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O que fazer quando alguém está para morrer

6269while-adam-slept-posters.jpgO drama de morrer não é muito diferente do de nascer. Em ambos os casos há dor, tristeza e alegria. As vezes há outros dramas paralelos como as brigas de família pelos bens da pessoa que vai. Em alguns casos essas pessoas nem esperam a pessoa partir e já querem a partilha. Quase sempre quem está mais perto de quem morre é quem leva a culpa de estar fazendo tudo pelo dinheiro de quem está morrendo. Quase sempre quem faz essas acusações são aquelas pessoas que, se pudessem, estariam mais perto para fazer exatamente aquilo: ficar com o dinheiro e os bens de quem morre. As vezes esses assuntos acabam em outras mortes naquelas famílias mais desequilibradas e que fingem não saber o que é a dor de quem parte e de alguns que ficam. Brincadeiras maldosas e piadas sarcásticas não são propriadas nesses momentos porque todo mundo morre e há sofrimento no ar. A melhor coisa que alguém que não quer ajudar, não tem habilidade para ajudar ou está preso a algum problema emocional relacionado com o sentimento de afeto, apreço e gratidão para ajudar é ficar calado e respeitar o sentimento alheio, que sempre existe. Nenhum ser humano tem a habilidade de medir ou quantificar o sentimento de outro ser humano, por mais ridículo que possa parecer. 

O medo de morrer faz a gente se apegar ao corpo que está morrendo sem querer ir. Esse medo provoca dores ajudas no corpo físico. Muitas vezes essa dor é essencial e faz parte do processo espiritual de cura da pessoa que sofre e de quem está ficando para tras. A dor sempre ensina. É muito importante compreender que o choro é parte da cura e quem sentir vontade de chorar não precisa questionar porque está sentindo isso, é chorar mesmo. As vezes a gente chora por nossos próprias dores emocionais diante do sofrimento físico dos outros. Em todos os casos é preciso chorar muito, até secar o que tiver que secar. A única coisa que alguém que não chora pode fazer é abraçar quem chora para dar apoio e conforto, sem impedir ou tentar impedir que a outra pessoa chore. Uma coisa é certa: cada um tem o momento certo de ir, não adiante lamentar, pedir, implorar. É só esperar com paciência e resignação. Mesmo quem resiste, terá os laços com o corpo físico cortados em algum momento. Então, é preciso identificar se um dos fatores aqui citados está dando alarme. Havendo alarme, é preciso que algumas pessoas da família tomem parte no processo para acalmar ânimos, confortar quem precisa e ajudar que o processo transcorra em paz. Flores sempre ajudam muito, até a quem não gosta, porque têm a habilidade de absorver as energias negativas dos sentimentos humanos. 

Do meu  ponto de vista, é preciso olhar para esses momentos com muita delicadeza porque nessas situações há o envolvimento de antepassados positivos e negativos, assim como há os inimigos e amigos espirituais vivos e mortos de quem está para fazer a passagem. Há, do outro lado da vida, amigos e parentes positivamente ligados pelo afeto esperando como quem espera um bebê que vai nascer do lado de cá. Então, mais uma vez, é preciso que a familia esteja junta em paz e harmonia mesmo que na vida real não exista paz nem harmonia. Cada um com suas orações, porque no carma familiar, tanto positivo quanto negativo, todos estão envolvidos e a gente nunca sabe de que lado está realmente. Eu posso ter a aparência de anjo, tentar me comportar como um anjo e na história do carma familiar não ter nada de anjo. Também existe a redenção e a compaixao, de forma que aqueles que estão ligados à família pelo lado negativo do carma têm uma brilhante oportunidade para comprar créditos, redimir o passado negativo e fazer boas ações. O que seria uma boa ação para uma pessoa que está na cama gemendo de dor? Tocar com carinho a pessoa, usar a voz suave, dizer palavras de afeto e carinho, especialmente lembrar aquela pessoa as coisas boas e as conquistas que ela teve nesta vida. Música ajuda a transmutar a dor, mas nem toda pessoa tem essa sensibilidade. 

