A Influência dos Chás, do Estilo de Vida e da Alimentação
11/11/2006 at 17:31 (Musicoterapia Oriental)

Somos parte integrantes do universo e essa ligação nos afeta dentro e fora, no corpo, na mente, na emoção e no espírito. A leitura das minhas duas monografias em fitoterapia e Psicossomática ajuda a compreender essa relação. Influenciamos e somos influenciados por tudo. Estamos todos conectados, corretamente ou não, e a escolha é nossa. Ao se retirar um cristal da terra para quebrá-lo e vendê-lo como bijuterias, ou ao derrubar uma árvore centenária da Mata Atlântica ou da Amazônia, estamos afetando o equilíbrio da Terra.
Digo a meus amigos ocidentais que ser chinês é um estilo de vida porque o cidadão chinês (e asiático em geral) aprende desde criança que deve estar integrado com todas as forças da natureza e respeitá-las. Isso já faz parte do inconsciente coletivo asiático e não regime militar que interfira, a não ser que corte os recursos naturais do acesso popular.
O Budismo é um bom exemplo do que é ser um estilo de vida e não uma religião porque todas as suas práticas apontam para a integração com o Universo. A alimentação baseada em peixe, carnes brancas, vegetais em abundância, frutas e chá de ervas torna os asiáticos mais saudáveis, leves e de vida longa.
Os exercícios físicos são um complemento fundamental. Acrescente-se ao fato de que um indivíduo toma no mínimo cinco copos de chá de diferentes ervas por dia e muitos deles só comem frutas e arroz porque a condição social não deixa que ele coma carne (felizmente). A carne vermelha, de boi, é rara no Oriente, inclusive por implicações religiosas de respeito a todos os animais.
O regime comunista mudou muitos hábitos na sociedade chinesa, mas o estilo de vida apenas se adaptou a tempos complicados e difíceis. No Japão, os hábitos saudáveis ligados ao holístimo são responsáveis pela saúde e desenvolvimento do seu povo.
A religião foi proibida na China Comunista, mas os exercícios vindos das artes marciais e por sua vez dos templos budistas tornaram-se mais do que nunca uma forma de entrar em contado com a força cósmica de Deus. Destruíram templos, mas não a fé e a força interior, embora as novas gerações depois de 1948 são pobres espiritualmente e perderam muitos dos caminhos da ascenstralidade. Esse contato parece ser de fundamental importância para o equilíbrio individual. No meu primeiro ano em Pequim tive muita gripe e reações diversas do meu corpo às quatro estações e principalmente ao inverno pesado, poluído, de 15 graus abaixo de zero, durante seis meses. Observei que os medicamentos à base de ervas não funcionavam imediatamente comigo. Achava que as doses eram poucas e que os remédios não eram bons.
Corria para as farmácias e médicos de Hong Kong e comprava antibióticos e vitamina C. Levei o problema para o Dr. Chen, do Hospital para Estrangeiros de Pequim, e iniciamos um debate a respeito. Ele reagiu inicialmente assim: “você tem um corpo ocidental, alimentado com comida e costumes ocidentais, acostumado com a sintonia dos remédios ocidentais, químicos, fortes, cheios de contra-indicações — que sevem para uma coisa, atrapalha outras, e vira uma bola de neve de pouca saúde.
Agora você está na China e talvez seja esse o problema”. Havia o fator climático, entre outros, a ser adicionado na minha condição de saúde. De acordo com o Fitoterapeuta e Acupunturista Giovanni Maciocia, autor do livro “Os fundamentos da Medicina Chinesa”, “a medicina chinesa enfatiza o equilíbrio como uma questão chave da saúde: o equilíbrio entre o repouso e os exercícios, na dieta, nas atividades sexuais e climáticas. Qualquer desarmonia contínua pode se tornar uma causa patológica”.

