A saúde do fígado é o termômetro das emoções

Por José Joacir dos Santos

Quando fui iniciado no Budismo, nos início dos anos 90, na Tailândia, rejeitei a idéia de meditar. Como esvaziar o cérebro e para quê? Muitas foram as tentativas fracassadas e aos poucos fui descobrindo que o cérebro foi feito para pensar, sem interrupção e isso funciona como uma torneira aberta dia e noite. Esvaziá-lo não era mesmo uma tarefa fácil, mas descobri que fazia sentido. Quando consegui isso tive uma enorme sensação de paz. Esse simples exercício produz resultados impressionantes. Você passa a controlar e a selecionar o que, quando e como pensar. Isso terá um enorme impacto em todos os seus órgãos interno na direção da saúde, especialmente o fígado. Aos poucos vai descobrir um outro passo mais que importante: visualizar.

É verdade que a gente é o que pensa e se isso é feito com imagens visuais os efeitos são profundos. Vá ao cinema e mantenha os olhos fechados o filme todo e depois discuta o filme com alguém que viu o filme. Você vai descobrir que o seu filme foi outro. Outro exemplo: alguém constrói no seu cérebro a idéia de que há dois caminhos depois da morte – céu e inferno. Aí você morre e vai contar os pecados que acha que tem. A conta dá desfavorável… Para onde você vai? Para aquela sua criação íntima de inferno, aquela que você visualizou a cada vez que sentiu no coração a pitada da maldade criativa. Não é toda pessoa que visualiza com facilidade mas quase todas pensam sem parar, dia e noite, e remoem os pensamentos como um carro descontrolado de ladeira a baixo. Esse remoer vira imagem.

A mente é tudo e precisa ser “domesticada” a nosso favor porque se a deixarmos solta ela vai… O cérebro é apenas uma parte do nosso corpo e temos que exercer controle sobre ele: direcioná-lo, exercitá-lo. Muita gente enche a cabeça de lixo sem saber que tudo fica em alguma parte da sua memória celular, à espera de maiores informações para se materializar no corpo físico. Não existe um pé de maçã quase abacate assim como não existe um pensamento positivo quase negativo. A natureza dividiu as coisas em polaridades e com isso temos que conviver. O que definiríamos como lixo? Tudo aquilo que não nos ajuda e evoluir, a compreender a dinâmica da vida e de trabalhar a favor do nosso processo angelical. No tempo de Jesus tínhamos que largar tudo e seguir o pastor. Hoje tendemos a seguir o consumismo.

Como já tivemos muitas vidas, o trabalho de em busca do equilíbrio depende das nossas ações mentais e físicas. A comunicação do mundo moderno é maravilhosa mas exerce forte pressão e é capaz de nos tornar insensíveis, alheios, perdidos, desligados, vazios ou cheios mentalmente do que não necessitamos e nos puxa para baixo. Por exemplo, o tum tum tum da música desestabiliza completamente o chácra básico tanto quanto o telefone celular desestabiliza os ouvidos, centro do equilíbrio emocional, se usado sem moderação e sem limites. O que isso tudo tem a ver com o fígado? O fígado está ligado ao cérebro pelo mais que poderoso Nervo Vago, o maestro dos líquidos vitais. É preciso reagir diante do jogo competitivo do mundo moderno que nos empurra para a ilusão do conforto, o ódio, a calúnia, o rancor, a amargura, o sofrimento, a maldade, a maledicência, a inveja, o egoísmo, a violência mental e emotiva, os abusos emocionais, o prejuízo ao próximo, e tentarmos ser anjos aqui e agora, aprendendo a conviver com o próximo, que não é uma figura fictícia – o próximo dos outros é você! O próximo é quem estar ao lado, na frente, na mente. Esse aprendizado passa necessariamente pelos processos mentais e depende exclusivamente de uma saúde física estável.

Os sentimentos negativos envenenam os pensamentos, desequilibram os corpos emocional, espiritual e material e se materializam em forma de doenças. Muitos de nós fixamos nossa mente em um momento difícil da vida, com uma pessoa desfavorável, e assim nos tornamos amargos e achamos que isso é Deus quem quer. Esse amargor fica rodando no cérebro como uma fita-cassete até se materializar em doenças de pele, alergias, câncer e uma infinidade de desequilíbrios psicossomáticos que muitas vezes a gente tem dificuldade de se livrar deles sem ajuda profissional. Quando o fígado está congestionado pode-se sentir um amargor na boca, um mau-humor insuportável isto é, um alarme do corpo pedindo ajuda. O cérebro é inteligente, obedece unicamente às nossas ordens e sabe onde arquivar tudo que lhe é enviado, com a melhor das intenções porque ele é fiel ao portador. A inteligência universal criou o corpo humano com um emaranhado de órgãos, coordenados pelo cérebro, formados de células e só há pouco tempo é que a ciência descobriu que uma célula reproduz todas as características do corpo através do DNA. Já pensou se tivessem criado esse arquivo nas pernas? O que aconteceria com uma pessoa que perdesse as pernas? José Fuzeira, revisor de Ramatis no livro “Mediunidade de Cura”, repete o que os tibetanos dizem há séculos e que os chineses reproduzem na Medicina Tradicional Chinesa: a emoção está ligada ao fígado. “Daí, pois, o fato de que as angústias, preocupações, aflições, frustrações, cólera, ciúme, inveja, inclusive os descontroles nervosos afetam a região hepática à altura do plexo solar ou abdominal”. As famosas dores na barriga que aparecem quando a gente está sob tensão emocional não são bem na barrida e sim no plexo solar, onde se encontram o fígado e a vesícula. As dores acontecem porque a vesícula se contrai, fica lenta e não produz os líquidos que deveria.

