Por: José Joacir dos Santos
Nairobi, Quênia - Cheguei do trabalho cansado e deitei no sofá para assistir às notícias da noite no canal em inglês. Numa questão de segundos fui retirado do corpo e iniciei uma viagem astral em um prédio de apartamentos antigos. Entrei por uma porta estranha, trabalhada em madeira, mas o lugar era desértico e sombrio. No meio do salão surgiu uma mulher idosa e conhecida – mas não nesta vida. Levou-me a outro salão onde haviam mais seis pessoas sentadas ao redor de uma imensa mesa. Como em um piscar de olhos as paredes se levantaram e deram lugar a feixes coloridos dividindo cada membro da mesa. Outra porta se abriu e por ela dava para ver uma fila imensa de espíritos. A mulher mandou que eu sentasse e tomasse a minha posição nos trabalhos. Senti meu corpo magnetizado. Uma mulher em trajes indianos foi colocada na minha frente. Fui instruído a dizer a essa mulher a minha versão de uma história que aconteceu entre nós, na qual fui julgado culpado e morto graças ao testemunho daquela mulher. Era como se um arquivo tivesse sido aberto nas minhas costas e as imagens fluíam na minha mente ao mesmo tempo em que contava a história. Ela reagiu aos prantos, sem querer acreditar no que ouvia, mas foi obrigada a ouvir tudo até o fim. Sentia que eu não podia modificar uma vírgula da história que fluía em mim. Quando acabei, fui instruído a emanar, com as mãos, luzes para a coluna dela. O arquivo dela foi então aberto e ela passou a ver toda a história criada para me acusar e que resultou na minha morte. Fiquei espantado em saber o motivo: recusei a casar-me com ela. Em revanche, ela me acusou de abuso sexual e por isso fui morto na prisão. A surpresa maior foi quando descobri que o mesmo personagem estava na minha vida agora em forma de colega de trabalho. Ela me cercava de todos os lados mas eu sentia verdadeira aversão. Ao voltar ao corpo, o jornal estava na metade. Neste momento a pia da cozinha disparou sozinha e alagou tudo. No dia seguinte, a primeira coisa que fiz no trabalho foi desfazer um programa de viagem que faria com os colegas do trabalho, no qual dividiria o quarto com a tal moça. Ela ficou uma fera e eu passei a trabalhar o perdão e o amor universal a cada minuto que ela passava ao meu lado. Errar novamente, sendo avisado, jamais!
20/12/2006 ·
13:50 ·
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Por: José Joacir dos Santos
Sai do jornal onde trabalhava perto das seis da tarde daquele sábado. Parei no sinal em frente ao Palácio do Governo e esperei. De repente um homem surgiu na porta do carro com uma faca no meu pescoço. Fiz o que mandou e seguimos naquela estrada pouco movimentada e escura. Mandou que saísse da pista. Segurando-me pelo colarinho, disse: “Passe o dinheiro, o cordão, a chave e saia do carro”. Fora do carro mandou que tirasse a roupa e os sapatos. Contestei e ele passou a me chutar. Comecei a falar que era casado, que tinha filho pequeno, que ele já tinha tudo, inclusive o carro, e que me deixasse ali. Continuou batendo. Quando me abaixei para tirar os sapatos, uma força que não sei de onde veio se instalou em mim e aceitei em cheio no meio das pernas dele. Surpreso, ele colocou as mãos no sexo e eu aceitei novamente na cabeça dele. Feito isso sai correndo sem camisa no escuro em direção ao asfalto e ele corria, a certa distância, atrás de mim. Vi uma luz vindo na direção e fiquei bem no meio da pista. Era uma moto e quase me atropelou. Continuei a correr e ai veio um carro. Fiquei no meio da pista novamente e o carro parou. Ofegante, disse ao motorista que estava sendo assaltado e pedi ajuda para evitar que o ladrão levasse o meu carro. O motorista apontou uma arma na minha direção e disse para levá-lo até o carro. Sai andando com os faróis nas minhas costas.
Visto o carro, o motorista saiu e passou a gritar: venha filho disso e daqui, não é homem? Venha aqui que eu quero meter oito balas na sua cabeça! Nada aconteceu. O ladrão estava escondido no mato. Então o motorista, em voz alta disse: “vou lhe dar esta arma e vou chamar a polícia. Se ele aparecer você enfia essas balas na cabeça dele”. Quando segurei a arma percebi que era um vidro de creme ou shampoo e que na escuridão parecia uma arma. Não tive mais como reagir porque o motorista já tinha dado marcha a ré e voltado na direção de onde tínhamos vindo. Fique andando ao redor do carro com “a arma” na mão apontando como se assim fosse. Em poucos minutos dois camburões da polícia chegaram com o motorista. Fizeram uma varredura no local, com faróis ligados, e nada. O ladrão havia sumido. Fui com o motorista em casa buscar a chave reserva e a polícia ficou no local. Voltamos e nos despedimos. O motorista me abraçou e disse que trabalhava em uma praça ali perto. No outro dia voltei ao local e achei a chave. O ladrão não levou nada porque antes de sairmos para fora do carro ele deixou tudo no banco. Fui até a praça procurar o motorista e ninguém conhecia alguém com tal descrição. E os policiais eram de verdade? Fui na delegacia e não havia registro algum sobre o ocorrido e eu havia assinado um papel. Pouco tempo depois pedi demissão e aceitei o convite para ir para a China porque compreendi que estava na direção errada da minha vida e aquele assalto era uma advertência.
