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Médicos denunciam antidepressivos para bipolaridade

bipolar.jpgOs antidepressivos que aparecem nos comerciais da televisão norte-americana como fórmulas mágicas da indústria farmacêutica estão sob o olhar crítico de conceituados médicos e do Food and Drug Administration (FDA), a Anvisa dos Estados Unidos. O estopim foi um artigo publicado pelo respeitado The New England Journal of Medicine, de 28 de março, assinado por cerca de vinte médicos, o qual afirma que paciente bipolar tratado com antidepressivo piora e tem efeitos colaterais profundos já chamados de Bipolar IV. Embora ressalte que os estudos sobre a eficária de antidepressivos no tratamento de pacientes bipolares precisa ser aprofundado, o grupo relata estudo de casos e diz que o fator principal de eficiência dos antidepressivos apresentado pela indústria farmacêutica tem apenas o objetivo de fazer o produto ser aprovado pelas agências reguladoras de medicamentos, isto é, não funcionam em tratamentos a longo prazo, não produzem os resultados esperados na prática clínica e vendem muito! Em resumo, pacientes estão ficando mais doentes.Alertado pelo Programa Sistemático de Melhoria do Tratamento da Bipolaridade (Systematic Treatment Enhancement Program for Bipolar Disorder), apoiado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental (National Institute of Mental Health), o FDA não aprovou, recentemente, a licença de 25 antidepressivos para o tratamento da depressão bipolar. Apesar da limitada comprovação da eficácia desses medicamentos em tratamentos de longo e curto prazos para pacientes diagnosticados com alteração no humor e do conhecido risco do paciente desenvolver outras desordens como efeitos colaterais da medicação,  esses medicamentos já existem no mercado e podem ter sido exportados para o Terceiro Mundo. A imprensa norte-americana especializada calcula que os laboratórios farmacêuticos faturam cerca de 60 milhões de dólares anuais com esses ineficientes medicamentos, de fácil acesso ao consumidor. Em curta matéria no principal jornal da Rede ABC, conhecida por levar ao ar, de cinco em cinco minutos, comerciais desses medicamentos, mostou fotografia de algumas embalagens dos medicamentos censurados pelo FDA mas o próximo comercial apresentado pela emissora foi exatamente de um deles: Lunesta – que agora aparece apenas como indutor do sono e não mais como um agente hipnótico não-benzodiazepinico. Não se sabe se o FDA recolheu os medicamentos suspeitos nem se eles foram exportados para países latino-americanos, onde a indústria farmacêutica é apoiada por políticos influentes e onde a elevação do preço dos medicamentos vira manchete de jornal. Nos EUA, medicamentos podem ser colocados no mercado enquanto aguardam aprovação do FDA, bastando ter isso escrito no rótulo para que o consumidor veja e decida se compra ou não. O comercial do Lunesta na TV convence qualquer um de adquiri-lo, mesmo sem necessidade, porque parece um milagre… O brasileiro não tem costume de ler os rótulos dos medicamentos…Essa história triste trouxe à toma as discussões sobre a bipolaridade, que nem os cientistas entram em acordo sobre as possíveis causas dessa desordem. Até hoje acredita-se que seja uma combinação de fatores emocionais, biológicos, hereditários e eu acrescento os fatores espirituais envolvendo a mediunidade. Levando em conta que cada ser humano é possuidor de uma estrutura celular única e diferente de todos os outros, existe a possibilidade de alguns já nascerem predispostos a certas deficiências físicas, mentais, emocionais e em todas elas acrescento as deficiências celulares espirituais resultante da história de inúmeras vidas vividas e um só registro. Os cientistas chamam essa predisposição de “diathesis”. Há que se considerar também que uma pessoa com essas predisposições ainda sofrerá com a sua maneira de viver, de se relacionar com o mundo, incluindo a alimentação e as condições sociais a que está submetida, especialmente a educação recebida em casa.Há uma hierarquia nas doenças, bem estudada pela Homeopatia e pela Medicina Oriental. O indivíduo depressivo se recusa a sair da cama por dias seguidos. Reclama que está muito cansado mas não consegue dormir. Chora. Perde o interesse pelas coisas que gosta muito. Põe de lado as obrigações do dia-a-dia. Tem dificuldade de tomar decisões. Quer morrer. O maníaco acha que pode fazer qualquer coisa, legal ou ilegal. Dorme pouco e não se sente cansado. Gasta mais do que pode. Veste-se com estravagância. É pessimista ao extremo. Acha que tem energia de sobra. O próximo estágio de um indivíduo maniaco-depressivo é desenvolver a bipolaridade. O manual da Associação Norte-Americana para o Diagnóstico das Dedordens Mentais (DSW-IV) diz que a “bipolaridade é caracterizada pela ocorrência de uma ou mais das principais desordens depressivas, acompanhada pelo menos de um episódio maníaco”. Então, aquelas pessoas que passam a maior parte do seu tempo desenvolvendo atividades mentais depressivas (negativas, as piadas preconceituosas, por exemplo) já estão trabalhando para subir em mais um degrau, a bipolaridade. Da mesma forma, as pessoas com atitudes positivas sobrem cada vez mais na escadaria da saúde. A pessoa depressiva desenvolve manias. As manias ficam apuradas e se transformam em hipomanias, que são comportamentos inadequados, esquisitos, paixões exageradas. Um indivíduo pode ter alteração de humor e também ser hipomaníaco – isso é chamado de Bipolar II. Ele se acha o máximo em tudo na vida mas não move uma palha.