Quando a pessoa finalmente morre, é comum a casa encher de membros da família, vizinhos, amigos e curiosos. Nesse momento é preciso ter muito cuidado com o espírito de quem já se foi. Quando a gente morre, passa por momentos de transição muito profundos. Geralmente a gente se perde e não tem certeza do que está acontecendo. Acha que está sonhando, pensa que está tendo pesadelos, quer voltar para o corpo de qualquer maneira. Alguns conseguem perceber o que está acontecendo, vêm o corpo gelado, morto e sofrem. Mas o sofrimento maior de quem já morreu é ver o seu próprio funeral onde há pessoas brigando por dinheiro ou propriedades, lembrando as coisas que não deram certo na vida, as coisas negativas que aquela pessoa fez, falando mal da familia, falando de doenças e sofrimento, zombando da cara do defunto e até os pensamentos de cada pessoa são motivos de sofrimento do espírito. Naquela fase de transição não há separação entre o nosso espirito e o mundo. Tudo parece ser a mesma coisa, uma só peça da engrenagem e o espírito sente profundamente tanto o que se diz quanto o que se pensa. Naquela momento o espírito é como um recém-nascido que não sabe comer nem se limpar. É como mergulhar em um rio e se sentir parte da água. É preciso que as pessoas que não compreendem isso, por preconceito religioso ou seja lá de que for, que aquilo que a gente não entende, não percebe e não vê pode ser entendido, percebido e visto por outras pessoas. Então, quando a gente não sabe como se inserir nesses contexto, é calar a boça e o pensamento. Tentar dar o melhor de si, mesmo que não saiba como. 

Morrer é o fim e o começo ao mesmo tempo. É a repetição da cena de nascer. É renascer. Felizmente somos seres espirituais eternos e temos o ciclo das reencarnações para cumprir. Aquele que não acredita nisso tem todo o direito de continuar a não acreditar mas não tem o menor direito de achar que outras pessoas não acreditam. O que está em nossas crenças não necessariamente estão nas crenças dos outros. Eu posso ignorar que a Terra gira em torno do Sol mas não poderei modificar nada se isso for verdade e eu não tiver o entendimento sobre esse assunto. Somos seres muito limitados e alguns de nós se limitam ainda mais quando se fecham em suas vidas e esquecem de olhar o horizonte. O mais importante de tudo é tomar a consciência que um dia será a nossa vez. Como as pessoas se comportarão quando for a minha vez? Que méritos e créditos eu terei?

José Joacir dos Santos é doutor em psicologia – jjoacir@yahoo.com

Câncer: a agonia de Joana

outono1.jpgJoana tem 92 anos e luta contra o câncer, descoberto tarde demais. Dorme pouco, come pouco e sente muita dor. A vida inteira ela foi daquele tipo teimoso-sabe-tudo-e-faz-tudo-do-próprio-jeito. A sua opinião era sempre correta, sem negociação. Os seus julgamentos também eram implacáveis. Uma vez caído na sua antipatia, era para sempre. Flexibilidade é uma palavra que nunca existiu no dicionário individual de Joana. Nunca foi uma pessoa má, mas era notável a dificuldade de se relacionar com o mundo exterior, sem conseguir transmutar suas raivas e frustrações em compaixão, perdão e amor. Sem uma sólida noção de familia, porque cedo da vida teve que criar seus quatro irmãos, Joana foi incapaz de superar esses abandonos familiares e reconstruir a sua própria família em bases amorosas e de confiança porque a vida se vive um dia de cada vez. Talvez o trauma de ter sido abandonada pela mãe, que saiu de casa para seguir outro homem, e de ver seu pai morrer de tristeza e humilhação por ter sido traído, fez Joana construir para si mesma uma máscara de pedra de mármore branco, impecável e frio. 

