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É triste o quadro da saúde mental nos EUA

gts_map.gif SAÚDE MENTAL

A edição de outubro do jornal “Psychiatrist”, para assinantes, traz um ensaio assinado pelo Dr. Peter F. Buckley, sob o título “Fatores que influenciam no sucesso do tratamento de esquizofrenia”, no qual, pela primeira vez, é listado junto ao artigo o nome dos laboratórios farmaceuticos dos quais o autor recebe pagamento para avaliar os medicamentos psiquiátricos e antidepressivos. O que me chama a atenção no artigo científico não é a discussão do autor sobre qual droga é mais ou menos eficiente nos tratamentos, que ele mesmo diz “não dispõe de evidências claras” sobre o que os médicos escrevem sobre as reações positivas e negativas dos medicamentos. É citado vários “estudos” feitos em pacientes com os medicamentos e também me chama a atenção  quando ele diz que tal e tal medicamento foram testados juntos  e esse e aquele foram “descontinuados” por não fazer efeito “depois de 18 meses” de ingestão. Dezoito meses de ingestão para ver se aparece um resultado?

Quando o autor fala em farmacogeneticos e poliformismos, diz que “até recentemente, as razões pelas quais um paciente mostra um mínimo ou não não-mostra resposta a um antipsicótico tem sido um mistério”. No final do artigo o autor cita a entidade chamada “Substance Abuse & Mental Health Services Administration (SAMHSA)”, “a qual enumerou uma lista de dez componentes que caracterizam o processo de recuperação” de pacientes sob tratamento com remédios psiquiátricos e/ou antidepressivos (que nos EUA não é exclusividade de médicos): “auto-direção e responsabilidade (do paciente em colaborar com o tratamento); individualização de tratamentos (reconhendo que ninguém tem uma genética igual) e tramentos holísticos combinados com alopáticos (enfatizando a importância da adaptação ao processo às necessidades individuais de cada paciente); tratamento envolvendo o paciente como um todo (emoção, mente, corpo e espírito); tratamento não-linear; tratamento que envolva serviços de apoio e a eliminação de preconceitos; e ânfase na esperança de recuperação”. O autor conclui que “em mais de 50 anos, o tratamento de esquizofrenia permanece inconclusivo”, isto é, a medicina alopática não encontrou a fórmula mágica, mas continua testando medicamentos. Ele diz: “um tratamento sério ainda está para aparecer” (acho que ele quer dizer: eficaz).

Nas referências, o autor é honesto e apresenta uma nota de rodapé na qual aparece um link para o site da NANI (The National Alliance on Mental Illness). A NANI publica o resultado de uma pesquisa que apresenta o quadro nacional dos Estados Unidos em termos de tratamento de doenças mentais (acima, aperte para aumentar), com o grau de eficiência dos sistemas de saúde, estado por estado. A letra “A”, em azul, é o mais eficiente mas não chega a bom, e a letra “U” é o estado que não respondeu à pesquisa (Nova York e Colorado). Colorado está na sétima posição no número de suicídios (a primeira posição é o número maior de suicídios). Para ver detalhes da situação em cada estado, copie o link a seguir inteiro e junto:  http://www.nami.org/content/navigationmenu

