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De volta para o futuro – a invasão dos mares

Várias vezes já saí em viagem astral para o futuro. Muitas delas para assistir a invasão dos continentes pelos mares. Desta vez estava na Paraíba. Trabalhava para uma espécie de forças armadas e estava equipado com avançados sistemas de comunicação. Estávamos em um barco submarino. Não tínhamos espaço para salvar todas as pessoas e tivemos que selecionar pela capacidade técnica de cada uma: médicos, engenheiros, soldados, professores, cientistas. Nunca vi algo tão moderno quanto aquele barco. A comida era em pílulas. A água era a do mar, tratada. O colarinho da minha roupa era também uma espécie de rádio-telefone. O barco estava preparado para a submersão, grandes impactos e longos períodos submersos. Vi as inúmeras ondas atingirem e cobrirem as cidades.

Pernambuco e do Rio de Janeiro já estavam submersos. Populações inteiras mortas. Algumas ondas eram mais altas que prédios da cidade. Quando ouve o impacto, o barco simplesmente mexia de um lado para outro e mesma assim podíamos ver em telas de televisão tudo o que acontecia em diversas partes da terra. Quando tudo acalmou abrimos uma porta e tudo era mar. Não havia sinais de vida nas cidades do litoral nos dois lados do Atlântico. Um dos aparelhos retransmitia imagens de uma estação de tv de São Paulo monitorada por computadores. Sabia que deveríamos ficar no mar por longo tempo. Havíamos salvado muitas pessoas e a grande maioria ainda estava em estado de choque. Eu não tinha o meu corpo atual.

Ouça a sua intuição

Por José Joacir dos Santos

Estava de férias na praia de Boa Viagem, Recife. O mundo é lindo quando na sua frente só tem o infinito azul do céu e do mar e nada mais a se preocupar. Por que será que todo turista é feliz? Nesse clima maravilhoso bateu nos meus olhos uma alemã querendo comprar água de coco. Ela falando em alemão e o vendedor falando recifense. Entrei na conversa como tradutor e acabei arranjando uma companhia. Depois que descobrimos que estávamos no mesmo hotel, resolvemos ficar o dia inteiro juntos. Combinamos para jantar. Depois do jantar, voltamos para o hotel e fomos para o quarto dela. Meu sangue fervia. Sem trocarmos sequer um beijo, ela foi tomar banho e do banheiro me chamou. Fui até a porta. Completamente nua e sorridente ela me convidou para se juntar ao banho. Todo o meu sistema emocional respondeu exceto uma intuição forte de que deveria ir embora. Mas como? – perguntei a mim mesmo. Embora! Embora! Embora! – dizia minha intuição. Olhei para a garota, pedi desculpas e fui embora. No outro dia pela manhã voltamos a nos encontrar no café da manhã e ela disse-me que iria embora ao meio-dia. Não fui pra praia como planejei e acompanhei a minha nova amiga ao aeroporto. Nos despedimos e fiquei com o seu cartão. Três meses depois fui mandado a serviço para Alemanha. A primeira coisa que fiz foi ligar para ela e contar a novidade, já me oferecendo para ficar na casa dela.

Cheguei na Alemanha e ela estava me esperando na estação de trem. Minha cabeça já matinava que iria tirar o atraso e compensar pela minha “covardia” da última fez no hotel em Recife. Jantamos, ouvimos música, falamos sobre o Brasil e ela me levou até o quarto de hóspedes. Então você não me perdoou da última vez que lhe deixei no banheiro? Sim, já lhe perdoei e até tinha esquecido disso — respondeu. Então, porque não dormimos juntos hoje? – perguntei. Neste momento ela puxou-me pelo braço, me faz sentar no sofá e disse: “eu tenho Aids. Quando encontrei você em Recife eu já sabia disso e queria me vingar em alguém!”. Foi um momento de choro e silêncio. Passei a noite em claro, agradecendo a todos os anjos do céu por terem me mandado embora daquele quarto de hotel em Recife. Não tenho mais dúvidas das minhas intuições e nem questiono a voz do meu coração. Todos nós temos essa maravilhosa proteção. É só obedecer, sem questionar. Pouco tempo depois, os meus cartões começaram a voltar com a seguinte informação: essa pessoa faleceu. Jamais trocamos sequer um beijo. Mas do dia que nos despedimos até o da devolução do último cartão eu rezei muito para que o espírito dela encontrasse a luz e o perdão. Era uma linda criatura e qualquer um poderia estar no meu lugar…

Um encontro com Nossa Senhora Abadia

Estava em meu quarto, deitado e de olhos abertos, pensando na vida. A porta entreaberta deixava entrar o barulho da tv no quarto ao lado. Senti um forte fluxo de energia entrar pelo teto e não deu tempo de agir, estava paralisado. Uma luz projetou-se do lado esquerdo da cama e era a minha avó Joana, que desencarnou há anos e foi me visitar, em espírito, em Pequim, para anunciar que havia falecido. Ela sorriu e pediu calma. Uma voz masculina, no meu lado direito, anunciou a chegada de Santa Maria Abadia. Fiquei muito surpreso e esperei o momento. Neste momento percebi que o quarto estava cheio de espíritos desconhecidos. Uma intensa luz projetou-se na minha frente, muito mais luminosa do que qualquer luz que já tenha visto. O quarto perdeu a dimensão terrestre e o espaço foi aumentado e ampliado. A silhueta da Santa projetava-se no meio da luz e neste momento eu pensei que iria desencarnar.

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Um portal em Caracol, RS

Fui a Porto Alegre e resolvi passear pela Serra Gaúcha. Desfrutei desde o café colonial até os melhores vinhos. Entre uma cidade e outra no guia se interessou em me levar até a cachoeira de Caracol. Entrei no teleférico como um turista qualquer. A paisagem verde e bonita me enchia os olhos e o destino final era a proximidade com a queda d’água. De início não me preocupei com a queda d’água porque queria ver cada detalhe da vegetação local. Era uma linha manhã de céu claro e de repente algo me chamou a atenção: ao olhar para a queda d’água havia um quadro do lado direito, pintado, mas a pintura era muito viva. Imediatamente comecei a fotografar. Era como um altar ou o interior de uma grande catedral.

Não consegui tirar o olho da cena e percebi que havia profundidade e um certo movimento. Creditei o movimento aos reflexos do Sol e não despreguei o olho de nada. No meio do quadro havia uma Madona com um bebê no colo. Ao seu redor criaturas angélicas com roupas coloridas. Se pudéssemos comparar, diria que se assemelhava aos quadros russos ou bizantinos. A cena me maravilhava e indagava como alguém poderia ter pintado tudo aquilo naquele lugar tão alto e de difícil acesso. Ao chegar no ponto inicial do teleférico perguntei ao guia quem tinha pintado o quadro. Apontei para ele, que estava lá, mas o guia não via nada. Perguntei então a outra pessoa se via alguma coisa do lado direito da queda d’água e aí descobri que só eu via. Para não parecer estranho fiquei calado. Mas o quadro estava lá. Era como se ali fosse um portal para outra dimensão e a imagem me acompanhou pelo resto do dia e volta a cada vez que me recordo.

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