O indivíduo Bipolar I é aquele que sofre de alterações no humor, perde o contato com a realidade (esquisofrenia) e o medo acumulado pela sua própria história se transforma em psicose. Aqui é preciso ter cuidado para não taxar uma pessoa com mediunidade alta de bipolar, já que a linha divisória das características da mediunidade e da bipolaridade é muito fina. Com mediunidade alta o individuo não tem alteração do humor e nem manias. Pode se perder no tempo e no espaço por pressão familiar, do grupo social e da própria ignorância mas a mente é sadia. O profissional cético e desconhecedor das coisas do espírito erra muito neste diagnóstico e pode até taxar o médium como esquisofrênico. Aos onze anos, um psiquiatra queria me medicar com Valium e me internar porque minha mãe disse a ele que eu via espíritos.  O bipolar pode ter crises de alucinações, isto é, dizer que ouve e vê coisas que só ele sente, insiste em dizer que é verdade aquilo que para mais ninguém é, e tem mania de persequição (paranóia). Alguns pacientes viciados em maconha e outras ervas alucinógenas vêem e ouvem coisas da sua própria memória celular – isto é, não é um contato exterior. Pude acompanhar alguns casos. Alguns diziam ver e ouvir coisas e até terem “revelações espirituais” mas eu não percebi alteração alguma no campo energético deles, o que é impossível quando há um contato externo, espiritual. Se não tivesse compaixão por eles e não compreendesse que era um efeito colateral das ervas, diria que estavam mentindo.

O aspecto mais perigoso do indivíduo bipolar, em qualquer estágio, é a tentativa de suicídio. Nos Estados Unidos, as estatísticas apontam para 15 % de suicídios entre os bipolares e diz que as despesas com os tratamentos já ultrapassam, em valores, aquelas com indivíduos acometidos de diabetes. A ciclotimia (ora depressivo ora excitado) é uma das características do Bipolar III e os indivíduos maniaco-depressivos com aspectos hipomaníacos já estão sendo classificados como Bipolar IV. Os cientistas acreditam que o estágio IV da bipolaridade resulta dos efeitos colaterais da medicação hoje aplicada à base de antidepressivos, objeto da denúncia dos médicos citados no  The New England Journal of Medicine, de 28 de março (http://content.nejm.org/cgi/content/full/NEJMoa064135).  É preciso ressaltar que entre os indivíduos diagnosticados como maniaco-depressivos também estão aqueles com inteligência acima da média, com dons naturais não desenvolvidos, talentosos, capazes de transformar este mundo para melhor mas têm dificuldade de lidar com a vida real, as obrigações, pagar contas, os muitos impostos, de lidar com as amarguras do mundo, das pessoas infelizes por natureza e de se manter vivos. É preciso que o profissional de hoje tenha a capacidade de reconhecer esses indivíduos e, antes de fazer uma lista de remédios que vão piorar as coisas, olhar nos olhos do paciente para lhe dar esperanças, encaminhar para terapias não-medicamentosas, pesquisar tratamentos com ervas medicinais, etc. Sim, a Alemanha já trata a bipolaridade só com ervas! Quem fatura 60 milhões de dólares por ano sabendo que está contribuindo para o adoecimento de milhares de pessoas ao redor do mundo não tem mais nada a temer. Resta saber se você contribui com isso. (*) José Joacir dos Santos é jornalista e psicossomatista. jjoacir@yahoo.comwww.joacir.com

