Está na hora da Medicina Preventiva e Holística

Cada vez mais a idéia de que somos formados de corpo, mente e espírito torna-se aceita nas mais diferentes camadas da sociedade, independentemente da crença de cada uma.

Não bastam os cuidados físicos: Se o lado emocional não for levado em conta, o físico desencadeia em uma série de problemas, que voltam em ciclos, sem cura.

Já aceitamos que somos parte de um todo universal, holístico, e rezar ou freqüentar um templo é tão essencial quanto as vitaminas complementares, o jogo de futebol aos domingos, a academia de danças ou passear com o animal de estimação.

As terapias naturais ou holísticas já não são exclusivas para um seleto público. Acupuntura, Reiki, Reflexologia, Shiatsu, Florais estão nas páginas dos jornais devido aos clientes famosos, na política, que recorrem a essas técnicas terapeutas chinesa e japonesa tão universais e brasileiras quanto as comidas trazidas pelos imigrantes japonesas, chinesas, italianas, portugueses etc.

Em contrapartida, a medicina evolui a uma velocidade nunca vista e ninguém mais volta ao consultório de um médico que nem olha no rosto do cliente e já receita os antibióticos indicados pelo laboratório com o qual tem “convênio”. Os bons médicos estão ligados no mar de informações da internet e nos estudos avançados à procura da cura para as mazelas humanas.

Estes sabem que lidam com pessoas e que elas têm emoções. Já existem os que aliam os conhecimentos científicos aos holísticos e esse casamento tende a ser a medicina universal de um futuro muito próximo. Muitos já estão espiritualmente evoluídos e sabem muito bem quando o cliente precisa ser atendido por um terapeuta holístico. Em contrapartida, os terapeutas holísticos estudar mais e conhecem os princípios básicos e fundamentais da medicina alopata. Não basta mais jogar as cartas de tarô. É preciso ter uma conduta ética e espiritual elevada, além de saber reconhecer quando o cliente precisa mesmo é de um médico. Grandes hospitais de países desenvolvidos já abriram suas portas para a atuação de terapeutas holísticos em trabalhos de parceria com os médicos.

As universidades engajam-se em pesquisas sobre as plantas medicinais brasileiras, tão cobiçadas por laboratórios estrangeiros. Em Brasília, o Hospital Anchieta sai na frente na pesquisa, fabricação e uso de remédios extraídos das ervas brasileiras vendidos a preços tupiniquins. Onde o resto do Brasil precisa urgentemente avançar? Os hospitais públicos, de um modo geral, precisam de atualização, reciclagem e de nova abordagem no trato da saúde, especialmente na educação para uma medicina preventiva, atuante, holística.

Os cursos na área de saúde precisam atualizar seus currículos. Todo brasileiro tem uma seleção de futebol formada na cabeça, dizem. Também é verdade que possuem uma lista de remédios na cabeça, que se materializa imediatamente diante da queixa da dor de alguém. Os laboratórios e farmácias — sem compromisso com a sociedade — ficam cada vez ricos graças a automedicação voluntária, descontrolada e perigosa do povo. Os hipocondríacos adoecem a cada minuto graças às contra-indicações de seus remédios preferidos e desnecessários. Ervas brasileiras roubadas da Amazônia com o auxílio de brasileiros e patentiadas no estrangeiro a cada minuto.

Laboratórios estrangeiros aparecem nos noticiários por corrupção. Se um laboratório pratica corrupção, o que mais é capaz de fazer com a saúde pública? Onde estamos falhando? O Brasil tem dado passos largos na área de saúde pública, de vacinas a remédios contra a Aids. Mas, precisamos avançar urgentemente no caminho que leva ao tratamento do ser humano de acordo com sua essência original e parar de evitar o espelho de nós mesmos. É preciso que o governo federal investigue, reconheça e legalize as inúmeras terapias holísticas amplamente praticadas no país. É preciso encarar de frente o princípio básico, o interesse comum do povo e unir a medicina alopática às ervas nativas brasileiras, incorporando as terapias holísticas complementares aos centros de saúde e hospitais, públicos e privados, como fez a China e a Índia, por exemplo.

