A cobra no caminho dos Dez Mil Budas

ten-thousands1.jpgten-thousands.jpgUma amiga convidou para visitar o Templo dos Dez Mil Budas, no interior da California e não pensei duas vezes, aceitei. Ela já estava perto do lugar e eu teria que dirigir por uma hora e meia para ir ao encontro dela e juntos irmos ao templo. Não dou um passo nos Estados Unidos sem um aparelho de GPS, desses que guia o motorista até o local de destino. Ela me deu o nome das cidades e povoados que deveria passar até chegar em certo ponto onde dobraria. Segui todas as instruções do GPS e fui riscando as cidades e povoados que passava. A certa altura, o GPS mandou entrar à direita. Olhei na lista e ainda faltavam dois povoados. E agora? Seguir o GPS ou voltar para o caminho indicado por minha amiga? Notei que a entrada era bem estreita e só tinha fazendas e chácras dos lados. Olhei no mapa do GPS e ele apontava para ir em frente. Sabia que o caminho poderia não ser o certo porque já me perdi uma vez no estado de Massachussets seguindo o mesmo GPS. Mas o dia estava lindo, com sol, que é uma raridade, um cheiro maravilhoso das plantações e eu disse a mim mesmo, não tem nada, estou perdido mas feliz. A estradinha ficou reta e de longe vi que vinha uma pessoa de bicicleta e dei sinal de luz para ela porque além da estrada ser estreita demais, só para um carro, eu queria perguntar se estava na direção certa do Templo dos Dez Mil Budas. Assim que dei sinal de luz, a pessoa parou. Segui também parando. Ao parar, o senhor que dirigia a bicicleta disse: muito obrigado, não sei como lhe agradecer. Como o senhor viu a cobra?  Cobra? Sim, a cobra, só deu tempo obedecer ao seu sinal de luz senão ela poderia ter me atacado! Muito obrigado! Abri a porta do carro e deu ainda para ver a cobra parada do lado da estrada, em posição de ataque. Ela estava no meio da pista quando o senhor deu o sinal de luz, e eu não tinha visto! O homem não parava de agradecer. Eu nem tinha visto a cobra na distância em que dei o sinal. Sim, era uma cobra grande e grossa, nativa. O homem não parava de falar e dizer que andava sempre de bicicleta naquela região mas temia as cobras. Em certo momento eu pude perguntar sobre o caminho do templo. Ele olhou profundamente para mim e disse: tinha que ser alguém como o senhor! Fiquei sem jeito de falar, e esperei ele me dizer que eu estava a poucas milhas do templo. Nos despedimos. Segui o caminho e quando o GPS mandou que virasse à esquerda, lá estava o Templo dos Dez Mil Budas. As primeiras cinco estátuas, logo na entrada do templo, são de Kuan Yin, cada uma em uma posição diferente. As mais lindas e de tamanho natural que já vi. Em bronze. Quando vi a Kuan Yin logo me lembrei do incidente da cobra, de ter errado o caminho para evitar que aquele homem fosse atacado pela cobra. Essa é uma situação típica da Amada Mestra. A gente só precisa obedecer sem exitar, confiar e se colocar a serviço. Ela vigia noite e dia as pessoas boas e inocentes, mesmo aquelas que nunca houviram falar dela. Não sei a história daquele homem mas algum merecimento ele tem, com certeza. Eu fui apenas o instrumento de execução, o mais próximo. 

As paredes do tempo são construidas com miniaturas de estátuas de dez mil budas e abriga no centro do altar uma enorme imagem de Kuan Yin mil braços e mil olhos — que tudo vê.

Topo | Página Inicial