 

 

 

O mar vai invadir a terra. Nada ficará em pé

mar-destroi-no-oceano-indico.jpg     Estava em Brasília, dentro do Palácio Itamaraty. Alguém dizia para tomar uma vacina urgente e que insistisse com a pessoa que aplica porque ela era um pouco desleixada, como grande parte dos funcionários públicos, por falta de incentivos na profissão. A pessoa da vacina não estava e alguém me chamou para ver uma explosão no subsolo do Palácio, de onde vinha muita água e já tomava os corredores. Quando vi a água logo observei que estava cheia de pequenos bichos, parecendo insetos, grandes, coloridos, que se mexiam. Quando tentei tocar na água para pegar um deles, alguém me alertou para não tocar porque a água estava contaminada. Quando olhei para essa pessoa, percebi que era um espírito e que o local estava cheio deles, todos vestidos de verde como se estivessem ali para uma limpeza ou algo parecido, mas era para um trabalho braçal.

Um desses seres se aproximou e disse para colocar em todo o meu corpo uma pasta verde que tinha na mão. Seria a vacina? Ao colocar a pasta, senti uma enorme fraqueza, quase uma dormência. O ser disse para não me preocupar com o que acontecesse. Algumas pessoas encarnadas vieram na minha direção e quando tocaram em mim e na pasta tiveram a mesma reação. A fraqueza ou tontura foi muito rápido e ao recobrar as forças, o meu corpo ficou verde incandescente. As pessoas que haviam me tocado desintegravam no chão. Vi que havia virus no ar e eles tentavam furar o bloqueio da luz incandescente do meu corpo. A água já tomava os salões e as pessoas corriam gritando por ajuda. Subi as escadas, olhei para fora do Palácio e toda a Esplanada dos Ministérios estava alagada, com a água cobrindo a rampa do Congresso. Muitas pessoas paravam sem saber o que fazer, enquanto eram contaminadas pela água e pelos micróbios. Meu corpo mudou de cor, senti outra tontura, cai.

 Um ser se materializou perto de mim e disse para não me preocupar porque o meu corpo estava preparado para as pressões da atmosfera. Parecia que havia choques elétricos no ar. Sim, vi que muitas “acendiam” como uma lâmpada fluorescente e desintegravam em seguida.  O meu corpo mudou de cor sete vezes, cada vez e cada cor com uma graduação para resistir à pressão atmosférica ou  às ondas de choque. Era como se houvesse dois lados da energia atuando ao mesmo tempo: uma através de virus, para atacar e desintegrar aqueles que não haviam se preparado e a outra atingia pela intensidade da luz. Recebi a pasta verde para proteger o meu corpo físico no tempo atual – aqueles acontecimentos eram futuros.

“Você é mestre, ajude no que puder e quando não puder mais vá embora daqui”, disse-me o ser. Toda a água, tanto dentro como fora do Palácio estava contaminada com os pequenos micróbios coloridos, que eu entendia, ao olhá-los, que eram formas diferenciadas de virus não conhecidos pela medicina da Terra atualmente. Eles atacavam as pessoas pela respiração e por todos os orifícios . Elas acendiam como lâmpadas e seus corpos se desmanchavam como se fossem apenas de pó de madeira. Eram poucos os que não desintegravam, e isso significava que não haviam construído o corpo de luz com técnicas energéticas e orações – mas o prazo havia terminado. Agora era o momento da “limpeza”.

O cenário era o mais  triste e desolador que já vi. Por momentos pensei que não conseguiria registrar tudo o que via e parece que a minha contribuição ali era apenas para ver e registrar. Uma enorme onda cobriu o Palácio e um daqueles seres gritou: abandonar o local! Sai apressado pela Esplanada, procurando os locais com menos água mas de um modo geral a água já cobria os meus joelhos. O mar já havia tomado parte da terra e a água chegou primeiro a Brasilia pelos rios subterrâneos e cavernas hoje desconhecidos. Depois, quando tudo estava cheio, as enormes ondas vieram pela superfície. “Vá para o lugar mais alto possível mas não para prédios porque a grande maioria vai cair”, ouvi uma voz gritar bem perto do meu ouvido. “A Terra está saindo da sua órbita, tudo vai mudar. Rios vão desparecer. Rios vão surgir. Cidades inteiras ficarão debaixo dágua no litoral. O país será resumido a pequenas ilhas. Enquanto não passar a turbulência, nada ficará em pé. Não há nada que possa ser feito agora e não há serviços de emergência. Estamos aqui para corrigir o curso das coisas”.