/grading_the_states/NAMIs_Grading_the_States_2006_Report.htm

Nenhum estado recebeu a cor azul, de “bom”, e a cor verde, letra “B”, onde a situação é “médio”, só cinco estados aparecem. A cor amarela já é “ruim”, e neles está um dos estados mais ricos e considerados “leves” que é a California, mesmo assim ocupa a 42ª posição na quantidade de suicídios, entre os 48 estados. Só em San Francisco, nos últimos dois anos, é alarmante o número de suicídios efetivados em um dos principais pontos turísticos da cidade, a ponte Golden Gate. O Havai, considerado turístico, ocupa a posição 41ª. O primeiro da lista é o estado de Wyoming (MY), localizado no Centro-Norte do país. Esses estados do centro-norte é onde moram aqueles norte-americanos mais consevadores, onde existem aquelas seitas e religiões extremistas, onde imigrante não tem vez. O estudo aponta as deficiências de cada estado, e de um modo geral está a “falta de comprometimento dos profissionais de saúde, falta de hospitais (os hospitais de saúde mental do Havai são superlotados), falta de treinamento adequado, preconceito, falta de recursos (pouquissimos são os hospitais que oferecem serviços públicos e gratuitos), falta de treinamentos assertivos”. Há que se considerar a complexidade da sociedade norte-americana atual, onde há um alto índice de automedicação porque poucos podem pagar os caríssimos tratamentos hospitalares e o povo é vítima do excesso de propaganda sobre”medicamentos maravilhosos” nas meios de comunicação. Há uma carência muito grande de profissionais habilitados e um aumento grande de pacientes necessitados que voltam de guerras, como Iraque, conflitos sociais internos, drogas e desastres naturais. José Joacir dos Santos é jornalista e doutor em psicologia jjoacir@yahoo.com

O uso positivo do incenso em casa

tibetan_incense_34.jpg(*) Por José Joacir dos Santos

A literatura japonesa traz o mais famoso registro sobre o uso do incenso na novela The Tale of Genji, escrita pela Lady Murasaki Shikigu, no século XVII, cujo exemplar se encontra no museu de Tokugawa, Japão. Kiyoko Morita, em seu livro Incense, publicado em 1978, afirma ter encontrado menção ao uso de incenso no primeiro jornal japonês, Nihonshoki (Crônicas do Japão), publicado no ano 595. O texto narra o uso de aroma pelos moradores da ilha Awaji, perto de Kobe, e que seu uso teria sido introduzido no Japão juntamente com o budismo, no século VI, e cita em outros a utilização de sândalo, cravo-da-Índia, canela e cânfora.  Na literatura tibetana com certeza há registro que vai a milênios mas enfrenta o grande problema da falta de tradutores para os idiomas ocidentais, especialmente inglês, sem contar com o que foi destruído com a ocupação do país em 1948 e consequentemente o exilo do Dalai Lama na Índia. Seja como for, é importante aqui ressaltar a origem cerimonial do uso do incenso nas culturas orientais e ainda hoje não se acende um incenso sem oferecê-lo a mentores espirituais, ascenstrais, divindades, protetores, anjos e guardiães da família e da casa.

Nas pinturas existentes nos museus japoneses, especialmente datadas dos séculos 17 e 18, fala-se que os personagens, bem vestidos e em posição de cerimônia, estão “ouvindo o incenso”, como se ouve a lareira queimar, a fogueira, como se canta com as velas de aniversário acesas. Essa leveza da cultura oriental se baseia no respeito por tudo que há no universo e no entendimento que somos partes do todo, privilegiando o sentimento positivo pelas coisas simples ligadas à natureza.Aqueles que discriminam o uso de altares e de incenso certamente nunca prestaram bem atenção ao que está escrito em Genesis VIII, 12:21. Esse trecho da Bíblia diz que Noah construiu um altar e acendeu incensos a Deus. Na história do nascimento de Jesus também é narrado que os Reis Magos trouxeram incensos e ofereceram ao recém-nascido. Quando o corpo de Jesus foi dado como morto, diz-se que ele boi banhado com mirra e sândalos, os mais conhecidos ingredientes de incenso na antiguidade, como símbolo de pureza. Buda foi cremado com madeira de sândalo, assim como os ricos indianos ainda o fazem hoje. Foi encontrada mirra em todas as múmias egípcias. O Império Romano importava plantas aromáticas para fabricação de incenso.