Se o governo não percebe a clareza da luz é preciso que as entidades particulares tomem a iniciativa, trazendo para o debate desse projeto os planos de saúde, a previdência social, os governos distritais, estaduais e municipais. A medicina preventiva, aliada ao trato holístico do ser humano, é uma economia de tempo e dinheiro, além da mudança radical na qualidade de vida dos cidadãos. Essa elevação de padrão é o destino do povo brasileiro: tolerante, acolhedor, inteligente e extremamente espiritual. É um desafio grande e possível que certamente irá contrariar os interesses dos laboratórios estrangeiros, interessados, apenas, no boi gordo do mercado brasileiro. jjoacir@yahoo.com

A Mentira Rouba a Essência da Vida

Por José Joacir dos Santos

Ao longo dos séculos, a mentira tem sido usada nos mais diversos níveis sociais e com os mais variados fins. Na intenção de manipular a verdade dos fatos, mentirosa é aquela pessoa que não repete aquilo que escuta, dá uma versão diferente do fato ocorrido e traduz o que pensa em torno do assunto de acordo com a sua visão do mundo. Por causa da mentira, a vida de muitas pessoas e até de países já foi destroçada e aniquilada. Naturalmente que toda história tem dois lados, duas versões, duas partes envolvidas. O que freqüentemente acontece é que as pessoas não procuram saber da versão da outra parte envolvida, ignorando que o mentiroso sempre chega mais rápido e com intenções muito claras, unilaterais, como um veículo da maldade.

Na política, nas repartições e na família, a mentira corre solta. Se é difícil a gente fazer uma avaliação objetiva de nós mesmos, imagine alguém fazer o nosso perfil e apresentá-lo como verdadeiro! Se você é reservado e não dá atenção ao que falam, pode ser que a pessoa de que falam não seja você, embora menção ao seu nome seja feita como verdadeira. Existem chefes que ocupam cargos importantes, mas vivem atrelados a auxiliares manipuladores e mentirosos. Nas mudanças de cargo, característica da mudança de governo, especialmente nos setores mais politizados, essa prática é muito comum. O chefe que sai dá o “retrato” de quem fica para o novo chefe que assume, sempre de acordo com a sua visão do mundo e de si mesmo. Nessa passagem de imagem muita verdade é arranhada e muito talento é ignorado.

Isso não é muito diferente nas empresas privadas onde a competição é a arma do negócio. Cada um luta com as armas que tem! Boas ou não! Na família a manipulação pela mentira é o elo do desastre futuro entre pais e filhos. Uma criança, de determinada família, era o sexto filho e por isso pouco valorizado pela ocupada família comerciante. Sem mais nem menos, essa criança passou a “achar” dinheiro na rua e cada dia ela apresentava à mãe uma nota. A mãe elogiava e guardava o dinheiro. Essa parte do elogio era sempre seguida de um abraço e a criança adorava. A situação durou até que os irmãos descobrissem que o dinheiro achado era, na verdade, roubado do caixa do comércio da família. Evidentemente que a criança desmoronou emocionalmente com a reprovação de toda a família. Independente da vontade consciente dela, essa história foi processada por suas memórias e passou a fazer parte da sua vida. Na fase adulta, aquela criança manifestou forte dificuldade em lidar com o dinheiro e a prosperidade. Seus relacionamentos afetivos foram sempre um fracasso e jamais ela conseguiu ficar muito tempo em um emprego. Claro que há muitos aspectos não mencionados e não analisadas nesta história mas vale a pena observar aquela conexão com o dinheiro mentiroso. Quem disser que nunca mentiu pode olhar nas costas que tem assas de anjo. As crianças mentem com freqüência, especialmente se elas têm pais despreparados para a missão e que também manipulam as crianças com base na mentira. De um modo geral, a criança é muito verdadeira até os sete anos de idade. Se o ambiente familiar é sadio ela crescerá dessa forma. Se escolheu nascer em uma família desajustada então precisará ser muito forte para não seguir a linha familiar. Muitas vezes os problemas familiares nesta vida atrapalham o projeto espiritual arquitetado ao longo de muitas vidas. A criança aprende rápido a sobreviver e a copiar com exatidão tudo que vê nos adultos.