Os sentimentos negativos, espalhados na mais perfeita rede de comunicação comandada pelo cérebro, viram fluidos venenosos e com eles o fígado perde a força vibracional natural. Ele não foi criado para processar outros venenos como álcool, cocaína, maconha e comprimidos para dormir. Congestionado, a rede perfeita do corpo fica bloqueada e as demais funções físicas, emocionais, mentais e espirituais ficam comprometidas. Não é à-toa que pessoas viciadas passam a ter problemas sexuais, de administração da própria vida, de falta de concentração, de memória, etc. O uso prolongado de antibióticos e comprimidos para dormir fazem a pessoa perder o sono, ficar angustiada e deprimida. O fígado bombardeado, sem fôlego, não consegue processar tanto veneno. Os ataques espirituais são também efetuados pelo fígado. Se o fígado tem essa importância, e os outros órgãos? Não há, no universo, tudo faz sentido! A engenharia genética espacial é a mais afiada de todas as engenharias. Um cliente meu, de 20 anos, colocado de frente ao espelho não conseguiu se definir. Outro, de 26, sentado e de olhos fechados, não conseguiu visualizar o Sol. Ambos têm em comum uma história de judiação do fígado através de suplementos alimentares indicados por academias, aqueles que fazer inchar os músculos. No turbilhão da vida somos ensinados a valorizar inúmeras coisas inúteis, enquanto que deixamos de perceber outras simples como o significado dos sentidos corporais (ver, ouvir, respirar, sentir, pensar, comer, amar) e amadurecer com saúde. A maioria dos jovens acha que jamais envelhecerá e que o corpo é saco para qualquer pancada. Nem todos terão a chance de envelhecer com saúde para repintar a casa, olhar para as flores, sentir o dourado do Sol no frio da idade, o calor de um abraço após um inverno longo. A maioria esquece de uma ferramenta fundamental e usada sem muita propriedade: a inteligência. Na China cria-se cobra hoje em dia para fins alimentícios e medicinais enquanto que no Egito antigo criava-se cobra como arma militar – assassinatos e suicídios. É do veneno da cobra que se extrai vacinas. Na China as pessoas matam cobra criada no cativeiro como galinhas e comem o fígado cru, tido como ativador da imunidade geral do organismo humano. Para testar a importância do seu próprio fígado, encha a cara de bebida alcoólica e veja como fica o seu humor na manhã do dia seguinte. Há uma vasta literatura que pretende ensinar a meditar e a visualizar mas as vezes esses ensinamentos são longos e cheios de misticismo, quando deveriam ser apenas um treinamento simples para esvaziar a mente.