A aparência física frágil de Joana nunca escondeu que sua pedra de mármore era oca, como são todas as máscaras. Qualquer ventania produzia um som alarmante, de falta de firmeza, medo do novo, do desconhecido, do que não estava em suas mãos, de faltar, de amar, de largar para trás aquilo que já tinha passado e de seguir em frente dando uma chance nova a cada dia. Aos 92 anos, ela ainda lembra das máguas de infância e as repete sempre que pode e continua firme nos seus julgamentos porque nunca descobriu que a vida se renova e que todos os julgamentos são precipitados e inadequados. Até em relação aos filhos, seus padrões de seleção foram sempre os mesmos e algumas frases eram conhecidas e repetidas: “Enquanto estiver debaixo do meu teto, comendo da minha comida, tem que ser do jeito que eu quizer”. “A porta da rua está aberta”. Embora não sendo religiosa, Joana adotou algumas frases bíblicas de conveniência, que ouviu em algum lugar, por exemplo: “árvore que não dá fruto deve ser cortada”. 

Joana hoje agoniza as dores do câncer sozinha, mesmo porque dor não se transfere. Nenhuma daquelas pessoas que ela idolatrou a vida inteira está hoje prestando qualquer ajuda em seu leito de dor. Como estarão aquelas que ela magoou e odiou? Ela sempre idolatrava pessoas de seus relações distantes, fora da família, e sempre teceu julgamentos fortes contra os mais próximos, até da família. Hoje, na beira da sua cama, não há vizinhos visitando, nem flores, nem troféus. Netos e bisnetos estão também ausentes porque não sabem que os laços karmicos de Joana são também seus já que ninguém nasce em uma família por acaso. Alguns sequer terão imagens positivas para repassar para seus netos e bisnetos se não reagirem e redescobrirem que o segredo da vida está no amor e que o amor é “o fogo que arde nem doer”, que é renovável, reinventável, reconstituível, reaceso. Todo mundo envelhece, embora só alguns possam ter netos e bisnetos. Aquelas pessoas que Joana tanto idolatrou não se lembram ou não sabem que Joana dedicou parte da sua energia vital, um dia, em vão, para as pessoas erradas, como atores de  televisão. Joana talvez não tenha a consciência de que jogou palavas de adoração ao vento, em momentos errados de todas as estações. 

 Seu corpo não seguiu o vigor de sua mente. Seus arrependimentos batem em caixas postais esvaziadas pelo tempo porque os endereços foram modificados pela vida. Seus laços de amor são escassos e incertos porque ela nunca quiz reinventar o amor. Os filhos se dividem entre amados e odiados e, equivocadamente, espalham entre os seus que a vida é assim, um partido de amados e outro de odiados, sem saber que estão repetindo trilhas fracassadas, de heróis incapazes de perdoar ou de se dar a chance de perdão. Netos e bisnetos se degladiam com memórias tristes e se dividem em partidários dos problemas emocionais de seus pais sem compreender que todo mundo tem problemas mas nem toda pessoa tem facilidade de trabalhá-los e resolvê-los porque é muito mais fácil e conveniente culpar os outros dos próprios problemas. Ninguém tem a obrigação de seguir os caminhos mal traçados de pais, avós, bizavós etc. Há jogadores que fazem gol e há outros que são apenas jogadores. As capacidades jamais serão iguais para todos. 

As flores ainda nascem no jardim de Joana, querendo provar que a vida não é aquilo que a gente vê a um palmo do nariz. Passarinhos celebram um dia de cada vez no velho abacateiro no quintal. Joana viveu a vida inteira pensando que era ela quem mandava na própria vida, sem saber que coisinhas pequenas da vida que a gente não digere formam o lastro para a criação de doensas psicossomáticas como câncer. Agora, o corpo não lhe obedece e a vida parece que assume o controle porque há a hora de nascer, de viver e de morrer. Aparentemente, só existe uma opção para o poeta: pedir orações para o espírito de Joana. José Joacir dos Santos é doutor em Psicologia