O que você acha que um filho que vê o pai bêbado ou drogado ou viciado em jogo, devedor, agressivo? É muito importante estar preparado para criar filhos. A instrução ajuda a evitar a repetição de erros antigos, repassados de pai para filho em nome da “tradição”. Essa história que “minha mãe ensinou assim”, “meu pai sempre fez assim” não serve para a geração seguinte porque cada geração tem necessidades diferentes. Os princípios básicos da educação e da bondade se adaptam com as gerações sem perder a essência. Cada geração nova traz essências novas. Delegar a professores a educação básica de filhos é o maior ato de irresponsabilidade de pais e responsáveis. Escolaridade não reproduz, necessariamente, a essência a bondade. Professores rígidos, infelizes e mal pagos são um desastre, tiram o encanto do estudo. Quem precisa mentir, por qualquer razão, especialmente aqueles que têm pais ou responsáveis traidores, viciados, violentos, irresponsáveis, devedores, carrascos ou atrelados a religiões conservadoras precisam fazer terapia. A mentira ensina que manipular é melhor do que encarar a vida real. Com base nisso a criança toma gosto e se vicia. Sem o discernimento, ela leva a mentira para todos os níveis de relacionamentos e cresce com isso.

O vício pode ganhar corpo na adolescência e daí para a eternidade. Para que me esforçar se é fácil mentir e conseguir o que quero? Esse pensamento torna-se real e a pessoa vê o mundo com uma espécie de óculos escuros que não faz diferença se é dia ou noite. Como as forças semelhantes se atraem, o mentiroso não demora a colher os frutos da sua habilidosa especialidade. Tudo que a gente pensa ou fala fica gravado em nossas células. O cérebro reproduz esse material e devolve com fidelidade. Com isso, a pessoa que mente gera em torno de si uma monstruosa aura. Estão nela as suas partes e o sofrimento das vítimas de suas mentiras. Imagine uma pessoa andando pelas ruas segurando nas mãos inúmeras bolas de soprar, aquelas das festas e aniversários. Cada bola representa uma forma-pensamento, isto é, uma imagem criada, uma mentira consolidada. Essas bolas passam a ser visíveis para espíritos que vibram na sombra como o farol de um carro na escuridão da noite. Muitos espíritos não-evoluídos e vingativos se utilizam desses faróis para implantar nos corpos sutis dos mentirosos os famosos “clichês mentais” contendo memórias do passado sombrio vivido por aquela pessoa, que passa a vibrar na memória negativa e dolorida do passado. Esses “chips” podem levar à loucura, ao suicídio, à criminalidade, aos vícios compulsivos. E esses desequilíbrios gastam muita energia vital. Tudo é possível e as leis espirituais são muito flexíveis em todos os aspectos. Quem nasce com uma tendência negativa pode ser corrigido por uma educação adequada e com a decisão de mudar.

Quem não teve pais sadios, corretos e amáveis não precisa repetir ao longo da vida essa mesma forma deficitária. Pau que nasce torto tem jeito sim! Como pulsa dentro dele a vida, é só uma questão de querer mudar o curso do caule. Não há desculpas. Querer se vingar do mundo porque nasceu em uma família desajustada, por ter sido rejeitado, por ter sido largado para a adoção, faz de você uma pessoa menor, amarga. Ao contrário do que se pensa, quando alguém decide nascer nessas condições é porque tem capacidade de dar uma reviravolta, de refazer o percurso da vida eterna e se erguer para a plenitude do amor e da luz. O vício da mentira pode ser corrigido a qualquer momento, por vontade própria ou por auxílio terapêutico porque ela faz parte das fragilidades da alma. A perversidade da mentira é um fleche de ausência de luz. Será difícil mudar hábitos inferiores? Joana de Angelis fala através de Divaldo Franco e diz: basta que você comece a praticar “hábitos saudáveis, sem pieguismo nem autocompaixão”. Hábitos saudáveis começam com o pensamento. Você pode controlar tudo o que pensa de forma a direcionar o seu cérebro para as coisas boas e positivas da vida. Essa prática pode modificar a sua vida em 360 graus. Na medida em que você se equilibra, a harmonia dos seus pensamentos faz você ouvir e a repetir as palavras como elas realmente são ditas, passa a ver tudo como realmente é e não mais dá a sua versão e interpretação das coisas ao seu modo. Desta forma, aquelas bolas de aniversário que não eram realmente suas passarão a se despregar por falta de sintonia.

