários clientes formas semelhantes de lidar com os sons e jamais houve uma coincidência de percepção. O gongo tibetano, por exemplo, pode causar sensação de alegria, riso solto, gargalhada, pranto, desespero e vontade de correr de perto. Altera ou não a pulsação, a temperatura, os batimentos cardíacos, a respiração e pode produzir, ainda, suor e um brilho diferente na aura. As reações do cliente estão atreladas ao seu estado emocional – que varia de segundo em segundo dependendo de muitos fatores, inclusive externos. Se o cliente tem problema nos ouvidos, por exemplo, uma pequena inflamação que ele nem reconhece pode alterar completamente a sua percepção da sonoridade e da vibração do instrumento.

Dentes inflamados podem alterar a sensibilidade da audição. Portanto, há também fatores físicos a serem considerados. Diante disso, para poder ajudar a aquela pessoa de Portugal eu teria que saber detalhes da história de cada criança para poder vislumbrar uma aproximação do seu sistema de memória celular e a manifestação físico-mental-espiritual dele. Sem uma visão ampla do cliente nada funciona. Não há musicoterapia para curar uma dor na unha. Crianças não são simplesmente crianças. Tenho um cliente de três anos de idade que responde a meus pensamentos e uso dessa ferramenta para transmitir — diretamente para o seu mental — calma, serenidade e confiança na vida que segue, da mesma forma que expliquei a ele, silenciosamente, que estava na hora de largar o peito da mãe para se interessar em comida sólida.

Quando ele ouve um diapasão é capaz de dizer a cor da vibração sonora. Como ficaria um trabalho de cura da unha do dedo do pé dele se feito isoladamente? Fiquei profundamente emocionado ao ver, pela televisão, jogadores de futebol, brasileiros e argentinos, cegos, disputando medalhas nos jogos olímpicos de Atenas. Naquele momento tive, na minha frente, um exemplo concreto do que é trabalhar com musicoterapia e através dela integrar-se a todos os sentidos humanos para se chegar à dor, à angústia, ao sofrimento, a alegria e ao prazer sem a visão do que se apresenta, do que aparenta ser aos olhos físicos.

No ser humano a música desencadeia e afrouxa processos emocionais mas há a necessidade da expressão oral, da exteriorização e da compreensão da origem dos processos para que, com o auxílio da vontade, o som possa atuar e refinar a gravação celular daqueles acontecimentos. Jamais tive experiências com pessoas mudas, mas acredito que não seria diferente daquela dos jogadores cegos que jogam futebol e vão para uma olimpíada. A vibração sonora atravessa paredes, imagine células!

O que o terapeuta deve fazer? Desenvolver todos os seus sentidos, de forma a se libertar da ilusão da lógica e mergulhar na engenharia genética de si mesmo. Só depois desse mergulho é possível partir para a observação pura e simples do externo, considerando que nem tudo é o que aparenta ser. A bibliografia em português é fraca e/ou traduzida e alguns autores pecam pela falta de vivência — que só o mergulho acima referido dá.

Para os iniciantes recomendo “Sons que curam”, de Mitchell L. Gaynor; “Singing Bowls, a Pratical Handbook”, de Eva Rudy Jansen (muito fraco); “Singing Bowl Exercises for Personal Harmony”, de Anneke Huyser, também limitado; “Healing Sounds”, de Jonathan Goldman, que muito admiro e tenho seguido de perto as suas novas descobertas e desenvolvimentos; e, finalmente, “Shifting Frequencies”, também de Jonathan Goldman, que é autor também de vários “CD” interessantíssimos e revolucionários. Ainda não editei livros sobre o assunto, embora tenha material já em andamento e me sinta feliz em tornar público, na internet, parte dos meus conhecimentos.

Que é preciso saber sobre as Tigelas Tibetanas?

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Por José Joacir dos Santos

Há milênios que os tibetanos experimentam a musicoterapia mas o Ocidente só tomou conhecimento disso há menos de um século quando os tibetanos tiveram que vender suas tigelas fora do  Tibete para sobreviver. Muitas tigelas são tomadas dos tibetanos pelos chineses, assim como móveis, estátuas, etc. De acordo com a tradição oral da cultura tibetana, há registros de que o último mestre tradicional em musicoterapia morreu por volta do ano 1900, embora tenha deixado discípulos que se fragmentaram e se espalharam pela Ásia depois da invasão do Tibete pelo governo chinês.