Kuan Yin aposta na compaixão

templo-de-kuan-yin.jpgtemplo-de-ky.jpg SEXUALIDADE, Por José Joacir dos Santos

Kuan Yin é apontada, cada vez mais, como inspiradora na luta pela igualdade de direitos civis no mundo inteiro, a qual é uma bandeira dos países mais avançados sociologicamente, inclusive, em alguns aspectos. é incluído o Brasil. As grandes religiões ou filosofias de vida no oriente foram sempre muito machistas, direcionadas à masculinidade, até a expansão rápida do culto à Deusa da Misericórdia e da Compaixão. A própria Medicina Tradicional Chinesa, assim como similares no Japão e Coréia, deram uma abertura à igualdade de direitos civis entre os seres humanos, independente do gênero, porque o princípio dos Cinco Elementos e o equilíbrio Yin/Yang fala exatamente disso: para haver equilíbrio é preciso existir igualdade sem pré-requisito. Houve, inclusive, na história da Medicina Oriental, grupos que tentaram diminuir ou redirecionar o foco para tentar resgatar o pensamento anterior de que o homem (macho, masculino) é um ser superior e a mulher um ser inferior (incluindo aí os homens não-guerreiros, não-sangrentos e não-violentos, com estilos de vida diferenciados, por questões genéticas ou psico-emocionais). Só os recentes livros de medicina oriental explicam que Yin é feminino mas isso não significa inferior como as sociedades machistas têm ditado. De acordo com a “Lei do Karma”, respeitada por diversas tradições, religiões e filosofias espiritualistas, ninguém sabe em que corpo pode renascer nem se tem “méritos” para fazer essa escolha até o momento do próprio re-nascimento.

A doutora Kathy Phillips, da Universidade do Havaí, inclui registros da inspiração de Kuan Yin como libertadora e defensora da igualdade de direitos dos gêneros em vários dos seus trabalhos. Uma das encarnações de Kuan Yin, como a Princesa Miao Shan, cuja história é repassada de boca em boca, de geração em geração, não só na China, apesar do comunismo, mas na Ásia inteira, abre o caminho para a luta pela liberdade de expressão de todos os seres humanos reprimidos pelas sociedades machitas. Miao Shan não aceitou a ordem do pai de se casar e se refugiou em um convento para monjas budistas, naquela época nem chamadas monjas nem muito aceitas pelos budistas de carteirinha porque nos seminários só entrava homem. O pai de Miao Shan acabou mandando retirar os olhos e cortar os braços da Princesa, que se ofereceu em sacrifício para curar o pai de um terrível mal. Várias são as histórias de submissão de Kuan Yin com o objetivo de quebrar padrões exagerados das culturas asiáticas, inclusive religiosas, e hoje ela é admitida nos templos, venerada e celebrada no mundo inteiro como aquela que “ouve o choro do mundo”.

Kuan Yin é acusada de inspirar as mulheres taiwanesas a criarem um movimento contra a obrigação de casar por dinheiro e arranjos familiares, de dar poder a mulheres videntes de Cingapura contra a rígida cultura masculina daquela ilha, igualmente de ter contribuido para a evolução da mulher na sociedade chinesa com igualdade de direitos civis, e de forçar os tempos budistas a admitir uma mulher que não discrimina o ser humano pela preferência sexual porque foi ela mesma quem saiu da veneração dos altares para o dia-a-dia das ruas. É ela quem é citada por pescadores nos mares do Sul da China como aquela que socorre nos náufragos – e não um “valente caba da peste”.

O taoísmo, com bases xamânicas, sempre foi mais aberto à não-discriminação e à descrentralização das genitálias como centro de poder e superioridade humana porque a diferença entre masculino e feminino está na exteriorização física das genitálias, não nos aspectos fisiológicos, químicos e emocionais. Até o sétimo mês, o feto não tem definição dos órgãos genitais, porque isso depende de reação química que a medicina não sabe explicar, causada pelo hormônio “dehydrotestosterono” ou “DHT”. O taoísmo teve grande influência no zen-budismo japonês, que já no século XVI admitia a homossexualidade nos templos, inspirada na teoria do Yin/Yang – ainda hoje há templos que punem monges por expressar a sexualidade.

A história da liberdade homossexual no Japão, a partir do século XV, tanto entre samurais quanto entre monges budistas e o povo comum, vinculada a semelhante maneira de viver trazida dos templos budistas chineses, é registrada em inúmeros livros históricos e está diretamente relacionada com as práticas sociais xamânicas dos índios japoneses, expressadas em todos os festivais de colheta ou de estações do ano. Tal comportamento era plenamento aceito pelas sociedades, deu origem ao Teatro Kabuki, e ainda hoje a sociedade trata do assunto de forma discreta, silenciosa, sem achar que deveria ser diferente — não existia a palavra homossexual em japonês. Um dos festivais mais famosos no Japão é o do pênis (“houmen matsuri”, praticado desde o ano 1500), onde homens de todas as idades vão para as ruas, seminus, participar da festa cujo centro de atenção são enormes pênis de madeira, carregados em andores como os da igreja católica, que também serve para demonstrar o vigor físico e a “purificação do espírito”.

