Por: José Joacir dos Santos
Quando os espanhóis chegaram onde é hoje o México não fizeram diferente dos portugueses no Brasil: converteu muitos índios ao catolicismo. Um certo índio, que desde criança era tido como especial, não só gostou de ser catequizado, mas passou a ver uma certa senhora que ele dizia ser Nossa Senhora. A história se espalhou e ele fez muitos amigos, menos o bispo espanhol encarregado das novas terras. O bispo mandou chamar o índio para uma conversa. Cheio de testemunhas o bispo perguntou: que história é essa que você vê Nossa Senhora? Sim, eu vejo – disse o índio. Então prove, disse o bispo. Neste momento a túnica do índio passou a projetar a imagem de Nossa Senhora, para o espanto da platéia e dele. O bispo então mandou construir uma igreja e lá colocou a túnica exposta. Com o tempo colocaram uma moldura de vidro e hoje está da mesma forma na catedral de Guadalupe. O fim da história estaria pronto se não fosse a curiosidade de alguns cientistas mexicanos depois de 500 anos na colonização espanhola. Foi solicitado e a Igreja Católica aceitou que fosse feito um exame de laboratório na “pintura” da santa, recentemente. O México inteiro tremeu com o resultado do exame. Ao ampliarem a imagem várias vezes para descobrir a “técnica de pintura usada”, os cientistas depararam com algo estranho no olho da santa. Ampliaram a pupila e lá estava a grande surpresa: a pupila dos olhos da Senhora de Guadalupe guarda uma imagem de fotografia da cena do momento em que aconteceu o fenômeno da materialização da pintura na túnica do índio, há mais de 500 anos atrás. Lá está toda a audiência inclusive o índio, que olha de cima para baixo. Quem imaginaria uma fotografia há mais de 500 anos atrás feita em miniatura do tamanho de uma pupila? Esta história foi mostrada no canal de televisão Infinito, inclusive a fotografia ampliada inúmeras vezes. Viva a Senhora de Guadalupe! Viva esse ser universal que se veste de tantas formas e tantos nomes para levar o amor a todo ser humano, de todas as épocas e lugares!
20/12/2006 ·
13:51 ·
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Por: José Joacir dos Santos
Sai do jornal onde trabalhava perto das seis da tarde daquele sábado. Parei no sinal em frente ao Palácio do Governo e esperei. De repente um homem surgiu na porta do carro com uma faca no meu pescoço. Fiz o que mandou e seguimos naquela estrada pouco movimentada e escura. Mandou que saísse da pista. Segurando-me pelo colarinho, disse: “Passe o dinheiro, o cordão, a chave e saia do carro”. Fora do carro mandou que tirasse a roupa e os sapatos. Contestei e ele passou a me chutar. Comecei a falar que era casado, que tinha filho pequeno, que ele já tinha tudo, inclusive o carro, e que me deixasse ali. Continuou batendo. Quando me abaixei para tirar os sapatos, uma força que não sei de onde veio se instalou em mim e aceitei em cheio no meio das pernas dele. Surpreso, ele colocou as mãos no sexo e eu aceitei novamente na cabeça dele. Feito isso sai correndo sem camisa no escuro em direção ao asfalto e ele corria, a certa distância, atrás de mim. Vi uma luz vindo na direção e fiquei bem no meio da pista. Era uma moto e quase me atropelou. Continuei a correr e ai veio um carro. Fiquei no meio da pista novamente e o carro parou. Ofegante, disse ao motorista que estava sendo assaltado e pedi ajuda para evitar que o ladrão levasse o meu carro. O motorista apontou uma arma na minha direção e disse para levá-lo até o carro. Sai andando com os faróis nas minhas costas.
Visto o carro, o motorista saiu e passou a gritar: venha filho disso e daqui, não é homem? Venha aqui que eu quero meter oito balas na sua cabeça! Nada aconteceu. O ladrão estava escondido no mato. Então o motorista, em voz alta disse: “vou lhe dar esta arma e vou chamar a polícia. Se ele aparecer você enfia essas balas na cabeça dele”. Quando segurei a arma percebi que era um vidro de creme ou shampoo e que na escuridão parecia uma arma. Não tive mais como reagir porque o motorista já tinha dado marcha a ré e voltado na direção de onde tínhamos vindo. Fique andando ao redor do carro com “a arma” na mão apontando como se assim fosse. Em poucos minutos dois camburões da polícia chegaram com o motorista. Fizeram uma varredura no local, com faróis ligados, e nada. O ladrão havia sumido. Fui com o motorista em casa buscar a chave reserva e a polícia ficou no local. Voltamos e nos despedimos. O motorista me abraçou e disse que trabalhava em uma praça ali perto. No outro dia voltei ao local e achei a chave. O ladrão não levou nada porque antes de sairmos para fora do carro ele deixou tudo no banco. Fui até a praça procurar o motorista e ninguém conhecia alguém com tal descrição. E os policiais eram de verdade? Fui na delegacia e não havia registro algum sobre o ocorrido e eu havia assinado um papel. Pouco tempo depois pedi demissão e aceitei o convite para ir para a China porque compreendi que estava na direção errada da minha vida e aquele assalto era uma advertência.
