Por: José Joacir dos Santos
Os principais jornais da India de 19/06/2011 questionam a santidade do famoso Guru Sai Baba, que faleceu recentemente. Depois dos inúmeros imóveis registrados em seu nome, foi encontrado um quarto na sua residência principal com 12 milhões de Rupias, 100 kg de ouro, 307 kg de prata, entre outros objetos de valor. Até agora não foi encontrado nenhum testamento, mas devotos próximos a ele estariam “administrando” a fortuna, que veio à tona agora. O que os indianos questionam é porque um homem considerado santo recebia tanto dinheiro, ouro e prata dos seus devotos se ele sabia que muitos deles estavam doando tudo o que tinham na vida. Por que ele simplesmente não rejeitava as doações de pessoas desesperadas que ainda acreditam na troca de favores espirituais por dinheiro? Os jornais também falam de fortunas em moeda estrangeira, de doações vindas do exterior e contas fantasmas nos bancos. Citam caso de um avião cheio de “devotos” vindo de Cingapura, onde cada um pagou uma fortuna para ter audiência especial com o Guru. Há muita denúncia nos jornais. Em um país onde a pobreza é extrema, o analfabetismo atinge 40% da população, o que se pergunta é por que o Guru não utilizou sua fortuna para investir na educação, na caridade, na ajuda aos pobres e desvalidos, hospitais (os hospitais públicos são de fazer dó) ou aos seus próprios devotos, a grande maioria pobre ao extremo. Infelizmente, essa história se repete com muitos dos homens endeusados na India.
18/06/2011 ·
15:10 ·
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Por: José Joacir dos Santos




Quando ouvi falar de Katmandu, Nepal, há anos atrás, pensei firmemente que um dia visitaria, especialmente por se tratar de um refúgio para milhares de tibetanos. O Nepal de hoje está em decadência econômica e política, mas os tibetanos, exilados, dão um toque de beleza e força de um povo esforçado e trabalhador. O Nepal passa a imagem de que o país é um santuário budista, sem ser. A maioria dos nepaleses é da religião Hindu e estão fortemente ligados à India Hindu, que é bem diferente do budismo.
Não foi a noite barulhenta dos bares cheios de estrangeiros ocidentais malucos e libertinos que procurei. Foi o dia, as lojas tibetanas, cafés, restaurantes, lojas de tapetes, artigos religiosos e livrarias. A idéia não era comprar, era ver e registrar um “novo Tibete” livre e exilado, mantendo suas tradições ricas, cheias de fé, com o pé no estangeiro e a mente no sagrado Tibete invadido. Esse lugar é como se fosse um bairro de Katmandu. A língua tibetana se mistura com a nepalesa e um infinito de outras línguas trazidas pelos turistas do mundo inteiro. Essa é a maior fonte de renda hoje. O cheiro de incenso, das comidas, dos perfumes dos tibetanos mantém as tradições budistas e ascenstrais, que movimentam um mercado internacional sempre crescente de artigos budistas e criam uma atmosfera que lhe transporta para o Tibete do passado. No início, o Nepal deve ter se incomodando com tantos exilados mas hoje eles agradecem porque é graças a essa gente que o fluxo de turistas continua trazendo recursos para o país.
Caminhei por todas as ruas e vielas, entrei em todos os templos, toquei em tudo o que pude tocar e me emocionei ao lançar meus olhos sobre os olhos do Buda do Futuro. Era quase uma da tarde, cansado e com fome, mas esse encontro de olhos parecia orquestrado. Um coro de crianças budistas começou a contar em um templo do complexo de casas, lojas e a grande estufa do Buda do Futuro. Ali ninguém me olhou como estrangeiro. Perguntei a mim mesmo: quem sou eu?
