Médicos recebem “pagamento” de laboratórios farmacêuticos
Por: José Joacir dos Santos
Há muito tempo, terapeutas têm denunciado que o governo federal fecha os olhos para a chamada “indústria da doença”. Agora, uma corajosa matéria é publicada pelo jornal Folha de de S. Paulo, assinada pela jornalista Cláudia Collucci, com base em fatos oficiais fornecidos por um órgão da classe médica. Segundo a matéria, “dados obtidos com exclusividade pela Folha, vêm de uma pesquisa inédita do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de SP), que avaliou o comportamento médico perante as indústrias de remédios, órteses, próteses e equipamento médico-hospitalar”, dão conta que “80% deles recebem visitas dos propagandistas de medicamento, em média oito por mês”, “93% dos médicos afirmam ter recebido, nos últimos 12 meses, produtos, benefícios ou pagamento da indústria em valores até R$ 500. Outros 37% declaram que ganharam presentes de maior valor, desde cursos a viagens para congressos internacionais”. Segundo a matéria, “para o Cremesp, um terço dos médicos mantém uma “relação contaminada com a indústria farmacêutica e de equipamentos, que ultrapassa os limites éticos”. A matéria, publicada para assinantes exclusivos da Uol, diz que “em 2005, a Folha revelou que, em troca de brindes ou dinheiro, farmácias e drogarias brasileiras auxiliaram a indústria de remédios a vigiar as receitas prescritas por médicos”. “Com acesso a cópias do receituário, representantes dos laboratórios pressionavam os profissionais a indicar seus produtos e os recompensavam por isso”. Com a palavra, a população, que paga por tudo isso e é co-responsável pelo enriquecimento da “indústria da doença”, por ignorar as abordagens multidisciplinares no tratamento das doenças. A matéria foi publicada em 31/05/2010.

