A vida é do jeito que a mente quer
Por: José Joacir dos Santos
Estava em um quarto escuro com outras pessoas e pelas brechas da porta via os dedos de um homem forte, querendo arrombar a porta. Percebi que estava em viagem astral quando me perguntei se era um sonho. As outras pessoas dentro do quarto morriam de medo daquele homem que passarei a chamar de Igor. Estavam todos aprisionadas mentalmente a ele. Compreendi que a minha missão era resgatar essas pessoas, inclusive Igor, que tinha uma forma física monstruosa, com grossos cabelos nas mãos, semelhantes a cabelo de cavalo. Meu raciocínio funcionava em uma velocidade acima da natural, com consciência e percepção de tudo o que acontecia.
Prestes a arrombar a porta, uma arma parecida com faca se materializou na minha mão. A ponta era fina, torta e cabia nos buracos da porta. Com força cortei dois dedos do agressor, que ficou mais enfurecido e tentou enfiar o braço pelas brechas para me pegar. Sem pensar, enfiei a faca pela porta na direção da garganta dele e aceitei em cheio. Ele desmaiou. Neste momento a minha missão acabou. Quando ele desmaiou, toda aquela energia que materializava o corpo dele se desfez. Abri a porta e todas as pessoas puderam ser assistidas imediatamente antes que ele recuperasse a força mental. Aquela faca era plasmada com o mesmo material do corpo mental dele para dar a impressão que era uma faca de verdade, como as que ele conhecia e tinha usado contra pessoas inocentes. O mental dele só reconhecia o que era material e um dos medos dele, talvez de outras vidas, era ser degolado. A minha energia foi utilizada para penetrar no medo, fraquejar a força mental e, nesse intervalo de milésimos de segundo, cortar os laços que prendiam aquelas pessoas a ele pelo medo. O medo como energia comum dos dois lados desta história foi utlizado pela espiritualidade para facilitar o acesso ao mental de ambos e libertá-los.
O quarto encheu de luz e eu saí. Era de madeira, antigo, no meio de uma floresta. Pude ver, e figuei emocionado, os inúmeros trabalhadores espirituais que estavam nas redondezas, cada um com uma função diferente, inclusive a de me tirar do lugar se não tivesse sucesso a minha missão. Assim como os guarda-costas de uma autoridade do lado de cá, esses trabalhadores estavam todos camuflados para parecer pessoas comuns naquela região e não levantar suspeitas. Enquanto observava, meu cordão prateado foi puxado a uma certa velocidade e eu pensei que já ia ser devolvido ao meu corpo, mas não fui.
Até chegar no próximo destino, pude me divertir com chuva, neve e frio. Via cair a neve e a chuva, sentia que fazia frio mas nada me afetava. Neste momento eu me deliciava em ver esse fenônimo com toda nitidez e consciência. Voava tão próximo às casas que podia ouvir diálogos e outros sons das pessoas. Por um momento tive vontade de parar para ver algumas cenas mas quem me puxava me lembrou imediatamente que eu não estava fazendo turismo.
Fui “solto” em um lugar onde moravam freiras ou monjas, não deu para saber exatamente se eram católicas ou de outra religião. A irmã que veio ao meu encontro, a “superiora”, não me olhou de frente e cobrindo o rosto disse: eu não sabia que você era chinês… Eu, chinês? – respondi. Ela riu, olhou para mim e aí compreendi a surpresa dela porque sua face parecia de japonesa. Mesmo no astral, a herança genética tem influência e eu compreendia que isso fazia parte da richa inútil entre chineses e japoneses até hoje. Outra irmã se aproximou. Olhou para ela com ar de repreensão e ela imediatamente virou para mim e disse: muito bem, o meu código é tal e tal — Um número imenso, com letras e números, parecendo código de barra de mercadorias. E o seu é tal e tal, não é? Não sei, é – respondi. A outra irmã olhou novamente para ela e deu outro empurrão. Compreendi que a interferência da outra era para quebrar a insegurança e a rigidez mental da irmã que me recebia, que era acostumada à rigidez da disciplina da organização religiosa que pertencia. Estava calmo, mas sabia que o tempo é ouro nesses momentos. Por fim, a irmã me levou até um poço, desses de água, e disse: eu nem quero chegar muito perto deste local, mas é aí. Enquanto colocava a cara no buraco a irmã saiu correndo do local.
Mal deu tempo de enfiar a cara no buraco e fiquei logo sabendo qual era a minha missão: Um ser masculino emergiu do buraco, inchado, branco, e tentou me amedrontar fazendo caras e bocas. A cara dele se transformava nas feições mais horripilantes possíveis e ele me agarrou dizendo que ia me fazer “em pedacinhos”. Grudado ao corpo dele, comecei a falar sem parar. A minha missão era tentar convencê-lo a sair do lugar onde ele tinha morrido e de onde atormentava a vida daquela comunidade, inclusive impedindo que o poço fosse utilizado. Quando disse que ele tinha morrido, ele mostrou o rosto real e disse, com sarcasmo: eu, Victor, morto? Senti ele me apertar como se fosse me esmagar. Mantive o meu discurso sobre morte, reencarnação, tempo que ele estava, que não tinha medo dele, que os apertos dele não funcionavam, que era tudo mental, que ele tinha se aprisionado por medo e covardia etc. Quando mais ele me apertava mais eu falava, parecendo uma gravação. Não sei o que aconteceu porque fui puxado e colocado de volta no meu corpo. Na minha cama, as imagens ainda eram muito nítidas na minha mente e tive que mandar Reiki para aquela situação. Levantei da cama completamente descansado, tranquilo, ciente de que tinha trabalhado e que era maravilhoso poder fazer isso. Não foi fácil para mim perder o medo de enfrentar essas situações, mas a ajuda dos nossos protetores é enorme.
Essa experiência vem a confirmar a importância de se ter uma mente sadia, equilibrada, vigilhante, centrada nos aspectos bons e positivos da vida porque a gente nunca sabe a hora exata de ir para o outro lado da vida. O que a gente sabe, com certeza, é que a gente leva a mente do jeito que ela estiver conectada aqui e agora, mais nada. Se você morresse agora, neste instante, ao que e a quem você estaria atrelado? Como está a sua mente? O que anda pensando? Onde está colocando o seu foco de vida? Em quem você pensa o tempo todo? Que sentimentos você guarda na mente? Seja qual for a resposta, é o que você será quando sair do corpo atual definitivamente e será com essas imagens que você cria ou que deixa interferir no seu ser que você vai ter que lidar sozinho. Qual será a história das pessoas acima que usavam o medo para manter os seus próprios medos? O que você está pensando agora? José Joacir dos Santos é psicoterapeuta, psicossomatista, jornalista. jjoacir@yahoo.com