Nas histórias populares chinesas, há registro do uso de incenso pelos nobres da corte desde o século 150 antes de Cristo. No Japão, nos livros antigos, como The Pillow Book, escrito pela Lady Shonagon no ano 1002, o incenso estava muito ligado a um luxo das classes favorecidas, porque as ervas e especiarias já eram caras naquela época. Há centenas de anos que o uso do incenso se espalhou pela Ásia inteira e por todas as classes sociais.Um detalhe interessante e cheio de contrastres dentro da sociedade japonesa, ao contrário da chinesa, especialmente no século XVII, é que só homens utilizavam incensos mas os shoguns e os samurais não chegavam nem perto de incensos, poesia e cerimônia do chá. Ao mesmo tempo, as classes menos favorecidas e os comerciantes valorizavam o incenso e por volta do ano 1603 apareceram “escolas” de incenso, que mais tarde se tornariam “fábricas” com a demanda e a adesão da elite militarizada com os shoguns e os samurais até o governo interferir e baixar normas para os incensos, que passaram a ser “fabricados” por duas grandes escolas holísticas, de profundo treinamento espiritualista chamadas Shino Soshin e Sanjonishi Sanetaka. Daí, o povão passou a criar e apareceram os travesseiros com incensos e toda uma gama de produtos direcionados ao uso do incenso, chamado em japonês de Koh-do. Veja que o Japão desenvolveu isso tudo por volta do ano 1603. Nessa mesma época, o budismo tibetano já tinha influenciado, há séculos, o uso do incenso por toda China, Mangólia e região e o Brasil estava no auge da exploração da Floresta Atlântica pelos portugueses e aventureiros do mar.

A grande diferença do incenso fabricado pelos tibetanos, japoneses e parte da China, ainda hoje, é a inexistência de produtos químicos ao contrário da Índia que utiliza química até em roupas. O incenso que chega hoje ao Brasil, vindo da Índia, é impregnado de produtos químicos e em muitos casos provoca irritação e alergias. O incenso puro não causa alergia. Não faz muito tempo a revista Time denunciou a exploração de pessoas pobres pelas fábricas indianas de roupas e mostrou casos de morte por contaminação pelos produtos químicos utilizados nos tecidos. O governo brasileiro atrapalha bastante neste aspecto.

 O produto bom, fabricado com plantas orgânicas como é feito há milhares de anos não entra no Brasil porque a alfândega bloqueia, tanto nos aeroportos como nos Correios. Mas pelo Paraguai entra tudo que é porcaria, de procedência sempre duvidosa, e os mesmos órgãos do governo brasileiro fingem que não vê. Nós brasileiros temos a capacidade de importar lixo de várias fontes, só pelo preço, como os produtos paraguaios vindos da China e produzidos lá pelos chamados prisioneiros da consciência, isto é, pessoas presas por serem religiosas, por serem homossexuais, por pensarem diferente, por discordarem do estabelecido como milhares de tibetanos presos e obrigados a fabricar incensos e outras coisas, de graça, para serem vendidos no exterior a preço de banana mas que volta para os cofres chineses como dólares.

Se você visitar os mercados populares de Belém do Pará e de Manaus (não visitei, mas uma amiga fez a pesquisa por mim), você vai perceber o quanto o Brasil desconhece os ricos aromas das ervas cultivadas ou simplesmente catadas na floresta pela população que vive da venda de ervas. Em Brasilia, percorri os shoppings procurando óleo ou essência pura de arruda. Simplesmente não existe. As lojas vendem essências importadas, caras, saturadas e ignoram as brasileiras, ricas em aroma e qualidade. Aqui e ali você acha incensos feitos com ervas nativas brasileiras, mas ainda de má qualidade e são caros. Quando a gente vai chegar lá? Quando nós brasileiros vamos compreender que o país é rico em tudo? E que tudo isso pode virar ouro em pó? É uma questão de educação ou política?Com o tempo, os monges budistas e taoístas desenvolveram a cerimônia do incenso e a rica musicoterapia chinesa antes da revolução comunista também pensou nisso, assim como os tibetanos já fazia até antes do budismo chegar por lá (só existiam xamãs no Tibete). Os japoneses adoram ceminônia e toda a família é envolvida nelas, tendo os mais velhos o privilégio de conduzi-las e de sentar-se nos nos lugares de honra da casa. Nos dias de hoje, todo bom espiritualista tem seu altar em casa, uma tradição nas principais religiões do mundo, e você pode até mandar fazer um lindo móvel só para isso. No incenceiro coloca arroz cru da melhor qualidade para segurar os incensos (não coloca terra).