20/12/2006 ·
13:50 ·
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Por: José Joacir dos Santos
Muita água corre debaixo da ponte até que a gente comece a acreditar em tudo que ver, sente, intui, sonha ou acontece por “coincidência”. Acabei com essa história de coincidência no dia em que compareci a uma sessão marcada com um vidente de Brasília. Jamais tínhamos visto um ao outro. Ele só sabia o meu nome. Ao entrar na sala disse para mim mesmo: aqui eu sou cliente. Mesmo assim, sentia uma forte energia conhecida no ambiente. Olhei os objetos e procurei ver algo que me fosse familiar. Nada. O médium chegou e me perguntou o motivo da minha visita. Disse que não sabia ao certo. Ficamos em silêncio. Ele interrompeu e perguntou: Você que saber o quê? Não sei, respondi. Ele então disse: tenho aqui dois visitantes parentes seus, reconhece? Ambos chamam-se Francisco e querem saber o que você quer! Fiquei emocionado porque sabia que eram o meu pai e um dos avós, que nem conheci. Respondi: está bem, quero abrir meu consultório de terapeuta. Houve silêncio e o médium falou meio irritado: você tem até dezembro para fazer isso. Estávamos em janeiro e eu não tinha dinheiro para isso. Ao chegar em casa havia um recado do meu chefe dizendo para arrumar as malas porque eu iria para a África a serviço. Fui para a África e minha missão durou de fevereiro a meados de novembro. Voltei a Brasília e no final de novembro eu estava com o consultório montado. Agora sei que a paciência da espiritualidade tem limites. Já estava mais do que na hora de botar em prática anos de estudos e dedicação, mesmo por que é na prática que a gente precisa estudar mais.
20/12/2006 ·
13:48 ·
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Por: José Joacir dos Santos
Cheguei na China em 1989 e o primeiro ano foi muito difícil. A Embaixada Brasileira não era organizada. Não havia um serviço de apoio a funcionários brasileiros e ninguém havia pensado nisso. O Embaixador era só trabalho e passávamos longas e intermináveis horas na embaixada. Isso anulava as possibilidades de uma vida particular normal fora do trabalho. Eu só tinha um final de semana alternado para botar a casa em dia, comprar comida, e pesquisar os assuntos do meu interesse holístico. Driblava da melhor maneira possível para ter aulas particulares. O único lazer disponível era uma piscina em um grande hotel, que só fechava às onze da noite, e a ela me filiei. Era até gostoso sair a uma temperatura abaixo de zero e ir nadar em uma piscina com a temperatura normal. Foi nessa piscina que numa noite fui abordado por um rapaz chinês. Estava de saída do vestiário, de costas para a porta e arrumando minha bolsa, quando ele se dirigiu a mim, em inglês, me chamando de orgulhoso e pedante. Achei que não era comigo e não olhei. Ele então disse: é com você mesmo que estou falando! Olhei e tremi todo. Era o mesmo rapaz que tinha sonhado há seis meses atrás, em um daqueles sonhos que você acorda sem reconhecer o lugar onde está. Você me conhece de onde? – perguntei. Daqui mesmo – respondeu. Quer jantar lá em casa hoje? – perguntou.
Como, nem lhe conheço! – respondi. Mas eu já lhe conheço, vamos – disse. Olhei para aquele rapaz e senti que estava voltando ao passado. Fomos de bicicleta para a casa dele com a recomendação de que não deveria abrir a boca para que os vizinhos não soubessem que eu era estrangeiro. Como era inverno e estava vestido com pesadas roupas, era fácil disfarçar. Chegamos na casa dele, subimos a escadaria estreita típica dos prédios copiados dos russos. A mãe abriu a porta e vi o pai sentado à mesa. Era tudo muito familiar e fui recebido como se fosse da família. Não sei o que conversaram porque não falava ainda nada de mandarim, mas fui servido com uma quente sopa de vegetais. Daquele dia em diante e por cinco anos essa família guiou todos os meus passos naquele país, direta e indiretamente. Através dela tive acesso a tudo que um ordinário cidadão chinês teria, nas inúmeras redes de proteção e sobrevivência. Conheci médicos, professores, monges, artistas, gente que faz. A cada passo que dávamos na amizade mais ficavam claros os sinais de inúmeras vidas vividas juntos. Eu mudei o rumo dessa família e ela me fez refazer o curso de minha vida atual. Quando a mãe faleceu em Pequim, em 2001, veio até a mim, em Brasília, avisar e perguntar o que fazer. O comunismo tinha reprimido a fé e a religião e ela não sabia como lidar com isso depois da morte. Fiz um pequeno ritual e ela foi embora.
20/12/2006 ·
13:47 ·
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