Voltei para meu corpo, na cama, exausto e durante todo o dia não consegui me equilibrar. As imagens foram as mais nítidas, mais fortes e, do ponto de vista humano, mais cruéis que já vi. Nas vezes anteriores que fui ver esses acontecimentos eles me colocaram em um transporte especial para ver tudo de cima – mais ou menos oito anos atrás. Mas, desta vez, sofri muito com o que vi. Espero que tenhamos tempo para mudar, com nossas orações e pensamentos, o que está escrito. Se há alguma coisa que se pode fazer ainda hoje é proteger a natureza das poluições porque a degradação da natureza, do meio-ambiente, fará com que a situação piore no momento da transformação e do reajuste da posição da terra no sistema solar. San Francisco, 28/03/2007. Esta visão se repetiu, pela terceira vez e com mais detalhes, também de Brasília, em 06/05/2007 jjoacir@yahoo.comwww.joacir.com

Um anjo chamado Jacinta

jacinta.jpg
       Dos três personagens das aparições em Fátima, Portugal, a que mais me chama a atenção é Jacinta, embora cada um deles tivesse uma missão nessa história toda. Os três eram videntes. A Senhora de Fátima se dirigia a cada um de acordo com a missão. Por exemplo, as vezes todos viam as imagens mas só Lúcia ouvia o que era dito. Francisco servia de companhia, acalmava as duas meninas e contemplava os visitantes estelares. Os três foram avisados desde o início que só Lúcia sobreviveria porque a missão dela era revelar o segredo pelos três compartilhados, relativos à história da humanidade – hoje comprovados – mas só no momento certo, com a pessoa certa. O que você pensaria se hoje três crianças camponesas, analfabetas, dissessem que estavam tendo encontros com a mãe de Jesus? A história só se repete, Chico Xavier e outros videntes sabem o que é isso.
          Desde o início, quando o Anjo Miguel apareceu para preparar as crianças foi gerado um pacto de silêncio e segredo. Jacinta não aguentou as pressões da família e, inocente, abriu a boca, sem contar muito, mas o suficiente para a história sair da casa dela e ganhar os povoados ao redor. Quando ela percebeu que tinha confirmado as aparições se arrependeu profundamente e chegou a ficar de joelhos diante de Lúcia e Francisco e pedir perdão. Para uma menina sem educação escolar alguma e de certa maneira sem cuidados diretos dos pais, era muito.
       Quando foi presa, junto com Lúcia e Francisco, os pais deixaram eles por eles mesmos na cadeia, junto com criminosos comuns – a mais velha era Lúcia com cerca de 12 anos. Temendo a morte, Jacinta se ajoelhou perto da janela e começou a rezar. Lúcia diz que não sabe como, de repente os presos se ajoelharam e rezaram com ela o terço. Um deles até colocou Jacinta no colo e a chamou de anjo. Ela deixava de comer, de beber água e de brincar para oferecer como “sacrifícios pelas almas penadas”. Doava a comida que recebia dos pais para outras crianças pobres e comia frutas amargas como “sacrifício”; se martirizava com cordas para oferecer a dor física como sacrifício; rezava por pessoas que nem conhecia; gravemente enferma com tuberculose, não reclamava das dores para não afligir sua mãe; tomava leite que a mãe lhe dava embora não gostasse de leite, somente para “oferecer este sofrimento pelos pecadores”; passava o dia no campo pastoreando as ovelhas que eram maiores e mais altas do que ela mesma porque a família obrigava. Mas adorava fazer isso para poder ficar perto do irmão e da prima Lúcia.
          Sofrimento era o que não faltava àquelas crianças – e a Senhora havia avisado sobre tudo o que lhes aconteceria daquele momento em diante. Sabendo do que lhes aconteceria, confiante na palavra da Senhora, Jacinta nada temia, embora chorasse e se escondesse do povo como o irmão e a prima Lúcia também faziam. Tanto em casa como na rua, havia perseguição. A Igreja e o administrador, uma espécie de governador da região, mandavam emissários interrogar os três, alguns em tom de ameaça, por horas, tentando pegar os três na mentira. O padre da região obrigava que os três comungassem e atendessem ao catecismo, embora não soubessem ler. Lúcia diz que