A Musicoterapia Tibetana
12/11/2006 at 00:00 (Musicoterapia Oriental)
Por José Joacir dos Santos
Há um longínquo país invadido e ocupado pela China no Himalaia, o pico do mundo, chamado Tibete. São milênios de histórias e o que mais impressiona é a manutenção de uma cultura extremamente interligada com as forças cósmicas do universo, que não é do interesse do partido comunista chinês porque está ligado à intelectualidade, ao pensamento, à busca da evolução do ser humano.
Ao invadir e ocupar o Tibete, os chineses comunistas imaginaram que abafariam para sempre um povo pacífico, dedicado à família e ao estudo. A fuga do líder político e espiritual conhecido como Dalai Lama, para não se render ao opressor e para manter a cultura tibetana viva, trouxe para todos nós os conhecimentos milenares ricos em sabedoria, antes mantido em segredo pelo povo tibetano. Na verdade, sem a invasão chinesa dificilmente teríamos hoje o budismo e toda sua milenar sabedoria tão perto de todos nós — apesar dos milhares de tibetanos que perderam as suas vidas por isso. Os tibetanos passaram finalmente a ouvir seus mentores espirituais e adotaram como regra a abertura de tudo o que representa sua cultura para que o mundo a conheça e pratique. A filosofia budista, mesclada de psicologia, se espalha, hoje, pelo mundo, em inúmeras línguas. As escolas se multiplicam, o conhecimento chega às bancas de jornais.
A música é parte fundamental de todos os rituais tibetanos, lembrando que o budismo é o elemento de ligação daquele povo e de sua maneira de viver, mas tudo isso já existia antes da chegada do Budismo, vindo da Índia. Extremamente detalhado, o povo tibetano não faz separação alguma entre os seres vivos, nem entre o corpo, a mente, a emoção e o espírito. São respeitados todos os movimentos e sinais do Universo.
Tudo na Terra pulsa e tem vida. Estudos recentes feitos por ocidentais com a orientação de mestres tibetanos apontam para a importância da música como fonte de inspiração e equilíbrio. Tudo o que se fala ou se pensa três vezes se materializa no etéreo.
O pensamento pode ser usado para a construção ou para a destruição porque a mente só executa comandos que se materializam no mundo físico — no corpo físico, que chamamos de psicossomática.
Tudo é som. O som se manifesta em forma de ondas. As ondas sonoras geram correntes de luz colorida, as sete cores do arco-íris multiplicadas. Todo o corpo humano é colorido e tem pontos energéticos que vibram em cor (os chácras). Cada órgão tem sua vibração própria, seu som. Cada chácra se movimenta em forma espiral colorida e está conectado com os 14 meridianos principais e os sete corpos.
O corpo humano tem milhares de pontos energéticos que chamamos chácras, em simetria com as polaridades Yin e Yang, chamados de Rios do Chi. O som é um fenômeno físico e a percepção desse fenômeno toma lugar de acordo com princípios que podem ser explicados em termos físicos e biológicos, afirma a musicotepeuta norte-americana Eva Rudy Jansen em seu livro “Singing Bows”. Há pouca literatura sobre este assunto no Ocidente porque muita coisa ainda é guardada em segredo pelos tibetanos e também porque há poucos ocidentais que investem no estudo do assunto, o qual requer gastos altíssimos com viagens para o Oriente, como eu. Uma habilidade é fundamental nessa arte: intuição. Qual é a diferença entre a Musicoterapia Oriental e a Ocidental? Tudo é diferente. Desde a terapia proprieamente dita aos instrumentos, especialmente porque a Musicoterapia Ocidental, essa das faculdades, copia a medicina que mede, pesa, conta e olha para o ser humano como se fosse um carro, onde se troca as peças quebradas. A Medicina Oriental começa lidando com a espiritualidade da pessoa submetida ao tratamento, para ir nas dificuldades emocionais, mentais, arquétipa, de relação com a vida real.