As forças da escuridão ficarão incomodadas. Claro que no início não é fácil. Nesta vida o que é fácil demais não tem sabor algum. Aí entra a determinação de mudar, de reintegrar a personalidade, de direcionar a própria vida sem prejudicar ninguém. É muito prazeroso conquistar a vida com o próprio suor do rosto. Essa força de vontade é compreendida pela espiritualidade que lhe empurra para a auto-realização e correção de pendências deixadas para trás em muitas e incontáveis vidas. Somos todos passageiros do tempo, viajantes eternos, seres espirituais, separados entre os mundos por redes parecidas com aquelas das quadras de tênis. A verdade é libertadora, em todas as suas formas. Quem sintoniza a verdade não grita, não faz barulho e atrai proteção espiritual. Para os casos crônicos dos chamados mentirosos inveterados não há outra saída a não ser a terapia. Reiki altera e positiva a vibração e o padrão energéticos dos corpos físicos e etéreos. Um terapeuta floral poderá sugerir que você comece com a organização mental sutil através dos seguintes florais de Saint Germain: Patiens, Thea, Gloxínea, Allium, São Miguel e Abricó. Mas se a mentira maior são os desequilíbrios que você inventa, então: Melissa, Allium, São Miguel e Cidreira. Se há o sentimento de negação por você mesmo: Gloxínia, Unitatum, Melissa, Aloe, Embaúba, Allium e São Miguel. Para largar a mentira: Flor Branca e Laurus Nobilis. Para abandonar qualquer vício: Saint Germain, Allium, São Miguel, Cidreira, Curculigum, Laurus Nobilis, Mangífera, Arnica Silvestre. Essas fórmulas são sugeridas por Neide Margonare, a sintonizadora e produtora dos florais de Saint Germain, para serem administradas por um terapeuta floral. (*) José Joacir dos Santos é Jornalista (jjoacir@yahoo.com)

O que fazer Diante da Porta sem Retorno?

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Muitos foram os acontecimentos que me fizeram confiar na intuição sem questionamentos ou julgamentos. Baseado nisso, dei sempre atenção a aqueles livros que me chamavam nas vitrines das livrarias.

Alguns deles lia imediatamente. Outros guardava para o momento certo. Muitos deles levaram anos para serem abertos e lidos, e alguns nunca foram lidos e acabaram sendo doados porque sentia que a nossa relação havia se esvaído sem a necessidade de lê-los. Tornei- me fluente em inglês por essa necessidade porque nas minhas andanças pelo mundo passei a sentir atração irresistível por livros em outras línguas, sem tem a menor idéia do que tratavam.

Nos anos oitenta, as livrarias brasileiras eram poucas e pobres de espírito, então devorava os livros de Lubsang Rampa que achava nas bancas de revista e jamais perguntei como eles foram parar lá. Foi nessa época que fui atraído pelo “Bardo Thodal”, “O livro dos mortos tibetano”, publicado em 1980 pela Editora Hemus, traduzido do sânscrito pelo Lama Kazi Dawa Samdup. Jamais abri o livro, que é uma história de mais de 3000 anos. Certa vez cheguei a doar 700 livros para a Universidade de Brasília, anonimamente, mas esse foi um dos livros que jamais doei. Em 1994, em Hong Kong, a edição em inglês do Bardo puxou os meus olhos e o comprei. Na África em 2002, repetiu-se a cena com a edição em inglês publicada em 1998. Jamais li nenhum deles.