Jacinta cobria o rosto e não dizia uma palavra, de medo e para manter o segredo. Corriam boatos de que os três seriam assassinados mas mesmo com as intimidações físicas eles não confessaram o segredo da Senhora de Fátima. A família de Lúcia pressionava para que ela confessasse de público que tudo era mentira mas ela, Jacinta e Francisco haviam feito o pacto de não mentir. Com o vazamento da notícia sobre as aparições, começa a chegar gente de toda parte querendo ver as crianças, tocar, pedir que rezem por elas, etc. As pessoas começam a pisar nas plantações, invadir o sítio e a trazer prejuízos para a família que vivia da agricultura e da criação de ovelhas. Os pais ficavam nervosos e culpavam Lúcia por toda a “desgraça da família”. Quando foram libertos da cadeia e a Senhora de Fátima apareceu mais uma vez, cerca de setenta mil pessoas testemunharam o que descreveram como uma bola de fogo dourada que desceu do Sol, tudo isso sobre as plantações das famílias. Além de rezar, chorar e se esconder das pessoas, Lúcia e as demais crianças não tinham para quem apelar, só para a Senhora, que lhes dizia para “não ter medo de nada”. Fiquei muito emocionado quando li essa frase porque foi a mesma que ouvi na visão que tive com Nossa Senhora da Abadia, que nem sabia quem era.
        Sobre as previsões do futuro, feitas pela Senhora de Fátima no contexto dos segredos a serem revelados anos depois, Lúcia conta que a que mais teve impacto sobre os três, especialmente sobre Jacinta, foi a imagem do inferno. A pequena Jacinta, com menos de dez anos de idade, decidiu, a partir dai, fazer sacrifícios físicos para oferecê-los e salvar as pessoas que estavam no inferno. Se nos dias de hoje a gente de rodeia de mil e uma forma para falar sobre morte, céu e inferno para as crianças menos de 10 anos de idade, imagine elas sozinhas verem as imagens em 1917 e permanecerem caladas! E rezar por um papa que nem existia (João Paulo II), sem sequer saber o que era papa? E rezar pelo fim da guerra sem saber o que era guerra? Após as aparições as crianças ficavam tão fracas que tremiam. Isso é natural ocorrer por causa da força eletromagnética provocada pela materialização de entidades espirituais de elevado padrão energético.
          Há momentos engraçados e cheios de ternura. Quando os três se reuniam para esperar a Senhora de Fátima e ninguém aparecia, Jacinta brincava dizendo que talvez tivesse faltado azeite na lamparina de Nossa Senhora, numa alusão às luzes que circundavam as aparições (os anjos). Naquela região não existia energia elétrica. Quando ameaçavam eles de morte, Jacinta dizia: que bom, só assim a gente vai mais rápido para o céu. Lúcia diz que Jacinta era a primeira a se prostrar no chão ao ver a Senhora, uma reverência que não era comum do povo daquela região. Mas a própria Lúcia diz que Jacinta a surpreendia com atos e palavras que não tinha como ela saber. Até Lúcia teve que ser escondida depois da morte de Jacinta porque também a culpavam pela morte dos dois pequeninos pastorinhos.
          Quando Jacinta já estava prestes a falecer, o que ela já sabia, porque a Senhora de Fátima tinha deixado bem claro que levaria Francisco, depois Jacinta e Lúcia ficaria para a revelação futura do segredo, decidiram levá-la para um hospital na cidade. Ela e Lúcia tinham também sido avisadas que nada do hospital funcionaria mas que ela, Jacinta, precisava se deixar levar para o hospital. Lúcia conta que Jacinta disse: ofereço isso em sacrifício. Ela morreu aos dez anos de idade, simples, em suas roupas camponesas…
          Hoje lamento muito ter demorado tanto a ir até Fátima, compartilhar da graça de conhecer de perto a história de seres tão especiais, na fente do seu tempo, os quais doaram suas vidas pela bem da humanidade. Também lamento ter alimentado falsas idéias e crenças sobre os portugueses, que me trataram com carinho e apreço. Espero voltar àquele país muitas vezes, e rever os lugares onde um dia teve o privilégio, sem saber, de abrigar anjos como Jacinta, Francisco e Lúcia e de receber uma visita tão ilustre, a Senhora de Fátima.

