Ataque energético não tem hora marcada
25/07/2008 at 18:50 (Xamanismo)
Há um ditado popular que sempre recorro quando quero aprender alguma coisa, ou quando tenho um cliente difícil na minha frente: há muito mais coisas no espaço entre o Céu e a Terra do que aviões de carreira! Tanto na psicoterapia quando nos trabalhos energéticos, é preciso considerar a máxima de que tudo é possível. A gente se surpreende como o conhecimento, por mais que seja, é pouco. Como não separo a psicologia da espiritualidade, diminuo assim o tempo de trabalho com os casos e, assim como os antigos pesquisadores, uso a mim mesmo como laboratório quando é necessário.
Quando vivia em Pequim, aproveitava cada mínima manifestação física ou energética para empurrar meus professores, no sentido de pressionar pelo aprendizado, e quase sempre quem era empurrado era eu mesmo. Certa vez voltei a um deles e me queixei de dor-de-cabeça, uma raridade na minha vida normal. O professor, uma dos mais capacitados médicos orientais de um grande hospital da cidade, respondeu: a sua dor-de-cabeça é porque faz três dias que o tempo está nublado. Fazia muito sentido, ele me conhecia bem e os seus 35 anos de profissão valiam alguma coisa. Entre as minhas características físicas havia a intolerância ao frio e a tempos nublados, assim como tem gente que sofre de enxaqueta no verão ou em falta de humidade. A mais recente experiência ocorreu dias atrás. Comi um delicioso prato de ostras frescas. No dia seguinte, ao responder perguntas de uma aluna, recebi, para minha surpresa, um avalanche de agressividade dela, que ainda é jovem e lhe falta a experiência da idade, embora tenha bastante conhecimento para a sua idade. A teoria sem a experiência não é ciência, não é verdade? Pois, aquela aluna é uma excelente médium, mas só tem 20 anos, isto é, sequer atingiu o ciclo oficial da adolescência e o seu histórico emocional ainda não está formado. Como estudante de terapias energéticas, ela ainda comete o erro de lembrar que energia nào pensa, executa, independente da polaridade em que você está. Um terapeuta energético é vítima fácil de magia negra e pode ter seu corpo invadido e o seu espírito usado para trabalhos de magia sem a sua vontade – em um milésino de segundo. Baixou a guarda, tudo é possível. Quando a gente desliga um aparelho eletrodoméstico e deixa a tomada ligada na parece, a energia acumulada volta para os fios da rua. Em terapias energéticas é a mesma coisa e isso ocorre todos os dias. Parou de vigiar, tudo é possível. As forças do lado sem luz esperam milénios pela oportundade para vivenciar seus truques e armadilhas. Como a natureza delas é ligada à maldade, como um rebelde sem causa, não há ética alguma. Um médium bondoso pode ser utilizado a qualquer instante e até aprisionado pelo outro lado da força, se continuar a abrir guardas e a experimentar a dualidade do trabalho, isto é, trabalhar com os dois lados da força. Ele abre uma brecha e a grande torneira da maldade é aberta. Quem estiver na fila desaba como uma avalanche inundando quem estiver ligado energeticamente ao médium. Isso implica em muitas coisas e é por isso que a Comunhão Espírita recomenda que os tratamentos sejam feitos em lugares adequados com pessoas experientes. Budistas e xamãs também concordam. Esta é a razão pela qual o nosso consultório tem que ser só consultório, para que as energias trabalhadas sejam canalizadas no ambiente próprio. Pela mesma razão, inúmeros médiuns já morreram antes do tempo.