Como desfrutar disso tendo um fígado saudável? Assim: aproveite a hora do almoço e antes de comer pare por cinco minutos. O estômago cheio atrapalha porque os órgãos precisam se comunicar no processo digestivo. Retire os sapatos, feche os olhos e focalize a sua mente na imagem do mar, do sol, ou do céu azul ou em uma palavra, por exemplo, Jesus. Não deixe que nenhum outro pensamento ou imagem atrapalhe. Se preferir, imagine que você é um pé de bambu, oco, solto ao vento. Concentre-se no entrar e sair do ar do seu nariz. Observe a grandeza do instrumento que carrega o seu espírito eterno. Da terceira vez em diante tudo fica mais fácil. Quando abrir os olhos verifique a cor das coisas ao seu redor e não se surpreenda se sentir a visão melhor. O mais interessante no treinamento de esvaziar a mente é que o cérebro se educa a focalizar e a direcionar sua energia vital para aquilo que você desejar, sem se perder no emaranhado multidimensional das informações a que somos submetidos todos os dias. Passe a tomar um copo de chá de boldo por semana e seu fígado vai lhe agradecer bastante. O budismo ensina que a repetição é o grande segredo da materialização do que pensamos ou rezamos. Mas o budismo leva em consideração que você tem a consciência do templo que é seu corpo e do carinho que você tem por ele que é, afinal, o veículo do espírito. A repetição errada produz efeito contrário. Dê ouvido a suas orações, visualize o que você diz e reze, crie, e em pouco tempo toda a sua vida tomará um rumo sadio através da seleção das memórias que comporão sua luz eterna, angelical. Jesus nos diz que somos a imagem e semelhança de Deus. Então, construa essa imagem e semelhança, modifique o estabelecido, programado, herdado pelo sangue ou pelos pensamentos dos outros, sem venenos químicos ou mentais. Tome conta desse ser angelical que se esconde em máscaras falsas, sem bases sólidas, de um mundo material onde deveria existir apenas como apoio ao seu desenvolvimento espiritual. Lembre-se que tudo que você processar mentalmente vai direto ao seu fígado e você vai precisar dele para ter uma velhice sadia e feliz. Limpe a casa e dance. Cuide do seu fígado para que ele dance a dança das águas e dos fluidos que processa com a finalidade de enriquecer o seu espírito eterno em busca dele mesmo. Neste aspecto, ninguém é diferente, por mais que lhe queiram dizer para atrapalhar ou retardar a sua evolução. Se ainda assim acha que não é capaz, use a inteligência e procure ajuda. A inteligência não foi criada só para o uso intelectual porque um intelectual crítico, questionador, incrédulo é igual a um touro que se acha o rei do pasto sem perceber que o açougue o espera. Como vê, uma vez na terra precisamos de corpo sadio para poder liberar a mente como um lançador de foguetes que é o espírito.

Voltei ao passado para desfazer os laços de sangue

Embora a literatura a respeito de vidas passadas seja ampla e de fácil aquisição, na hora de espremer os limões pode confundir e despertar interesses variados. Quando trabalha-se com este assunto o leque de possibilidades se amplia.

Quando você conversa com alguém sobre isso logo a pessoa fica interessada em saber “o que eu fui”, e quase ninguém sabe que um indivíduo pode ter tido centenas de vidas e que terá muitas mais se não evoluir espiritualmente. Acessar essas informações gravadas no DNA espiritual nem sempre é bom.

Os anjos e santos não reencarnam porque não necessitam, mas nós aqui não temos nada de anjos ainda. Há surpresas, nem sempre positivas, nos reencontros com pessoas ligadas ao nosso passado espiritual. Mas o livre arbítrio anda conosco para o devido uso.

O exemplo pessoal que se segue pode servir de orientação e reflexão. Passei oito meses em Nairóbi, Quênia, Leste da África, por força do meu trabalho. Logo na chegada dá para vislumbrar o estágio de desenvolvimento da tão judiada África.

Uma colega me aguardava no aeroporto com a notícia de que não haviam feito reserva para mim em hotel algum porque só se faz a reserva para poucos dias, não para meses. De lá saímos para procurar um lugar onde pudesse me hospedar.

De três da tarde a oito da noite vagamos de pensão para pensão, de hotel para hotel, alguns lotados e outros sem condições de segurança. Por fim paramos em um hotel caro, onde pude dormir para no dia seguinte continuar a procura. Dois dias depois sai do hotel disposto a encontrar um lugar. Depois de três decepções, de longe gostei da um pequeno prédio onde alugavam apartamentos e, com as malas no carro da minha amiga, paramos para conversar com os donos. Assim que o portão se abriu eu fiquei tonto. Na minha cabeça uma sucessão de imagens foi projetada. Disfarcei bem e na medida em que a proprietária, imigrante indiana, mostrava um dos apartamentos vagos, passei a sentir a sensação de que estava com pessoas conhecidas espiritualmente. E estava!

Não gostei do apartamento e pedi para ver outro, se houvesse. A resposta foi positiva e quanto a senhora abriu a porta do apartamento eu senti uma espécie de raio luminoso e reconheci duas lamparinas sobre a mesa do centro da sala. Há muita queda de luz no Quênia e demora a voltar. Olhei para a mulher e via na minha mente um tapete com um desenho conhecido. Este apartamento tem um tapete no quarto? – perguntei. Tem, vamos ver? Ao chegar no quarto o tapete era o que via na minha mente e estampava um símbolo conhecido do budismo, o infinito. Novamente senti o raio de luz e ao olhar para a dona do apartamento fiquei diante de uma situação ocorrida em outra vida, onde fui assassinado juntamente com minha parceira, exatamente naquele lugar onde havia sido uma fazenda de imigrantes ingleses. Eu, africano, havia me apaixonado pela européia filha do patrão, o que era inconcebível. Fomos mortos e enterrados na beira do rio que passava ali próximo e esse assassinato nunca foi descoberto. Tem um rio aqui perto? Sim, tem, fica logo ali – respondeu a proprietária apontando por entre a janela.

