Faltando dez horas para o ano novo de 2007, resolvi dar uma passado do supermercado chinês, não muito longe de casa porque moro em um barro de chineses em São Francisco, uma das primeiras colônias chinesas nos Estados Unidos, que daqui se espalhou pelo resto do país. Frutas e vegetais são sempre frescos e lá você encontra tudo de todos os países da ásia. A sofisticação e a expressão da cultura oriental é tanta que você compra, por exemplo, milho verde sem palha importado do Vietnã. Mesmo com toda minha experiência de vida em países asiáticos, há muita coisa aqui que nem sei como cozinhar. Este lado oriental de aproveitar tudo que a natureza oferece é uma lição que nós, brasileiros, deveríamos aprender, já que o país é rico em recursos naturais de toda espécie e populações inteiras passam fome em cima da comida porque não têm a curiosidade de experimentar o que o universo coloca em suas mãos.
A lição de hoje, do mercado chinês, é sobre a relatividade do tempo. Enquanto que as famílias brasileiras, assim como as norte-americanas, estão neste momento apressadas nas cozinhas, nas ligações telefônicas, nas correrias de um lado para outro da cidade como se o mundo fosse acabar na passagem do ano, aqui no mercado chinês a população de origem oriental faz suas compras da semana com calma. Na mistura de línguas, a conversa deve girar em torno de quantidade e preços. As mulheres devem estar fofocando sobre as melhores receitas, embora nos restaurantes chineses, de um modo geral, homem é quem cozinha. Não há outra preocupação neste lugar, assim como não havia em Pequim, nesta época, quando lá morei. Todos sabem que faltam poucas horas para o ano novo mas este ano novo que está para chegar não é o mesmo ano novo que os orientais comemorarão em meados de fevereiro. Então, como todos os textos sagrados dizem, o tempo é uma mera ilusão, que essá na cabeça de quem pensa nele. Não é o tempo quem escolhe você, é você quem escolhe o tempo para você mesmo. Se o tempo é uma ilusão, então é besteira pura mergulhar nos calendários, agendas, relógios, assim como olhar para aquilo que não fez na vida, as pessoas que se foram, as oportunidades que deixou cair como areia das mãos, a eterna espera que a felicidade venha dos outros. Ocorre-me aqui o texto sobre a Lei da Atração, ditado por Abraham, um espírito moderninho que tenta passar um segredo antigo e pouco observado pela humanidade: focar no melhor da vida. É preciso lidar com relógios e calendários mas o foco deve ser absolutamente outro: mobilizar o tempo para que ele seja suficiente para viver a vida plenamente, com muito amor, alegria, prosperidade, felicidade, saúde, beleza e todas essas boas coisas que a gente tem hábito de enviar pelos cartões, e-mails, telefonemas mas não presta atenção e nem vivencia na plenitude do que isso significa.
Causou furor no Brasil o conteúdo do livro sobre a Lei da Atração (The Law of Attraction, psicografado por Esther and Jerry Hicks), especialmente porque vem de fora e aqui daquele velho calo: a mania brasileira de pensar que o que vem lá de fora é o correto, o melhor, o que deve ser seguido e feito. Ledo engano! Como um aluno meu de Reiki lembrou bem, todo o conteúdo da Lei da Atração está em texto psicografados por Chico Xavier há mais de vinte anos. Quando Jesus chegava nos lugares e multiplicava pão e vinho, qual era a lição? Prosperidade, abundânica, alegria, saúde são possíveis e podem ser materializados. Não se pode viver só para a espiritualidade assim como só para o lado material da vida. É preciso juntar e usar todos esses recursos com um única finalidade: a evolução individual. Estamos aqui falando do mesmo segredo, que aquele mestre manejava tão bem e que o espírito de Abraham dá nova edição, sutil, digirida a um público que anda muito perdido – o norte-americano. Mais uma vez, comprova-se que os seres universais conectados com o amor incondicional espalham o mesmo conteúdo por diversas partes da terra, de formas diferentes, em épocas diferentes, para fazer com que a chama da evolução se espalhe de uma forma ou de outra, como quem planta vários caroços de milho na mesma cova na esperança de que pelo menos uma semente brote forte, saudável e cumpra a missão de alimentar e revigorar a vida.
Se pesquisamos um pouco mais, vamos encontrar o conteúdo da Lei da Atração em todos os mantras e orações tibetanas que datam de tempos anteriores ao nascimento de Jesus. A lição é a mesma: viver o presente com intensidade, focando nas realizações, na limpeza emocional genética ou atual. Neste desafio que é puramente individual, pessoal, de cada um, faltam quinze minutos para o ano novo de 2007 e estou aqui escrevendo, aproveitando o tempo e comendo milho cozido produzido no Vietnã. Naruralmente que não tem o sabor daquele milho produzido nas montanhas da Paraíba, mas mesmo assim é milho e é o que tenho disponível neste momento, neste lugar no meu tempo. Viva o ano novo de cada dia! (*) José Joacir dos Santos é Psicossomatista – jjoacir@yahoo.com