A avalanche de agressividade da minha aluna se materializou e meu estômago parou. Dor-de-cabeça, zumbido no ouvido, irritação e cansaço vieram em seguida. Imediatamente fui pesquisar ostras na minha lista de recomendações vi que não se pode comê-las nos meses que não tem “R”, como Julho. O ambiente e a comida imprópria para o meu ser baixaram a minha imunidade física, que deixou brechas na imunidade espiritual. Por que as outras pessoas que comeram as das mesmas ostras não tiveram nada? Iniciei o tratamento físico mas logo percebi que havia algo mais. Como é importante uma segunda opinião, uma amiga vidente olhou e viu que havia uma nuvem de magia negra envolvendo o meu estômago e descreveu quem havia enviado. Com a descrição veio minha surpresa. Aquela pessoa jamais mandaria magia negra para mim conscientemente, mas minha amiga nem sabia que aquela pessoa existia. Juntamos as informações e o quadro ficou claro: a baixa da minha imunidade se juntou à raiva exarcebada da minha aluna contra mim, por um assunto em que ela queria manter o ponto de vista dela sem experiência vivida. Na verdade, ela estava induzida a cometar condutas não compatíveis, talvez já por influências externas e ocultas, com projetos secretos que só a fonte sabe. Quando eu me opus a suas idéias, a coisa pegou. O que será que eu atrapalhei me opondo às idéias dela? Onde será que meu ser se fez conectar com aquela energia, consciente ou não? Ela perdeu o controle e foi usada pelo outro lado da força. Não só eu fui afetado, com toda a hierarquia dela pra cima e pra baixo, assim como ela adoeceu também do estômago, com os mesmos sintomas que eu. Aí você pode perguntar, por que você é tão frágil? E eu respondo: não foi isso, simplesmente eu nunca montei guarda contra uma aluna tão querida, mesmo sabendo que, em termos espirituais, ninguém está a salvo nem de ataques das pessoas mais queridas. Lembra que os inimigos podem estar debaixo do mesmo teto? A disciplina de quem trabalha com energia ou quem tem mediunidade de média para cima tem que estar em primeiro lugar. O reikiano, por exemplo, tem que dá adeus aos tempos da irresponsabilidade, onde a gente se permitia chamar palavrões, entrar nas coisas por curiosidade, comer qualquer coisa, ter raiva e deixar ela fluir sem controle. Esse tempo tem que ficar para tras, pra sempre. Se você pegar os cabos elétricos dos seus eletrodomésticos vai ver que com o tempo eles vão ficando duros ou moles demais, gastando mais energia até queimar o aparelho ou parar de funcionar. Aquela geladeira de mais de dez anos também passa pelo mesmo processo. Nós, humanos, a velocidade em que isso ocorre é mil vezes mais rápida do que qualquer eletrodoméstico. Não há como você se achar o bom, o sábio, o superconectado com a espiritualidade e o trabalho energético sem ter que se privar de certos comportamentos e reações emocionais porque há muito mais coisas entre o Céu e a Terra do que aviões de carreira.
Alertada, a minha aluna passou a trabalhar com a energia do amor e da intenção de cura e confessou que, entre outras coisas da sua vida, o namoro de muitos anos quase acabou, isto é, até o namorado dela foi afetado. Pelo mesmo fio elétrico da rua passa a eletricidade que alimenta nossos eletrodomésticos e aquela que pode matar uma pessoa de um choque. Então, quanto maior é o dom da cura e da mediunidade, mais a responsabilidade porque energia é energia em qualquer forma de manifestação. No Nordeste, há um ditado assim: quem não pode com o pote não coloca a rodilha. Eu diria assim: quanto maior o pote mais reforçada tem que ser a rodilha. Não dá para você hoje dizer que vai carregar o pote mas não vai levar a rodilha porque não gosta mais dela, ou porque discorda que é preciso utilizar uma rodilha para apoiar o pote na cabeça – como os seus pais diziam. É claro que terapeutas têm o direito de ter raiva — não levem para o assunto para outro lado. O que a gente não pode é deixar de trabalhar a raiva e insistir em substitui-la pela compaixão, pelo amor incondicional, reagindo no mesmo instante da raiva com os rituais do perdão, mandando amor para as pessoas envolvidas, mesmo que seja um inimigo. Sim, Ramatis está certo mais uma vez: a nossa vocação é sermos anjos do bem, todos os dias, aconteça o que acontecer. José Joacir dos Santos