Ontem à noite esse mistério foi desvendado. No meio da noite senti-me fora do corpo de frente para uma porta de “vidro” transparente, vendo tudo com clareza à minha frente. Depois da porta havia um grande vazio e do outro lado do vazio havia médicos e enfermeiros à minha espera, inquietos. Nesse espaço vazio entre nós era como se fosse uma casa abandonada sendo pintada com cal. Era como se fosse um saco de plástico cheio de ar, onde o tempo era uma ilusão. As informações saltavam na minha mente como se fosse velho conhecido daquele processo (e todos nós já passamos por ele). Imediatamente sabia que estava morrendo e os médicos e enfermeiros esperavam do outro lado para ver o que aconteceria. A minha intuição dizia que se atravessasse aquela porta de vidro teria que enfrentar aquele lugar vazio antes de chegar ao grupo de atendentes e nesse espaço de tempo muita coisa aconteceria comigo porque todos os meus medos seriam revelados, assim como imagens e memórias de coisas, pessoas e espíritos amigos e inimigos, crenças e tradições falsas e verdadeiras, desta e de outras vidas. Um processo doloroso e perigoso, onde muitos se perdem e onde já me perdi em outros tempos.

Dei uma volta para ver se havia outra saída e percebi que estava dentro de um certo avião, sozinho, que levava de volta àquela porta. Quando parei novamente diante da porta de vidro ouvi vozes, com sotaque chinês, que me chamavam de Santosê (como meus amigos chineses chamam) e pediam para “voltar”. Vi que o grupo de médicos e enfermeiros ficava mais inquieto como alguém que perde a paciência com uma criança teimosa que não sabe o que quer. Resolvi olhar para trás, de onde vinha o chamado. Neste instante me vi na cama sendo sufocado por travesseiros e cobertas. Imediatamente fui sugado para meu corpo e nele abri os braços retirando os lençóis que me impediam de respirar. Respirei fundo e abri os olhos. Sim, estava morrendo sufocado e só, na hora errada, por causa do excesso de lençóis e travesseiros na minha cama. Hoje resolvi ler as instruções dos lamas tibetanos sobre o processo da morte, tão bem explicado em Bardo Thodal e não fiquei surpreso ao perceber que a descrição do processo é igual ao que senti diante daquela porta de vidro. Esse livro é uma aula que todos precisamos ter.

O processo de desligamento do corpo pode ser mais dolorido e confuso do que o nascimento – o nascimento é um despertar de um longo sono dentro de nova realidade. Quem ultrapassa aquela porta, e não tem estrutura emocional para isso pode jamais ser recebido pelos plantonistas, e se perder por muito tempo na imensidão sem relógios. Do outro lado da porta, o tempo e a distância duram uma eternidade. Aquele trecho que ora me parecia um saco de plástico vazio e grande e ora uma casa vazia em reformas já era parte da ilusão a que somos acometidos no pós-morte. São as imagens do nosso inconsciente, da nossa história fragilizada, do turbilhão de memórias que somos constituídos, quer queiramos ou não. Jung preferia chamar isso de “sombra” e a define como um grande saco onde a gente guarda nele todos os pedaços, importantes ou não, da nossa história desde o nascer. Não importa o nome que receba: esse processo é solitário e a gente é obrigado a enfrentar o que jamais conhecemos de nós mesmos, em vários níveis da consciência e da inconsciência. A estrutura emocional que precisaremos ter pode ser construída e todos somos capaz disso se tivermos os olhos para ver e a inteligência para discernir e filtrar o aprendizado a que somos submetidos desde a barriga da mãe até o momento presente.

Quem aqui se perde jamais se achará ao atravessar aquela porta de vidro. Desta vez fui chamado por amigos porque estava na hora errada de partir. Da próxima talvez esteja sozinho, com o relógio esgotado e o contrato encerrado. Como irei reagir depois da porta? Não sei. Depois da leitura do Bardo Thodal o processo da morte me parece interessante para quem tem a sorte de ter alguém preparado para ler as recomendações assim como fazem os monges tibetanos. Em todo caso, ao tomarmos conhecimento de que existe um processo já é meio caminho andado. Tomar consciência é a chave para o fim do sofrimento. Ler e perceber o processo ajuda muito. Esse livro deveria ser lido na cabeceira dos doentes terminais nos hospitais, por exemplo. Quantos morrem sozinhos, abandonados, sem assistência espiritual alguma? Quantos morrem com a assistência errada, que ao invés de ajudar conduz a pessoa a culpas e “pecados”. Tomara que um dia os hospitais brasileiros admitam terapeutas holísticos – e não representantes de religiões — que possam trabalhar nessas tarefas indispensáveis e para as quais os profissionais da saúde não estão preparados e acredito que jamais poderão estar, pela própria natureza do trabalho. Quem sabe um dia a rigidez mental insana de alguns, em nome da saúde pública, possa dar lugar à razão e à democracia. O universo agradecerá.

