A simbologia dos pássaros e a Rainha Mãe do Oeste

dou-mu.jpgblue-bird.jpgNuma linda tarde de primavera, em Brasília, fui chamado a atenção por Isis e Quasar, meus dois gatos. Eles me olharam e correram para a janela da sala. Ao chegar até a janela, havia sete pássaros azuis voando em ciclo, bem próximo à janela. Nós três ficamos parados olhando aquele belo espetáculo, cuja mensagem só fui entender dias depois: algo muito forte e transformativo iria acontecer em minha vida. Os pássaros assinalavam que era forte, mas que deveria ser mais forte ainda para superar os acontecimentos. Outra vez estava tendo meu tarô sendo traçado por uma taróloga paulista e um pássaro se jogou pela janela quase quebrando o vidro. A mensagem era simples: saia correndo dai, não escute mais nada. E eu sai. Muitas e muitas vezes os pássaros interferiram em momentos da minha vida sem que eu soubesse ser a mando da Rainha Mãe do Oeste. Eles devem fazer isso com muita gente, que sequer presta atenção. Meus gatos foram educados a conviver com pássaros que apareciam na janela, inclusive beija-flores que vinham tomar água com mel, e a pensar que eram seres iguais a eles. Não se deve prender pássaros, de espécie alguma, porque eles fazem parte da transcedência. A Rainha Mãe do Oeste também manda avisos através de animais, terrestres e marítimos, como recentemente aconteceu em San Francisco, estado norte-americano da California: um antigo ponto turístico da cidade era marcado pela presença de centenas de leões-marinhos há décadas. Dia 29 de dezembro de 2009, os animais sumiram e não voltaram ainda. Isso nunca havia acontecido antes. O que será? Para os budistas, se você quer comprar Karma positivo e salvar almas, solte todos os pássaros presos em gaiolas.

Textos antigos, escritos por taoistas em séculos antes de Cristo, descrevem essa relação dos pássaros como mensageiros da Rainha Mãe do Oeste. Em imagens de Kuan Yin pintadas em cavernas na Ásia há sempre três pássaros azuis perto dela. Em imagens portugueses de Nossa Senhora de Fátima aparecem três pássaros.  Todas as histórias de aparição e interferência na Terra por parte da Rainha Mãe do Oeste, também conhecida por Dou Mu ou Mynah, “aquela que é anterior a formação da terra”, há sempre o registro de três pássaros azuis. Eles simbolizam a comunicação além das barreiras do tempo, do espaço e do entendimento humano, como xamãs que transcendem e fazem viagens astrais. A pesquisadora Suzanne Kalil diz que eles seriam a ligação “entre humanos e os mundos divinos, entre a vida e a morte, entre a nobreza e o resto da humanidade, entre amantes separados” sem a vontade própria, entre devotos e santos. O monge taoísta Chuan Tang Shih, escreveu, no ano 3246 Antes de Cristo:

“Vermos um ao outro é difícil; partir também é difícil. O vento do Leste não tem força; mesmo cem flores secam. Casulos de seda da privamera estão prestes a morrer, assim como a vela de cera desmancha-se como cinzas e as nuvens formam templos que o vento também leva. Canto poemas à noite em resposta a meus sentimentos, mas a Lua se mostra distante e fria pela janela. Não há muitos caminhos daqui para o Monte Peng-lai… Oh, pássaros azuis, por favor, olhem ela por mim”.

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