Não perguntei mais nada e assinei o contrato. Onde há fumaça há fogo e onde há fogo há vida. As lamparinas e o tapete sinalizavam para mim que alguma coisa no meu ciclo de existências estava presente ali e era hora de ativar e desatar o nó. Nos próximos dias fui apresentado pela proprietária ao seu empregado encarregado da administração e para quem eu deveria dirigir todas as minhas necessidades como morador. Ao apertar a mão daquele senhor novamente tive as imagens na minha mente. Estava agora diante do mandante do assassinato. Não pude disfarçar muito minha emoção e, ao ser notado, respondi que ainda estava passando pelos efeitos do fuso-horário. Nos dias seguintes tive imagens claras de toda aquela vida na África e compreendi porque sempre me recusei a viajar para aquela parte do mundo e ao mesmo tempo temia o que pudesse vir nos próximos meses, convivendo diariamente com meus assassinos. Quem seria aquela que tanto amei e por ela morri? Será que nos encontraríamos? Como seria ela? Seria bom? Começaríamos tudo outra vez, já que ela poderia ser minha eterna alma gêmea? Dias depois voltei do trabalho de carona. A tarde estava linda. Era bom sentir o cheio das árvores e a umidade do rio. Entrei pelo portão principal, cumprimentei os seguranças e me dirigi ao pátio, onde havia uma escada que lavava ao meu apartamento. Neste pátio também existe um florido jardim e uma pequena piscina.

De repente, parei meus olhos em um rapaz indiano. Meu sangue subiu, tremi, fiquei assustado e ele também. Assustei? – perguntou. Não, eu só não esperava encontrar ninguém aqui e agora. O rapaz aproximou-se e se apresentou como filho do casal proprietário. Ao apertar a mão dele o meu coração também se apertou e pensei que iria passar mal. Disfarcei bem, pedi licença e subi as escadas sem olhar para trás. Estava ali “a minha companheira”, vestida de macacão aparando as árvores e colhendo flores! Enquanto tentava abrir a porta, as imagens do passado vivido com aquele viajante do tempo se sobrepunham umas às outras em minha mente. Entrei e sentei-me no sofá da sala estarrecido com a nitidez das imagens. A partir daquele dia passei a evitar, de todas as formas, aquele rapaz. Ao mesmo tempo passei a sonhar com ele todas as noites e a conversar mentalmente. Pedi ajuda espiritual e a resposta foi imediata: passei a ter acesso a outras vidas, outros lugares, outros tempos. Praticava Reiki, juntamente com florais do Himalaia, todos os dias para apressar a desprogramação daquela vida passada e sofrida. Instintivamente o rapaz também passou a me evitar, embora a mãe não perdesse uma oportunidade para me fazer perguntas sobre a minha vida atual, no Brasil, e a falar das habilidades intelectuais do filho. Satisfiz sua curiosidade e não fiquei surpreso quando ela me perguntou se eu tinha me assustado com o filho dela. Respondi que sim, mas justifiquei que achava ele parecido com uma pessoa que conhecia e por isso fiquei assustado com sua presença.

Os indianos acreditam na reencarnação e eu tinha certeza que eles suspeitavam de algo, mas jamais dei um passo nessa direção, por instinto. A única incursão que fiz foi através da empregada doméstica. Perguntei se o casal tinha muitos filhos e ela me deu a ficha: não, só um rapaz. É casado? Não, é solteiro e não tem namorada. É gay? Não, esse é um tabu para os africanos-indianos! Ela também disse que ele vive no mato, isolado, e quando volta para casa fica o tempo inteiro cuidando das plantas sem dá atenção a ninguém, como se a vida presente não lhe interessasse. Na véspera do jogo do Brasil na Copa do Mundo/2002 ele bateu na minha porta, perguntou se eu iria ver o jogo e me convidou para fazer parte de um grupo de pessoas, inclusive alemães, que iria ver o jogo. Agradeci, e fiquei nervoso pela maneira como ele me olhava, querendo mais conversa, enquanto segurava a porta esperando que ele fosse embora. Quando ele foi, sentei no sofá e chorei compulsivamente. Por que voltamos a nos encontrar ambos em pele de homem? No dia seguinte amanheci com febre, desanimado e não fui trabalhar por absoluta falta de forças.