Nas conversas com vendedores tibetanos, você escuta: “compre isso porque no próximo ano não existirá mais…”; “Os chineses estão destruindo tudo no Tibete”. E não era conversa de vendedor porque eu olhei nos olhos deles e vi as lágrimas se formarem. Uma simpática garçonete se assustou com uma frase minha em mandarim e respondeu sem prestanejar. Depois, olhou bem nos meus olhos querendo saber como eu sabia falar aquela língua. Foi minha vez de perguntar: como uma tibetana fala chinês? Ela passou o pano que estava nas mãos lentamente sobre a minha mesa, olhou nos meus olhos e disse: só assim eu estou viva e aqui… Esse costume de olhar dentro dos olhos é um costume antigo tibetano. Eles acreditam, também, que os olhos refletem a alma ou o espírito.
12/06/2011 ·
11:15 ·
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Por: José Joacir dos Santos
Sábado pela manhã. Cidadãos fazem oferendas e orações para deuses desconhecidos no Ocidente mas que para eles estão lá há milênios. Não sei qual é a divindade, mas observei que as oferendas são feitas por homens e meninos. A estátua fica na parte antiga de Katmandu, um lugar que nos leva a outros tempos, talvez a outras vidas. Uma coisa é certa: a estátua e a prática das oferendas são mais antigas que o Brasil.
12/06/2011 ·
10:02 ·
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Por: José Joacir dos Santos
Segundo o jornal Times of Índia, de 05/06/2010, o governo da Índia bateu, torturou e prendeu o líder espiritual Baba Ramdev, cuja história está em todos os jornais do país e gerou um estado de comoção nacional. Professor de Yoga (Guru) Ramdev é uma espécie de Chico Xavier que canalizou inúmeras fórmulas de ervas medicinais e criou um sistema de fabricação de remédios totalmente à base de ervas, vendidos a baixo custo, dirigido aos pobres. Tem, com isso, prestado um grande serviço de saúde à população menos privilegiada da Índia inteira, onde há enorme deficiência de hospitais públicos. Ramdev criou uma rede de farmácias e dentro de cada farmácia tem sempre dois médicos com formação em fitoterapia para o atendimento público gratuito. O cliente só paga os remédios, com preço acessível. Segundo os jornais, ele reinveste todo o lucro desse sistema de saúde e as ervas medicinais já são produzidas em suas próprias terras. Dizem que ele é um excelente administrador e já era rico antes se dedicar a causas sociais.
Segundo os jornais, o Guru entrou em greve de fome anticorrupção até conseguir a atenção do governo federal. Conseguiu, foi convidado a discutir corrupção na capital do país, recebido com pampas e circunstâncias pelo governo, mas se recusou a assinar um papel “de portas fechadas”, sob pressão. Na madrugada de ontem, a polícia invadiu o espaço do Guru com bombas de gás, bateu e prendeu inúmeros seguidores que estavam fazendo greve de fome, juntamente com seu líder, e prendeu o Guru. Não se sabe qual documento o Guru teria se recusado a assinar…”.
Paralelamente, o governo indiano prepara, segundo os jornais, um pacote para taxar, controlar e certificar fitoterápicos, dizendo que toda a indústria passará por rígido controle de qualidade. Seguidores do líder dizem que esse pacote surgiu sob pressão dos laboratórios farmacêuticos porque o trabalho do Guru no setor é tão bom e barato que passou a incomodar tais laboratórios. A Índia tem cerca de 15 zonas climáticas propícias ao plantio de fitoterápicos, reconhece 18 mil espécies de ervas medicinais, entre elas 7 mil já estão no mercado de fitoterápicos e enriquece a indústria do sistema Ayurveda (fitoterapia). Segundo o jornal Times of Índia, a indústria de fitoterápicos mundial movimenta cerca de US$ 120.00 bilhões por ano e a Índia, com toda a infra-estrutura dedicada ao setor, ainda está desorganizada e sem padrões de qualidade para competir com outros países. O Brasil não é citado como um produtor de fitoterápicos.
07/06/2011 ·
04:17 ·
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