Homenagem a Santa Rosa de Lima

rosalima3-225×300.jpgO Universo é, e sempre será, uma caixinha de surpresas maravilhosas. Quanto mais a gente estuda e se aperfeiçoa, menos sabe e mais tem o que aprender. A minha mãe biológica sempre fui uma mulher trabalhadora e apegada ao lado material. Aos noventa anos, já doente, ainda comprou e vendeu casas e terrenos. Um mês antes dela morrer teve um sonho com uma santa que ninguém sabia quem era, nem ela mesma. Acordou e contou da visita que tivera com Santa Rosa de Lima. Disse que a santa tinha lhe aparecido e dito que estava junto, cuidando dela, e que não havia com que se preocupar –  já não mais conseguia andar e nem se cuidar sozinha. Quem a conheceu sabe que contar uma história dessas tinha que ser verdade. Minha irmã fez busca e encontrou a santa pela internete. Ligou pra mim e fiz o mesmo. Sim, ela foi a primeira santa da América Latina, poucos anos depois da colonização do Peru pelos espanhóis e pregava “o caminho do amor”. Minha mãe não tinha como ter essa informação, ainda mais ela que não era muito católica nem frequentava a igreja. Fiz busca e comprei um poster da santa pela internete e mandei para ela, na Paraiba. Duas semanas, quase três, se passaram para o poster chegar na Paraíba. O poster poderia ter chegado antes ou depois da morte dela, mas chegou minutos antes dela fazer a passagem. Ainda deu tempo dela ver a imagem e se emocionar. Conversou e contou segredos a minha irmã. Depois disso, começou a ter lapsos de consciência e a falar com os parentes que já tinham desencarnado e estavam presentes, inclusive meu pai (só ela via eles). Quem viu o corpo dela disse que o semblante era semelhante ao da imagem de Santa Rosa de Lima. Quem sabe, ao ver a imagem era se conectou com a da visão, se sentiu amparada e não teve mais medo de fazer a passagem. Vinte e quatro horas antes, nos Estados Unidos, senti que o momento dela havia chegado. Tive febre alta sem motivo aparente e, felizmente, forças para fazer os rituais à distância, chamar todos os antepassados para o momento, oferecer incentos, limpar o que tivesse de ser limpo. Naturalmente que chamei por Santa Rosa de Lima. Eu não tenho dúvidas da presença da santa e isso me surpreende positivamente. Realmente, existe muito mais coisas entre o céu e a terra do que avião de carreira. É só querer ver! A imagem é de Santa Rosa de Lima.

Kuan Yin aposta na compaixão

templo-de-kuan-yin.jpgtemplo-de-ky.jpg SEXUALIDADE, Por José Joacir dos Santos

Kuan Yin é apontada, cada vez mais, como inspiradora na luta pela igualdade de direitos civis no mundo inteiro, a qual é uma bandeira dos países mais avançados sociologicamente, inclusive, em alguns aspectos. é incluído o Brasil. As grandes religiões ou filosofias de vida no oriente foram sempre muito machistas, direcionadas à masculinidade, até a expansão rápida do culto à Deusa da Misericórdia e da Compaixão. A própria Medicina Tradicional Chinesa, assim como similares no Japão e Coréia, deram uma abertura à igualdade de direitos civis entre os seres humanos, independente do gênero, porque o princípio dos Cinco Elementos e o equilíbrio Yin/Yang fala exatamente disso: para haver equilíbrio é preciso existir igualdade sem pré-requisito. Houve, inclusive, na história da Medicina Oriental, grupos que tentaram diminuir ou redirecionar o foco para tentar resgatar o pensamento anterior de que o homem (macho, masculino) é um ser superior e a mulher um ser inferior (incluindo aí os homens não-guerreiros, não-sangrentos e não-violentos, com estilos de vida diferenciados, por questões genéticas ou psico-emocionais). Só os recentes livros de medicina oriental explicam que Yin é feminino mas isso não significa inferior como as sociedades machistas têm ditado. De acordo com a “Lei do Karma”, respeitada por diversas tradições, religiões e filosofias espiritualistas, ninguém sabe em que corpo pode renascer nem se tem “méritos” para fazer essa escolha até o momento do próprio re-nascimento.