Lembre que o arroz nasce na lama, atravessa a água e transmuta os nutrientes em caroços deliciosos, hummm. A toalha do altar deve ser de tecido puro, algodão ou seda, em cores vibrantes, ao gosto do dono, especialmente dourado, lilás, azul, rosa. Fotografias dos que já se foram podem ser colocadas no altar quando você rezar para os antepassados. Flores, copo com água pura, cristal, algo de metal e madeira para completar os cinco elementos essenciais. O altar deve ficar, de preferência, virado para o Norte por causa do ímã polar. Em frente ao altar você conversa, reza, pede, conta o que aconteceu, canta, dança, agradece e chama os protetores da família. É o ponto da terapia familiar ou individual. É dito que não há energia negativa que fique na casa onde incenso é queimado no altar, que por si cria um polo de conexão energética positiva para toda a casa. Coloque as imagens que quizer no altar. Quem tiver problema com imagens deve fazer terapia – porque isso faz parte do medo da própria imagem. As crianças devem ser ensinadas a fazer esses rituais logo cedo para aprenderem valores sólidos, positivos, e se tornarem imunes ao mundo agressivo e contaminado fora de casa. Em algumas casas, as flores do altar mucham rapidamente. Você substitui até que as flores não muchem facilmente – e assim a casa estará limpa. Com o tempo a casa passa a cheirar e as pessoas a se sentirem felizes em casa. É preciso adquirir incensos de qualidade. 

 Por enquanto, já que o incenso tibetano é barrado pelo governo, embora muitas autoridades alfadengárias nem saibam muito o que é incenso, os incensos japoneses são os mais seguros e as são encontrados no mercado. Uma dica: aqueles incensos que acabam logo devem ser deixados no lugar onde são vendidos. Aqueles com mais de uma planta ou essência, também. Leiam sempre os rótulos e a procedência. Essa história de que incenso provoca câncer é mais uma daquelas produzidas pelo outro lado da luz, que odeia incenso, e o trabalho dessa gente é confundir o público. Até algumas revistas mascaradas de “saúde” fazem isso. Morei muitos anos no Oriente e visitei inúmeros lugares que usam diariamente incenso, há séculos, e nunca vi ou ouvi dizer de alguém que tenha morrido com câncer por causa de incenso. Por que será que só vemos monges sadios? E eles lidam com incenso diariamente.