José Joacir dos Santos é Psicoterapeuta e Jornalista (jjoacir@yahoo.com)

Previna-se contra os desequilíbrios do sistema endócrino

sistemaendocrino002.jpg Por José Joacir dos Santos

Na cultura brasileira há muita coisa que precisa ainda se ajustar. Os anos em que vivemos sem um sistema democrático atrasaram inúmeros processos de evolução social, entre eles o desenvolvimento das terapias holísticas, bloqueadas até pelo Ministério do Trabalho. Há quem pense ainda hoje que o terapeuta holístico tem que se voltar somente para o espírito, negando aí a essência holística e a realidade da vida: terapeuta tem despesas e precisa estudar, se aperfeiçoar sempre. Há muito preconceito e muita falta de informação.

Vivi e alimentei por muito tempo os conceitos e preconceitos herdados das gerações anteriores, especialmente por influências européias e americanas, mas felizmente fui empurrado pela espiritualidade para o holístico e hoje vejo com clareza quem atrasa o Brasil, tão carente de saúde, raizes e volta às tradições populares.

O estudo da anatomia humana trouxe o conhecimento dos preceitos mais básicos, de forma a compreender e poder ser mais eficiente naquilo que me proponho como terapeuta. Esse estudo ajudou-me a não só a ver a vida sob outra ótica como também a me integrar às necessidades do novo tempo, trazidas pelo novo milênio. De algum tempo para cá, quem não avançar ficará definitivamente para trás. Não dá para trabalhar bem com Reiki, Musicoterapia, Reflexologia e muitas outras terapias holísticas se não conhecer nuances do corpo humano, os chácras, e os sistemas físicos mais ligados ao trato emocional, em suas causas e efeitos. Com o tempo, as imagens trazidas à minha terceira visão e à intuição, seja no toque ou na conversa com o cliente, ficaram mais nítidas, coloridas, e o entendimento das matrizes passou a ser mais profundo. Agora, se meus guias falam sobre sutilezas da aura de um cliente eu já posso entender a linguagem técnica e trabalhar a origem da causa de forma direta ou simplesmente solicitar que o cliente procure um médico ou uma terapia mais especializada naquilo que se apresenta.

É preciso estar ciente das nossas limitações, mas não se acomodar nelas. Por isso voltei à universidade e me especializei. A espiritualidade insiste: é preciso “não ter medo de nada e ir em frente”. Um dos sistemas mais interessantes e essenciais ao trabalho holístico é o sistema endócrino. Mikao Usui, o canalizador do Reiki Tradicional, e Takata, que trouxe o Reiki para o Ocidente, destacavam a importância da harmonia no sistema endócrino e o balanceamento dos chácras para o equilíbrio do corpo. Ele é constituído das seguintes glândulas e seus respectivos chácras: hipotálamo (coroa), pituitária (terceiro olho), tireóide e paratireóide (garganta), timo (coração), córtex (plexo solar), supra-renais (chácra básico), ovários e testículos (sacral). O sistema endócrino regula várias funções corporais, incluindo o sistema reprodutor, imunológico, de crescimento, o metabolismo, respostas alérgicas e intolerâncias. O principal trabalho dessas glândulas é produzir hormônios que transitam pelas artérias e tecidos. Elas trabalham com independência e harmonia. Os desequilíbrios neste sistema causam, entre outras, disfunções na tireóide, diabetes, Doença de Addison, hipoglicemia e obesidade.