O administrador bateu na porta para avisar que o táxi que eu havia contratado estava lá fora esperando, como era habitual. Disse-lhe que dispensasse e que estava com febre. Em minutos ele dispensou o táxi e voltou com remédios para febre. Muito solícito, perguntou se desejava encomendar comida já que não cozinhava porque comia em restaurante perto do trabalho. Concordei. Ele encomendou a comida por telefone e disse, em bom e sonoro inglês – a nossa língua comum: fulano, filho do proprietário, também está acamado, com febre. Depois de acompanha-lo até a porta, sentei-me na cama e rezei profundamente. Senti uma espécie de sono e deitei. De repente, materializou-se um homem em frente à cama, disse que não me preocupasse com nada, fosse com calma, resolvesse as pendências com o exercício do perdão e que, com relação à febre, ele iria colocar um remédio no meu corpo. Senti um perto no pé e adormeci. Acordei com o administrador chamando para almoçar. Tinha dormido uma hora e quarenta minutos, mais ou menos.

O administrador é casado mas não consegue ter filhos. Por que? Todas as vezes que ele me dava as costas eu repetia mentalmente: eu lhe perdôo! No dia do jogo do Brasil tive que arranjar algo para fazer e bem longe de casa. Lembrei de uma livraria que havia descoberto em um jornal e fui lá. Quênia é ex-colônia inglesa e as principais livrarias são cheias de livros em inglês, caros e raros, muitas vezes sem público. Fui direto a uma prateleira onde havia livros budistas e encontrei lá verdadeiras jóias. Daquele dia em diante virei freguês assíduo, lendo a uma velocidade que me surpreendia. Meu nível de compreensão estava aguçado. No final dos oito meses havia lido 102 livros. A leitura mudou meu padrão vibracional e talvez por isso o rapaz teve que viajar a serviço para costa do Oceano Índico, bem longe de mim. Será que eu estaria fugindo dos fatos ou teria que enfrentar e contar tudo que sentia? Valeria a pena acordar todos os sentimentos envolvidos em todos nós ali reunidos? Trazer de volta um passado triste? A resposta na minha cabeça era sempre não! Enquanto isso, o contato com espíritos aumentou.

Os mentores apareciam em sonhos, ao vivo e em cores e me davam verdadeiras aulas. As viagens astrais se intensificaram e todos os meus caminhos foram abertos, inclusive comecei a trabalhar, nas horas vagas, como terapeuta – o que não havia programado. Conheci terapeutas indianos, tibetanos e chineses. Eram impressionantes aqueles contatos, no meio da África, exatamente com culturas que não eram africanas e que me puxavam de volta aos ciclos orientais Para minha alegria, conheci uma mestra indiana ligada à fraternidade de Kuan Yin, que não sossegou enquanto até me iniciar. Uma nova amiga chinesa me surpreendeu com dois presentes de uma só vez: uma imagem de Kuan Yin, minha predileta (Deusa chinesa da Compaixão e do Perdão) e outra de Kuan Kun (protetor espiritual chinês). Imediatamente organizei um altar e passei a realizar orações e a recitar mantas, perdoando e desfazendo todos os laços que me prendiam a quem quer que estivesse envolvido com aquela vida passada e que por obra do destino estávamos reunidos ali. Torneiras abriam-se sozinhas e lâmpadas queimavam com freqüência. Eu não desistia, exercitei à exaustão os exercícios de perdão, em voz alta, junto com orações e mantras, dirigidos a todas as pessoas daquele lugar, uma por uma. Mudei a alimentação só para frutas, legumes e peixes. Nada de sexo nem de bebidas. Disciplina e oração.

Afinal, não é todo dia que a gente tem a oportunidade de apagar o passado sem dor. Ao final dos oito meses, quando minhas malas estavam na porta do apartamento esperando o motorista que me levaria até o aeroporto, um dos empregados entregou-me um pacote em nome do filho dos proprietários: cinco caules da árvore africana chamada “dama da noite”, que brota suas flores ao anoitecer. Lembrei que certa noite, ao chegar em casa, a árvore estava repleta de flores, inundando todo o pátio com seu maravilhoso cheiro. Larguei minha sacola no chão e comecei a tocar nas flores. Minutos depois o rapaz chegou, saudou-me, disse o nome da árvore e também que ela era comum naquela região africana. Não alimentei o diálogo. Segurei os caules até próximo ao aeroporto, pedi ao motorista que parasse e os devolvi à terra. Mentalmente dei por encerrado aquele ciclo de minhas vidas, agradecido pelas pessoas maravilhosas que conheci, pelos laços que desfiz e pelos 102 livros espiritualistas lidos, graças a Deus. Todas as vezes que olho para céu limpo e azul do Planalto Central eu me recordo que o passado é para ser deixada para trás, sempre. O futuro ainda não chegou. O que de real existe é o presente, aqui e agora, hoje. E eu tenho a minha vida em minhas mãos para realizar todas as transformações que desejar, com vontade e fé. jjoacir@yahoo.com

Está na hora da Medicina Preventiva e Holística

Cada vez mais a idéia de que somos formados de corpo, mente e espírito torna-se aceita nas mais diferentes camadas da sociedade, independentemente da crença de cada uma.

