Dívidas têm que ser pagas de qualquer jeito
Por: José Joacir dos Santos
Foi só me aprofundar um pouco no estudo sobre as doze dimensões da galáxia onde fica a Terra que meu conhecimento já me serviu para intensificar minhas viagens astrais. Um espírito de mulher, meio grosseira, veio me despertar em espírito. Tocou do meu peito esquerdo e sem muito doçura falou: tem gente esperando acertar dívidas com você, alguém da sua família. Ela se retirou e eu fiquei já nessa dimensão esperando que ela voltasse. Não voltou. Comecei a berrar, perguntando quem. Outra mulher menos amarga veio e disse: não se preocupe, não vai ser ruim. Os espaços parecem não ter paredes, é como se você estivesse em um deserto. Não há prédios como nas cidades, mas o tempo desaparece. Nada é muito claro e você não consegue distinguir certos vultos. Vi vários espíritos no mesmo processo. Muitos não vão em frente porque as pessoas relacionadas às dívidas não conseguem sair em viagem astral ou já faleceram e continuam vinculadas ao corpo morto por causa das crenças e das religiões que reprimem o conhecimento da reencarnação. A segunda mulher se retirou e veio um homem, jovem e simpático. Disse que ficaria comigo porque as imagens estavam sendo providenciadas para que eu identificasse a pessoa. Ele estava envolto em um lençol branco, parecia um estagiário e aquela dimensão era muito fria para ele. Eu não sentia aquele frio dele. E o que eu devo fazer, quem é essa pessoa? Você tem que identificar. É da sua família, ela só vai em frente na vida espiritual dela se você identificar, confirmar e resolver o atrito entre vocês. Nesse momento pensei na minha vida atual e na família. Começo a fazer perguntas. O rapaz sorri, se cala e vai embora na penumbra. A responsabilidade é só nossa, eles não se envolvem. Outra mulher, mais madura, aparece e diz que está pronta para me mostrar as imagens. Aponta em certa direção e começa a se projetar na “parede” imagens de pessoas, como numa projeção de filme. Não reconheço ninguém. Fico angustiado. Ela insiste e diz que a pessoa que eu preciso identificar já passou. Peço para voltar o filme e pergunto a ela se o fato aconteceu em outro tempo e outro espaço que não o atual. Ela pára, parece que não tinha pensado nessa possibilidade porque tudo estava sendo apresentado como se o fato tivesse acontecido ontem. Aquela primeira mulher, grosseira, tinha dito a palavra “ontem”, e ontem, nesta vida, nada havia acontecido. Ela repassa os filmes e eu não reconheço ninguém. Começo a pensar quem poderia estar nesse processo de “julgamento” no momento presente mas a mulher me chama de volta ao momento e diz: você realmente não lembra de ninguém nessas imagens, elas são de Pequim. Pequim, sim, morei em Pequim seis anos nesta vida mas ninguém dessas imagens esteve nesta vida. Ai, eu comecei a falar sem parar e disse a ela que quem quer que fosse eu perdoaria e pediria perdão para que ela seguisse em frente na sua vida espiritual. A mulher me olha seriamente e ainda pergunta: você não se sente culpado de nada? Como eu posso me sentir culpado se não reconheço nenhuma das pessoas exibidas no filme? Um homem se aproxima e se prontifica a me trazer de volta. A mulher olha para mim mais uma vez, seriamente, e diz: está bem! O homem me traz de volta ao corpo físico e se vai. Levanto da cama e fico lutando mentalmente para voltar de vez ao corpo porque em um momento ou noutro o espirito quer voltar àquele lugar. Eles parecem pensar que a gente se lembra de todas as vidas e de tudo nesta vida. Tomei água, floral e fiz Reiki para toda a situação. A parte mais dolorida da história toda é a questão da respiração. Do outro lado, em uma dimensão diferente, o espírito não precisa respirar. Mas, como você está ligado ao corpo por aquele fiozinho luminoso, a sensação é a de que você está morrendo. É meio desconfortável e quando você volta ao corpo leva tempo para o desconforto desaparecer. Parece que o mundo parou por instantes e falta ar. As vezes é preciso até tomar banho. E aí você perde horas de sono e o corpo amanhece todo quebrado. Aparentemente a pessoa foi libertada porque não a reconheci.