A glândula tireóide precisa de iodo - Localizada no pescoço, a glândula tireóide é responsável pelo controle das atividades gerais do corpo. Quando excede suas atividades provoca aquecimento, acelera o processo digestivo, traduzindo tudo isso em excitação ou acúmulo de energia física. Esse estado pode levar a problemas cardíacos, perda de peso exagerada, entre outras. Uma tireóide “preguiçosa” pode levar a apatia, fadiga, problemas cardíacos e menstruais, e aumento de peso. Esses desequilíbrios são muito comuns, mas podem ser evitados antes que se tornem sérios. A prevenção é qualidade de vida. Ocasionalmente, problemas na tireóide estão conectados a outras desarmonias físicas, incluindo diabetes, artrite reumática, inflamações, sensibilidade ao frio e, de forma mais rara, câncer — e emoções reprimidas. Como ela está na esfera de influência do chácra da garganta, desarmonias aqui são sinais de muitos sapos engolidos e coisas não ditas. Deficiência de iodo pode acontecer, também, quando a pessoa está na barriga da mãe e transmitida ao feto pela genética. As mulheres são mais vulneráveis a desequilíbrios na tireóide do que os homens. Para os orientais, o hipertireoidismo é causado pelo excesso do elemento fogo no fígado, provocado pela perda da sintonia desse órgão, daí a irritabilidade, ansiedade, sudorese noturna, menstruação desregulada. Estudiosos ingleses perceberam que pessoas que sofrem do Mal de Parkinson também sofrem de hipertireoidismo.

Alga marinha, servida especialmente nos restaurantes japoneses, ajuda a prevenir e combater esse desequilíbrio. Cebola é tida como auxiliar na prevenção do hipotireoidismo, causada também pela falta de zinco, vitamina “A”, selênio, ferro e intoxicações. Peixe é uma fonte natural de vitamina “A”. Camarão fornece o zinco. Alho provém iodo e desintoxica. Castanha do Pará contém selênio. A alimentação balanceada é a chave para o equilibro. Na China e na Índia, tudo o que não é alimento é remédio e vice-versa. Óleo de gerânio equilibra a produção de hormônios, de forma que se houver problemas com a tireóide eles podem se manifestar após uma sessão de aromaterapia com esse óleo. Homeopatas indianos trabalham os desequilíbrios da tireóide com Nat Mur. Vale lembrar que, em todos os casos, só médicos podem prescrever remédios.

Diabetes - A mais comum forma de diabete é chamada de “mellitus”, causada pela falta de insulina, produzida pelo pâncreas — mas tem raízes emocionais também, a falta de vontade de viver, o pessimismo, o sentimento de menos-valia. Isto provoca a deficiência no processamento de glicose pelo organismo. A elevação da glicose no sangue provoca a baixa absorção da energia vital pelos tecidos. A energia vital caída é sinal de desequilíbrio nos chácras. Excesso de urina, muita sede, perda de peso, fadiga, fraqueza, apatia, má respiração podem ser sinais de diabete. Esses sinais também podem estar relacionados a outras deficiências. As complicações advindas dessas deficiências podem causar danos nos nervos dos olhos, na retina, nas veias, rins, circulação nas pernas e até gangrena. O Tipo-01 é o que tem o pâncreas “preguiçoso” gerando a dependência da insulina. A variação no nível de açúcar no sangue pode provocar oscilações entre hipoglicemia (estranhas sensações, comportamento anormais e risco de coma) e hiperglicemia (coma). O Tipo-01 geralmente aparece da adolescência aos 35 anos de idade. O Tipo-02 está mais ligado à maturidade, em torno dos 40, geralmente associado à obesidade ou gravidez. Este tipo pode ficar incubado por muito tempo antes de dá sinais de existência. Estatísticas apontam os homens caucasianos como os mais propícios a esses problemas. Alfafa, alho e cebola são considerados aliados no combate e na prevenção de diabete, mas precisam ser ingeridos diariamente. Suco de laranja com gengibre e brócolis são excelentes para levantar a imunidade.