Os rituais com as tigelas passaram a perder a importância com a morte dos seus mestres e isso aconteceu em vários aspectos daquela cultura milenar – talvez seja essa a justificativa da invasão pelo anglo de visão espiritual. Se o Tibete não tivesse sido invadido correia o risco de muita coisa se perder com a morte dos mestres do conhecimento e da forte tradição oral de transmissão, nem sempre eficiente. Com eles também foram os segredos da fabricação, inclusive dos demais instrumentos como as muitas variedades de sinos. O material emprego nas tigelas originais ninguém sabe definir ao certo, embora algumas tenhas sejam encontrados até sete metais, inclusive ouro. Naquela remota região do mundo, que viveu completamente isolada do resto do mundo por milênios, a ponto de se contar os estrangeiros que tiveram acesso ao país até 1948, um instrumento se destaca com peculiaridade pela sentido que lhe foi dado pelos tibetanos que se reunião em torno das tradições do povo Bô, antes da chegado do Budismo no Tibet, são as tigelas cantantes. Aliás, muito do que é hoje incorporado ao Budismo Tibetano vem das tradições de diversas tribos pertencentes àquela parte do mundo, inclusive o povo da tradição Bô, essencialmente xamânico — mas o conceito de xamanismo é totalmente direferente do xamanismo praticado na América Latina.

A tribo Bô dominava toda a região do Himalaia antes da chegada do Budismo. Não houve um choque mas uma junção. As tigelas cantantes têm dimensão holística e são usada também para a colheita de leite e outros afazeres domésticos relativos à alimentação e iniciação. As casas tibetanas são práticas e com pouca mobília porque aquele povo não sente essa necessidade. Então, a mesma tigela que colhe o leite da cabra é utilizada para a meditação. Elas variam de tamanho, têm a dimensão entre 5 e 40 cm, as menores pesam em torno de 150 g. As mais antigas estão espalhadas pelo mundo ou foram derretidas (e destruídas pelos chineses). Muitas delas e as mais autênticas possuem símbolos e marca de seus antigos donos. Todas foram feitas manualmente com fogo e martelo.

Dependendo da região, eram feitas com sete a doze metais essenciais, notadamente com objetivos específicos, inclusive de reprogramação celular através dos rituais de meditação. Uma das características que definem as tigelas é o único e harmônico som emitido, capaz de alterar o estado de consciência e de facilitar o processo de aprendizado emocional/espiritual. As investidas ocidentais no Oriente tiveram, também, resultados positivos. Desde a invasão, diversos europeus e norte-americanos conseguiram ir até aquela região não para retirar suas preciosidades mas sim para salvar conhecimentos e pessoas. O conhecimento holístico das tigelas tibetanas chegou aqui como “inovativo”. Para o tibetano, o tratamento para diversos males físico-mentais-emocionais não era pílula.

O cliente era colocado em uma maca e tigelas eram colocados sobre seu corpo, nos pontos principais de energia e assim acionados os efeitos vibratórios produzidos pelas tigelas, com conseqüências imediatas e efetivas no combate à hipertensão e bloqueios musculares. Popularmente isso é conhecido com massagem sonora. Hoje é possível utilizar essa terapia como coadjuvante no tratamento de diversos desequilíbrios. Por que será que as modernas tigelas não têm o mesmo efeito? Simplesmente porque não são feitas com técnicas tradicionais e materiais novos. Índia e Japão produzem essas tigelas hoje, já encontradas no Bairro da Liberdade em São Paulo – de cor amareladas, douradas, mais direcionadas para a meditação e cerimônias — não medicinais.

As boas só são encontradas nas vilas do Himalaia, ainda utilizadas como objetivos do uso doméstico, especialmente no Nepal e Tibete. Elas podem ser compradas nos mercados populares de Nova Delhi, na Índia, ou em Catmandu, mas é um risco. Encomenda pela internete nem sempre dá certo. O ideal é adquiri-las pessoalmente sentindo suas vibrações, examinando sua aparência e sinais e ainda conversando profundamente com o vendedor, de preferência que seja um budista dedicado porque uma pessoa assim não coloca o interesse de vendedor acido do espiritual. Veja nesta página indicação da pouca e confiável literatura. Leia mais em:polyglobemusic.co.at. Quem desejar importar do Brasil tigelas tibetanas, escreve para jjoacir@yahoo.com.

Uma das especialidades de José Joacir dos Santos é a Musicoterapia Tibetana

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