Sempre é tempo de perdoar

para-o-site-006.jpgAté eu pensava que as cobranças sobre os nossos erros nesta vida só apareciam quando a gente morria. Agora sei que não. Nos últimos tempos, o universo tem me devolvido, bem na cara, o meu lixo anterior a esta vida. Sim, as imagens vêm nitidamente, como se você tivesse em viagem astral, mas na verdade é o acesso direto aos registros do meu próprio livro espiritual eterno – que todos temos. Talvez tenha essa facilidade porque já estou treinado nas viagens astrais e também pela minha dedicação ao meu próprio desenvolvimento espiritual e como ser humano em geral. A gente é, ao mesmo tempo, advogado e réu. Não existem tribunais fora da gente mesmo, isto é: nem céu nem inferno. A conta vem pra gente mesmo encarar, nitidamente. É como faculdade. A gente sofre, mas quando se diploma e arranja emprego é bom ver o contra-cheque gordo. Espiritualmente não há contra-cheque assim como não faz sentido o tal dízimo cobrado por algumas seitas. Na cobrança do registro individual do universo, a gente é obrigado a visualizar cara-a-cara as besteiras que fez em outras vidas, bem aqui e agora, de carne e osso, e não tem como recusar ou reclamar. É uma brasa quente na mão, que gruda e não tem a quem pedir socorro. Não é fácil viver entre dois mundos nem saber lidar com uma coisa e com a outra sem correr o risco de se perder. É preciso treinar e estudar bastante. De maneira alguma estou aqui reclamando, muito pelo contrário, eu gosto muito porque é uma oportunidade de redimir, perdoar e ser perdoado enquanto tenho a consciência física porque “longe é um lugar que não existe”, isto é, o tempo é hoje mesmo, aqui, agora. Embora o acontecimento tenha sido registrado em outro tempo, quando ele se projeta hoje é porque hoje pode ser resolvido, dissolvido, perdoado, refeito no tempo.Desta vez estava em um grande “convento” budista e era o chefe do ensino. Voltamos do almoço e cada um tinha o direito de tirar um pequeno cochilo, inclusive eu. Quando todos se preparavam, duas senhoras bateram na porta. Alguém foi atenter e todos pararam para ver porque era inesperado. Elas queriam limpar o dormitório. Olharam para mim e uma apontou as teias de aranha no teto. Fiquei surpreso quando vi que nunca tinha me dado conta de tanta sujeira nas paredes e tanta teia de aranha no teto de madeira, alto. Fiz sinal positivo e eu mesmo abri uma das janelas para entrar a claridade. Neste momento, um dos monges veio até a mim, desrespeitoso, agitado, reclamando que tinha o direito de tirar uma soneca naquela hora, a única que tinha. Olhei para ele, fiz sinal com a mão para que ele se calasse, mas não adiantou. Todos olhavam a cena.  Vendo que ele não obedecia, eu coloquei a mão na boca dele, meio agressivo. Neste momento, fui puxado para o meu corpo atual e uma pergunta soava como se uma multidão estivesse gritando: como um chefe tem um comportamento agressivo com um inferior? Olhei no relógio e eram três da manhã. Parecia que o mundo inteiro estava olhando para mim naquele momento, de muito arrependimento. Como de costume, iniciei Reiki à distância para aquele momento, aquelas pessoas e para monge que agredi. E me perdoei por aquela ignorância. O perdão é a única chave que desfaz nó eterno.

Por que os músicos morrem cedo?

tingsha.jpgQuando eu era adolescente, nos anos setenta, já tinha coleção de discos de vinil e me gabava de dizer que era fã do guitarrista Jimmy Hendrix. Escutava Chopin quando chovia e Beethoven nos domingos de sol forte. Claro que meus colegas de escola me chamavam de esnobe e eu gostava. Naquela época, na Paraíba, sem televisão, pouca gente podia se dar ao luxo de ter em casa revistas do Sul do país – Cruzeiro e Manchete – que só falavam dos Estados Unidos e dos ídolos do rock. Embarcava nessa leitura, achando que o mundo era assim e por uma questão de tempo todos seríamos norte-americanos.

Mergulhei no aprendizado do inglês, e não demorei a descobrir que meu herói guitarrista era um excelente músico mas um desastre de pessoa, envolvido com todo tipo de droga, um antisocial por natureza. Além disso, o rock pauleira que escutava só falava em droga e porcaria. Incitava a uma agressividade e a uma rebeldia que não sentia nas minhas veias, embora adolescentes. Claro que os EUA viviam, naquela época, o inferno da guerra do Vietnã e da propaganda da “guerra fria”, mas, e daí? O que isso tinha a ver comigo? O legado deixado pelos ídolos da minha adolescência foi um desastre e muita gente ainda embarca nele hoje: se enfeita como árvore de Natal, repetindo os comandos das gangues e suas tatuagens, piercings, etc.