Não bastam os cuidados físicos: Se o lado emocional não for levado em conta, o físico desencadeia em uma série de problemas, que voltam em ciclos, sem cura.

Já aceitamos que somos parte de um todo universal, holístico, e rezar ou freqüentar um templo é tão essencial quanto as vitaminas complementares, o jogo de futebol aos domingos, a academia de danças ou passear com o animal de estimação.

As terapias naturais ou holísticas já não são exclusivas para um seleto público. Acupuntura, Reiki, Reflexologia, Shiatsu, Florais estão nas páginas dos jornais devido aos clientes famosos, na política, que recorrem a essas técnicas terapeutas chinesa e japonesa tão universais e brasileiras quanto as comidas trazidas pelos imigrantes japonesas, chinesas, italianas, portugueses etc.

Em contrapartida, a medicina evolui a uma velocidade nunca vista e ninguém mais volta ao consultório de um médico que nem olha no rosto do cliente e já receita os antibióticos indicados pelo laboratório com o qual tem “convênio”. Os bons médicos estão ligados no mar de informações da internet e nos estudos avançados à procura da cura para as mazelas humanas.

Estes sabem que lidam com pessoas e que elas têm emoções. Já existem os que aliam os conhecimentos científicos aos holísticos e esse casamento tende a ser a medicina universal de um futuro muito próximo. Muitos já estão espiritualmente evoluídos e sabem muito bem quando o cliente precisa ser atendido por um terapeuta holístico. Em contrapartida, os terapeutas holísticos estudar mais e conhecem os princípios básicos e fundamentais da medicina alopata. Não basta mais jogar as cartas de tarô. É preciso ter uma conduta ética e espiritual elevada, além de saber reconhecer quando o cliente precisa mesmo é de um médico. Grandes hospitais de países desenvolvidos já abriram suas portas para a atuação de terapeutas holísticos em trabalhos de parceria com os médicos.

As universidades engajam-se em pesquisas sobre as plantas medicinais brasileiras, tão cobiçadas por laboratórios estrangeiros. Em Brasília, o Hospital Anchieta sai na frente na pesquisa, fabricação e uso de remédios extraídos das ervas brasileiras vendidos a preços tupiniquins. Onde o resto do Brasil precisa urgentemente avançar? Os hospitais públicos, de um modo geral, precisam de atualização, reciclagem e de nova abordagem no trato da saúde, especialmente na educação para uma medicina preventiva, atuante, holística.

Os cursos na área de saúde precisam atualizar seus currículos. Todo brasileiro tem uma seleção de futebol formada na cabeça, dizem. Também é verdade que possuem uma lista de remédios na cabeça, que se materializa imediatamente diante da queixa da dor de alguém. Os laboratórios e farmácias — sem compromisso com a sociedade — ficam cada vez ricos graças a automedicação voluntária, descontrolada e perigosa do povo. Os hipocondríacos adoecem a cada minuto graças às contra-indicações de seus remédios preferidos e desnecessários. Ervas brasileiras roubadas da Amazônia com o auxílio de brasileiros e patentiadas no estrangeiro a cada minuto.

Laboratórios estrangeiros aparecem nos noticiários por corrupção. Se um laboratório pratica corrupção, o que mais é capaz de fazer com a saúde pública? Onde estamos falhando? O Brasil tem dado passos largos na área de saúde pública, de vacinas a remédios contra a Aids. Mas, precisamos avançar urgentemente no caminho que leva ao tratamento do ser humano de acordo com sua essência original e parar de evitar o espelho de nós mesmos. É preciso que o governo federal investigue, reconheça e legalize as inúmeras terapias holísticas amplamente praticadas no país. É preciso encarar de frente o princípio básico, o interesse comum do povo e unir a medicina alopática às ervas nativas brasileiras, incorporando as terapias holísticas complementares aos centros de saúde e hospitais, públicos e privados, como fez a China e a Índia, por exemplo.

Se o governo não percebe a clareza da luz é preciso que as entidades particulares tomem a iniciativa, trazendo para o debate desse projeto os planos de saúde, a previdência social, os governos distritais, estaduais e municipais. A medicina preventiva, aliada ao trato holístico do ser humano, é uma economia de tempo e dinheiro, além da mudança radical na qualidade de vida dos cidadãos. Essa elevação de padrão é o destino do povo brasileiro: tolerante, acolhedor, inteligente e extremamente espiritual. É um desafio grande e possível que certamente irá contrariar os interesses dos laboratórios estrangeiros, interessados, apenas, no boi gordo do mercado brasileiro. jjoacir@yahoo.com

A Mentira Rouba a Essência da Vida

Por José Joacir dos Santos

Ao longo dos séculos, a mentira tem sido usada nos mais diversos níveis sociais e com os mais variados fins. Na intenção de manipular a verdade dos fatos, mentirosa é aquela pessoa que não repete aquilo que escuta, dá uma versão diferente do fato ocorrido e traduz o que pensa em torno do assunto de acordo com a sua visão do mundo. Por causa da mentira, a vida de muitas pessoas e até de países já foi destroçada e aniquilada. Naturalmente que toda história tem dois lados, duas versões, duas partes envolvidas. O que freqüentemente acontece é que as pessoas não procuram saber da versão da outra parte envolvida, ignorando que o mentiroso sempre chega mais rápido e com intenções muito claras, unilaterais, como um veículo da maldade.