Livre da censura judaico-cristã e da cultura grego-romana (cheia de culpas, taumas, assassinatos e guerras), e distanciados da China por causa das guerras e disputas políticas, a cultura japonesa faz rios de dinheiro em cima do turismo internacional direcionado a esses festivais, onde o povo acredita que um homem purifica a si mesmo em contato com outro homem, exaltando o símbolo da vida, o pênis (procure no google “japanese pênis festival”. http://www.yamasa.org/japan/english/destinations/aichi/tagata_jinja.html 

A cultura japonesa tem largo espaço para a devoção de Kannon, a versão masculina de Kuan Yin, conhecida há séculos na Ásia inteira como aquela que adquire a forma que desejar para se expressar, de acordo com as circunstâncias do tempo, a qualquer tempo, porque o que importa é a evolução espiritual e a compaixão humana. A grande expressão de respeito histórico no Japão é o legendário monge chamado Kukai. Sobre ele, o escritor japonês Ihara Saikako, que viveu entre 1624 e 1693, publicou o livro “O grande espelho do amor masculino” e nesse livro ele diz: “Kokai Daishi não falava do profundo prazer do amor (relações sexuais entre duas pessoas do mesmo sexo) porque temia a extinção da humanidade”. Tanto na época em que viveu como ainda hoje, as teorias de Kakai são respeitadas por todas as classes sociais especialmente porque o monge realizou grandes feitos humanitários no país, os quais ainda inspiram instituições até os dias atuais.

Já a escritora Kathy Phillips chama atenção para o fato de que as imagens de Buda mostram homens com vazilhas apontadas para cima (ego) enquanto as de Kuan Yin aparecem com o vaso aberto de cabeça para baixo, onde o necta da vida se junta às águas do mar e o mar não distingue um afogado pela preferência sexual ou pelo gênero – assim como Kuan Yin sacia a sede dos dragões dos mares sem perguntar quem são eles.

Segundo estatísticas, a religião que mais cresce no mundo hoje é o budismo (que o Dalai Lama prefere chamar de “maneira de viver”), talvez porque o budismo (e as seitas advindas) preenche um espaço aberto pela democracia, pela urgente necessidade da igualdade dos direitos civis na atualidade, e pelo vazio deixado pelas religiões católico-cristãs, mais preocupadas com assuntos políticos e até de medicina do que com o lado espiritual de seus seguidores. Esse buraco também é causado pela ideologia rígida e imutável das religiões católico-cristãs, onde é enfatizada a discriminação do ser humano pelas preferências sexuais, o castigo, o pecado, a tentativa de ditar o que a mulher deve ou não deve fazer com o seu corpo, a importância dada ao inferno e a cobrança pela veneração de um Deus que castiga – enquanto que seus líderes exigem luxo, dinheiro e pouca fé no discernimento do povo. Pelo contrário, Kuan Yin, o budismo, o shantoismo, o taoísmo e muitas outras seitas e filosofias de vida oriundas do Oriente pregam a compaixão e a igualdade por todo ser humano (e animais), sem restrição, sem censura, sem troca de favores, sem chantagens emocionais antigas, as quais já causaram a infelicidade de milhares de pessoas. José Joacir dos Santos é doutor em psicologia jjoacir@yahoo.com

Bibliografia: Buddhism, sexuality and gender, de José Ignácio Cabezón; This isn’t a picture i’m holding Kuan Yin, de Katty J. Phillips; Kukai, de Yoshito S. Kakeda; The gendering of men, 1600-1750, de Thomas King; Male Colors, de Gary P. Leupp; O grande espelho do amor masculino, de Ihara Saikako; Human Sexuality, de Spencer A Rathus.

 

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