Foi duro perceber que Jimmy Hendrix não casava com a vida pacata e sadia, muito menos com os meus projetos de uma vida melhor e feliz. Ele logo morreu, drogado. Assim, parei de ser o macaquinho de imitação que as revistas vendiam como sendo a moda a seguir – mas a imprensa brasileira ainda não parou de vender imagens falsas e irreais de fora do Brasil, assim como de denegrir o sentimento herdado de Tupã e de seu povo nú.  Como compreender que a música cura se a grande maioria dos músicos morre cedo, entra no desfiladeiro sem retorno das drogas, da Aids, tem ataques cardíacos, são desorganizados, as vezes desastrados e não consegue pôr os pés no chão? Simples: música provoca efeitos físicos. Se a música afeta profundamente quem a escuta, imagine o que não acontece com quem a executa! Cada instrumento tem uma afinidade e essa afinidade afeta os órgãos físicos, a mente e a estrutura espiritual de cada pessoa, tanto para a saúde quanto para a doença.

O som repetitivo da guitarra, por longas horas, desafina os órgãos digestivos. A bateria tira a pessoa do chão, da vida real. Com que parece o som do violino? Os tibetanos sabem como provocar levitação tocando instrumentos rudimentares de metal, mas não ensinam ao ocidente. Tanto para a saúde quanto para a doença, a questão básica que envolve a música, o som, o tom, é a repetição, a duração e a qualidade dessa repetição. Cada órgão físico, tecido, víscera, tipo de fluido vital e líquido tem sua própria sintonia, ritmo, tom. É como o nome próprio. Se na multidão alguém chama Joacir, vou olhar na direção daquele que reconheço como meu. Se houverem outros Joacir na mesma multidão, alguns vão olhar mas sem muita convicção, enquanto que outros nem olharão para trás. Cada músico desenvolve a personalidade de acordo com o instrumento que a ele está ligado com frequência. Cada pessoa, independente de ser músico ou não, tem o seu tom, que vibra quando entra em sintonia com ele. Daí a importância de se tocar/ouvir instrumentos diferentes para variar a sintonia corporal sem desequilibrá-la. As vezes uma pessoa é chamada pelo nome em um lugar que só tem ela com aquele nome e ela pergunta: eu? Por quê? Porque ela não está afinada com o próprio ser – há emoções a serem trabalhadas.

O tom pode afinar ou desafinar tanto quem toca quando quem é a ele exposto. Antes de uma sessão de musicoterapia eu me “afino” com oração, diapasão, Reiki, floral. Mesmo assim, as vezes o suor corre, e eu tenho que me afinar imediatamente. Já falamos em outro texto que aquele tum-tum-tum eletrônico estoura o chácra básica e contribui para a diminuição dos fluidos e dos líquidos do corpo, como esperma e saliva. Pois bem, o que ocorre com os músicos profissionais é que eles estabelecem todo um meio-ambiente propício para esvair a essência vital e assim “apressar” a morte.

Noitadas em claro, fumo, álcool e alimentação desregrada contribuem para a queda da imunidade, da força vital, da beleza corpórea e do estabelecimento de buracos na aurea de qualquer pessoa. Pode observar que o cabelo começa a cair. Se em lugar do fumo entra a maconha, a velocidade é ainda maior. O músico começa ou a perder peso ou a engordar, dependo dos demais desequilíbrios físicos, mentais, emocionais e espirituais. Quem não lembra do Raul Seixas, um gênio, que ficou quase cego, sem voz e muito magro antes de morrer? A maconha, assim como outras drogas, emagrece ou desenvolve a falsa obesidade (Tim Maia) – muitas vezes é só inchaço. Aparecem rugas imensas no rosto. A pele seca. Os líquidos secam ou incham. Todo o sistema linfático entra em colapso e o esperma não é gerado. O homem passa a ter impotência ou dificuldades de ereção e a mulher perde a fertilidade, os óvulos adoecem, secam e ela começa a ficar “fria”. Dá também fraqueza nos joelhos, nos ossos e dores lombares. A febre da herpes torna-se uma companheira frequente. O começo da degeneração depende da genética de cada um. Os sintomas demoram mais a aparecer em alguns mas em outros são rápidos e profundos. Lembro da voz de Cássia Eller antes de gravar o primeiro disco… era linda!