A doutora Kathy Phillips, da Universidade do Havaí, inclui registros da inspiração de Kuan Yin como libertadora e defensora da igualdade de direitos dos gêneros em vários dos seus trabalhos. Uma das encarnações de Kuan Yin, como a Princesa Miao Shan, cuja história é repassada de boca em boca, de geração em geração, não só na China, apesar do comunismo, mas na Ásia inteira, abre o caminho para a luta pela liberdade de expressão de todos os seres humanos reprimidos pelas sociedades machitas. Miao Shan não aceitou a ordem do pai de se casar e se refugiou em um convento para monjas budistas, naquela época nem chamadas monjas nem muito aceitas pelos budistas de carteirinha porque nos seminários só entrava homem. O pai de Miao Shan acabou mandando retirar os olhos e cortar os braços da Princesa, que se ofereceu em sacrifício para curar o pai de um terrível mal. Várias são as histórias de submissão de Kuan Yin com o objetivo de quebrar padrões exagerados das culturas asiáticas, inclusive religiosas, e hoje ela é admitida nos templos, venerada e celebrada no mundo inteiro como aquela que “ouve o choro do mundo”.

Kuan Yin é acusada de inspirar as mulheres taiwanesas a criarem um movimento contra a obrigação de casar por dinheiro e arranjos familiares, de dar poder a mulheres videntes de Cingapura contra a rígida cultura masculina daquela ilha, igualmente de ter contribuido para a evolução da mulher na sociedade chinesa com igualdade de direitos civis, e de forçar os tempos budistas a admitir uma mulher que não discrimina o ser humano pela preferência sexual porque foi ela mesma quem saiu da veneração dos altares para o dia-a-dia das ruas. É ela quem é citada por pescadores nos mares do Sul da China como aquela que socorre nos náufragos – e não um “valente caba da peste”.

O taoísmo, com bases xamânicas, sempre foi mais aberto à não-discriminação e à descrentralização das genitálias como centro de poder e superioridade humana porque a diferença entre masculino e feminino está na exteriorização física das genitálias, não nos aspectos fisiológicos, químicos e emocionais. Até o sétimo mês, o feto não tem definição dos órgãos genitais, porque isso depende de reação química que a medicina não sabe explicar, causada pelo hormônio “dehydrotestosterono” ou “DHT”. O taoísmo teve grande influência no zen-budismo japonês, que já no século XVI admitia a homossexualidade nos templos, inspirada na teoria do Yin/Yang – ainda hoje há templos que punem monges por expressar a sexualidade.

A história da liberdade homossexual no Japão, a partir do século XV, tanto entre samurais quanto entre monges budistas e o povo comum, vinculada a semelhante maneira de viver trazida dos templos budistas chineses, é registrada em inúmeros livros históricos e está diretamente relacionada com as práticas sociais xamânicas dos índios japoneses, expressadas em todos os festivais de colheta ou de estações do ano. Tal comportamento era plenamento aceito pelas sociedades, deu origem ao Teatro Kabuki, e ainda hoje a sociedade trata do assunto de forma discreta, silenciosa, sem achar que deveria ser diferente — não existia a palavra homossexual em japonês. Um dos festivais mais famosos no Japão é o do pênis (“houmen matsuri”, praticado desde o ano 1500), onde homens de todas as idades vão para as ruas, seminus, participar da festa cujo centro de atenção são enormes pênis de madeira, carregados em andores como os da igreja católica, que também serve para demonstrar o vigor físico e a “purificação do espírito”.

