Borra de café fala do momento presente
Por: José Joacir dos Santos
No final dos anos 80, quando morei algum tempo na Polônia, a trabalho, embora fosse um garoto e os poloneses me tratassem como tal, tive vários encontros maravilhosos com pessoas que nem imagino onde estejam, mas que para sempre estarão na minha memória e no meu coração. A Polônia é um país de pessoas doces e naquela época passavam pela terrível fase do comunismo. Um desses encontros, perto da casa de campo de Chopin, o pianista, em pleno e rigoroso inverno polonês, uma mulher se aproximou de mim na rua e me convidou para entrar em um pequeno quarto. Naquela época, comida era escassa e contrabandeada porque o país estava caminhando para a derrubada do comunismo. Desconfiado entrei naquele lugar, deixando a porta aberta. Sentei-me onde fui convidado e aquela mulher de profundos olhos azuis sorria e falava comigo em polonês, que eu não entendia uma só palavra. De olho na porta de saída e no fundo do quarto, eu apenas sorria. Ela pegou minhas mãos, deu uma olhada como quem iria ler meu destino, falou um monte de coisa, mas em polonês. Fiz todas as mímicas possíveis para fazer ela entender que não estava entendendo uma só palavra. Quando ela percebeu isso, levantou-se, andou prá lá e prá cá e começou a falar, desesperada por não se fazer entender, “cafí, cafí, cafí”. Compreendi que ela falava café, café, café e desconfiei que ela queria me servir café ou me pedir café. Levantei, me despedi e fui embora, deixando aqueles olhos tristes me acompanharem até desaparecer na próxima esquina. Café na Polônia naquela época era mais raro do que ouro em pó, mas eu tinha café em casa, vindo do Brasil e não tomava. No dia seguinte, à tarde, com muita neve caindo, fui ao mesmo local e reencontrei a mulher. Entreguei um pacote de café. Ela abriu, me abraçou e as lágrimas caíram no seu rosto. Depois do primeiro choque, ela levantou-se e foi fazer um café. Nunca tomei um café tão ruim! Talvez pelo tempo que ela não via café, já tinha perdido a prática de fazê-lo. Mas eu tomei todo e ela gesticulava o tempo todo para que eu não tomasse tudo. Não compreendia o por quê, mas fiz a vontade dela. Com a borra no fundo do copo, ela mexeu prá lá e para cá e desatou a falar. Claro que não sei o que ela dizia mas uma coisa ficou na minha cabeça pelos gestos dela: avião, muitos aviões, e dinheiro. Ficamos amigos, e através dela fiz inúmeros e maravilhosos amigos, todos em torno do café que eu podia fornecer. Passei a me interessar pela borra do café nas xícaras e, embora não seja um sabido no assunto, sempre olho e tento captar alguma imagem com mensagem para o meu momento atual. Muitos imagens falaram perfeitamente do momento atual, como essa que está na xicara da foto, tirada em 01/05/2011. Aparece nitidamente um coração, de um lado a cor dourada e do outro a cor roxa. Há uma forte luz branca. Quem for reikiano e trabalhar com outras técnicas energéticas sabe qual é a mensagem da xícara.