“Doença de Addison” - Pouco divulgada porque é rara, a “Doença de Addison” apresenta-se como um desequilíbrio nas glândulas supra-renais devido à insuficiência de cortisol e aldosterona, hormônios responsáveis pela reação do corpo ao estresse e também pelo balanceamento do nível de água. Rins estão ligados à memória dos antepassados. A causa dessa desarmonia é inflamação seguida de atrofia da camada externa (córtex) das supra-renais. Parte do problema deve-se a uma anormal reação do sistema imunológico na qual ele trata o tecido da glândula como se esse fosse um corpo estranho. É considerado um fracasso do sistema imunológico porque ele volta-se contra si mesmo em processos infecciosos e/ou tuberculose. O tratamento para esse mal só apareceu em 1950. As principais manifestações aparecem em forma de fraqueza, fatiga, baixa pressão arterial, excesso de urina, perda da cor da pele. Na aromaterapia, óleos essenciais de gengibre e alecrim incentivam o bom funcionamento das supra-renais direita e esquerda.

Hipoglicemia - O baixo nível de glicose no sangue chama-se hipoglicemia. É extremamente perigosa porque o cérebro precisa ser alimentado constantemente de glicose. Há o perigo de overdose de insulina por quem não tem controle sobre essa desarmonia. Para quem não é diabético, a prática excessiva de exercícios físicos e a insuficiência de carboidratos pode levar à hipoglicemia. Sinais de desequilíbrio: dor-de-cabeça, pulso acelerado e com palpitações, confusão mental e perda de memória, suor, comportamento irracional, alargamento da língua de forma que as pessoas “engolem” palavras. Tem muito a ver com pessimismo, auto-boicotes, falta de vontade de viver.

A chamada hipoglicemia orgânica é conseqüência do mau funcionamento do pâncreas, supra-renais, pituitária, tireóide e glândulas sexuais. O alcoolismo é apontado como responsável pela hipoglicemia porque o álcool impede o fígado de produzir glicose. Câncer e outras disfunções no fígado também impedem a produção de glicose. Cebola, alho, semente de lótus e levedo de cerveja ajudam a nivelar a açúcar no sangue. No Floral de Bach, o Rescue é indicado para acalmar e amenizar o nível de abrangência das crises.

Obesidade e gota - A obesidade é o excessivo acúmulo de energia em forma de gordura e é assim categorizada quando o corpo expressa 20% a mais do peso normal. As principais causas são: excesso de caloria vinda da alimentação desregulada, baixa taxa de metabolismo, fatores genéticos, problemas emocionais, desequilíbrio da tireóide, consumo excessivo de açúcar — o principal veneno humano.

O processo pode se agravar para o desenvolvimento de outras disfunções como ataque cardíaco, pedra nos rins, artrite, hérnia e falta de fertilidade. Aumentam também as chances da pessoa sofre de hipertensão arterial etc. Mulheres obesas são mais propensas a desenvolver câncer nos ovários, no útero, e problemas de diabete depois dos 40. Homens podem desenvolver câncer no cólon e na próstata. É muito comum também problema nas juntas e nos joelhos que por sua vez podem desenvolver a gota.

Um bom copo de suco de uva puro tomado diariamente pode combater a obesidade porque diminui o apetite. Uma colher diária de pólen estimula o metabolismo do corpo e diminui o apetite. Jiló cru e batido no liquidificador com suco de laranja, sem açúcar, estabilizam os níveis naturais de açúcar e sal no corpo (o suco aí funciona como diminuidor do amargo do jiló). O obeso deve tomar muita água e comer muita fruta. Repolho cru é antiinflamatório e traz inúmeros benefícios. A obesidade está muito ligada a falta de auto-estima, o sentimento de rejeição, a falta de amor próprio, por si mesmo.

Banhar os pés com óleo essencial de pinho aumenta a circulação e alivia as dores causadas pela gota. É importante ter em mente que cada pessoa tem um corpo completamente diferente. O meu desequilíbrio no sistema endócrino pode ter um quadro completamente diferente do seu porque problemas neste sistema tem muito a ver com problemas espirituais individuais. Reiki associado a florais e cromoterapia restaura o equilíbrio. José Joacir dos Santos é Jornalista e mestre em Medicina Oriental E-mail: jjoacir@yahoo.com

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