Livre da censura judaico-cristã e da cultura grego-romana (cheia de culpas, taumas, assassinatos e guerras), e distanciados da China por causa das guerras e disputas políticas, a cultura japonesa faz rios de dinheiro em cima do turismo internacional direcionado a esses festivais, onde o povo acredita que um homem purifica a si mesmo em contato com outro homem, exaltando o símbolo da vida, o pênis (procure no google “japanese pênis festival”. http://www.yamasa.org/japan/english/destinations/aichi/tagata_jinja.html 

A cultura japonesa tem largo espaço para a devoção de Kannon, a versão masculina de Kuan Yin, conhecida há séculos na Ásia inteira como aquela que adquire a forma que desejar para se expressar, de acordo com as circunstâncias do tempo, a qualquer tempo, porque o que importa é a evolução espiritual e a compaixão humana. A grande expressão de respeito histórico no Japão é o legendário monge chamado Kukai. Sobre ele, o escritor japonês Ihara Saikako, que viveu entre 1624 e 1693, publicou o livro “O grande espelho do amor masculino” e nesse livro ele diz: “Kokai Daishi não falava do profundo prazer do amor (relações sexuais entre duas pessoas do mesmo sexo) porque temia a extinção da humanidade”. Tanto na época em que viveu como ainda hoje, as teorias de Kakai são respeitadas por todas as classes sociais especialmente porque o monge realizou grandes feitos humanitários no país, os quais ainda inspiram instituições até os dias atuais.

Já a escritora Kathy Phillips chama atenção para o fato de que as imagens de Buda mostram homens com vazilhas apontadas para cima (ego) enquanto as de Kuan Yin aparecem com o vaso aberto de cabeça para baixo, onde o necta da vida se junta às águas do mar e o mar não distingue um afogado pela preferência sexual ou pelo gênero – assim como Kuan Yin sacia a sede dos dragões dos mares sem perguntar quem são eles.

Segundo estatísticas, a religião que mais cresce no mundo hoje é o budismo (que o Dalai Lama prefere chamar de “maneira de viver”), talvez porque o budismo (e as seitas advindas) preenche um espaço aberto pela democracia, pela urgente necessidade da igualdade dos direitos civis na atualidade, e pelo vazio deixado pelas religiões católico-cristãs, mais preocupadas com assuntos políticos e até de medicina do que com o lado espiritual de seus seguidores. Esse buraco também é causado pela ideologia rígida e imutável das religiões católico-cristãs, onde é enfatizada a discriminação do ser humano pelas preferências sexuais, o castigo, o pecado, a tentativa de ditar o que a mulher deve ou não deve fazer com o seu corpo, a importância dada ao inferno e a cobrança pela veneração de um Deus que castiga – enquanto que seus líderes exigem luxo, dinheiro e pouca fé no discernimento do povo. Pelo contrário, Kuan Yin, o budismo, o shantoismo, o taoísmo e muitas outras seitas e filosofias de vida oriundas do Oriente pregam a compaixão e a igualdade por todo ser humano (e animais), sem restrição, sem censura, sem troca de favores, sem chantagens emocionais antigas, as quais já causaram a infelicidade de milhares de pessoas. José Joacir dos Santos é doutor em psicologia jjoacir@yahoo.com

Bibliografia: Buddhism, sexuality and gender, de José Ignácio Cabezón; This isn’t a picture i’m holding Kuan Yin, de Katty J. Phillips; Kukai, de Yoshito S. Kakeda; The gendering of men, 1600-1750, de Thomas King; Male Colors, de Gary P. Leupp; O grande espelho do amor masculino, de Ihara Saikako; Human Sexuality, de Spencer A Rathus.

 

Templo da Kuan Yin em São Paulo

Para todos os que me pediram, finalmente tenho o site com endereço e mapa do templo dedicado a Kuan Yin em São Paulo. O endereço é: www.quan-inn.org.br. Além do mapa, há fotos e dá para ter uma idéia das atividades ali desenvolvidas. O templo fica aberto aos domingos. Confiram.