A Senhora de Fátima toca aos corações

pastorinhos.jpgaparicoes.jpg Lúcia, Francisco e Jacinta.

        Desde muito criança quando comecei a estudar e falavam de Portugal, tinha uma resistência imensa. Era um sentimento muito profundo, “inexplicável”, indefinido, e por isso rejeitei várias viagens para a terra de Camões. Em viagens de trabalho passei pelo menos quatro vezes pelo aeroporto de Lisboa, base aérea, mas nunca desejei sequer comprar alguma coisa. Hoje já sei que quando a gente tem resistência e rejeita pessoas e lugares é porque há um porção da gente na história dessas pessoas e lugares. Por outro lado, mesmo sem ser católico, a Virgem Maria passou a ser uma presença constante nos meus sonhos e visões. A primeira vez sequer tive coragem de falar para alguém do acontecido porque com certeza seria chamado de mentiroso, como foram chamados os pastorinhos de Portugal. Para aqueles que estão presos aos preconceitos impostos pelas religiões, como pode isso acontecer comigo se sequer sou católico?
         Já havia manifestado o desejo de um dia ir a Fátima mas sempre pensava que seria um dia. De meados de janeiro ao final de fevereiro de 2007 fui “plugado” a Maria, a mãe de Jesus, logo eu, esse pecador… Manhã, tarde, noite, meio da noite e nova manhã não saía da minha cabeça os cânticos e orações de Maria. Como? Por quê? Então, decidi: Vou a Fátima passar o meu aniversário. Não planejei nada e até o hotel foi uma agência de viagem que escolheu. Quando desembarquei no aeroporto de Lisboa que a bagagem demorou mais de quarenta minutos para aparecer, o meu cérebro foi inundado pelas versões preconceituosas contra os portugueses, inclusive as piadinhas, impregnadas no insconsciente coletivo brasileiro por causa da história oficial. Que estou fazendo nesta terra, era uma das perguntas. Tratei de mudar os pensamentos porque sabia que aquela energia era da inquietação dos passageiros porque as malas não apareciam.
          Quando o taxi parou na porta do Hotel Amazônia, na Travessa Fábrica dos Pentes, fiquei sem ânimo de sair do carro: a faixada do hotel era muito familiar e a informação que vinha a superfície era negativa. Meus Deus, que estou fazendo aqui? Era tarde para pensar. Então, paguei o taxi e entrei. Já na porta tive que soltar as malas no chão porque a minha mente se abriu como uma tela de cinema. Voltei no tempo e lembrei de uma viagem astral onde tinha vindo até este lugar mas não tinha entrado. Do lado de fora, as janelas são baixas porque o interior do hotel é abaixo do nível da rua. Lá de fora tinha visto vários pedaços de madeira trabalhada formando uma mesa e sobre ela um cachorro preto. Era o que via neste momento. A decoração interior é toda em homenagem à Amazônia e as tábuas formam uma mesa e sobre ela um lindo cachorro feito em bronze que parece andar. Agora compreendia porque a minha memória visual tinha gravado o medo. O cachorro, que na viagem astral não pude ver de perto, era mesmo feio e imediatamente minha memória celular associou cachorro preto ao lado escuro da força. Lembro ter voltado ao corpo de supetão e quando isso ocorre há dores físicas. Mas ali estava o cachorro, uma obra de arte antiga.
          Antes de preencher os papéis do hotel, dei uma olhada geral no saguão para me certificar. O chão, de mármore branco, tem o desenho estilizado da letra tibetana que uso no meu cartão de visitas – o nó da eternidade. Todas as cadeiras têm o mesmo símbolo. Na parede, artesanato dos índios amazônicos e pinturas de pássaro. Nada a temer, fui para o quarto. Logo na entrada, outra surpresa. A cortina do quarto é igual à do meu apartamento em Brasília. Os sinais espirituais estão em toda parte. Naquela noite, muito cansado da longa viagem entre Estados Unidos e Portugal, que passa pelas geleiras do Pólo Norte, sonhei que entrava em uma loja e via um quadro de Maria, a Senhora de Fátima.