Um gongo afinado e bem utilizado pode provocar a limpeza imediata de uma pessoa intoxicada com maconha, por exemplo. Numa sessão de cinco minutos a pessoa fica pálida, perdida, fria, cansada. Alguns choram, gritam, pedem para parar. Quando você pára, é preciso segurar a pessoa e fazê-la deitar porque ela está totalmente em choque (não sei que palavra melhor poderia colocar aqui). Se essa pessoa, durante o tratamento, for submetida ao mesmo tempo a exercícios físicos, sexo saudável, vegetais, frutas, luz solar e afeto, ela pode começar a “enjoar” a maconha, porque muda de frequência. É fundamental trocar o tipo de música que ouve. Piano e sax fazem bem. O que vai ser extremamente necessário é que haja um apoio emocional firme e forte para essa pessoa porque a energia da maconha, assim como toda droga química ou vegetal, aprisiona o sistema celular, diminui e pode até paralizar o funcionamento do fígado, do baço e do pâncreas – algumas ervas chamadas “de poder” deixam o usuário verde, porque elas foram colocadas na natureza só para o uso dos xamãs, que têm um modo de vida especial – as entidades espirituais sugam as toxinas do fígado dos xamãs, porque faz parte do trato espiritual. Uma pessoa comum não tem esse “trato”. Aquela tremedeira que dá nos viciados de cocaína e ácidos é exatamente porque o sistema celular perde a sua estrutura, a química básica, cai a energia, perdem-se os fluidos vitais e líquidos renovadores – entidades espirituais sugam os viciados.

A pessoa começa a secar e a morrer – é uma questão de tempo. Quando começa a dar ruído nos ouvidos, é um péssimo sinal. É como um carro sem os óleo. A morte física pode durar anos mas o raciocínio lógico, a capacidade criativa e de se concentrar morrem rápido.Elas perdem o interesse pelas coisas da vida, procuram viver mais para a noite que para o dia, começam a gostar do escuro, do perigo, da maldade e da violência – e passam pelo esperma ou pelo óvulo, para as gerações futuras, a herança genética desequilibrada. A pessoa mantém a casca, mas está ôca. Vi muitos clientes, nesse estágio, que tinham dificuldade de entender o que eu falava. O teste era fácil: Era só elevar o nível do vocabulário e eles se perdem porque o sistema não consegue raciocinar. Como todos somos diferentes, em mim, por exemplo, uma inocente barra de chocolate provoca irritação. Se eu fosse boxeador, era só comer uma barra de chocolate antes da luta. Clientes não viciados têm experiências eufóricas com gongos, riem e querem mais.

Diapasões afinam os chácras deles com facilidade. O músico, assim como qualquer pessoa, só morre cedo se ele se trancar em seu próprio mundo e esquecer de praticar uma maneira sadia de viver, conectada com o universo mais puro, longe dos copos de plástico e das farmácias de plantão. A musicoterapia é um excelente coadjuvante nos resgates do equilíbrio, seja ele de origem mental, emocional, física, espiritual ou todas essas coisas juntas. Qualquer pessoa convalescente pode aprender a tocar um instrumento simples e com isso se desconectar dos ganchos emocionais que lhe fez adoecer. Buscar o caminho da musicoterapia para ajudar a alguém com uma doença crônica, terminal, mental ou a sair do vício pode um achado. Um instrumento musical, juntamente com as condições emocionais para ajudá-lo a compreender em que enrascada se meteu, seria o caminho ideal para famílias e amigos, que geralmente se afastam das pessoas doentes da família.