20/12/2006 ·
13:50 ·
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Por: José Joacir dos Santos
Muita água corre debaixo da ponte até que a gente comece a acreditar em tudo que ver, sente, intui, sonha ou acontece por “coincidência”. Acabei com essa história de coincidência no dia em que compareci a uma sessão marcada com um vidente de Brasília. Jamais tínhamos visto um ao outro. Ele só sabia o meu nome. Ao entrar na sala disse para mim mesmo: aqui eu sou cliente. Mesmo assim, sentia uma forte energia conhecida no ambiente. Olhei os objetos e procurei ver algo que me fosse familiar. Nada. O médium chegou e me perguntou o motivo da minha visita. Disse que não sabia ao certo. Ficamos em silêncio. Ele interrompeu e perguntou: Você que saber o quê? Não sei, respondi. Ele então disse: tenho aqui dois visitantes parentes seus, reconhece? Ambos chamam-se Francisco e querem saber o que você quer! Fiquei emocionado porque sabia que eram o meu pai e um dos avós, que nem conheci. Respondi: está bem, quero abrir meu consultório de terapeuta. Houve silêncio e o médium falou meio irritado: você tem até dezembro para fazer isso. Estávamos em janeiro e eu não tinha dinheiro para isso. Ao chegar em casa havia um recado do meu chefe dizendo para arrumar as malas porque eu iria para a África a serviço. Fui para a África e minha missão durou de fevereiro a meados de novembro. Voltei a Brasília e no final de novembro eu estava com o consultório montado. Agora sei que a paciência da espiritualidade tem limites. Já estava mais do que na hora de botar em prática anos de estudos e dedicação, mesmo por que é na prática que a gente precisa estudar mais.
20/12/2006 ·
13:48 ·
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Por: José Joacir dos Santos
Cheguei na China em 1989 e o primeiro ano foi muito difícil. A Embaixada Brasileira não era organizada. Não havia um serviço de apoio a funcionários brasileiros e ninguém havia pensado nisso. O Embaixador era só trabalho e passávamos longas e intermináveis horas na embaixada. Isso anulava as possibilidades de uma vida particular normal fora do trabalho. Eu só tinha um final de semana alternado para botar a casa em dia, comprar comida, e pesquisar os assuntos do meu interesse holístico. Driblava da melhor maneira possível para ter aulas particulares. O único lazer disponível era uma piscina em um grande hotel, que só fechava às onze da noite, e a ela me filiei. Era até gostoso sair a uma temperatura abaixo de zero e ir nadar em uma piscina com a temperatura normal. Foi nessa piscina que numa noite fui abordado por um rapaz chinês. Estava de saída do vestiário, de costas para a porta e arrumando minha bolsa, quando ele se dirigiu a mim, em inglês, me chamando de orgulhoso e pedante. Achei que não era comigo e não olhei. Ele então disse: é com você mesmo que estou falando! Olhei e tremi todo. Era o mesmo rapaz que tinha sonhado há seis meses atrás, em um daqueles sonhos que você acorda sem reconhecer o lugar onde está. Você me conhece de onde? – perguntei. Daqui mesmo – respondeu. Quer jantar lá em casa hoje? – perguntou.
Como, nem lhe conheço! – respondi. Mas eu já lhe conheço, vamos – disse. Olhei para aquele rapaz e senti que estava voltando ao passado. Fomos de bicicleta para a casa dele com a recomendação de que não deveria abrir a boca para que os vizinhos não soubessem que eu era estrangeiro. Como era inverno e estava vestido com pesadas roupas, era fácil disfarçar. Chegamos na casa dele, subimos a escadaria estreita típica dos prédios copiados dos russos. A mãe abriu a porta e vi o pai sentado à mesa. Era tudo muito familiar e fui recebido como se fosse da família. Não sei o que conversaram porque não falava ainda nada de mandarim, mas fui servido com uma quente sopa de vegetais. Daquele dia em diante e por cinco anos essa família guiou todos os meus passos naquele país, direta e indiretamente. Através dela tive acesso a tudo que um ordinário cidadão chinês teria, nas inúmeras redes de proteção e sobrevivência. Conheci médicos, professores, monges, artistas, gente que faz. A cada passo que dávamos na amizade mais ficavam claros os sinais de inúmeras vidas vividas juntos. Eu mudei o rumo dessa família e ela me fez refazer o curso de minha vida atual. Quando a mãe faleceu em Pequim, em 2001, veio até a mim, em Brasília, avisar e perguntar o que fazer. O comunismo tinha reprimido a fé e a religião e ela não sabia como lidar com isso depois da morte. Fiz um pequeno ritual e ela foi embora.
20/12/2006 ·
13:47 ·
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