        Dividi o relato desta viagem a Portugal em vários textos por causa dos acontecimentos a cada lugar relacionados. Em Fátima, no poço onde as três crianças se reuniam e onde receberam o Anjo Miguel para a preparação de tudo o que lhes iria acontecer, senti um forte cheiro de rosas. As pessoas não conseguem falar muito. O lugar impõe um misterioso silêncio de muita paz. Bebi da água do poço oferecida por uma parente dos pastorinhos, com mais de 80 anos. A casa, o curral das ovelhas, os objetos pessoais, um retrato de simplicidade. Em um dos livros que adquiri no lugar, há um relato de um padre  furioso porque a Senhora de Fátima aparecia a crianças camponesas, analfabetas, e não em sua igreja, já que ele era “o representante de Jesus”. Ele dizia isso querendo invalidar as aparições e fortalecer a idéia, compartilhada até pela mãe das crianças (por medo), de que elas mentiam. Esses acontecimentos tiveram lugar a partir de 1917.
     O santuário principal fica em torno do local onde a Senhora de Fátima aparecia sobre uma pequena árvore. Hoje o lugar é uma capela. Toda a atmosfera do local é especial. Eu não conseguia pensar em mais nada. Na frente dessa capela há uma igreja belíssima, onde estão os restos mortais de Jacinta, Francisco e Lúcia, os três videntes. É interessante ver que a palavra vidente aparece em todos os relatos e textos católicos à disposição no lugar, muitos deles publicados pela Igreja Católica, em contraste com o que prega a Igreja Católica sobre espiritualismo. Fátima impõe essa verdade incontestável, testemunhada por milhares de pessoas. São quatro milhões de turistas por ano, de todas as partes do mundo. Mesmo na época da aparições, em um só dia mais de 70 mil pessoas viram o que descreveram como “uma bola de fogo” que desceu dos céus. Era a Senhora de Fátima, depois que os pastorinhos, três pequenas crianças, haviam sido presos e colocados na cadeia junto com criminosos comuns, a mando da igreja, pelas autoridades da região. Nas memórias escritas, Lúcia, a sobrevimente guardiã dos “segredos” revelados pela Senhora de Fátima, todos relativos aos acontecimentos futuros na Terra, recorda que Jacinta, a pequenina, se ajoelhou no chão da cadeia, para “oferecer aquele sacrifício”, pensando que iriam ser mortos, e os presidiários todos se ajoelharam…
       Quando atravessava de um lado para outro da praça onde são realizadas as missas para as multidões e onde ocorrem as celebrações das aparições, ouvi a praça inteira cantar hinos a Maria. Apertei meus dois ouvidos e continuei a ouvir. A praça estava fisicamente vazia e em silêncio, mas no mundo paralelo e invisível estava cheia e cantando. Na hora da missa, que resolvi assistir, chorei emocionado quando uma velha feira entoou cânticos à Senhora de Fátima. A igreja estava lotada e eu comecei a chorar. Tentei me controlar e não consegui. Deixei o choro fluir. Logo atrás de mim outro homem começou a chorar. Pensei comigo: logo dois homens chorando? Daqui a pouco, o choro se espalhou pela igreja. A direferença é que não é um choro de tristeza, é de alegria, uma alegria indescitível, a energia de Maria… O meu coração vibrava e tive que tirar os óculos porque a visão voltou ao normal – como acontece com Reiki e com outras práticas energéticas. Senti os músculos do meu braço esquerdo serem mexidos, exatamente onde durante todo o inverno passado esteve dolorido. Sem medo de estar violando princípios religiosos, em um impulso forte entrei na fila e comunguei. Como deixaria de partilhar o que era chamado pão, naquela casa de que recebia com tanta beleza, oração e que reverenciava Jesus?
       Dei risadas escondidas na hora do sermão. O padre começou a falar em perdão, misericórdia, compaixão. Disse que Maria nos exaltava a sermos “perfeitos” e que “a perfeição de Deus é muito mais do que o pensamento poderia alcançar”. Sabia, naquele momento, que aquelas palavras eram inspiradas pela Senhora de Fátima devido a linguagem universal que elas representam e se repetem nos textos budistas e nos ensinamentos da Deusa da Compaixão, Kuan Yin. Sim, definitivamente, a Senhora de Fátima não é um mimo para os católicos. Ela é a energia universal da compaixão, do perdão, o amor incondicional que o terceiro milênio aponta como o código para o reencontro com a gente mesmo. Esse lugar é um daqueles que todos devem visitar algum dia para serem tocados como eu fui, para sempre. José Joacir dos Santos, 13 de março de 2007, São Francisco. jjoacir@yahoo.com
 

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