No caso de viciados, a primeira reação do pai é querer expulsar o filho de casa — e isso é um erro. É preciso ter em mente que todo viciado comeca a mentir, a chantagear, a roubar e a viver das imagens distorcidas que a droga cria no cérebro, como óleo de carro no asfalto. São capazes de chorar para a chantagem ficar mais bem feita. É uma situação muito difícil de lidar sem amparo profissional – e há uma enorme carência de pessoal especializado capaz de lidar com viciados em droga sem ter que drogá-los. A chave do segredo do resgate está no caminho espiritual e no afeto. Em qualquer situação, a família precisa se unir, resgatar os seus valores morais, emocionais e espirituais para lidar com o problema. Muita conversa, demonstração de carinho e atenção ajuda muito.

Tive uma cliente com doze tumores de câncer que a imunidade dela aumentou quando ela foi para a terra natal dela e lá passava horas na praia ouvindo o som do mar, sozinha. Passei três dias intensos em um seminário de musicoterapia na Califórnia, com o que de mais expoente existe nessa área, e percebi entre eles um erro gravíssimo: a maioria pensa que a musicoterapia por sí basta. Não é assim. Nada se basta. Se se bastasse, a vida na terra já seria perfeita, equilibrada, porque a história humana é a mesma, apenas variando de tempo e espaço. Cometemos os mesmos erros, com versões diferentes, pensando que a vida é uma linha reta. Um dos mestres da técnica vocal, presente no seminário acima referido, quando abre a boca o mundo se enche de tom. Fora do palco é uma pessoa indisciplinada, fala alto e é grosseiro. A esposa não larga o pé porque sabe que ele é incapaz de lembrar que tem um cartão de visitas.

Dizem que um grande cantor de ópera italiano da atualidade sofre de depressões profundas quando não está no palco (faleceu depois que esse artigo havia sido escrito). Por que será? Por que pára de ouvir os aplausos? Ou porque coloca no palco toda a essência da sua vida? O primeiro cliente que você deve tratar com musicoterapia é você.

Dê adeus a uma série de coisas que parece linda, maravilhosa e você se convence que é verdade: aquelas baladas tristes e pessimistas de “eu morro a cada vez que de vejo”, isto é, a música depressiva de solidão, angústia e sofrimento; a música computadorizada, que é como cebola de caixinha, não reproduz o cheiro original! É boa para dançar e é bom dançá-la uma vez ou outra; o problema das boates hoje em dia (ou de sempre?) é o volume, a fumaça, a bebida e as drogas, tudo junto no mesmo lugar.

As pessoas liberam energias emocionais desequilibradas e energia não fica sem moradia, invade o próximo corpo disponível. Sai de um corpo e entra em outro; aprender a ir para a cama cedo e acordar cedo; caminhar ao Sol; comer frutas frescas, castanhas, gengibre na carne, pequi; Dançar, fazer sexo intensamente com a pessoa que gosta e caminhar em lugares verdes, com água… Praticar um esporte; ter um animal de estimação, plantas para cuidar ou participar mais dos jogos dos filhos; diminuir ao extremo o uso de telefone e da internet. Rezar, cantar, meditar, fazer Reiki, tocar seu instrumento preferido em lugares silenciosos, como em um parque, por exemplo.

Cantar no banheiro, ouvir piano, saxofone, violino, harpa, tambor xamânico. Nadar é um excelente exercício para harmoniar os centros energéticos. A psicoterapia é essencial. Fumar atrapalha a percepção e os cinco sentidos. Você precisa libertar os monstros, que nem sabe que comanda, antes que eles lhe convençam que você é quem incomoda.

O musicoterapeuta precisa adquirir técnicas psicoterápicas, conhecer anatomia e desenvolver a intuição através de técnicas energéticas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde, como Reiki, Yoga, Tai Chi, etc.

(*) José Joacir dos Santos é Musicoterapeuta Oriental e membro da Sound Healing Association, EUA. Texto escrito em novembro de 2006, depois de ministrar um curso de Reiki. 

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