Na política, nas repartições e na família, a mentira corre solta. Se é difícil a gente fazer uma avaliação objetiva de nós mesmos, imagine alguém fazer o nosso perfil e apresentá-lo como verdadeiro! Se você é reservado e não dá atenção ao que falam, pode ser que a pessoa de que falam não seja você, embora menção ao seu nome seja feita como verdadeira. Existem chefes que ocupam cargos importantes, mas vivem atrelados a auxiliares manipuladores e mentirosos. Nas mudanças de cargo, característica da mudança de governo, especialmente nos setores mais politizados, essa prática é muito comum. O chefe que sai dá o “retrato” de quem fica para o novo chefe que assume, sempre de acordo com a sua visão do mundo e de si mesmo. Nessa passagem de imagem muita verdade é arranhada e muito talento é ignorado.

Isso não é muito diferente nas empresas privadas onde a competição é a arma do negócio. Cada um luta com as armas que tem! Boas ou não! Na família a manipulação pela mentira é o elo do desastre futuro entre pais e filhos. Uma criança, de determinada família, era o sexto filho e por isso pouco valorizado pela ocupada família comerciante. Sem mais nem menos, essa criança passou a “achar” dinheiro na rua e cada dia ela apresentava à mãe uma nota. A mãe elogiava e guardava o dinheiro. Essa parte do elogio era sempre seguida de um abraço e a criança adorava. A situação durou até que os irmãos descobrissem que o dinheiro achado era, na verdade, roubado do caixa do comércio da família. Evidentemente que a criança desmoronou emocionalmente com a reprovação de toda a família. Independente da vontade consciente dela, essa história foi processada por suas memórias e passou a fazer parte da sua vida. Na fase adulta, aquela criança manifestou forte dificuldade em lidar com o dinheiro e a prosperidade. Seus relacionamentos afetivos foram sempre um fracasso e jamais ela conseguiu ficar muito tempo em um emprego. Claro que há muitos aspectos não mencionados e não analisadas nesta história mas vale a pena observar aquela conexão com o dinheiro mentiroso. Quem disser que nunca mentiu pode olhar nas costas que tem assas de anjo. As crianças mentem com freqüência, especialmente se elas têm pais despreparados para a missão e que também manipulam as crianças com base na mentira. De um modo geral, a criança é muito verdadeira até os sete anos de idade. Se o ambiente familiar é sadio ela crescerá dessa forma. Se escolheu nascer em uma família desajustada então precisará ser muito forte para não seguir a linha familiar. Muitas vezes os problemas familiares nesta vida atrapalham o projeto espiritual arquitetado ao longo de muitas vidas. A criança aprende rápido a sobreviver e a copiar com exatidão tudo que vê nos adultos.

O que você acha que um filho que vê o pai bêbado ou drogado ou viciado em jogo, devedor, agressivo? É muito importante estar preparado para criar filhos. A instrução ajuda a evitar a repetição de erros antigos, repassados de pai para filho em nome da “tradição”. Essa história que “minha mãe ensinou assim”, “meu pai sempre fez assim” não serve para a geração seguinte porque cada geração tem necessidades diferentes. Os princípios básicos da educação e da bondade se adaptam com as gerações sem perder a essência. Cada geração nova traz essências novas. Delegar a professores a educação básica de filhos é o maior ato de irresponsabilidade de pais e responsáveis. Escolaridade não reproduz, necessariamente, a essência a bondade. Professores rígidos, infelizes e mal pagos são um desastre, tiram o encanto do estudo. Quem precisa mentir, por qualquer razão, especialmente aqueles que têm pais ou responsáveis traidores, viciados, violentos, irresponsáveis, devedores, carrascos ou atrelados a religiões conservadoras precisam fazer terapia. A mentira ensina que manipular é melhor do que encarar a vida real. Com base nisso a criança toma gosto e se vicia. Sem o discernimento, ela leva a mentira para todos os níveis de relacionamentos e cresce com isso.