Ouvi a Kuan Yin cantar

kuanyin.jpg Por José Joacir dos Santos

Desde que fui iniciado na Irmandade da Kuan Yin, em 1990, logo depois de chegar a Pequim, onde morei por seis anos, passei a viajar por outros países da Asia querendo conhecer o que não era possível naquela época na China, devido ao sistema político implantado que proibia religião e os estrangeiros não tinham livre acesso aos lugares e às pessoas. Nunca tinha ouvido falar e sequer lido algo sobre Kuan Yin. Todas as minhas descobertas de lugares, imagens, objetos de uso nos cerimônias foram sempre ao “acaso”, isto é, aconteciam sem planejamento. Muitas foram as vezes que me surpreendi até compreender que a Kuan Yin Pu Sa é um ser espiritual muito elevado, presente no dia-a-dia de nossas vidas, e responde a todas as chamadas feitas com o coração. Essa relação com seus devotos é ímpar, há mais de seiscentos anos, em toda a Asia, há registro disso.A “Deusa da Misericórdia e do Perdão” cumpre a sua missão e é presente, como nenhuma outra entidade que eu conheça, com exceção daquelas que chamamos de anjo-da-guarda ou guardiões. Estes têm um compromisso individual com os seus protegidos mas a Kuan Yin tem um amor incondicional por todos aqueles que lhe chamam, de onde forem, onde estiverem, seja quem for. Ela é sutil, benevolente ao extremo, capaz de se lançar em qualquer direção e circunstância para resgatar alguém. Nunca pedi coisas materias porque sei que esse assunto é entre nós e a energia universal. Todos os meus pedidos foram e são da sua interferência em situações de catástrofes, acidentes, problemas emocionais de clientes, amigos, familiares e alunos. Nos livros que contam a sua história também registram até pedido de mulheres para engravidar e de guerreiros para se salvarem nas batalhas.A mais recente experiência aconteceu ontem. Estava fora do corpo trocando idéias com um grupo de pessoas que não conheço neste vida, com exceção da minha irmã Gercina, em um lugar velho conhecido meu espiritualmente mas não de corpo físico presente. Este lugar é uma espécie de chapada, de onde se vê o vale muito abaixo, coberto de árvores, onde tudo o que se fala é ecoado. Muitas pessoas vão a esse lugar em viagem astral e já vi pessoas cantarem para assistirmos o efeito físico da música por todo o vale, como se esse fosse aparelhado com inúmeras caixas de som potentes.Na reunião de ontem dedidimos que cada um dos presentes iria se desdobrar até um lugar qualquer da terra. Todos começaram a “pular” do penhasco para poder “flutuar” no ar como se faz na água e daí deixar o corpo astral seguir para o lugar onde a mente está pensando. Eu escolhi uma estátua de Kuan Yin enorme que tem em uma cidade do Japão que não conheço. Pulei, comecei a flutuar e senti meu corpo astral sendo puxado para o lugar do meu pensamento em alta velocidade. Em certo momento percebi que a energia acumulada no meu “cordão”, ou centro de força, não era suficiente para ir e voltar. Então decidi voltar para a minha cama, em casa. Mal senti o baque do reencaixe no corpo físico e ouvi as minhas tigelas tibetanas soarem, os sinos baterem e por segundos pensei que era mais um terremoto em São Francisco. Não era. O som foi imediatamente acompanhado por uma voz de mulher, a mais bela que já ouvi em toda a vida das minhas memórias, cantando em tibetano. Olhei para a janela de onde o som vinha e não vi ninguém. A canção tornou-se mais próxima, o barulho das tigelas e dos sinos também, agora ritimado, a voz da mulher que cantava mudou para chinês antigo e de repente o meu terceiro olho se expandiu: era Kuan Yin! Não dá para descrever este momento de intensa emoção! Ela me disse algumas coisas que eu prefiro não revelar e que nunca, jamais, pensei ter esse merecimento. Nunca vou esquecer esse momento. Salve Mãe Kuan Yin e toda a sua misericórdia recheada de amor incondicional!

Deseja ver outros artigos da mesma categoria? | Topo | Página Inicial | Voltar »