O vício pode ganhar corpo na adolescência e daí para a eternidade. Para que me esforçar se é fácil mentir e conseguir o que quero? Esse pensamento torna-se real e a pessoa vê o mundo com uma espécie de óculos escuros que não faz diferença se é dia ou noite. Como as forças semelhantes se atraem, o mentiroso não demora a colher os frutos da sua habilidosa especialidade. Tudo que a gente pensa ou fala fica gravado em nossas células. O cérebro reproduz esse material e devolve com fidelidade. Com isso, a pessoa que mente gera em torno de si uma monstruosa aura. Estão nela as suas partes e o sofrimento das vítimas de suas mentiras. Imagine uma pessoa andando pelas ruas segurando nas mãos inúmeras bolas de soprar, aquelas das festas e aniversários. Cada bola representa uma forma-pensamento, isto é, uma imagem criada, uma mentira consolidada. Essas bolas passam a ser visíveis para espíritos que vibram na sombra como o farol de um carro na escuridão da noite. Muitos espíritos não-evoluídos e vingativos se utilizam desses faróis para implantar nos corpos sutis dos mentirosos os famosos “clichês mentais” contendo memórias do passado sombrio vivido por aquela pessoa, que passa a vibrar na memória negativa e dolorida do passado. Esses “chips” podem levar à loucura, ao suicídio, à criminalidade, aos vícios compulsivos. E esses desequilíbrios gastam muita energia vital. Tudo é possível e as leis espirituais são muito flexíveis em todos os aspectos. Quem nasce com uma tendência negativa pode ser corrigido por uma educação adequada e com a decisão de mudar.

Quem não teve pais sadios, corretos e amáveis não precisa repetir ao longo da vida essa mesma forma deficitária. Pau que nasce torto tem jeito sim! Como pulsa dentro dele a vida, é só uma questão de querer mudar o curso do caule. Não há desculpas. Querer se vingar do mundo porque nasceu em uma família desajustada, por ter sido rejeitado, por ter sido largado para a adoção, faz de você uma pessoa menor, amarga. Ao contrário do que se pensa, quando alguém decide nascer nessas condições é porque tem capacidade de dar uma reviravolta, de refazer o percurso da vida eterna e se erguer para a plenitude do amor e da luz. O vício da mentira pode ser corrigido a qualquer momento, por vontade própria ou por auxílio terapêutico porque ela faz parte das fragilidades da alma. A perversidade da mentira é um fleche de ausência de luz. Será difícil mudar hábitos inferiores? Joana de Angelis fala através de Divaldo Franco e diz: basta que você comece a praticar “hábitos saudáveis, sem pieguismo nem autocompaixão”. Hábitos saudáveis começam com o pensamento. Você pode controlar tudo o que pensa de forma a direcionar o seu cérebro para as coisas boas e positivas da vida. Essa prática pode modificar a sua vida em 360 graus. Na medida em que você se equilibra, a harmonia dos seus pensamentos faz você ouvir e a repetir as palavras como elas realmente são ditas, passa a ver tudo como realmente é e não mais dá a sua versão e interpretação das coisas ao seu modo. Desta forma, aquelas bolas de aniversário que não eram realmente suas passarão a se despregar por falta de sintonia.

As forças da escuridão ficarão incomodadas. Claro que no início não é fácil. Nesta vida o que é fácil demais não tem sabor algum. Aí entra a determinação de mudar, de reintegrar a personalidade, de direcionar a própria vida sem prejudicar ninguém. É muito prazeroso conquistar a vida com o próprio suor do rosto. Essa força de vontade é compreendida pela espiritualidade que lhe empurra para a auto-realização e correção de pendências deixadas para trás em muitas e incontáveis vidas. Somos todos passageiros do tempo, viajantes eternos, seres espirituais, separados entre os mundos por redes parecidas com aquelas das quadras de tênis. A verdade é libertadora, em todas as suas formas. Quem sintoniza a verdade não grita, não faz barulho e atrai proteção espiritual. Para os casos crônicos dos chamados mentirosos inveterados não há outra saída a não ser a terapia. Reiki altera e positiva a vibração e o padrão energéticos dos corpos físicos e etéreos. Um terapeuta floral poderá sugerir que você comece com a organização mental sutil através dos seguintes florais de Saint Germain: Patiens, Thea, Gloxínea, Allium, São Miguel e Abricó. Mas se a mentira maior são os desequilíbrios que você inventa, então: Melissa, Allium, São Miguel e Cidreira. Se há o sentimento de negação por você mesmo: Gloxínia, Unitatum, Melissa, Aloe, Embaúba, Allium e São Miguel. Para largar a mentira: Flor Branca e Laurus Nobilis. Para abandonar qualquer vício: Saint Germain, Allium, São Miguel, Cidreira, Curculigum, Laurus Nobilis, Mangífera, Arnica Silvestre. Essas fórmulas são sugeridas por Neide Margonare, a sintonizadora e produtora dos florais de Saint Germain, para serem administradas por um terapeuta floral. (*) José Joacir dos Santos é Jornalista (jjoacir@yahoo.com)

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